Grande corrupção é a causa da crise/s

CORRUPÇÃO  NA  ORIGEM  DA  CRISE – 6  (-por Ant.J. Augusto, b ,24/2/2013; Continuação)

             SAÚDE  (PPP)

Tem sido uma loucura de vigarices, embora nestes casos o Estado tenha que ter mais cuidado, em comparação com as PPP rodoviárias, pois os doentes podem ser afectados por eventuais chantagens dos concessionários.

             ÁGUA  (PPP)

São PPP a nível autárquico, em que se garantiram todos os lucros aos privados e todos os eventuais prejuízos aos consumidores, com o aumento do preço da água a disparar, de forma completamente arbitrária, dependendo da capacidade negocial que cada autarquia tenha.

            MÁFIAS  VERSUS  DEMOCRACIA

    Porque é que a máfia nasceu e cresceu na Sicília e porque é que na Grécia há um culto ao não pagamento de impostos?

Estes dois países têm em comum o facto de durante séculos terem sido dominados por potências estrangeiras.

   A Grécia, na antiguidade, foi dominada pelo Império Romano, depois pelo Império Bizantino, a seguir pelo Império Otomano, em 1840 instalou-se uma dinastia alemã/dinamarquesa que governou até aos anos 1960 a que se segue a ditadura dos coronéis.

    Até à queda desta ditadura os gregos nunca se reviram nos seus governos. Pagar impostos era pagar a pessoas que não os representavam.

Ironicamente, os guerrilheiros gregos que iam assaltar os otomanos chamavam-se kleptos, nome por que ainda são conhecidos os guardas que nos dias de hoje estão colocados na entrada do Parlamento grego. Tal fenómeno passou-se na Sicília.

    Foi governada sucessivamente pelos romanos, normandos, árabes, Bourbons espanhóis, Bourbons ingleses e finalmente pelos Saboias que se sentiam mais franceses que italianos.

    Durante toda a sua história os governantes foram estrangeiros, o que deu origem ao aparecimento da máfia como grupo de resistência contra os sucessivos governos. Passou a existir um Estado dentro de outro Estado, pois as pessoas mais depressa se identificavam com a máfia do que com o Estado institucional.

    Repare-se que nos tempos actuais, em Portugal, a corrupção espalhou-se de tal maneira, a nível do poder, que as pessoas já começam a não se rever nos órgãos políticos, nomeadamente no governo. Nesta situação o Estado passa a ser um filão que é preciso assaltar antes que outros o façam em nosso lugar.

    Assim, combater a corrupção é também defender a democracia, na medida em que os cidadãos, não se revendo nos seus governantes, podem lançar-se numa guerra civil larvar, onde ninguém confia rigorosamente em ninguém.

            GRANDE  CORRUPÇÃO/  PEQUENA  CORRUPÇÃO

   Existe uma grande correlação entre a grande corrupção e a pequena corrupção, favorecendo-se ambas mutuamente. Os mesmos portugueses que possam praticar a pequena corrupção, quando no estrangeiro, inseridos em organizações mais estruturadas e mais sérias, não a praticam e são apontados como exemplo. Logo, pode concluir-se que a grande corrupção é que origina a pequena corrupção, tese bem fundamentada nos velhos ditados portugueses “ou há moralidade, ou comem todos” e “o exemplo vem de cima”.

            CONCLUSÕES

    Não há quaisquer fundamentos para afirmar que a crise é devida ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, afirmação essa que é feita para os fazer expiar esse “grande pecado” impondo-lhes o castigo da austeridade.

    A principal causa para esta crise foi a corrupção e a especulação em todas as áreas.

    Nem os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades, nem a austeridade é um caminho sem alternativa.

   Um dos caminhos para se sair desta situação passa pelo aparecimento de uma forte censura social às pessoas envolvidas em actos corruptos, pelo aumento da transparência das despesas das administrações públicas central e local, através do acesso fácil, para consulta, aos dados dos políticos e das organizações pela simplificação legislativa, por um melhor funcionamento da justiça e pelo cabal desempenho das funções do Presidente da República com vista ao regular funcionamento das instituições.

    Existe uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento:     a corrupção cresce em sentido contrário ao do desenvolvimento. Esta conclusão é facilmente constatada ao compararem-se os mapas de desenvolvimento humano publicados pela ONU com as tabelas de percepção da corrupção editadas pela Transparency International.

    Se Portugal aspira a algum desenvolvimento na próxima geração, só com o combate à corrupção será possível minimizar a actual crise que estamos a viver, pois se a corrupção é a principal causa dela, a única forma de evitar crises futuras é combater a corrupção



Publicado por Xa2 às 18:46 de 26.02.13 | link do post | comentar |

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