Querem outra ...? ... e será pacífica ?... dizem que à 3ª é de vez ...

Portugal:  1,5 milhão  contra a  troika  e o  governo de  direita  (-por A.Paço)

     As manifestações de ontem, 2 de Março, em 40 cidades de Portugal reuniram, segundo a imprensa, 1,5 milhão de pessoas contra a troika (FMI, BCE, UE) e o governo de coligação de direita que, a coberto do «pagamento da dívida», uma dívida que não é pública, mas privada, e «nacionalizada» ao serviço dos privados que a contraíram, opera uma gigantesca contra-reforma cujo objectivo é destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos, fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

     Em Lisboa, entre o início da manifestação, na Praça do Marquês de Pombal, e o local onde terminava, o Terreiro do Paço, fronteiro ao Tejo, distam 2,6 km que se encheram de gente ansiosa por ver-se livre do Governo de direita e da troika. Quando a cabeça da manifestação começou a andar, já os 1500m da Av. da Liberdade, que se estende à sua frente, estavam cheias de uma maré humana que gritava palavras de ordem como «Está na hora de o governo se ir embora» ou «Quem deve aqui dinheiro é o banqueiro». Como em 25 de Abril de 1974, início da Revolução dos Cravos, voltou a ouvir-se «O povo unido jamais será vencido». A dimensão internacional dos problemas que os Portugueses e os povos do Sul da Europa enfrentam também não foi esquecida: «Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal – a nossa luta é internacional», gritou-se. [contra a Ditadura Financeira e seus títeres desGovernantes]

     No Porto, segunda cidade do País, estariam 400 mil pessoas – a maior manifestação de sempre na capital do Norte – que encheram completamente a enorme Praça dos Aliados.    «Gatunos», «corruptos», «ladrões» eram outras das palavras que surgiam nos cartazes de confecção caseira que eram levados pelas pessoas. «É melhor votar em Ali Babá, ao menos sabemos que são só 40 ladrões», dizia um deles.

     As manifestações foram convocadas pelo colectivo Que se Lixe a Troika, uma constelação de grupos de activistas, e não pelos partidos de esquerda ou pelos sindicatos. BE e PCP anunciaram, no entanto, a sua adesão e estiveram presentes dirigentes e alguns deputados de BE, PCP e PS. Pela primeira vez, a maior central sindical, CGTP, dirigida pelo partido comunista, aderiu publicamente a uma iniciativa não promovida por ela própria. Porém, António José Seguro, secretário-geral do PS, principal partido da oposição, preferiu estar ausente numa pequena cidade do Alentejo onde não houve manifestação e foi ambíguo nas suas palavras, referindo-se à necessidade de mudar de política, mas não de governo.

     Indicador de crise, quase 24 horas depois nem Governo nem Presidente se pronunciaram ainda sobre as manifestações.

Um outro sinal da associação das manifestações de ontem à revolução de 25 de Abril de 1974 foi o entoar de «Grândola, vila morena», a canção de José Afonso que serviu de sinal às tropas que saíam para derrubar a ditadura, por muitos milhares de gargantas, de Norte a Sul do País – e até no estrangeiro, como em Paris, onde uma centena de manifestantes se concentrou junto do Consulado de Portugal.

    «O 25 de Abril que o meu pai fez vou ter de voltar a fazê-lo eu», disse uma mulher de 46 anos, Isabel Mora, que desfilava ao lado da filha de 16.

• A intenção deste artigo era divulgar as manifestações de ontem «lá fora». Por isso o publiquei em inglês e francês. «Mas e os brasileiros?», chamaram-me a atenção. Por isso, especialmente para eles e para os espanhóis (que sabem ler português – até sabem cantar a ‘Grândola’), aqui vai o texto também em português.

   Portugal: 1.5 million against the troika and the right-wing government  ( ENG )

   Portugal: 1,5 million contre la troïka et le gouvernement de droite        ( FR )

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dn  JN Moção de Censura Popular – 2M – 1.500.000 vozes a cantar a Grândola. Quem não ouve isto não ouve nada.  


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 07:50 de 04.03.13 | link do post | comentar |

13 comentários:
De silva a 9 de Março de 2013 às 23:29
http://revelaraverdadesemcensura.blogspot.pt/2012/07/descobrir-realidade-casino-estoril-uma_9779.html?showComment=1357944706515


De .Preciso novo 25Abril popular.- P.Veloso a 5 de Março de 2013 às 09:47
General Pires Veloso .....

HOJE, EM PORTUGAL, NÃO ESTÁ A SER RESPEITADA A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA, ATROPELAM-SE AS LEIS, O POVO, EMBORA POSSA FALAR, VIVE ASFIXIADO PELO PODER POLÍTICO, VIVE SITUAÇÕES VERDADEIRAMENTE AFLITIVAS POR ESTAR A SER GOVERNADO POR GENTE INEXPERIENTE E INCOMPETENTE, POR ESTAR AO SERVIÇO DO CAPITALISMO SELVAGEM,MAIS RETRÓGRADO.

É UM GOVERNO DESTES, ANTI-POVO E PROTECTOR DOS PODEROSOS, TEM DE DESAPARECER DE CENA RAPIDAMENTE, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS...


PENSEMOS BEM NESTAS PALAVRAS E NAS OUTROS PRESTIGIADOS MILITARES E DE ILUSTRES PERSONALIDADES DA CLASSE CIVIL E ECLESIÁSTICA, NESTE CASO, COMO D. MANUEL MARTINS, EX-BISPO DE SETÚBAL, D. JANUÁRIO TORGAL FERREIRA, BISPO DAS FORÇAS ARMADAS OU FREI FREI FERNANDO VENTURA.


PENSEM POR VÓS E NUNCA SE DEIXEM EMBALAR PELA DESINFORMAÇÃO VEICULADA PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL É MANIPULADA PELO GOVERNO OU PELOS DONOS DAS TELEVISÕES E JORNAIS DE QUE SÃO TITULARES E QUE, PR ISSO, "PUXAM A BRASA À SUA SARDINHA".

AGORA LEIAM:

O General Pires Veloso, um dos protagonistas do 25 de Novembro de 1975 que naquela década ficou conhecido como "vice-rei do Norte", defende um novo
25 de Abril, de raiz popular, para acabar com "a mentira e o roubo institucionalizados".[1]

"Vejo a situação actual com muita apreensão e muita tristeza. Porque sinto que temos uma mentira institucionalizada no país. Não há verdade.
Fale-se verdade e o país será diferente. Isto é gravíssimo", disse hoje, em entrevista à Lusa.[1]

Para o General, ... "dá a impressão de que seria preciso outro 25 de Abril em todos os termos, para corrigir e repor a verdade no sistema e na sociedade".[1]

"Não me parece que se queiram meter nisto.Não estão com a força anímica que tinham antigamente, aquela alma que reagia quando a Pátria está em perigo".[1]

"Para mim, o povo é que tem a força toda. Agora é uma questão de congregação, de coordenação, e pode ser que alguém surja" a liderar o processo.[1]

INVERSãO DE VALORES[1]

E agora que "o povo já não aguenta mais e não tem mais paciência, é capaz de entrar numa espiral de violência nas ruas, que é de acautelar", alertou, esperando que caso isso aconteça não seja com uma revolução, mas sim com "uma imposição moral que leve os políticos a terem juízo".[1]

Como solução para evitar que as coisas se compliquem, Pires Veloso defendeu uma cultura de valores e de ética.
"Há uma inversão que não compreendo desses valores e dessa ética. Não aceito a actuação de dirigentes como, por exemplo, o Presidente da República, que já há pelo menos dois anos, como
economista, tinha obrigação de saber em que estado estava o País, as finanças e a economia. Tinha obrigação moral, e não só, de dizer ao País em
que estado estavam as coisas", defendeu.

Pires Veloso lamentou a existência de "um gangue que tomou conta do país. Tire-se o gangue, tendo-se juízo, pensando no que pode acontecer.[1]

E ponham-se os mais ricos a contribuir para acabar com a crise. Porque neste momento não se vai aos mais poderosos".[1]

O general deu como exemplo o salário do administrador executivo da Eletricidade de Portugal (EDP) para sublinhar que "este Governo deve atender
a privilégios que determinadas classes têm".[1]

"Não compreendo como Mexia recebe mais de milhões mil euros por ano e há gente na miséria sem
ter que dar de comer aos filhos.

Bem pode vir Eduardo Catroga (com uma reforma de 10.000 euros por mês e um tacho escandaloso na EDP de 650 mil euros por ano, mais prémios e outras mordomias dizer que é legal e que os accionistas é que querem, mas isto não pode ser assim.

Há um encobrimento de situação de favores aos mais poderosos que é intolerável.
Para Pires Veloso, "se as leis permitem um caso como o Mexia, então é preciso outro 25 de Abril para mudar as leis", considerando que isto contribui para
"a tal mentira institucionalizada que não deixa que as coisas tenham a pureza que deviam ter".[1]

Casos como este, que envolvem salários que "são um insulto a um povo inteiro, que tem os filhos com fome", fazem, na opinião do militar, com que
em termos sociais a situação seja hoje pior, mesmo, do que antes do 25 de Abril:
"Na altura havia um certo pudor nos gastos e agora não: gaste-se à vontade que o dinheiro há-de vir.
...


De .o Desespero ...acções Radicais. a 5 de Março de 2013 às 09:52
INVERSãO DO 25 DE ABRIL[1]

Quanto ao povo, "assiste passivamente à mentira e ao roubo, por enquanto.
Mas se as coisas atingirem um limite que não tolere, é o cabo dos trabalhos e não há quem o sustenha.
Porque os cidadãos aguentam, têm paciência, mas
quando é demais, cuidado com eles".[1]

"Quando se deu o 25 de Abril de 1974, disseram que tinha de haver justiça social, mais igualdade e melhor repartição de bens.
Estamos a ver uma inversão do
que o 25 de Abril exigia", considerou Pires Veloso, para quem "o primeiro-ministro tem de arrepiar caminho rapidamente".[1]

Passos Coelho "tem de fazer ver que tem de haver justiça, melhor repartição de riqueza e que os poderosos é que têm que entrar com sacrifícios nesta
crise", defendeu, apontando a necessidade de rever rapidamente as parcerias público-privadas.[1]

"Julgo que Passos Coelho quer a verdade e é esforçado, mas está num sistema do qual é prisioneiro.
O Governo mexe nos mais fracos, vai buscar dinheiro
onde não há. E, no entanto, na parte rica e nos poderosos ainda não mexeu.

Falta-lhes mais tempo? Não sei.
Sei é que tem de mudar as coisas, disse Pires Veloso[1]

Pensemos bem nisto, porque se não o fizermos quanto antes, pode sair-nos caro.
Há muita agente com fome em Portugal e mutos jovens e não só, sem presente e sem futuro ... sem nada a perder e toldados pelo desespero ...


De .País a SAQUE, jornalistas à porta... a 5 de Março de 2013 às 11:10
alguém sabe alguma resposta ?


MEUS AMIGOS O PAÍS NÃO ESTÁ FALIDO -
O PAÍS FOI SAQUEADO PELOS "GANGUES" DO BPN, (NESTE, CERCA DE 10 MIL MILHÕES),
BPP, BANIF, BPI, BURACO DA MADEIRA (CERCA 9 MIL MILHÕES)
E CONTINUA O SAQUE DO QUE AINDA RESTA. SEM OS JUROS AGIOTAS QUE PAGAMOS TERÍAMOS UMA ECONOMIA COM SUPERAVIT.

AINDA AGORA (CONTAS DE 2011) FORAM MAIS 800 MILHÕES DO QUE O PREVISTO PARA AS PPP DOS GRUPOS MELLO, BES E MOTA/ENGIL, OU SEJA, OS 2 SALÁRIOS QUE TIRARAM À FUNÇÃO PÚBLICA.

E O QUE DIZEM OS JORNALISTAS SOBRE AS PRIVATIZAÇÕES DE EMPRESAS DO ESTADO OU POR ELE TUTELADAS LUCRATIVAS COMO A EDP, REN, GALP, ANA, ÁGUAS DE PORTUGAL, ETC.?

QUE BENEFICIOU O POVO COM ISSO? NADA!
VIU O CUSTO DESSES SERVIÇOS SEMPRE CADA VEZ MAIS AGRAVADOS, PARA BENEFICIAR A MEIA DÚZIA DE ACCIONISTAS QUE AS COMPROU E OS SEUS DE PEÕES DE BREGA, COMO ANTÓNIO MEXIA E OUTROS, QUE GANHAM NUM ANO 7 OU 8 VEZES MAIS O ORDENADO DO PRESIDENTE DOS ESTADS UNIDOS DA AMÉRICA.

QUE TÊM OS JORNALISTAS A DIZER SOBRE ISTO?
E SOBRE JARDIM GONÇALVES (OPUS DEI) COM 170 MIL POR MÊS E AVIÃO DO BANCO À ORDEM?

E SOBRE OS ORDENADOS OBSCENOS DE MILHARES DE OUTROS GESTORES E ADMINISTRADORES PÚBLICOS OU PRIVADOS, SEM QUE O PODER POLÍTICO ACABE COM ISTO, ATENDENDO A QUE O SALÁRIO MÍNIMO DE 485 EUROS É O MAIS BAIXA DA U.E.,
INCLUSIVAMENTE DA ESLOVÉNIA, SAÍDA DA ÓRBITA SOVIÉTICA HÁ POUCO MAIS DE 20 ANOS E COM ASSENTO RECENTE NA U.E, CUJO SALÁRIO MÍNIMO É DE 700 EUROS, COMO NA GRÉCIA.?

PORQUE NÃO DENUNCIAM QUE MILHARES DE PORTUGUESES GANHAM ABAIXO DAQUELE LIMITE E NÃO TEM AS MÍNIMAS CONDIÇÕES DE SOBREVIVÊNCIA?

PORQUE NÃO DENUNCIAM OS DADOS DA ONU SOBRE PORTUGAL QUE TEM 3 MILHÕES DE POBRES ( TODOS OS DIAS MAIS) E 2 MILHÕES DE INDIGENTES?

PORQUE, À EXCEPÇÃO DE HONROSAS EXCEPÇÕES, COMO NICOLAU SANTOS NO CASO DOS ROUBOS NO BPN E OUTROS, OS JORNALISTAS TENTAM FAZER ESQUECER OS MAIORES ROUBOS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL?

PORQUE NÃO VEICULAM NOTÍCIAS SOBRE O QUE SE PASSOU NA ISLÂNDIA QUANDO CHEGOU A CRISE À EUROPA E AQUELE PAÍS CAÍU EM BANCARROTA, TALCOMO A IRLANDA E A GRÉCIA,
CUJO NOVO GOVERNO DE SEGUIDA ELEITO DE SOCIALISTAS E VERDES, MANDOU PARA A PRISÃO OS RESPONSÁVEIS DOS BANCOS ROUBADOS?

NÃO TÊM VERGONHA DE FICAR CALADOS?

AO MENOS – pelo menos, POLÍTICOS E JORNALISTAS - TENHAM VERGONHA !
POBRE PAÍS ! POBRE PORTUGAL !


De celestinoxp a 4 de Março de 2013 às 13:57
ola,
estou a procura de quem queira fazer troca de links...

http://celestinoxp.blogspot.com


De .reTomar a palavra e a Cidadania. a 4 de Março de 2013 às 10:05
Obviamente, demitam-se!
(-por Tiago M. Saraiva, 2/3/2013, )

Todos os argumentos mobilizadores para as manifestações que hoje irão encher as ruas deste país já terão sido dados.
Até entre militantes do PSD a apreciação pública deste governo é devastadora e a sua demissão é a única solução possível para evitar a radicalização do confronto.
Mas vejamos quais são os argumentos invocados para a sua manutenção em funções.

Esgotada que está a tentativa de encontrar dados favoráveis que atestem competência e transmitam confiança (o que dizer de um Orçamento que com um mês de execução já está em derrapagem e a exigir medidas extraordinárias?), o governo tem vindo a entrincheirar-se no argumento da legitimidade democrática e os seus seguidores no de que não há alternativa.

O primeiro argumento radica no pecado da soberba.
A democracia não corresponde a um acto isolado de quatro em quatro anos, em que o povo passa um cheque em branco aos vencedores das eleições.
O célebre momento durante a campanha eleitoral em que uma jovem se dirige a Passos Coelho perguntando se ia roubar o subsídio de Natal da sua mãe, roubo que o próprio nega veementemente e que passados poucos meses veio a anunciar, comprometem tanto a democracia como as nossas carteiras.
No dia em que Passos anunciou o roubo, perdeu legitimidade democrática, por mais deputados que continuem a apoiá-lo.

O segundo argumento procura sustentar-se na preguiça do eleitorado.
Pensa que não há alternativas? Construam-se.
Fazer o contrário é perigoso? Arrisque-se.
Não confia “neles”? Tome a palavra.
Dá trabalho, exige esforço e implica coragem.
Tal como a 24 de Abril de 1974, a luta pela democracia confunde-se com o combate pelas nossas vidas.
Tal como a 25 de Abril de 1974, a liberdade está na rua.


De Stop à DITADURA Mercados Financeiros. a 4 de Março de 2013 às 10:36
Se o governo não cai a bem é porque só cairá a mal?
(-por Tiago Mota Saraiva , 3/3/2013, blog5dias)

Ontem aconteceu algo de extraordinário. Dos gabinetes do governo saem notícias alegadamente científicas sobre a impossibilidade de ter estado tanta gente nas ruas. Mais uma vez, a cientificidade de pacotilha, calcula áreas a partir do Google Earth, IGNORANDO o FACTOR TEMPO.
Ou seja, por exemplo em Lisboa, a meia hora do início da manifestação, a Avenida da Liberdade já estava cheia o que fez com que a cabeça da manifestação (que verdadeiramente nunca o foi) tivesse de arrancar.
A essa mesma hora já estavam uns milhares de pessoas no Terreiro do Paço.
As pessoas que se manifestaram foram as que estiveram pelas ruas entre as 15h e as 20h. Coloquem este dados nas vossas contas e verão uma manifestação extraordinária.
Contudo creio que, ninguém o nega, esta manifestação foi maior que a de 15 de Setembro, que já havia sido maior que a de 12 de Março.
Mas o dado político mais importante não é apenas que foi maior.

Esta manifestação foi muito mais combativa e dura.
Depois do dia de ontem o poder está na rua e se o governo não apresenta a sua demissão nas próximas horas está a esticar a corda de um conflito que não sabemos onde poderá parar.

Imagine o leitor que, na próxima semana, o governo anuncia os cortes dos quatro mil milhões de euros ou o orçamento rectificativo à derrapagem que já tem nas contas do Estado contabilizando apenas os números de Janeiro?
A corda já partiu.

As pessoas perderam o medo.
E mesmo o tradicional discurso dos distúrbios a que Asnes sempre se presta ou o ensaiado “partidarismo” dos organizadores, ensaiado pelo Correio da Manhã (usando como fonte um perfil do facebook aparentemente fabricado para spin) e muito repetido por Ricardo Costa na SIC – que em vários momentos Zandinga previa uma manifestação menor para ontem porque “partidária”, não teve qualquer efeito.

Esta manifestação, aliás, contou com uma forte oposição mediática na sua divulgação, que só foi desbloqueada pelas Grandoladas (Obrigado Zeca, mais uma vez!).

Ontem ficámos mais fortes.
O povo deste país saiu à rua.
Mostrou que quer fazer parte da solução.
Mostrou que se identifica com os valores de Abril e com a sua Constituição.
Mostrou que está disponível para fazer frente à troika e ao seu governo.
------------

o FUTURO somos NÓS, Vamos ser PRESENTE !

SEM MEDO . Estamos Todos Juntos.
--------------
«
STOP die DIKTATUR der FINANZ MÄRKTE »
. To Steal from Us the Value of Our Wage . »

. STOP à DITADURA dos MERCADOS FINANCEIROS . Que nos ROUBA o Valor dos Nossos Salários.
------------- Occupy the Planet - We are the Many - Makana --------

http://www.globalresearch.ca/el-bce-y-la-reserva-federal-al-servicio-de-los-grandes-bancos-privados/5317309#sthash.jn67ZZh8.dpuf

Vale a pena lê-lo todo.Aqui também fica a nú a tal historiazinha mal contada dos “mercados” e dos “estados” como entidadezinhas autónomas e independentes e ainda por cima dotados de “qualificações” humanas.



De .Prontos para dar a Volta a isto. a 4 de Março de 2013 às 11:01
Uma tarde na Avenida

«Uma tarde na Avenida. Esta manifestação, tal como a de 15 de setembro, teve qualquer coisa de onírico.
Como se, de repente, uma cidade inteira decidisse, a uma hora certa, encaminhar-se para uma praça.
Cada um desceu as escadas do seu prédio, ou o elevador, caminhou despreocupado, silencioso, em marcha de passeio.
É uma manifestação de vizinhos, de gente com pouco em comum, "interclassista", novos, velhos, meia-idade.
A revolta é calma, não é arrebatadora, nem sequer apressada.
Gente que se quer fazer ouvir, e escolhe manifestar esse desejo caminhando silenciosamente.
Casacos de peles lado a lado com rastas.
Gente que grita contra o FMI e gente que se arrepende de ter votado no Governo.
Esta já é a segunda vez que a "demografia" mostra à política que algo se está a passar, e muito depressa.
Os partidos do Governo, as instituições que não hibernaram, e os partidos da oposição também, têm de encontrar uma forma de falar com a sociedade.
Porque pelo silêncio que hoje se fez ouvir, o ponto de não retorno parece muito próximo.»

Paulo Pena (via facebook)
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«Se não achassem que serve de alguma coisa sair à rua, as pessoas não sairiam.
Não é só para estarmos juntos e aliviar a pressão.
Não é só terapia.
Há uma determinação de dentes cerrados, de resiliência, de "não nos iremos tão depressa nessa noite escura, nem pensem".
Mas também um cansaço com as palavras de ordem, que se gritam poucas vezes, sem convicção.
(...) Não é que estejamos tristes, derrotados.
É outra coisa. Estamos fartos.
Não partimos montras, não lançamos petardos, não queremos pancada com a polícia (que muito pouco se viu).
Queremos o fim disto, e já nem temos pachorra para explicar, para inventar gritos novos.
É bom que nos oiçam, mesmo calados - porque estamos a dizer chega.
E nem nós somos capazes de antecipar o que pode vir depois.»

Fernanda Câncio, «E depois do silêncio»
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«Fui à manifestação.
Quem não percebe a abrangência da contestação não percebe nada.
As pessoas podem não saber o que querem, mas sabem que não querem isto.
Novos e velhos, de esquerda e de direita, pobres e menos pobres.»

Pedro Marques Lopes (via facebook)


De .'reAfundação' vs Revolução ... a 4 de Março de 2013 às 11:56
“Pode haver uma revolução se não tiram as ilações devidas”
“O governo está sem espaço”, avisa o socialista que diz ter sido “patético” ver Relvas a cantar a “Grândola”
[Rita Tavares, jornal i, 02-03-2013]

Cortar com o Memorando é expressão que já começa a aparecer no discurso deste socialista. Manuel Alegre diz que os portugueses não aguentam tudo e que o país está perto do limite. Limite para quê? Até para uma revolução, se os governantes não revirem posições. Em conversa com o i, o socialista fala de tudo, até da reconciliação com Mário Soares. Defende António José Seguro no PS, mas alerta para a necessidade de uma união à esquerda. Nas vésperas da manifestação, o poeta avisa que o povo não é assim tão brando e que o governo está “esgotado”.


Vai à manifestação?

Esta manifestação é de gente que não tem a ver com os partidos políticos, essa é a sua força e genuidade. Já na outra fui. Espero que seja uma boa manifestação. Vou ver, mas não quero sobrepor-me ou perturbar aquilo que é um facto novo que nasce na internet, do descontentamento das pessoas e que traz novos protagonistas.

Mas há ali envolvência de partidos como o PCP e o BE.

Não foi essa a manifestação de 15 Setembro. Eu ajudei a organizar algumas das grandes manifestações, nomeadamente a da Alameda [no Verão Quente, em Julho de 1975], e não sei se aquela do 15 de Setembro era maior. Foi uma das maiores que vi. Tinha uma natureza diferente, porque eram famílias inteiras na rua, o povo na sua expressão mais genuína, que foi uma coisa muito impressionante, como eu nunca tinha visto.

Faz-se muito o paralelismo destes tempos com os do PREC, é comparável?

No PREC havia uma carga política e ideológica mais aguda e intensa. Estávamos a viver uma revolução, era um confronto mais intenso. Todos tinham a sua opção política e de classe. Aqui era sobretudo uma intervenção cívica. As pessoas vieram à rua para dizer basta, contra o governo, a Taxa Social Única, mas também com aspectos críticos em relação ao sistema político no seu conjunto.

A TSU caiu entretanto, mas o Orçamento trouxe na mesma austeridade sem paralelo. Afinal do que valeu?

Estas coisas são um processo. A menos que haja uma revolução, não é? E às vezes pode haver, se continuam assim, se não tiram as ilações devidas. O que se passou em Itália foi rebeldia democrática. Se não se tiram conclusões, se Durão Barroso continua a dizer o que sempre disse, o BCE também, se os políticos alemães insultam os eleitores... Se não perceberam nada do que se passou, caminhamos para uma situação que deixa de ser uma rebeldia democrática e passa a ser outra coisa qualquer. É assim que se fazem as revoluções. Durão Barroso falou contra o populismo, mas o principal populista é ele. É um dos que está a fomentar o populismo na Europa e estão a desacreditar o sistema democrático.

Mas a revolta seria europeia ou cá?

As coisas estão interligadas. Um dos problemas actuais da democracia é que os governos são eleitos, mas quem é que governa? O BCE, a Comissão Europeia, o FMI e sobretudo a Goldman Sachs. Neste momento, o poder financeiro domina tudo, domina a economia, a política e o poder mediático. E os governos, mais do que governar, são governados.

Mas uma revolução em Portugal era contra os políticos nacionais?

Ai era! Se houvesse aqui uma revolução era contra o sistema, mas acho que não estamos na véspera de uma revolução. Estamos num período em que é possível encontrar soluções no quadro do sistema… há alternativas políticas.

Quais?

A do meu partido, mas também dos outros. O PS pediu mais tempo, agora o governo também quer. Nós ainda não temos dois meses deste Orçamento e já tudo falhou. O governo está sem espaço, os ministros vão a qualquer lado e cantam-lhes a “Grândola”. É uma situação explosiva. As pessoas não são masoquistas. Viram os cortes nas pensões, estão sem horizonte de vida. Como disse o filósofo José Gil, os portugueses estão a ser expulsos do seu espaço e paradoxalmente continuam a habitá-lo. Isto é uma situação como eu nunca vi, nunca existiu. É uma situação explosiva, explosiva!

Nunca existiu? Nem no período revolucionário?

Havia grande esperança. Tinha caído uma ditadura, acabado uma guerra, as pessoas tinham o futuro em aberto. ...
...


De .Pode haver uma Revolução se ... a 4 de Março de 2013 às 12:06
...Quando fala em alternativa é só por via dos partidos? Em Itália não foi assim.

Em Itália não houve alternativa. O erro político da esquerda italiana foi não perceber que era preciso um corte radical com a política de austeridade. Era preciso afirmar a diferença com muito mais radicalidade. Bersani foi à Alemanha, ainda falou num salto federal, deixou subentendida uma aproximação a Monti – que foi trucidado nestas eleições. Mas o Partido Democrático não soube apresentar alternativa, colou-se muito à austeridade. E os partidos da extrema- esquerda colocam-se numa posição de tal radicalidade que as pessoas não acreditam. Bloqueiam muito a situação.

É o que se passa cá?

Não é tanto, porque o PS não está no poder… embora o Partido Democrático também não estivesse...

Mas o PS também não corta radicalmente com a austeridade… Manuel Alegre também não defende o rompimento com o Memorando.

Mas onde está o Memorando?

É a génese da política de austeridade.

Também nunca ninguém me explicou como é que íamos pagar pensões e salários naquela altura. Mas o Memorando foi um pretexto e um álibi para se aplicar uma agenda ideológica que, a partir de certa altura, deixou de ter alguma coisa a ver com a finalidade do Memorando, que está totalmente ultrapassado.

Teve o PS como co-autor...

[Interrompe] O que eu acho é que há que discutir com os dirigentes – e não com estes funcionários que cá vêm – outra política e a revisão total do Memorando. Esta política está a dar cabo do nosso país, isto é um problema de sobrevivência nacional. E se é preciso cortar com o Memorando, corte-se com o Memorando. Se é preciso cortar com a troika, corte-se com a troika. O país está primeiro.

É isso que defende?

Se calhar é o que vai ter de acontecer. Se persistirem nesta política, se calhar vai ter de acontecer.

Qual é o limite?

É aquilo que o povo português for capaz de suportar e eu acho já não pode suportar muito.

Mas já há manifestações, nenhuma fez recuar a austeridade.

O limite são os resultados desta política... eles não estão cá para nos ajudar. Estão a servir os credores. E não quero fazer processos pessoais, mas os governos comportam-se como comissários da troika. Também não sei para que serve um português a presidente da Comissão Europeia. Temos um país mais pobre, a estrutura produtiva do país está a ser destruída. Isto é um desastre, está errado, não serve. Se não serve corta-se, muda-se.

Mas quem é que tem de romper?

Tem de ser de dentro e de fora. O PS tomou algumas iniciativas antes de alguns partidos socialistas. Mas se a Europa não faz nada, temos de pensar na nossa vida. Já existíamos antes da UE e não podemos morrer com uma UE que, neste momento, não tem uma gestão democrática e está submetida aos interesses da potência dominante que é a Alemanha.

Há uma vertente política no projecto europeu que foi descurada. Isso faz falta neste momento? Uma verdadeira União de Estados?

É um erro político colossal ter feito uma moeda única sem os outros instrumentos federais. Sem uma política orçamental comum, uma política fiscal comum. Mas dar um salto para o federalismo com a situação assim, em que já nem sequer há um directório a dois, mas um domínio absoluto da Alemanha, acho que é muito mau para a Europa.

Seria possível Portugal abandonar o projecto?

Temos de ter um plano b.

E passa por aí?

Temos de reflectir sobre todas as hipóteses. Eu antes de mais nada sou português e defendo que continuemos na Europa enquanto isso servir os interesses portugueses. Não quero estar na Europa para liquidar o meu país. O caminho da nossa história nunca foi o interior da Europa. A mim não me interessa pertencer a uma União Europeia dominada pela Alemanha, abdicando de tudo aquilo que foram os grandes caminhos e o sentido da nossa história. Seremos uma pequena província sem importância.

Mas entrar na UE foi determinante. Os fundos comunitários foram o alicerce de muito do desenvolvimento nacional.

Também sacrificámos as nossas industrias tradicionais, as nossas pescas, a agricultura! Ninguém deu nada a ninguém de borla. Nós estamos num confronto de classes. Com a queda do muro de Berlim verificou-se uma hegemonia total do poder financeiro. Como disse Jacques Attali...


De .Pode haver uma Revolução se ... a 4 de Março de 2013 às 12:10
...
Como disse Jacques Attali “não há homens de Estado” e enquanto não os houver na Europa, os mercados continuam a fazer aquilo que querem. Falta um general de Gaulle. A mim bastava-me um general de Gaulle e já as coisas seriam muito diferentes. Devemos dar a volta à Europa, mas também cá dentro.

Como?

Este governo está esgotado, Por muito menos do que se tem passado, o Dr. Jorge Sampaio forçou o António Guterres a demitir um ministro do PS [Armando Vara]. E por muito menos também, por razões ponderosas, foi demitida a Assembleia da República. Acho que estamos a chegar a uma altura...

... de acção do Presidente?

Não quero dizer-lhe o que ele deve fazer, a vida dele também não é fácil. Ele está lá, ele é que tem de fazer esta avaliação. Mas este governo está a ficar sem espaço. Isto é uma coisa um bocado patética. Um ministro desloca-se e leva com uma manifestação.

O_engenheiro Sócrates também teve uma altura em que a cada deslocação tinha uma manifestação a esperá-lo.

Mas não vamos comparar a situação. Teve e é bom que as pessoas protestem, faz parte da vitalidade democrática. Eu estou do lado daqueles que protestam e não percebo os socialistas que ficam muito... talvez estejam traumatizados porque levaram protestos quando foram ministros... Temos de saber de que lado estamos. Neste momento não se pode estar no meio, porque quem está no meio não está em lado nenhum.

Está a falar das críticas de alguns socialistas aos estudantes do ISCTE?

Criticaram muito mal. Se fossem jovens faziam a mesma coisa. Fizemos isso no tempo da ditadura, quanto mais agora que vivemos em democracia.

Mas o protesto não tomou aquelas proporções por estar ali um ministro que politicamente é o elo mais fraco do governo?

Sim, mas o primeiro-ministro também já levou com protestos. Isso exprime mal-estar.

Há ou não um limite aceitável? Augusto Santos Silva, por exemplo, falou no perigo para a liberdade de expressão.

Mas qual limite do aceitável? Qual liberdade, qual treta! O ministro Miguel Relvas não fala quando quer? Estão a brincar comigo? Os socialistas devem estar do lado dos que protestam, não podem é estar no meio.

E o que achou de ver o ministro Relvas a cantar a “Grândola”?

Eu se estivesse lá cantava. O ministro a cantar? Achei patético.

Não é excessivamente romântico utilizar, neste contexto, a cantiga como uma arma?

Ser romântico é uma coisa desprezível?

Em termos de eficácia. Lá fora vão agradecendo esta lógica dos brandos costumes.

Mas este povo fez uma revolução. Estivemos várias vezes à beira da guerra civil, mas tivemos a inteligência de não a fazer. A revolução deixou marcas, de tal forma que um dos seu símbolos, a “Grândola”, continua a ser cantada por gente que não era nascida quando a revolução ocorreu.

Vamos chegar ao que aconteceu na Grécia?

Lá é mais radical e agressivo, mas é menos gente. Não houve manifestações com a amplitude das que existiram em Portugal. É da nossa índole, os povos são diferentes. Mas atenção, se formos ver a história do povo português e do século XX não é tão pacífica como isso. Matou um rei, um príncipe, um primeiro-ministro, os heróis da República, houve o 28 de Maio, depois houve uma série de golpes e contragolpes. É um povo sensato e antigo, inteligente, com bom senso, mas se for preciso atirar a canga ao ar atira. Não aguenta tudo. Ulrich está enganado. Não aguenta.

Estamos perto do limite?

Acho que sim, que há muitos sinais. Não há nenhum aparelho para medir. O_inesperado acontece. Há muitos sinais de descontentamento em todos o sectores. Há que tirar conclusões, de que a troika não nos ajudou. A Europa era um projecto comum e de solidariedade.

Faz falta esquerda? Uma união de esquerda em Portugal?

Faz falta um projecto de esquerda no sentido transformador. A direita tem uma agenda ideológica muito forte e agressiva e a esquerda não. Cada um trata do seu quintal. Houve um tal desequilíbrio no mundo e em cada país que, neste momento, era preciso de novo esquerda no sentido histórico da palavra. No sentido de um projecto de transformação de corte com isto.

Há quatro forças de esquerda parlamento, há condições para a união?

Era preciso um projecto transformador de um deles ou de todos juntos.
...


De .Pode haver uma Revolução se ... a 4 de Março de 2013 às 12:14
...
Era preciso um projecto transformador de um deles ou de todos juntos. Mas não há. Neste momento, o PS, no quadro tradicional da democracia, está a tentar construir essa alternativa. Mas há muita gente centrista. Ainda hoje li um artigo do Francisco Assis, por quem tenho muita consideração, mas penso que não percebeu nada de nada. Está no meio. Ou é liberal ou é socialista. Está no meio e quem está no meio não está em lado nenhum. Não compreendeu nada, isso não leva a lado nenhum, mas aos desastres da esquerda em toda a Europa. Há forças dentro do PS que não têm aquela energia para um projecto transformador que neste momento era necessário. Por outro lado, no PCP e no BE também não é claro qual é o projecto.

Mas distinguem-se muito do PS num ponto: não ao Memorando.

Às vezes dá a impressão que o PS é inimigo principal. Isso não é nada, se o PS romper com o Memorando vão querer que o PS rompa com outra coisa qualquer. Além disso, um bom princípio para haver negociações em política é não se porem condições nenhumas. E também não interessa aqui grandes convergências ideológicas, mas coisas concretas. Estar ou não de acordo em defender a escola pública e o SNS.

O que falha? A direita une-se com facilidade.

Falham os preconceitos políticos e ideológicos. A direita tem uma agenda ideológica e a esquerda não. Não vou alimentar a ilusão, infelizmente, de que se vão entender. Deviam-se entender porque era necessária uma grande viragem à esquerda. Se não houver, vai haver uma viragem populista.

Como em Itália?

Pois. Ou um Berlusconi, ou uma coisa que não sabemos o que é. O fenómeno do Beppe Grillo não sabemos o que é. Se não há essa viragem à esquerda, ou há uma revolta no sentido do populismo, ou fenómenos que não sabemos definir, vêm pela internet, sem conteúdo ideológico claro.

Pode acontecer cá? Estas manifestações também nascem nas redes sociais e fora do contexto habitual.

Pode. E os que organizam estas manifestações podem organizar um Grillo ou outra coisa qualquer. Aqui, mesmo assim, a esquerda é mais forte do que na Itália. Se as coisas se agudizarem e não surgir uma alternativa clara não sei como as pessoas vão responder, nem mesmo em eleições.

A do PS não chega?

Espero que chegue.

O partido também está na linha das críticas de quem se manifesta.

Estão todos, o que não é muito bom para a democracia. Nem todos são gatunos, nem todos são maus. Estive numa reunião do Conselho de Estado [com protestos à porta]... eu não sou gatuno, o general Eanes não é gatuno, o dr. Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa não são gatunos. Não pode haver essa confusão Os políticos não são todos iguais.

E essa distinção não se faz? Vimos sondagens a apontarem outro socialista como melhor líder para o PS. Não era importante o partido ter clarificado?

Foi feita a clarificação. Seguro apresentou-se a votos, se os outros não foram lá, sabem porque não foram. O PS está bem nas sondagens em relação aos congéneres europeus.

Mas eu estava a falar nas sondagens sobre quem tem melhor capacidade de ser primeiro-ministro.

Quem ganha os combates é quem os trava. Às vezes, para se vencer a longo prazo, também é preciso saber perder. Não se ganham os combates sem os travar.

O que preferia ter visto acontecer?

Desejo preservar a democracia, uma viragem à esquerda, que o PS seja capaz de a protagonizar, mantendo a linha política de distanciamento da austeridade, demarcação do governo, recusa de alianças à direita. Apoio o secretário-geral do PS. É preciso dar-lhe força.

Qual o problema do PS com o legado de Sócrates?

Não vou falar nisso. O meu adversário neste momento, é este governo. E os que nele mandam, a troika.

Numa biografia de Mário Soares, de Joaquim Vieira, consta uma frase de Sócrates para Soares sobre si nas Presidenciais de 2006: “Já o arrumámos”.

Eu até nem quero acreditar nisso. Não quero acreditar nisso.

Magoa-o a esta distância?

[Pausa] Olhe, eu fiz o que tinha a fazer. Travei os dois combates que tinha a travar. Tenho a consciência tranquila. Sobre o resto não me pronuncio.

E sobre a reconciliação com Mário Soares?

Foi uma coisa normal. Soube que ele esteve mal e fiquei muito impressionado. Travámos muitos combates juntos.
...


De .'Grandola...' -senha para Revolução... a 4 de Março de 2013 às 12:29
“Pode haver uma revolução se não tiram as ilações devidas”
...
...
...

Travámos muitos combates juntos. Telefonei para a família e ele ficou tocado. Aconteceu normalmente.

Ele fez-lhe falta nestes anos de distanciamento?
O que lá está lá está. Telefonei sem esperar nada e um dia apareceu-me o Mário Soares ao telefone e pronto, as coisas resolveram-se, já nos encontrámos. Foi uma coisa normal, correu tudo bem.

Mas fez-lhe falta?

Quando há uma ruptura entre pessoas que estavam muito ligadas e eram muito cúmplices é sempre muito doloroso. E foi para muita gente. Eu ouvi uma senhora na farmácia que me disse: “Ah eu já agradeci à Nossa Senhora e tal...”._Enfim, há pessoas na rua que me vêm dizer que se sentem muito reconfortadas por ter havido esta reconciliação. Aquilo dividia um bocado as pessoas.

Ainda há lutas em que possam entrar juntos?

Primeiro é preciso que recupere. Ainda está fisicamente debilitado. Mas é muito possível que estejamos juntos em batalhas que podem acontecer.

A sua dívida de campanha está resolvida?

No essencial sim. Está resolvido.

Foi uma grande desilusão pessoal aquele resultado em 2011?

[Longa pausa] Eu fiz aquilo que tinha a fazer, travei o combate que tinha a travar. Houve duas campanhas muito diferentes. A primeira foi pioneira. Na segunda penso que o envolvimento dos partidos políticos complicou muito a campanha e a situação não era favorável. Já vinha a troika a caminho. Toda a gente queria Cavaco Silva por ser um homem da economia. A comunicação social desvalorizou a campanha.

Os partidos são uma espécie de veneno dos movimentos cívicos?

A minha campanha nasceu de um movimento cívico [Movimento Intervenção e Cidadania], depois vieram os partidos políticos... mas vieram a metade. Não estiveram muito envolvidos. Uma parte sim, outra não.

O PS não?

E o BE, os votantes. Dos dirigentes não tenho razão de queixa.

E da parte dos dirigentes do PS?

Da parte dos dirigentes do PS tenho muitas queixas, muitas razões de queixa. Mas as coisas são como são, as coisas foram como foram. Não é vergonha perder. Havia tantos candidatos e ninguém lá foi. Vergonha é fugir à luta e eu nunca fugi. Está feito está feito. Não vou chorar sobre o leite derramado. Não me arrependo.

(entrevista de Manuel Alegre, no jornal I , via MIC
http://micportugal.org/index.htm?no=10003214#comentarios
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Comentários

[1] Socialismo democrático
fernando santos pessoa, 2013-03-03

Lamento não estar 100% de acordo com o dr. Manuel Alegre no que se refere ao PS. É que não acredito que este PS ( como os demais PS europeus) seja capaz de dar a volta á situação de hegemonia asfixiante do capitalismo financeiro. Falta garra e combatividade, mas faltam também convicções de verdadeiro socialismo democrático - o que Sócrates engendrou foi um sociaimos liberal, e essa posiçao colou-se como um adesivo aos militantes mais proeminentes do PS. Eu compreendo que o dr Manulel Alegre não possa colocar-se abertamente nesta posição em que eu, e muita gente da esquerda demcrática , se coloca.
Assim como espero que ainda em minha vida veja surgir um movimento de socialismo democrático, a par de outros europeus, que seja capaz de repor a alternância democrática que hoje não existe. Manuel Alegre é sem dúvida um daqueles lideres que pode ajudar a fazer a diferença.


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