De Ou Federalismo ou saída do Euro a 11 de Março de 2013 às 10:44
Ou Federalismo ou saída do Euro
(-por Daniel Oliveira)
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Conclui Ricardo Paes Mamede, e eu subscrevo, que o problema das economias europeias mais frágeis não foi viver acima das suas possibilidades, ter um Estado demasiado gordo ou não fazer as "reformas estruturais".
Foi aceitarem submeter-se às mesmas regras em condições estruturais diferentes, abdicarem de todos os instrumentos para se defenderem e participar numa integração europeia que não garantia os seus interesses económicos específicos.

A pergunta que resta fazer é esta: e agora?
O que se está a fazer é aprofundar o fosso já existente.
A desvalorização da economia, que substitui a impossível desvalorização cambial, apenas aprofunda este fosso, aproximando ainda mais as economias periféricas europeias do modelo asiático (sem, no entanto, terem os instrumentos que as economias emergentes continuam a garantir para si) e continuando da queda para o abismo.
O reajustamento em curso é um caminho de empobrecimento tal que não terá fim à vista e que se traduzirá num subdesenvolvimento politicamente e socialmente incomportável.

Restam, assim, dois caminhos:
- ou a União Europeia reestrutura de forma profunda o seu funcionamento - a moeda, as funções do BCE e os tratados assinados -, o que passa por uma mudança política nos países mais ricos,
- ou países como Portugal e Grécia (e até a Espanha) terão de abandonar o euro (já que não é provável que a Alemanha e outros o façam).

O que não é possível é continuar a exigir o mesmo a quem parte em posições tão diferentes. Diria mais: exigir que se piorem as condições dos que estão mal para que consigam chegar ao mesmo lugar que os outros.
O que se está a pedir é que dispensemos os cavalos que puxam a carroça para aligeirar o peso e ganhar a corrida.

E este debate - federalismo democrático e uma verdadeira assunção colectiva, na Europa, dos riscos, por um lado, ou saída do euro, por outro - é o mais difícil de todos para quem já tenha percebido que o caminho que está a ser seguido é um suicídio.

A opção europeísta - com a qual ideologicamente simpatizo - tem o problema de depender de outros (sabendo-se que as principais mudanças dependem de uma unanimidade na Europa).
Sobretudo, de conseguir convencer os eleitorados do norte da Europa, que ainda não sentem na pele a crise, de que o futuro da União depende de abdicarem da situação segura em que por enquanto se encontram.
A opção soberanista tem dois problemas:
não pode ignorar os riscos políticos de uma saída do euro e não pode escamotear os efeitos imediatos de tal opção, que passam pela certeza de um primeiro impacto bastante acentuado na economia e nas condições de vida das pessoas.
Seja qual for a opção, ela é composta de enormes perigos.
Não vejo é qual seja a terceira via.
O que me parece pouco sério é que se continue a contestar o caminho da austeridade fugindo a este debate.


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