De Regabofe e corrupção de alguns... a 18 de Março de 2013 às 15:23
ANTONIO COSTA abriu a boca

Comentadores e analistas políticos não têm a coragem de dizer o que disse António Costa, em menos de 3 minutos no programa "quadratura do círculo".

RELEMBRAR

E aqui está textualmente o que ele disse (transcrito manualmente):

(...) A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso.
A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir;
não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no têxtil.
Nós fomos financiados para desmantelar o têxtil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abríssemos os nossos mercados ao têxtil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao têxtil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o têxtil que nós deixávamos de produzir.

E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável.

Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia:
em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado.
E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia.
Portanto não é aceitável agora dizer? podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses.
Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira.
E é isso que estamos a pagar!

A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste.
Esta mentira só é ultrapassada por uma outra.
A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados.
Colossais fraudes.
Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado.
A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma.
A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção.
Os exemplos sucederam-se.
A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo.
Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha.
E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso.
A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas 16 e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público.
Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos.
E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades.
Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas.
Devemos antes exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam.
Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos...
Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões.
Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise.
Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção.
Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."


De .5 propostas do PS: a 18 de Março de 2013 às 15:32
PS:
5 Propostas concretas para sairmos da crise

1 - Parar com a austeridade
Abandonar a intenção do Governo de cortar 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado.
O PS defende disciplina e rigor orçamental. Coisa diferente é um corte brutal nas funções sociais que aumentarão a recessão económica e gerarão ainda mais desemprego.
2- Estabilizar a economia
No curto prazo devem ser adoptadas medidas que estimulem o investimento e dinamizem a procura interna, tanto por razões económicas, como por razões sociais:
Algumas medidas:
i) Redução do IVA para a restauração
ii) No âmbito de um Acordo Estratégico de Concertação, aumentando salário mínimo e as pensões mais baixas, a par da estabilização do quadro fiscal
iii) Plano de reabilitação urbana (promovendo eficiência energética), com aproveitamento de fundos comunitários
iv) Financiamento da economia e das PME. É urgente criar o Banco de Fomento. São importantes medidas como a consideração fiscal dos suprimentos como apoio à capitalização das empresas.
3 – Programa de emergência para apoiar os desempregados sem qualquer protecção social
Mobilizar fundos comunitários para criar um programa de qualificação e formação profissional destinado aos desempregados que não tem qualquer proteção social.
4- Adoptar uma estratégia realista para diminuição da dívida pública e do défice orçamental
Mais tempo para fazer diferente e não para continuar a mesma política.
Assumir uma estratégia realista, credível que possa gerar confiança.
Não é possível consolidar até 2015.
Medidas:
a) Renegociação das condições de ajustamento com metas e prazos credíveis, adequados à realidade económica e social do país e ao desempenho da economia europeia e mundial;
b) Renegociação do alargamento dos prazos de pagamento de parte da divida pública;
c) Renegociação do diferimento do pagamento de juros dos empréstimos obtidos;
d) Renegociação dos juros a pagar pelos empréstimos obtido;
e) Reembolso dos lucros obtidos pelo Banco Central Europeu (sistema europeu de bancos centrais) pelas operações de compra de dívida soberana. Só para o corrente ano estão em causa cerca de 3 mil milhões de euros para Portugal.
5 – Agenda para o crescimento e o emprego
i) Promovendo captação Investimento Directo Estrangeiro
a. Diminuição de custos de contexto
b. Tribunal para dirimir conflitos investimento estruturante, incluindo o estrangeiro
c. Investimento no alargamento do Porto de Sines e alargamento do parque logístico
d. Ligação ferroviária de mercadorias Sines-Madrid
e. Desenvolvimento e qualificação das Áreas de Acolhimento Empresarial
ii) Fomentando as exportações
a. Reembolsos do IVA atempados
b. Estímulos fiscais à exportação com revisão do DL 250/2009
c. Utilização da recapitalização da banca para financiamento de sectores transacionáveis
d. Reforço dos instrumentos de seguro de crédito à exportação e de pré-financiamento das exportações
iii) Lançando programa de substituição das importações por aumento da produção nacional
a. Desenvolvimento do Fundo Financeiro para o Desenvolvimento de Recursos Endógenos (agro-alimentar, mar, floresta e turismo)
b. Dinamização dos Pólos de Competitividade e dos Clusters
c. Desenvolvimento do perímetro de rega do Alqueva


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