Aliar e lutar contra bangsters e vampiros

Ultimato  da alta finança a  Chipre  e  a  outros  fracos  e  desunidos  Estados   (-por Francisco)

 eu-nazi-kolonie  fascism in greece  

      Este é (talvez) um ponto de viragem. Pela primeira vez um parlamento recusou um plano da Troika/ IV Reich e vimos hoje a resposta, o BCE lançou um ultimato ao Chipre, ou aceitam o plano ou são cortados os fundos à banca cipriota. Pela primeira vez também, a maioria da população apoia a resistência à Troika de forma absolutamente consequente, uma maioria esmagadora de Cipriotas prefere abandonar o euro a submeter-se ao IV Reich

      ...  Quando na sexta passada rebentou a bomba que a garantia sobre depósitos bancários inferiores a 100 000 Euros era só coisa para alguns estados, logo vieram alguns apontar o dedo ao próprio governo Cipriota… mas ... o ministro das finanças de Malta afirma “O Chipre tinha uma arma apontada à cabeça na reunião do Eurogrupo” e acrescenta:  the way Cyprus was treated by some of its partners should serve as a lesson to other small euro member states. ... a confissão de hoje do presidente do Eurogrupo, afinal a responsabilidade pela proposta do confisco dos depósitos foi mesmo dele e do Eurogrupo, Gaspar incluído.

      Este mesmo Eurogrupo, que assumiu a responsabilidade pela proposta de confisco, mesmo aos depósitos inferiores a 100 000 Euros, hoje no final da sua reunião sai-se com esta declaração: The Eurogroup reaffirms the importance of fully guaranteeing deposits below EUR 100.000 in the EU. 

Reafirmam o contrário da proposta que fizeram sexta passada… É assim o Eurogrupo… E se alguém disser que o fim que esta corja merece é o mesmo que teve o Rei D. Carlos ou o Luis XVI ainda são capazes de o chamarem de “radical” ou “populista”…  para mais vejam o Guardian

      Para quem ainda tivesse algumas dúvidas, o Euro é a moeda da Alemanha e seus satélites (Áustria, Holanda, Finlândia…). E é um dos seus instrumentos privilegiados para sugar os recursos da periferia e aprofundar ainda mais a relação desigual a nível económico, financeiro e de poder político no seio desta “União”, entre o “core” Alemão e o resto.

      Pensar que algum processo de retoma económico é possível sob este jugo é imbecil. ... um país com os níveis de endividamento de Portugal (ou Grécia, Itália, Espanha, Chipre, Eslovénia, etc…) só pode sair da actual situação com uma profunda re-estruturação da dívida, incluindo o puro e simples cancelamento de parte dela, COMÉ ÓBVIO. Foi exactamente isso que possibilitou o chamado “milagre económico Alemão”, aliás no acordo de Londres foi na prática cancelada mais de metade da dívida Alemã.

     Mas é necessário equacionar seriamente a saída do Euro, porque o não pagamento/re-estruturação/renegociação da dívida só será possível rompendo com a actual lógica da União. Mais, se o Euro e a dívida são as ferramentas mais visíveis do estrangulamento económico das periferias, estão longe de ser os únicos instrumentos.   A actual arquitectura institucional da UE, regulamentações, decretos e directivas, emitidos pelo Conselho ou pela Comissão, sobre a Saúde, a Educação, a Finança  ou os Transportes têm dois vectores fundamentais: 

   - a liberalização/privatização (proibição/limitação da intervenção directa do estado na economia)

   - e a desarticulação do sector produtivo das periferias (mercado único e globalização)…   Claro que se é do interesse da Alemanha manter o controlo estatal directo nalguma indústria a regulação europeia é alterada ou não é cumprida. Mas no caso dos países periféricos, as directivas são aplicadas impiedosamente (criando muitas vezes situações ridículas), e é o grande capital centro-europeu (às vezes até estatal!) que acaba por ficar a controlar os sectores que são privatizados na periferia… Exemplos no sector dos transportes, energias e outros não faltam…

     Mas também são responsáveis (e não responsabilizadas) as elites domésticas dos periféricos que desempenham um papel fundamental de activos colaboracionistas.   Sem se romper com toda esta lógica é impossível sair da crise e manter regimes democráticos. Claro que a saída do Euro, está longe de ser a única medida necessária:   ...

- uma operação “mãos limpas” bastante sumária com confisco de propriedade (dos responsáveis/criminosos) em elevada escala;

- uma reforma do estado a sério que o torne num eficaz instrumento ao serviço dos cidadãos (e não, como em certos sectores, e.g. CGD, um depósito de primadonas do regime). Não confundir com o plano em implementação de destruição do estado social, o que a Troika/Passos agora estão a fazer resultará num afundar anda maior da economia (por via da contracção, ainda mais da procura), num desarticular dos serviços sociais essenciais para a manutenção de mínimos de vida dignos, em abrir novos mercados para gangsters amigos que irão vampirizar áreas como a saúde, educação e assistência social …    ...



Publicado por Xa2 às 07:51 de 22.03.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .Urge Coligação de Esquerda. a 2 de Abril de 2013 às 11:14

Carlos Carvalhas entrevistada por Flor Pedroso

Sem o explicitar completamente - et pour cause - Carlos Carvalhas considera na entrevista que foi um erro dramático o derrube de Sócrates (com o voto do seu partido) que correspondeu à troca do PEC IV pelo Memorando da Tróica.

"Carlos Carvalhas admite que venha a ser necessária uma plataforma de emergência pós-eleições que reúna no governo PCP, Bloco de Esquerda, PS, independentes e outras forças. O antigo secretário-geral do PCP defende que PSD, CDS-PP e PS continuam com ilusões de que o país vai recuperar com as medidas que estão a ser seguidas.

Aos 71 anos, o homem que foi líder do PCP entre 1992 e 2004 e que foi deputado durante 20 anos afirma que o seu partido “não é doido nem aventureiro”, sendo essencial renegociar a dívida. Carvalhas acredita que se a União Europeia tivesse cedido a José Sócrates - ao não pedir resgate - a história tinha sido outra, porque Merkel e Trichet teriam cedido e não deixariam cair Portugal. [ao minuto 14 da entrevista]

Nesta entrevista conduzida pela jornalista Maria Flor Pedroso, Carlos Carvalhas considera que este governo só se mantém porque o Presidente da República, Cavaco Silva, é “um Conselheiro Acácio”. “Se houvesse eleições, este governo seria corrido”, afiança.
O BPN foi outro dos assuntos abordados.
Pelas contas de Carvalhas, o banco implica 8 mil milhões de euros, o dobro do que vão cortar, e a banca continua sem pagar os juros da sua recapitalização. Cortar no carro do ministro é importante, mas são “tremoços”.


# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra,

http://www.rtp.pt/antena1/index.php?t=Entrevista-a-Carlos-Carvalhas.rtp&article=6210&visual=11&tm=16&headline=13


De .Liberal, neoLiberal, ultra-liberal. a 22 de Março de 2013 às 12:00
Neoliberal é o governo

"Neoliberal é a avozinha", diz-nos João Miguel Tavares no Público de hoje. Pede para que deixemos de usar o adjectivo "liberal" para caracterizar a acção deste governo. Pede para que continuemos a alinhar pelo romance do liberalismo de uma certa elite intelectual portuguesa. Pede para que deixemos que a fraude conveniente continue.
Nem pensar.
Isto é neoliberalismo em acção, como já aqui, por exemplo, se argumentou.
Mesmo a questão fiscal é parte de uma estratégia mais vasta. É feio, bruto e mau? É.
Mas digo-vos que tenho mais respeito por quem enfrenta isto de frente e o aceita com consciência de classe, Borges e Gaspar, por exemplo, do que por esta gente que sonha com ideologias puras e limpas para dar "mais liberdade aos indivíduos", esquecendo-se que as questões centrais no capitalismo, ou em qualquer outro sistema, já agora, são outras:

Quem tem liberdade e quem está vulnerável a essa liberdade?
Quem pode impor custos sobre quem?
Quem controla o Estado e os outros instrumentos de poder menos visíveis?
E não me venha com a conversa da "incapacidade para reformar o país".
De que fala? De privatizações? Está a ser feito.
De desregulamentação laboral e consequente perda de poder do trabalho organizado? Feito e ainda haverá mais.
De regras ambientais menos estritas? Também.
De cortes no Estado social? Claro.
De despedimentos na função pública? Siga.

Sinceramente, já não há pachorra para isto.
Neoliberal é o governo que existe, deixe as empobrecidas avozinhas em paz.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B.)


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