É O MOMENTO DE AGIR

Por: José Loureiro dos Santos, General  [Público de 18/03/2013]

Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.

Têm sido inúmeras, quase unânimes, as opiniões dos mais credíveis economistas portugueses e estrangeiros, no sentido de classificarem como contraproducentes as sucessivas medidas tomadas pelo Governo, sem suficiente confronto e entendimento com os interesses nacionais, já que, aparentemente, o ministro com o papel principal na definição e conduta da estratégia de resolução da crise financeira que atravessamos entende serem nossos os interesses alemães que Merkel defende, o parlamento germânico impõe e o respetivo tribunal constitucional monitoriza. E não só, pois vai mesmo além daquilo que os estrangeiros nossos credores nos exigem, numa atitude de inexplicável subserviência com as instituições sob cuja tutela nos encontramos (FMI, BCE e UE). Atitude também (e tão bem) ilustrada pelo "colaboracionismo" rasteiro com os alemães, demonstrado por altos funcionários europeus, alguns deles (lamentavelmente) portugueses.

A desmotivação que as sucessivas falhas de Vítor Gaspar têm gerado nos portugueses, pelo emprego que destroem e a desesperança e a miséria que criam, já há muito aconselham a sua demissão e substituição por um português que conheça a nossa realidade e esteja interessado em renovar o ânimo do país e fazer todos os esforços para o retirar do poço para que foi lançado pelo contabilista ainda em funções.

 

Só com esta decisão o primeiro-ministro poderá ter condições para pedir aos portugueses que readquiram a esperança e voltem a confiar nos governantes, desde que aproveite a oportunidade para também se ver livre do seu ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, transformado numa pedra amarrada ao seu chefe, que levará para o fundo se dela se não livrar, e corrói a credibilidade do Governo e das mulheres e homens sérios e competentes que o integram.

Se o primeiro-ministro não entender que deve e precisa de avançar urgentemente com esta solução, porventura acompanhada de outros ajustamentos que se divisem como necessários, poderemos deduzir que assume como suas as linhas executivas das orientações estratégicas do vetor financeiro que vêm sendo determinadas pelo ministro do Orçamento e não está disponível para reajustar o rumo até agora empreendido, nomeando outro responsável pelas Finanças que seja capaz de infletir a marcha para o abismo para que o seu atual encarregado nos atirou.

 

Neste caso, perante o facto de não ser possível a inversão do caminho até agora percorrido pelos atuais governantes e a perspetiva de uma ainda maior deterioração da situação do nosso país, é a altura de o Presidente da República - comandante supremo das Forças Armadas e percecionado pelos portugueses como último garante do bem-estar e da segurança de todos nós - assumir as suas responsabilidades e "dar um murro na mesa", demitindo o atual Governo e dando início a um processo rápido que conduza à formação de um novo elenco governativo.

Não há tempo a perder. Se os órgãos institucionais próprios não tomarem as decisões que lhes competem em tempo útil, Portugal poderá ver-se a braços com momentos de grande perturbação social suscetíveis de produzir sérias situações de tensão política muito difíceis de conter. Além de ficar cada vez mais problemática a retoma da economia portuguesa, a possibilidade de saldarmos aquilo que devemos e a consequente restauração da nossa soberania. É O MOMENTO DE AGIR.

Não nos encontramos apenas perante a necessidade de mais uma mudança de quem tem a tarefa de governar o país, a acrescentar às muitas que já se verificaram, pelas razões que se justificavam e tendo em vista os efeitos então pretendidos. O problema com que nos confrontamos não reside somente na conveniência de substituir alguém que nos governa por quem seja mais eficiente na direção e orientação do exercício das políticas públicas.

Agora, estão em causa: por um lado, o bem-estar, a autoestima, a esperança e o sentido de destino dos portugueses, que querem continuar a ser portugueses, prolongando com altivez uma História de quase nove séculos, de que se orgulham; por outro lado, a garantia de que Portugal tem capacidade de se regenerar e de voltar a agir de acordo com os seus interesses e não em função de interesses estranhos. Ou seja, estamos perante um problema que tem a ver com um Portugal livre e senhor do seu futuro, isto é, com a nossa independência nacional.

 



Publicado por [FV] às 09:48 de 24.03.13 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Farto destes m*rdas a 25 de Março de 2013 às 14:17
Se esse gajo estivesse preocupado com a pobreza do país, começava logo por pedir a extinção das forças armadas, que nada produzem e só gastam. Bem … até podiam gastar desde que aquilo que consomem fosse produzido em Portugal, mas não, é quase tudo importado o que só ajuda as economias de outros países. Bem depois, exigia que as forças de segurança fossem eficientes, o que permitiria reduzir substancialmente os gastos com estas, sem diminuir a qualidade do serviço, o que não é difícil, já que o mesmo é bastante deficiente. Exigiria em simultâneo a melhoria do sistema de Justiça e por fim, e ao contrário de todos os demais comentadores e políticos, apresentava um conjunto de medidas objetivas que produzissem riqueza em Portugal, por forma a haver dinheiro para os bens de primeira necessidade que temos de importar.
Mas… sobre isto não conseguiu ser diferente dos demais, ou seja, muito falou, mas não disse nada.
O que me surpreende é que ainda haja gente que lhe dê alguma relevância. Como é influenciável a generalidade da população! Assim, como se podem esperar soluções para a crise? Arrastam-se a eles para o precipício e o pior é que arrastam os outros.
Como o Otelo falhou e como era pouco ambicioso! Que pena.


De [FV] a 25 de Março de 2013 às 16:02
Sim, não ou talvez?
Refiro-me a concordar, discordar do seu comentário ou ainda não sei bem...
Porque estou à espera que outros me*das que de tudo e de todos discordam ou concordam, venham dizer-nos aqui - as tais soluções que o País precisa. Mas por favor: sem demagogias e teorias de cac* impraticáveis. É que de utopias e tretas não exequíveis, já estamos todos fartinhos.
Daí ficar à sua espera, para depois lhe dizer se_ Sim, não ou talvez. Vale?


De Zé T. a 2 de Abril de 2013 às 09:42
Crise, cidadãos, governos, políticos, ... MUDAR ...

1- temos um DESgoverno de BURLÕES em Portugal, na UE e ..., a soldo de BANGSTERS, mafiosos, "mercados/investidores"/especuladores agiotas, e grandes grupos económico-financeiros sem pátria nem sujeitos a qualquer Lei ou poder público (nacional ou internacional), que se 'acoitam' em paraísos fiscais/offshores...- luxuosos covis destes novos piratas e corsários.

2- temos cidadãos DIMINUÍDOS nos seus direitos (e abúlicos, mansos, medrosos, egoístas, iliteratos, estupidificados...) e no dever de participação na política, na democracia e na justiça - que se tornam deficientes e pró-ditatoriais ...

3- não temos CANDIDATOS ou os que existem não são apoiados (por individualismo exarcerbado, por incompetência, por descrédito, por ... sim/não/espera/... !!! )


De . Escolher alvos e Agir ... a 2 de Abril de 2013 às 09:58
- Como desfazer este triplo "nó górdio" ?
- ... ??? ...
. o outro ... pegou na espada e cortou tudo ...

. neste caso, uma ação semelhante, levaria ao caos e à ditadura (se não fosse selvagem ou de oligarcas, mas esclarecida ... creio que teria apoiantes)... mas mesmo para isso é preciso chegar ao desespero de quem já não tem mais nada a perder...

. se conhecerem alguém nesta situação ... demovam-no/a de agredir a família e de se suicidar ... e indiquem-lhe alguns 'alvos' onde poderá fazer acertar ... e com isso ajudar a sair deste impasse de crise cada vez pior.


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO