Nada está a ser resolvido na Europa e ... Portugal pior

                    A quem serve o euro ?          (-por Nuno Serra)

Uma imagem muito expressiva, ontem publicada na Business Insider (via Shyznogud, a quem agradeço a partilha), encimada por um título não menos sugestivo: «Veja num só gráfico porque é que nada está a ser resolvido na Europa».   A explicação, dada no artigo, é tão simples como o gráfico:

     «Nada pode ser feito sem a aprovação da Alemanha e, francamente, a Alemanha comportar-se-ia de forma insane se alterasse o actual estado de coisas. (...) O acesso difícil ao crédito, a baixa inflação e a austeridade funcionam de modo perfeito para o país que detém o poder», mesmo que «uma desvantagem para a Alemanha pudesse ser mais facilmente acomodada, através de um BCE mais interventivo e de um sistema de maiores transferências entre países. (...) Uma zona euro mais coesa poderia significar um euro mais forte, mas isso poderia prejudicar as exportações alemãs».
     O que significa que quem aposta em pensar na saída da crise exclusivamente pela via das mudanças na arquitectura da zona euro (rejeitando desse modo considerar e aprofundar a reflexão sobre possíveis cenários de saída da moeda única), não poderá, honestamente, negligenciar as avultadas dificuldades políticas que subjazem a essa opção.          ...

                     Invejosos?         (-por Pedro Nuno santos)

   ... Este modelo de integração europeia gerador de fraco crescimento industrial no Sul só foi possível durante vários anos por causa do fluxo de dinheiro barato do Norte da Europa para a periferia, o outro lado dos défices comerciais. É óbvio que isto não duraria. Chegados aqui, os alemães emprestam-nos mais dinheiro não porque estejam preocupados connosco mas porque querem evitar que os seus bancos sejam afectados pela bancarrota dos nossos países. O dinheiro que cá chega serve apenas para garantir que os seus bancos não sofrem perdas. Quanto ao nosso povo, o problema é nosso.

                   Mais um salvamento       (-por João Galamba)

    ... A única coisa que este plano de resgate conseguiu foi agravar a actual situação - em Chipre, em toda a periferia e, inevitavelmente, na própria zona euro - e garantir que o 'doente' morrerá do 'tratamento'. De loucura em loucura, a zona euro aproxima-se cada vez mais da implosão. Implosão social, implosão económica e, sim, implosão financeira.         ...

                 Mais duas notas sobre Chipre       (-por Nuno Teles) 

   1- O modelo de resolução da banca cipriota impõe perdas a todos os seus credores: accionistas, obrigacionistas e depositantes com mais de 100 mil euros em depósitos. Todos? Todos não, porque os empréstimos do Eurosistema - 9 mil milhões de euros a toda a banca - são totalmente preservados, sendo transferidos para o novo banco entretanto criado e, por isso, garantidos pelos contribuintes cipriotas.
   2- O resgate a Chipre está a ser vendido como o castigo europeu a um paraíso fiscal no seio da zona euro. Luxemburgo (banca com balanços 23 vezes o seu PIB)  e Malta (banca com balanços 8 vezes o seu PIB) são os próximos?

                A breve calma antes da tempestade      (-por Alexandre Abreu)

   ... a forma como a crise cipriota foi gerida politicamente empurrou o “jogo” para a solução não-cooperativa. É neste momento bastante provável que o sistema bancário cipriota entre muito brevemente em novo colapso iminente e, se isso acontecer, ou o BCE/União Europeia “nacionaliza” federalmente a banca cipriota, o que muda totalmente as regras do jogo daqui para a frente, ou Chipre vê-se obrigado a sair do Euro. Tudo isto por causa dos 5,8 mil milhões de Euros com que o Eurogrupo exigiu que os depositantes participassem no resgate – um montante tão insignificante à escala europeia, mas aqui com consequências potenciais de tal magnitude, que das duas uma: ou o Eurogrupo é de uma incompetência inimaginável, ou estamos perante um primeiro ensaio, deliberado, de uma saída da zona Euro na modalidade caótica e provocada pelas autoridades europeias.       ...

             Uma questão incómoda?     (-por Jorge Bateira)

   A propósito da agudização da crise do euro a partir da falência de dois bancos em Chipre, ...

    ...  Por outro lado, não é forçoso que a saída do euro implique uma corrida aos bancos, tudo dependendo da estratégia adoptada pelo país que sai (ver texto abaixo), do que estiver a acontecer na zona euro e da cooperação que for possível estabelecer entre vários países. Na realidade, a corrida aos bancos já está a acontecer agora. Mais, o receio de uma corrida aos bancos em Chipre e noutros países está a obrigar a UE a tomar medidas muito mais drásticas do que as que defendi no meu texto para o Congresso Democrático das Alternativas.       ...

        O contributo do PCP para o debate sobre o euro    (-por Ricardo P. Mamede)

Com esta conferência, ...

    i) a permanência de Portugal na zona euro é económica, política e socialmente insustentável, pelo que a saída de Portugal do euro – seja por iniciativa própria, seja por pressão dos restantes Estados Membros, ou num cenário de implosão da moeda única – é apenas uma questão de tempo;
    ii) Portugal só deve sair do euro por iniciativa própria se e quando estiverem reunidas as condições para que tal processo seja liderado por um governo que garanta a minimização dos custos para as populações, num processo que será necessariamente difícil.
    ... Todos nós, eleitores, deveríamos exigir aos partidos que se apresentam a eleições que clarifiquem a sua posição relativamente às seguintes questões:
   1º) Consideram ou não que a permanência do euro, de acordo com as regras vigentes, é compatível com um modelo de desenvolvimento aceitável para Portugal?
   2º) Em caso afirmativo, qual o modelo de desenvolvimento que vislumbram como possível e desejável no quadro da UEM?
   3º) Em caso negativo, que alternativa defendem à participação de Portugal na UEM, nos termos em que se verifica actualmente? Que estratégia pretendem prosseguir para a construção dessa alternativa? Quais os riscos, limitações e potencialidades dessa estratégia?        ...

                    O mesmo de sempre      (-por João Rodrigues)

   Para além de apoiar os banqueiros e de fazer eco da troika, o Banco que já foi de Portugal, ...

   ... Até lá, podemos não estar mortos, mas cada vez mais estaremos naturalmente desempregados. É toda uma estrutura que temos de reformar...

                ATTAC: «A crise portuguesa em 10 minutos»     (-por Nuno Serra)

   ... Ajudadas pelos tele-economistas cúmplices do desastre (mas que permanecem descaradamente alapados nos espaços televisivos), estas narrativas impedem uma compreensão adequada da crise, instigando os sempre mais populares (e populistas) sentimentos de acusação e de auto-culpabilização.       ...

                 O muro do silêncio começa a ceder     (-por Jorge Bateira)

    A edição de hoje do jornal i dá grande destaque às posições de seis economistas que defendem a necessidade de Portugal sair da zona euro e/ou a insustentabilidade da mesma. De notar que metade são Ladrões ... O muro do silêncio na comunicação social começa finalmente a ceder.      ... 

                 Cortar nas gorduras        (-por Alexandre Abreu)

    Um consultor cuja empresa recebeu 300.000€ do Estado nos últimos doze meses, como contrapartida por dizer disparates tais que façam o próprio governo parecer relativamente moderado, é o que eu chamo uma gordurinha que bem podia ser cortada.
                 Deixar para amanhã...        (-por Sara Rocha)

   A notícia de que o governo estará à espera da decisão do tribunal constitucional para emitir dívida a 10 anos, ...    ... Em qualquer das situações este adiamento não é um bom sinal. 



Publicado por Xa2 às 19:18 de 02.04.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .Sair do Euro/marko, não da U.E. ... a 5 de Abril de 2013 às 14:22
Os gregos vão acabar por sair e nós também
(Jorge Bateira, 4/4/2013)

Há uma notícia recente que não teve o devido destaque nas nossas televisões.
O governo grego pediu à troika uma moratória para as medidas de austeridade que deveriam ser tomadas de imediato pelo facto de a execução orçamental estar a ficar comprometida pela espiral recessiva.
Ou seja, a economia e a sociedade gregas entraram numa agonia terminal.
Chipre também acaba de perceber que caiu na armadilha da moeda única. Tanto a Grécia como Chipre acabarão por abandonar a zona euro.

Não porque tenham concluído pela existência de benefícios líquidos com a saída, mas apenas porque a vida se tornou absolutamente insuportável para a larga maioria dos seus cidadãos.
O mesmo se vai passar em Portugal.

Entretanto, a simples referência nos media à saída de Portugal da zona euro já suscita comentários histéricos.
Os que fogem à discussão séria e optam pelo alarmismo têm de ser confrontados com o seguinte:

a) não há teoria económica que sustente a ideia de que teríamos um enorme decréscimo do nível de vida;

b) os casos de crise que têm algum paralelo com um abandono da zona euro (países asiáticos, Rússia, Argentina)
mostram uma rápida recuperação das economias;

c) tendo em conta as circunstâncias que hoje vivemos, não há um único caso de sucesso que possa ser invocado em defesa da estratégia do empobrecimento.

Chegado o dia, os nossos bancos fechariam para que se pudesse organizar o controlo dos movimentos de capitais, a nacionalização do sistema bancário e a criação de meios provisórios de pagamento em novos escudos.

Cada euro seria convertido em um novo escudo, o que evitaria problemas de leitura dos preços.
A nova moeda teria uma depreciação inicial elevada, mas poderia estabilizar em cerca de 30%, tendo em conta que o euro também se depreciaria num contexto de turbulência política na UE.

Os depósitos bancários manteriam o seu valor nominal mas perderiam poder de compra através da subida dos preços no consumidor.
É certo que os preços dos bens importados sobem 30% de uma só vez.
Porém, numa estimativa preliminar, a subida do nível geral dos preços será inferior a dois dígitos.
Também haveria uma redução dos salários reais pela diferença entre a subida do nível de preços e a actualização salarial.

As pensões mínimas deveriam ser actualizadas de acordo com a inflação.
Em todo o caso, num contexto de depressão, o efeito inflacionista da desvalorização tenderia a esbater-se rapidamente.

Em contrapartida, o efeito sobre a competitividade-preço das exportações e o estímulo à substituição de importações seria muito importante.


Por outro lado, a perda inicial de poder de compra é mais que compensada pelos efeitos benéficos da nova política económica.
Decretando uma moratória ao serviço da dívida pública externa (assunto para outro texto) e recorrendo à colocação de dívida junto das famílias portuguesas, complementada por financiamento directo do Banco de Portugal,
o governo pode repor de imediato as pensões, as prestações sociais e os salários da função pública nos níveis anteriores aos cortes.
Lançaria também um programa de criação de emprego socialmente útil e um programa criterioso de investimento público mobilizador das pequenas empresas.
O crescimento da procura interna retomaria, o fardo da dívida das famílias aliviaria.

Como sair de uma depressão que, pelo menos no Sul da Europa e se nada fizermos, será talvez mais profunda que a dos anos 30 do século xx?
Nessa altura os países retomaram a capacidade de desvalorizar a moeda libertando-se do padrão-ouro e, após Bretton Woods, domesticaram a finança e o livre comércio internacional.

Hoje os povos europeus vão ter de quebrar as algemas do euro e voltar a domesticar a globalização.
Quanto antes, para que a austeridade não produza outra guerra na Europa.

(Artigo no jornal i)
---------
A nossa saída do Euro é inevitável, por muito que não se goste (seria necessário a europa ser outra, que claramente não é)
e entretanto já perdemos qaunto? 30000 milhões?
e ficámos mais fracos, com tanta gente no desemprego a definhar e empresas destruídas.
Quanto mais tarde, pior.


De . Salvador Chumbo do Trib... e políticos a 5 de Abril de 2013 às 11:47

E se o "chumbo" do TC fosse o princípio da salvação?
(Pedro Lains, 5/4/2013)

1. O "chumbo" seria grande, da ordem dos 1,5 mil milhões de euros;

2. O Governo, agora sem Relvas, achava que era altura de se ajustar aos novos tempos europeus;

3. Ia junto da troika dizer que a culpa não era dele e que ou eles cediam ou havia eleições e socialismo de volta (não sei se quanto a esta última conseguiriam convencê-los...);

4. A troika (isto é, Berlim, Frankfurt e Washington, não os que vêm cá) dizia que sim, permitia um ajustamento mais longo e impunha uma coisa qualquer sem importância, só para dar nas vistas;

5. Ao mesmo tempo, na peugada do Chipre, melhoravam-se discretamente as condições dos empréstimos (melhorias que podiam facilmente cobrir o impacto do "chumbo" na dívida nacional e reduzir o esforço de ajustamento);

6. Ficava tudo mais calmo e os investidores, os produtores e os consumidores melhoravam as suas expectativas.

Mas não vai acontecer porque é demasiadamente simples.

----------------------------

Tribunal Constitucional e Eurostat

Há por aí uma grande barafunda em torno do Tribunal Constitucional. E não houve barafunda nenhuma em torno do Eurostat. Interessante, não é?

Pois, o impacto no défice, em percentagem do PIB, será sempre igual ou maior no caso do chumbo do Eurostat (a ANA, dada de barato, lembram-se?),
do que alguma vez será com qualquer que seja o chumbo do Tribunal Constitucional.

E, do ponto de vista macroeconómico, se não são exactamente a mesma coisa, a mesma coisa exactamente são.

Um governo que governa sem olhar a regras, internas ou externas, não sabe governar e deve sair.

Não se governa ao "logo se vê", nem ao "vamos chateá-los".
Até nas lutas ideológicas tem de haver inteligência.
-------------------

A surpresa ou talvez não

Eu não sei nada mas que (os 'bifes') estiveram lá, estiveram. E algumas marcas deixaram.

Chipre tem 22 anos e uma taxa de 2,5%.
Afinal, como é? Há juros mais baixos? Maturidades mais longas?
Pensávamos que isso não era possível. Mas é.
E porquê?
Se calhar porque a democracia feita por políticos impede que os teóricos do castigo e do não-há-juros-altos cheguem perto do Governo.

Herança britânica ou não, eu diria que sim.
Tenho de lá ir um dia destes.
Ou então não é nada disto e é só por ser a galinha do vizinho.
Veremos.


CHIPRE é diferente (na qualidade dos seus governantes ! )
----------------

A Grande Bigodada

Há que dizê-lo com frontalidade. E toda a tranquilidade.

Os (comentadores ) políticos estão a dar um grande bigode aos "independentes" e "especialistas".

É assim mesmo. De outro modo, como se entenderia a corrida das televisões aos comentadores vindos da política pura, dos que se assumem como tal?

As televisões vão - e, geralmente, bem - pelas audiências, logo, isto significa que o povo quer ouvir os políticos e não os outros.

É um sinal de maturidade política?
Esperemos bem que sim.
Nos países avançados e prósperos a política é feita por políticos, ponto final parágrafo.

Esta coisa dos independentes e estudiosos a fazer política é coisa de... democracias não consolidadas, para falar na língua que, pelos vistos, está na mó de baixo.
Mas falta uma coisa.

Que os políticos se assumam como tal, que não disfarcem o partido a que pertencem, que digam ao que vêm.
E ainda outra:
que larguem os negócios.

Repete-se: que larguem os negócios, incluindo os escritórios de advogados.

Ou isto ou o absoluto contrário, já diria o "especialista".



Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO