2 comentários:
De .Sair do Euro/marko, não da U.E. ... a 5 de Abril de 2013 às 14:22
Os gregos vão acabar por sair e nós também
(Jorge Bateira, 4/4/2013)

Há uma notícia recente que não teve o devido destaque nas nossas televisões.
O governo grego pediu à troika uma moratória para as medidas de austeridade que deveriam ser tomadas de imediato pelo facto de a execução orçamental estar a ficar comprometida pela espiral recessiva.
Ou seja, a economia e a sociedade gregas entraram numa agonia terminal.
Chipre também acaba de perceber que caiu na armadilha da moeda única. Tanto a Grécia como Chipre acabarão por abandonar a zona euro.

Não porque tenham concluído pela existência de benefícios líquidos com a saída, mas apenas porque a vida se tornou absolutamente insuportável para a larga maioria dos seus cidadãos.
O mesmo se vai passar em Portugal.

Entretanto, a simples referência nos media à saída de Portugal da zona euro já suscita comentários histéricos.
Os que fogem à discussão séria e optam pelo alarmismo têm de ser confrontados com o seguinte:

a) não há teoria económica que sustente a ideia de que teríamos um enorme decréscimo do nível de vida;

b) os casos de crise que têm algum paralelo com um abandono da zona euro (países asiáticos, Rússia, Argentina)
mostram uma rápida recuperação das economias;

c) tendo em conta as circunstâncias que hoje vivemos, não há um único caso de sucesso que possa ser invocado em defesa da estratégia do empobrecimento.

Chegado o dia, os nossos bancos fechariam para que se pudesse organizar o controlo dos movimentos de capitais, a nacionalização do sistema bancário e a criação de meios provisórios de pagamento em novos escudos.

Cada euro seria convertido em um novo escudo, o que evitaria problemas de leitura dos preços.
A nova moeda teria uma depreciação inicial elevada, mas poderia estabilizar em cerca de 30%, tendo em conta que o euro também se depreciaria num contexto de turbulência política na UE.

Os depósitos bancários manteriam o seu valor nominal mas perderiam poder de compra através da subida dos preços no consumidor.
É certo que os preços dos bens importados sobem 30% de uma só vez.
Porém, numa estimativa preliminar, a subida do nível geral dos preços será inferior a dois dígitos.
Também haveria uma redução dos salários reais pela diferença entre a subida do nível de preços e a actualização salarial.

As pensões mínimas deveriam ser actualizadas de acordo com a inflação.
Em todo o caso, num contexto de depressão, o efeito inflacionista da desvalorização tenderia a esbater-se rapidamente.

Em contrapartida, o efeito sobre a competitividade-preço das exportações e o estímulo à substituição de importações seria muito importante.


Por outro lado, a perda inicial de poder de compra é mais que compensada pelos efeitos benéficos da nova política económica.
Decretando uma moratória ao serviço da dívida pública externa (assunto para outro texto) e recorrendo à colocação de dívida junto das famílias portuguesas, complementada por financiamento directo do Banco de Portugal,
o governo pode repor de imediato as pensões, as prestações sociais e os salários da função pública nos níveis anteriores aos cortes.
Lançaria também um programa de criação de emprego socialmente útil e um programa criterioso de investimento público mobilizador das pequenas empresas.
O crescimento da procura interna retomaria, o fardo da dívida das famílias aliviaria.

Como sair de uma depressão que, pelo menos no Sul da Europa e se nada fizermos, será talvez mais profunda que a dos anos 30 do século xx?
Nessa altura os países retomaram a capacidade de desvalorizar a moeda libertando-se do padrão-ouro e, após Bretton Woods, domesticaram a finança e o livre comércio internacional.

Hoje os povos europeus vão ter de quebrar as algemas do euro e voltar a domesticar a globalização.
Quanto antes, para que a austeridade não produza outra guerra na Europa.

(Artigo no jornal i)
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A nossa saída do Euro é inevitável, por muito que não se goste (seria necessário a europa ser outra, que claramente não é)
e entretanto já perdemos qaunto? 30000 milhões?
e ficámos mais fracos, com tanta gente no desemprego a definhar e empresas destruídas.
Quanto mais tarde, pior.


De . Salvador Chumbo do Trib... e políticos a 5 de Abril de 2013 às 11:47

E se o "chumbo" do TC fosse o princípio da salvação?
(Pedro Lains, 5/4/2013)

1. O "chumbo" seria grande, da ordem dos 1,5 mil milhões de euros;

2. O Governo, agora sem Relvas, achava que era altura de se ajustar aos novos tempos europeus;

3. Ia junto da troika dizer que a culpa não era dele e que ou eles cediam ou havia eleições e socialismo de volta (não sei se quanto a esta última conseguiriam convencê-los...);

4. A troika (isto é, Berlim, Frankfurt e Washington, não os que vêm cá) dizia que sim, permitia um ajustamento mais longo e impunha uma coisa qualquer sem importância, só para dar nas vistas;

5. Ao mesmo tempo, na peugada do Chipre, melhoravam-se discretamente as condições dos empréstimos (melhorias que podiam facilmente cobrir o impacto do "chumbo" na dívida nacional e reduzir o esforço de ajustamento);

6. Ficava tudo mais calmo e os investidores, os produtores e os consumidores melhoravam as suas expectativas.

Mas não vai acontecer porque é demasiadamente simples.

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Tribunal Constitucional e Eurostat

Há por aí uma grande barafunda em torno do Tribunal Constitucional. E não houve barafunda nenhuma em torno do Eurostat. Interessante, não é?

Pois, o impacto no défice, em percentagem do PIB, será sempre igual ou maior no caso do chumbo do Eurostat (a ANA, dada de barato, lembram-se?),
do que alguma vez será com qualquer que seja o chumbo do Tribunal Constitucional.

E, do ponto de vista macroeconómico, se não são exactamente a mesma coisa, a mesma coisa exactamente são.

Um governo que governa sem olhar a regras, internas ou externas, não sabe governar e deve sair.

Não se governa ao "logo se vê", nem ao "vamos chateá-los".
Até nas lutas ideológicas tem de haver inteligência.
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A surpresa ou talvez não

Eu não sei nada mas que (os 'bifes') estiveram lá, estiveram. E algumas marcas deixaram.

Chipre tem 22 anos e uma taxa de 2,5%.
Afinal, como é? Há juros mais baixos? Maturidades mais longas?
Pensávamos que isso não era possível. Mas é.
E porquê?
Se calhar porque a democracia feita por políticos impede que os teóricos do castigo e do não-há-juros-altos cheguem perto do Governo.

Herança britânica ou não, eu diria que sim.
Tenho de lá ir um dia destes.
Ou então não é nada disto e é só por ser a galinha do vizinho.
Veremos.


CHIPRE é diferente (na qualidade dos seus governantes ! )
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A Grande Bigodada

Há que dizê-lo com frontalidade. E toda a tranquilidade.

Os (comentadores ) políticos estão a dar um grande bigode aos "independentes" e "especialistas".

É assim mesmo. De outro modo, como se entenderia a corrida das televisões aos comentadores vindos da política pura, dos que se assumem como tal?

As televisões vão - e, geralmente, bem - pelas audiências, logo, isto significa que o povo quer ouvir os políticos e não os outros.

É um sinal de maturidade política?
Esperemos bem que sim.
Nos países avançados e prósperos a política é feita por políticos, ponto final parágrafo.

Esta coisa dos independentes e estudiosos a fazer política é coisa de... democracias não consolidadas, para falar na língua que, pelos vistos, está na mó de baixo.
Mas falta uma coisa.

Que os políticos se assumam como tal, que não disfarcem o partido a que pertencem, que digam ao que vêm.
E ainda outra:
que larguem os negócios.

Repete-se: que larguem os negócios, incluindo os escritórios de advogados.

Ou isto ou o absoluto contrário, já diria o "especialista".



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