Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

              A  refundação  fascista      (-por OJumento)

     Coincidência, ou talvez não, quis o destino que quase todos os países europeus mais envolvidos na crise europeia actual – Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Grécia e em parte a França – sejam precisamente os mesmos que no século passado protagonizaram o fascismo europeu. Até parece que estamos assistindo à reinvenção do fascismo europeu, no passado a capital do nacional-socialismo (nazi) foi Nuremberga enquanto agora a capital desta refundação fascista parece ser Frankfurt.

     No passado o nacional-socialismo alemão, o fascismo italiano ou o Estado Novo de Salazar apresentava-se acima das classes sociais negando a luta entre estas em que assentava o marxismo, não se assumia de esquerda ou de direita, impunha a concertação entre patrões e empregados organizados de forma corporativa. A refundação do fascismo apresenta-se igualmente como uma solução que está acima da sociedade e ainda que nasça no domínio da economia deriva da aplicação às sociedades dos princípios dos cursos de gestão, os países deixaram de ser nações para passarem a ser empresas e como tal devem ser geridos.
     Se Salazar afirmava o princípio de que a política é para os políticos, os novos fascistas (dizem que) desprezam a política, consideram-na uma inutilidade prejudicial e que conduz a resultados negativos, a sociedade deve ser gerida de acordo com os princípios da gestão empresarial (ultra-liberal, desregulada e global) e os governantes devem ser Montis ('tecnocratas apolíticos'!), designados pelas instituições financeiras, neste caso do BCE (+Goldman-Sachs, BCAlemão, FMI, B.Mundial, Wallstreet, City,... bolsas e offshores).
     Para estes novos fascistas a política económica não visa o progresso e muito menos o bem-estar dos cidadãos que não passa de uma consequência possível caso a economia tenha excedentes. Para estes novos fascistas o ensino não visa o progresso mas unicamente a preparação da mão-de-obra (dos cidadãos, das Pessoas), a saúde é um luxo para quem não é rico e deve ser comercializada (privatizada e desregulada) de forma a tornar o seu acesso mais de acordo com os padrões de riqueza da sociedade e não resultando em aumentos de despesa pública.
     Os novos fascistas demonstram um total desprezo pela condição humana digna do nacional nacionalismo, sugerem cinicamente aos despedidos de que deverão estar gratos a quem os despediu pois dessa forma tiveram um mundo de oportunidades, vingam-se dos antecessores destruindo tudo o que de bom possam ter feito, consideram a democracia um exercício de mentira (burla e manipulação).
     Aquilo a que Portugal e a Europa está a assistir é à refundação do fascismo, agora sob a forma de uma ideologia onde os conceitos de sociedades são redefinidos à luz da gestão empresarial. Os povos dos países mal sucedidos são convertidos em povos inferiores e ciumentos governados por capatazes nomeados e apoiados pelos governantes dos regimes fascistas melhor sucedidos.  Os novos (Mussolini, Salazar, Franco, coroneis, ...) Hitlers já não acenam com o 'Mein kampf', acenam com 'papers' dos economistas do BCE, com os relatórios do FMI ou com as obras de Friedman ou Hayec.( e atacam com banqueiros/ especuladores, oligarcas/ grupos económicos, mídia, comentadores avençados e 'boys/girls especialistas').


Publicado por Xa2 às 07:43 | link do post | comentar

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