Ataque ao Estado e barbaridade social

     O ataque ao Estado-nação   (-por Tiago M. Saraiva)

... políticas impostas pela troika é o ataque à soberania dos países sob intervenção. No radicalizado contexto europeu, é de todo o interesse que em países como Portugal se opere uma vandalização das relações de trabalho e dos salários, que haja poucas condições para o aumento da produção e que cresça o clima de insegurança interna.
... O seu objectivo não é apenas que Portugal pague, mas que a sua dívida se torne tão incomportável que, à sombra de um 'hair cut', perca ainda mais poder de decisão sobre o presente e o futuro.     ...  

                      Governo corta 1300 milhões e começa por doentes e desempregados 

Isto é  Insustentável.  Vamos comer os  velhos!  e as crianças !!  (-por Raquel Varela)

   Há mais de 200 anos Jonathan Swift fez uma proposta para resolver a fome na Irlanda: comer as crianças. Em primeiro lugar os filhos dos mendigos e, logo de seguida, os filhos dos pobres, o que teria múltiplas vantagens, entre elas o facto de as mulheres grávidas deixarem de levar pancada  – hábito então – porque carregavam no ventre algo que tinha saída no mercado, e não mais um pedinte a gritar com fome.

   Creio que é hora de, nós portugueses, nos levantarmos e propormos medidas com este grau de sabedoria. Vai ser duro mas é um sacríficio necessário para reencontrar a nossa credibilidade nos mercados.

    ...   Os desempregados, Ricardo Araújo Pereira, propõe, num texto magnífico, dar-lhes um tiro na cabeça. Discordo. Não será competitivo. Porque sem desempregados os que estão empregados perdem o medo e vão exigir um salário acima da reprodução biológica (servidão/ escravatura), cai a produtividade !

    Podemos claro optar por transformar os desempregados em soldados. Aí sim, o PIB cresce.

    ...   Quantos cobardes cabem na palavra medo ?

                                           Absurdo
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                              Se não devemos, não pagamos. O resgate é um sequestro ! 

     Como diz a Raquel nesta entrevista (a partir dos 15′), ”não há nenhum problema com o Estado Social, há um problema com um Governo que quer destruir o Estado Social”. Se não sabem governar deixem os de baixo tomar conta da chafarica. Aos que se apresentam como alternativa propondo o que vai ser implementado – renegociação da dívida – é uma boa altura para celebrarem.
    A culpa é do povo. Eles ficavam satisfeitos quando os roubávamos.  (Versão insana de um sem vergonha por Tiago Mota Saraiva )
                     Estivadores de Hong Kong, uns cavalheiros  (-por  Raquel Varela)
    O dono da Hongkong International Terminals (HIT) é o 8º homem mais rico do mundo.        Há  500 homens que estão em greve contra em ele Hong Kong. Pedem um boicote concertado aos estivadores do mundo, através do sindicato internacional !       A seguir à II Guerra a diferença de rendimento entre um trabalhador manual médio e a média da pessoa mais rica era 1 para 12. Em 1980 passou de 1 para 82 e hoje é de 1 para 520 !

 



Publicado por Xa2 às 19:23 de 15.04.13 | link do post | comentar |

18 comentários:
De Escravatura legal !?!! a 27 de Julho de 2013 às 19:44
Escravatura legal
Posted on Julho 26, 2013 por Ricardo Ferreira Pinto

Um proletário sai mais barato do que um escravo. É bem verdade e os grandes grupos económicos sabem disso.
É por isso que a Quinta da Boeira procura escravos, aos quais dá o nome de assalariados. 200 euros por mês por 7 horas de trabalho diário – um horário nocturno (das 16 às 24 horas) mais horário de fim-de-semana (de 4ª a Domingo). Chamam-lhe um part-time.
Diz lá, ó Martim, se estivessem desempregados era pior, não era?


De Proletário/ Trabalhador PIOR q. ESCRAVO. a 24 de Julho de 2013 às 14:14
Um escravo sai caro, um proletário é melhor: sobre a configuração da UE
(-por João Vilela , 23/7/2013, blog.5dias)

Friedrich Engels, numa obra afamada, define da seguinte forma a diferença entre proletários e escravos:
«[o] escravo está vendido de uma vez para sempre; o proletário tem de se vender a si próprio diariamente e hora a hora.

O indivíduo escravo, propriedade de um senhor, tem uma existência assegurada, por muito miserável que seja, em virtude do interesse do senhor; o indivíduo proletário – propriedade, por assim dizer, de toda a classe burguesa -, a quem o trabalho só é comprado quando alguém dele precisa, não tem a existência assegurada.
Esta existência está apenas assegurada a toda a classe dos proletários.
O escravo está fora da concorrência, o proletário está dentro dela e sente todas as suas flutuações.»
Como diria um professor meu, com mais colorido, «encarem o escravo como um automóvel, aqueles de vocês que não têm pais generosos para custear o vosso automóvel: custou-vos dinheiro, custa-vos diariamente o dinheiro da gasolina, das escovas, dos pneus furados, da inspecção e do seguro.
Só se fossem idiotas iriam dar-lhe pancadas na carroçaria, que só significariam mais uma despesa, a de o consertar.
Um escravocrata brasileiro ou de Nova Orleães também percebia isso».

A diferença entre escravo e proletário, portanto, está em quem assegura, e de que modo, a reprodução da força de trabalho de cada um destes dois dominados.
Como se compreende pelo texto, por mais miserável que fosse a subsistência do escravo, ao dono competia prover-lha e não ao próprio.

A própria condição servil, de grilhetas nos pés, deslocando-se da sanzala para a roça e da roça para a sanzala sob a vigilância inclemente do feitor, perseguido quando fugia para o quilombo, devolvido à casa de partida e lá condenado a ficar – ela, em si, instituía uma impossibilidade real de o escravo prover a sua própria subsistência, mesmo que o quisesse.

Tido e tratado como coisa, implica todos os custos de manutenção que as coisas comportam, sejam carroças, enxadas, prensas ou computadores.

O proletário é um homem livre numa sociedade livre, circula por onde quiser, contratualiza em liberdade a sua relação laboral pelo tempo que quer ou que pode, é livre de se vir embora (ou o patrão o pôr a mexer), de circular pelo mundo, de escolher sem que lhe ponham entraves o sítio do planeta onde prefere que o explorem.
Quanto à sua alimentação, à sua casa, à sua saúde, à sua aprendizagem e destreza no exercício de um qualquer trabalho, a forma como gere os lazeres que consegue ter, à maneira como tem filhos e os educa e alimenta, isso é um problema seu que a si mesmo compete resolver.

A liberdade, ensina-lhe a burguesia, traz associada a si um preço, o preço de se submeter à liberdade, dos outros, de o explorar e oprimir conforme queiram e possam.
Se ele quer deixar de ser oprimido e explorado, tem bom remédio: torne-se ele mesmo burguês.
No fundamental, a diferença entre o empreendedorismo que hoje nos apregoam como solução miraculosa para o desemprego e a pobreza é em tudo igual à resposta que Guizot deu, nos anos 30 do séc. XIX, a um grupo de peticionários que requeria a substituição do sufrágio censitário pelo sufrágio universal: «se quereis votar, enriquecei».

Mutatis mutandis:
a forma como a UE se vem configurando nos últimos anos é a acabada demonstração de que a relação entre potências dominantes e potências subalternas na divisão internacional do trabalho corresponde na íntegra a esta teoria geral.
Nos termos do Programa do PCP «[s]ão traços e tendências do capitalismo na actualidade a aceleração dos processos de internacionalização e a mundialização da economia, a criação de espaços de integração dominados pelo grande capital e pelos Estados mais poderosos,
a centralização e concentração do capital com a formação de gigantescos monopólios que dominam a vida económica e o poder político, a recolonização planetária para o domínio dos recursos naturais, mercados, fontes de mão-de-obra barata, o agravamento da exploração da força de trabalho e o desmantelamento das funções sociais do Estado» (o itálico é meu).
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De Protectorado/ Colónia de Trabalho a 24 de Julho de 2013 às 14:20
Um escravo sai caro, um proletário é melhor: sobre a configuração da UE
(-por João Vilela , 23/7/2013, blog.5dias)
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Esta ideia da recolonização planetária é extremamente fecunda e, somada às declarações insuspeitas de um Bagão Félix ou de um P.Portas sobre a transformação de Portugal num «protectorado» desde a chegada da troika
(bem dizem Cavaco e Passos que «a realidade» se impõe quer queiramos quer não…), importaria averiguar de que natureza é esta recolonização e onde se distingue no fundamental da colonização «clássica».

Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Timor, eram colónias portuguesas. Por acaso, ao contrário dos protectorados, como Marrocos e o Egipto,
não tinham instituições próprias, mais ou menos formais e honoríficas, que parecessem, aos olhos do indígena, uma forma de participação «sua» nas decisões políticas que diziam respeito ao seu povo.

Em todo caso, nas duas circunstâncias esse estatuto vertia-se fundamentalmente em duas instituições coloniais estruturais:
a terminante proibição de uma política externa própria (à metrópole cabia a incumbência de definir, como quisesse e pudesse, o destino a dar aos residentes nos seus territórios coloniais, o seu emprego ou não em guerras, a sua aliança ou o seu desalinhamento relativamente a outros Estados),
e a vigência do exclusivo colonial (obrigação de a colónia comerciar em exclusivo com o Estado central, só podendo importar dele e exportar para ele).

Em tal circunstância reveste-se de algum insólito vermos Paulo Portas proclamar que somos um protectorado no Parlamento e ir fazer «diplomacia económica» para o México no dia seguinte, esbarrondando o termo «protectorado», num só gesto,
contra as suas próprias insuficiências para explicar o actual status quo do Estado português:
que protectorado é este que preserva intacta a sua diplomacia?
Que colónia vem a ser esta que se propõe, livremente, fazer negócio com um país que não a sua metrópole?
Poderíamos chamar-lhe, por assim dizer, uma «colónia proletária».
Incumbida de prover a reprodução da sua força de trabalho, de garantir pelos seus próprios meios o seu lugar na divisão internacional do trabalho,
e simultaneamente submetida em termos político-económicos à estratégia, aos ditames,
e aos interesses do centro imperialista que a subjuga.

A colonização clássica, não obstante assegurar o acesso a matérias-primas, mercados, e mananciais de mão-de-obra barata, comporta contudo custos que se prendem com uma relação metrópole/colónia que conserva ainda alguns traços da relação dono/escravo:
se existe o exclusivo colonial, ele funciona como a grilheta que impede o escravo, na plantação, de sair em busca do seu sutento, e obriga a metrópole a fornecer-lhe, por piores que sejam, alguns dos produtos que a colónia necessita,
e a adquirir-lhe, mesmo se em condições concorrencialmete desvantajosas, determinadas outras mercadorias.
Há algumas vantagens para o centro capitalista em não ter nas colónias espaços sob sua jurisdição política e a ela ligados por obrigação, submetidos formalmente, com papéis assinados e obrigações permanentes.
Comporta, é certo, por outro lado, como a liberdade de circulação do proletário, riscos de rebelião, de aliança anti-imperialista, de revolução contra a dominação da periferia pelo centro.
Mas assegura que, se o país submetido precisa de importar bens que não compensa ao centro fornecer-lhe, ele que se desenrasque.
Se quer exportar a sua produção de coisas que ao centro não interessam, que envie um qualquer Paulo Portas pelo mundo em busca de comprador.
Para quem manda pelo peso-monstro da divisão internacional do trabalho, do endividamento público, e da aquiescência da burguesia nacional em troca de
um estatuto de sócia menor na exploração das classes populares, fica essencialmente o filet mignon da dominação (acesso às matérias-primas, mercados de escoamento, mão-de-obra, dívida soberana ou dívida externa)
sem os incovenientes (fornecimento forçoso de bens e serviços, aquisição de produtos coloniais, ocupação efectiva).
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De Trabalhadores e países NeoCOLONIZADOS a 24 de Julho de 2013 às 14:24
Um escravo sai caro, um proletário é melhor: sobre a configuração da UE
(-por João Vilela , 23/7/2013, blog.5dias)
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Naturalmente, porque não há nada de novo debaixo do sol, muitas destas características podem ser divisadas na revisitação da literatura produzida pelos independentistas africanos sobre as questões do neocolonialismo.
Lá encontramos tudo o que vemos hoje:
desde o papel da ajuda multilateral do FMI e do Banco Mundial (a que se soma hoje a da CE e do BCE),
ao papel preciso dos governos nominais dos países formalmente independentes,
às campanhas de intoxicação ideológica, de criação de pânico junto das populações com a perda de apoio externo,
até às medidas menos dissimuladas (patrocínio a golpes de Estado, constituição de milícias mercenárias, assassinato de líderes anti-imperialistas, sabotagem económica, invasões abertas, no limite) de que os governos de Papademos e Monti nos deram um antegosto.

Lidamos com um inimigo perigoso e uma reconversão da política europeia que importa estudar e conhecer.
Perceber o que é esta dinâmica recolonizadora, como a denunciamos e combatemos, é o fundamental para alcançarmos a libertação.



De .Finança int'l, especul., crises e Euro. a 22 de Abril de 2013 às 14:31
A finança está apreensiva
Não admira que em Portugal os porta-vozes da FINANÇA se mostrem nervosos com o início de um DEBATE público sobre custos e benefícios de uma SAÍDA da zona EURO
[Jorge Bateira, ioline.pt, 18-04-2013]

Hoje a política económica é ditada pelos mercados financeiros. Mas não foi sempre assim.
Reagindo ao desastre económico, social e político dos anos 30, que conduziu à Segunda Guerra Mundial, governos de todo o mundo reuniram-se em 1944 na célebre conferência de Bretton Woods e decidiram dar prioridade ao desenvolvimento das nações.
Embora admitindo que a estabilidade das taxas de câmbio era benéfica para o comércio internacional, também queriam evitar os erros do passado.
Subjugados pelos movimentos de capitais especulativos, tinham executado políticas de austeridade para defender taxas de câmbio fixas impostas por uma paridade com o ouro tida por irrevogável.
Por isso, os Acordos de Bretton Woods instituíram um regime de câmbios flexíveis e assumiram que cada estado recuperaria a liberdade de administrar as políticas mais adequadas ao seu desenvolvimento recorrendo ao controlo do capital financeiro e a alguma protecção comercial.

Não cabe neste espaço discutir as causas do colapso do sistema de Bretton Woods. Ainda assim, importa lembrar que a crescente LIBERALIZAÇÂO dos movimentos de capitais nos anos 60 teve um papel relevante nesse processo.
Nos anos 70 Wall Street e a City já exerciam uma grande pressão sobre os decisores políticos dos EUA e do Reino Unido.
Ao mesmo tempo, a teoria económica keynesiana e o espírito dos acordos de Bretton Woods passaram a ser alvo de uma campanha sistemática de descredibilização conduzida por académicos ideologicamente motivados (Milton Friedman à cabeça) e por centros de estudos financiados pelo poder económico e financeiro.
As vitórias de Margaret Thatcher (1979-1990) e Ronald Reagan (1981-1989) deram um impulso decisivo ao paradigma neoliberal.
Na década de 90 os EUA e as organizações criadas por Bretton Woods (FMI, BM, OMC) introduziram nas cláusulas dos acordos de comércio, ou na condicionalidade imposta aos países em crise, a livre circulação de capitais e taxas de câmbio flutuantes.
As teorias que garantiam os benefícios produzidos por mercados financeiros desregulados, com destaque para a sua vigilância sobre a política económica dos governos, converteram-se em dogma para a maioria dos economistas.

Desde que a finança retomou a liberdade que teve antes da Segunda Guerra Mundial as taxas de câmbio de muitos países passaram a depender em larga medida dos fluxos de capitais e já não da evolução da respectiva balança comercial.
As crises financeiras multiplicaram-se ao longo das décadas seguintes e as taxas de câmbio flutuantes, em vez de funcionarem como um mecanismo de ajustamento da competitividade-preço das economias, passaram a ser fonte de grave instabilidade macroeconómica, social e política.
Primeiro na América Latina, ainda nos anos 80, depois no México (1994), a seguir na Ásia (1997-98), na Rússia (1998), no Brasil (1999), na Argentina (2000-01), na Turquia (2001) e mais recentemente nos EUA (2007-8) e na Europa do euro.
As bolhas especulativas, com destaque para as do imobiliário, foram um dos mais relevantes e destrutivos resultados da livre circulação de capitais.
Entretanto, o ritmo de crescimento médio das economias foi menor quando comparado com o período anterior.

Assim sendo, não admira que em Portugal os porta-vozes da finança se mostrem nervosos com o início de um debate público sobre custos e benefícios de uma saída da zona euro.
De facto, têm razão para estar apreensivos.
É que, tal como no tempo do padrão--ouro, as crises bancárias, a revolta social e o crescimento eleitoral de partidos críticos do sistema são sérios indícios de que o regime entrou em decomposição.
O dia em que Portugal abandonar a zona euro, nacionalizar os bancos e instituir um controlo dos movimentos de capitais será um dia marcante no urgente processo de regeneração da nossa democracia e de recondução da actividade bancária a instrumento do desenvolvimento.

Economista, co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas


De .Hipotecar a Democracia ?!! Não. a 18 de Abril de 2013 às 10:52

Troika quer a democracia como hipoteca

(-por Daniel Oliveira, 17/4/2013)

Os burocratas da troika convocaram o PS para um encontro, hoje à tarde. O objetivo é discutir os cortes na despesa. Ao que se sabe, serão essencialmente cortes nas funções do Estado Social, surgindo já como aperitivo os cortes no subsídio de desemprego e subsídio de doença.

Os funcionários da Comissão Europeia, BCE e FMI saberão que o PS já se manifestou contra cortes estruturais no Estado Social. Há quem ache, por muito que espante estes amanuenses, que a educação, a saúde e dignidade na velhice são não apenas adquiridos civilizacionais (aqui e em toda a Europa), mas condição para o desenvolvimento e crescimento económico e para que um país não dependa eternamente do crédito. E que por isso possa ser intransigente quando toca a hipotecar o futuro de um País. Mas mesmo assim querem convencer Seguro a mudar de posição. Porquê? Porquequerem garantir um compromisso por muito tempo, com este e futuros governos.

Diga-se, em abono da verdade, que fizeram o mesmo com o PSD e com o CDS, quando o Memorando de Entendimento foi assinado. O objetivo prático é simples: transformar as eleições em meras formalidades onde o essencial da política do Estado já está determinada. Não apenas o compromisso do pagamento integral da dívida. Mas tudo o que de fundamental venha a ser feito em políticas públicas e económicas do Estado. Ou seja, a democracia é dada como garantia de uma dívida.

Acontece, e isso é provável que seja chinês para estes burocratas que não dependem do voto e que nunca são responsabilizados por ninguém pelas suas asneiras, que a democracia não pertence nem ao PS, nem ao PSD, nem ao CDS, nem ao atual governo, nem ao futuro governo. Pertence aos cidadãos. E, por natureza, só podemos dar como garantia aos outros aquilo que nos pertence. Se a vontade dos portugueses for renegociar o memorando e ainda mais as suas sete revisões posteriores é absolutamente indiferente o que aqueles partidos acordem com a troika. O que conta é o voto.

Dá-se o caso destas sucessivas revisões do que foi acordado há dois anos só serem realmente necessárias porque as soluções impostas pela troika não resultaram. Tiveram, aliás, o efeito exatamente oposto ao pretendido: a recessão é mais profunda, a dívida aumentou, as contas públicas não se equilibraram. É por isso legítimo que qualquer partido que queira ser governo em alternativa a este defenda soluções diferentes às que este aplicou. E não se queira comprometer com o que comprovadamente se revelou uma má solução. Aliás, a única razão porque a troika quer comprometer a oposição nas suas soluções é por elas não resultarem no tempo de uma legislatura. Nem de duas. Nem de três. Nem nunca. Estes memorandos tornam-se eternos, comprometendo este e futuros governos, porque nunca mudam o estado de dependências das Nações.

Mas esta estratégia da troika tem um problema mais profundo. Ignora a regra geral dos Estados: que só existe um governo legítimo em funções. E que só ele negoceia em nome do Estado. Não existem, em democracia, governos legítimos futuros. A oposição não assina compromissos internacionais de governos que ainda não estão em funções. Até porque não pode formalmente garantir que será governo no futuro. Esse é um dos inconvenientes de negociar com democracias: os Estados podem, por vontade expressa dos cidadãos que sustentam a legitimidade democrática dos governos, mudar de posição. Se para contornar essa contrariedade os burocratas da troika tentam condicionar a democracia estarão a perverter todo o seu sentido e colocar os Países numa situação politicamente insustentável, viciando as suas regras democráticas.

Compreendo, mais uma vez, que tudo isto seja absurdo para quem acha que, sem a legitimidade do voto, pode andar a escrevinhar programas de governo e até programas eleitorais à sua vontade. Mas não o pode ser para dirigentes de partidos que têm de lidar com as consequências políticas das suas decisões.

Com o PS, e com todos os partidos da oposição do Parlamento, os burocratas apenas se podem encontrar para ouvir as suas opiniões. É com o governo que negoceiam. Ele é fraco e pode cair a qualquer momento? Sim, é verdade. Mas convenhamos que a troika, aqui e em todos os países ...


De .solução: ...eleições e Democracia .... a 18 de Abril de 2013 às 10:56

Troika quer a democracia como hipoteca

(-por Daniel Oliveira, 17/4/2013, Arrastão e Expresso online)
...
...
... a troika, aqui e em todos os países intervencionados, não tem facilitado a existência de governos credíveis e robustos.
Não se pode queixar da destruição, para a qual tanto tem contribuído, de uma das principais condições para a aplicação do seu delirante programa económico: a estabilidade política.

E para contornar esse problema não pode condenar à morte, com a assinatura de acordos suicidas, todos os que queiram ser alternativa a quem governa.

Com o risco de estarem a enviar uma mensagem perigosa aos portugueses:
que a solução para a situação em que o País se encontra não passa pelo voto e pela democracia.



De .Não a acordo comDesGoverno. a 18 de Abril de 2013 às 12:31
Comentário breve (de OJumento):

Se o Seguro aceitar qualquer namoro com a direita depois do que desta tem feito e pretende fazer,
depois de ter sido gozado por Passos Coelho
e depois de a troika ter revisto sucessivamente o memorando sem o consultar,
o PS ficará definitivamente excluído das minhas alternativas de oposição de voto
e passará a ser aqui tratado como a secção do PSD no Largo do Rato.

O país está à beira da ruína, tem sido enganado sucessivamente por Vítor Gaspar,
tem sido conduzido em função de uma agenda oculta e escondida dos portugueses, os pacotes de austeridade são justificados por desvios colossais inventados ou provocados po Gaspar.
Aceitar um acordo com esta gente é trair o povo português.

A direita tem a maioria absoluta, Portugal é uma democracia, como o seu protector Cavaco disse há poucos dias, tem todas as condições para governar, que DESgoverne e em conjunto com a troika assumam as responsabilidades pelo que fazem.
( ... até haver uma nova Restauração (1Dez.1640... 2013) e os traidores e neo-colonos serem atirados atirados pela janela !! )

ADITAMENTO:
Seguro rejeitou a manobra infantil da troika DESgovernamental,
formada pelo verdadeiro primeiro-Sinistro, pelo representante do PSD armado em primeiro-ministro e do Lambretas da mendicidade.

Fez bem, salvou o PS e, + importante, prestou um serviço ao país
dizendo NÃO a uma maioria para implementar o híbrido do projecto de revisão constitucional da extrema-direita (desregulamentadora ultraLiberal)
com os papers dos econoMERDistas falsificadores do BCE + BdP ... bes, bpi, bpn, ....


De Mas afinal, quem é o pai da criança? a 17 de Abril de 2013 às 10:21
PROPOSTAS DE ALTERNATIVA à austeridade, que tudo está a mirrar, isto no que toca a CORTE DE DESPESA nas ditas gorduras. Por isso:
- Reduzam 50% do Orçamento da Assembleia da República e vão poupar +- 43.000.000,00€
- Reduzam 50% do Orçamento da Presidência da República e vão poupar +- 7.600.000,00€
- Cortem as Subvenções Vitalícias aos Políticos deputados e vão poupar +- 8.000.000,00€
- Cortem 30% nos vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, secretários e companhia e vão poupar +- 2.000.000.00€
- Cortem 50% das subvenções estatais aos partidos políticos e pouparão +- 40.000.000,00€.
- Cortem, com rigor, os apoios às Fundações e bem assim os benefícios fiscais às mesmas e irão poupar +- 500.000.000,00€.
- Reduzam, em média, 1,5 Vereador por cada Câmara e irão poupar +- 13.000.000,00€
- Renegociem, a sério, as famosas Parcerias Público Privadas e as Rendas Energéticas e pouparão + 1.500.000.000,00€.

Só aqui nestas “coisitas”, o país reduz a despesa em mais de 2 MIL e CEM MILHÕES de Euros.

Mas nas receitas também se pode melhorar e muito a sua cobrança.
- Combatam eficazmente a tão desenvolvida ECONOMIA PARALELA e as Receitas aumentarão mais de 10.000.000.000,00€
- Procurem e realizem o dinheiro que foi metido no BPN e encontrarão mais de 9.000.000.000,00€
- Vendam 200 das tais 238 viaturas de luxo do parque do Estado e as receitas aumentarão +- 5.000.000,00€
- Façam o mesmo a 308 automóveis das Câmaras, 1 por cada uma, e as receitas aumentarão +- 3.000.000,00€.
- Fundam a CP com a Refer e outras empresas do grupo e ainda com a Soflusa e pouparão em Administrações +- 7.000.000,00€

Nestas “coisitas” as receitas aumentarão cerca de VINTE MIL MILHÕES DE EUROS, sendo certo que não se fazem contas à redução das despesas com combustíveis, telemóveis e outras mordomias, por força da venda das viaturas, valores esses que não são desprezíveis.
Sendo assim, é ou não possível, reduzir o défice, reduzir a dívida pública, injetar liquidez na economia, para que o país volte a funcionar?

Há, ou não HÁ, alternativas?

Por: Boaventura Sousa Santos


De .Erros d' Excel e de política de Saque. a 18 de Abril de 2013 às 12:58
Medidas de Austeridade na Europa devem-se a ERRO de Excel
Paper contestado é um dos pilares das políticas de AUSTERIDADE
[Lusa, 18-04-2013]

Um dos trabalhos académicos que sustentam a política de austeridade, que encontrou um efeito negativo entre endividamento e crescimento económico,
está a ser posto em causa depois de terem sido encontrados erros nos cálculos de Excel.

De acordo com um trabalho académico desenvolvido pelo estudante de doutoramento Thomas Herndon e pelos seus professores Michael Ash e Robert Pollin, da Universidade do Massachusetts,
o trabalho apresentado em 2010 por Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff (“Crescimento em tempos de dívida”)
ERROU ao concluir que um elevado nível de dívida condena uma economia a um crescimento lento.
Segundo o estudo, elaborado por estes dois académicos da Universidade de Harvard (Estados Unidos), os países com um rácio de dívida pública acima dos 90% do produto interno bruto (PIB) assistem a uma contracção média das suas economias de cerca de 0,1% por ano.

Agora, Herndon, Ash e Pollin recriaram os cálculos feitos para 20 economias desenvolvidas no período pós-Segunda Guerra Mundial e, num paper de revisão do trabalho de Reinhart e Rogoff,
concluíram que os países com um rácio da dívida pública daquela dimensão tiveram um crescimento do PIB de 2,2%, apenas um ponto percentual abaixo da taxa de crescimento observada em países com menores rácios da dívida.

O paper agora criticado de Rogoff e Reinhart é, segundo o Nobel da economia Paul Krugman, um dos dois que sustentam o “edifício intelectual da economia da austeridade”.
O outro, refere no seu blogue, é o apresentado em 2009 por Alberto Alesina e Silvia Ardagna, sobre os efeitos macroeconómicos da austeridade.
Segundo Krugman, também este trabalho FALHOU ao não saber distinguir entre episódios em que a política monetária estava ou não disponível.

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Os erros da austeridade

(-João Rodrigues, 17/4/2013, http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2013/04/os-erros-da-austeridade.html )

Replicamos Reinhart e Rogoff (2010a e 2010b) e descobrimos que ERROS de código, EXCLUSÃO SELECTIVA de DADOS disponíveis e PONDERAÇÂO nada convencional de estatísticas disponíveis geraram ERROS SÉRIOS, levando a uma representação equivocada da relação entre dívida e crescimento do PIB em vinte países no período do pós-guerra.

Quando calculada de forma apropriada, a taxa de crescimento para países com um rácio da dívida pública em relação ao PIB superior a 90% é, na realidade, de 2,2% e não de -0,1%, como foi publicado por Reinhart e Rogoff.
Contrariamente a RR, a taxa média de crescimento do PIB com rácios de dívida/PIB acima de 90% não é significativamente diferente da que é registada com rácios de dívida/PIB inferiores.
Também indicamos que a relação entre dívida pública e crescimento do PIB varia significativamente ao longo do tempo e de país para país.
Globalmente, a evidência contraria a ideia, defendida por Reinhart e Rogoff, de que um importante facto estilizado havia sido identificado, segundo o qual um fardo da dívida superior a 90% do PIB reduz o PIB de forma consistente.

Do internacionalmente badalado trabalho de Thomas Herndon, Michael Ash e Robert Pollin (minha tradução) que parece ter IMPLODIDO o pilar empírico que restava em defesa da austeridade.
O documento está disponível no sítio do Political Economy Research Institute, uma das melhores instituições que eu conheço nas áreas da economia política e da política económica críticas
e que muito tem influenciado as pistas que temos seguido neste blogue ao longo dos últimos seis anos.
Outra instituição universitária semelhante, nos EUA, é o Levy Economics Institute, onde Yeva Nersisyan e Randall Wray já tinham, com uma outra abordagem que aqui divulgámos, indicado que Reinhart e Rogoff,
ao NÃO DISTINGUIREM entre estados com soberania monetária e estados que dela abdicaram, tinham prestado um PÉSSIMO serviço à análise económica e à política económica.


De 'Estudo' encomendado salários FP e priv. a 18 de Abril de 2013 às 13:03
HC disse...
Aproveito esta deixa (porque o âmbito é essencialmente o mesmo) para deixar aqui o link para um
estudo realizado pelo economista Eugénio Rosa, no qual este levanta o véu à análise técnica subjacente
ao estudo encomendado pelo governo com o intuito de aferir as diferenças salariais existentes entre os sectores público e privado.

Se calhar alguns podem achar que é investigação aplicada, a mim parece-me carpintaria científica, também conhecida como a arte de bem martelar ou BRUXARIA estatístico-económica.

http://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2013/12-2013-Estudo-MERCER-remuneracoes-F.pdf)


De .Guerra escondida e Traidores. a 16 de Abril de 2013 às 10:38

O estado de guerra e a quinta coluna
(-por Ana Sá Lopes, http://www.ionline.pt/opiniao/estado-guerra-quinta-coluna )

«Este estado de guerra está a dizimar as populações do Sul - a taxa de desemprego em Portugal é histórica e na Grécia ainda vai chegar aos 30% - e essa guerra está a ser vencida pelo Norte, com a cumplicidade de uma “quinta coluna” robusta em países como Portugal. Aqui, Vítor Gaspar é o líder dessa quinta coluna incapaz de colocar os interesses nacionais - não implodir o país através do aumento do desemprego, por exemplo - à frente dos interesses dominantes na troika e no Norte. Essa quinta coluna não só partilha a teologia da austeridade com mais fanatismo do que os seus Papas como tem uma ideologia de classe evidente - enquanto o accionista Estado se abstém na atribuição dos prémios milionários aos gestores da EDP, prepara-se para cortar nos mais fracos, os doentes e os desempregados. Há uma destruição (...) em curso - provocada por um governo obediente, venerador e obrigado a políticas europeias devastadoras, mas dificilmente reversíveis. Acreditar numa mudança radical na Europa - onde Hollande se passeia a fazer figuras tristes - já começa a ser equivalente a acreditar nos amanhãs que cantam.»

Ana Sá Lopes, O estado de guerra e a quinta coluna
( http://www.ionline.pt/opiniao/estado-guerra-quinta-coluna )

+ Peter Wise, O plano de austeridade português não resulta
( http://www.ft.com/cms/s/2/d6b24ea6-9f85-11e2-b4b6-00144feabdc0.html#axzz2QcHN8Srh )

+ The New York Times, O remédio amargo da Europa (editorial de 14 de Abril. http://www.nytimes.com/2013/04/15/opinion/europes-bitter-medicine-of-austerity.html?_r=1& )


De DesGoverno e Ministro da Troika: traidor a 16 de Abril de 2013 às 10:50
Um traidor entre nós
(-por Sérgio Lavos, Arrastão, 15/4/2013)
...
Não há extensão das maturidades ou alargamento dos prazos que consiga remediar o que parece evidente para todos:
não se conseguirá pagar a dívida, nas actuais condições.
Evidente para todos? Não para Gaspar.
Ele repete-o, a quem o queira ouvir: a receita está correcta.
E quem o quer ouvir?
Quem lhe pagou no passado, quem lhe pavimentou a estrada para o êxito: o BCE e as instituições financeiras internacionais.
O jornalista irlandês percebeu bem como funciona.
Vítor Gaspar é impressionante porque É o ministro DA troika, NÃO de Portugal.

E agora, um pouco de História (em jeito de homenagem a Mário Soares).
Em 1640, depois de sessenta anos de ocupação espanhola, foi preciso um grupo de bravos portugueses defenestrar o escrivão da Fazenda e secretário de estado do ocupante espanhol para que o país fosse libertado. Miguel de Vasconcelos
era odiado pela população portuguesa por, a mando do rei de Espanha, ter aplicado pesados impostos no país, traindo o povo que era suposto servir.
No dia 1 de Dezembro de 1640, os conspiradores entraram no Paço Real, encontraram-no cobardemente escondido num armário, mataram-no e atiraram-no para o Terreiro do Paço.
Uma execução sumária para um traidor do povo português.

Mas enfim, somos um povo de brandos costumes. Confiemos.


De Banqueiro/ fujãoFisco = Bangster ?! a 16 de Abril de 2013 às 11:07
Matemática de banqueiro
(-Abril 16, 2013 por Tiago Mota Saraiva , 5Dias)

(…) o banqueiro alterou as declarações de IRS relativas aos anos de 2009, 2010 e 2011.

No primeiro dos três anos, em 2009, José Maria Ricciardi terá feito uma correção de 376 mil euros.

No ano seguinte, voltou a fazer uma correção de 567 mil euros e em 2011 o ajuste foi de 554 mil euros.

( outro «Banqueiro c/ ESQUECimenrto» de 1.5 Milhões de pagar ao Fisco !!

com um Fisco+PJ e Justiça adequada veriam como o 'alzheimer' diminuia imenso por estas bandas ...


De .Dama q. enferrujou. a 16 de Abril de 2013 às 11:55
Epitáfio
(-por João Pinto e Castro, em 13.04.13)

Thatcher (PM ultra-neoLiberal do RU, depois feita baronesa) foi caso único de taxista a quem foi dada a possibilidade de efectivamente governar um país.

Uma «experiência "admirável" com impacto duradouro» na
humilhação dos necessitados,
concentração de recursos numa ínfima parte da população,
degradação de serviços públicos (sist.Saúde, Ensino, comboios, minas, ...),
desregulação do sistema financeiro (offshores, bancos, especuladores,...),
instabilidade económica,
aventureirismo militarista (guerra das Malvinas),
injustiça cega e
alastramento das desigualdades.


De PM desastrosa para UK e Democracia a 18 de Abril de 2013 às 11:36
Isto é o que se chama gastar demasiada cera com tão triste defunto
(-17/4/ 2013 por Ricardo Sa. Pinto)

Começou por ser Ministra da Educação. Durante o seu mandato, acabou com o leite grátis para as crianças dos 7 aos 11 anos e limitou-o a um terço de um copo às crianças mais pequenas.
Para além disso, fechou mais de 3 mil escolas especializadas em determinado tipo de ensino, transformando-as em escolas de ensino regular.
Acabou com todo o tipo de regulamentação das ementas escolares, abrindo caminho à fast food e ao tipo de alimentação que hoje domina as escolas inglesas.

Num acto de traição e deslealdade para quem a nomeara, Edward Heath, chegou ao poder do Partido Conservador. Ao mesmo tempo que frequentava o Instituto de Assuntos Económicos, ia formando um conjunto de ideias de clara oposição ao Estado Social, ideias essas que não tardou a pôr em prática quando se tornou primeira-ministra em 1979.
Uma eleição que ganhou porque, entre outros factores, conseguiu captar um número maciço de votos provenientes da Frente Nacional Britânica, Partido racista de extrema-direita que, a partir daí, praticamente se diluíu no Partido Conservador, passando de 190 mil votos em 1979 para 23 mil em 1983.

Não por acaso, 2 meses depois de ser eleita começava a pôr em causa aquilo que via como o excesso de imigrantes asiáticos em Inglaterra.
Como principais medidas dos seus Governos, temos
a DESREGULAMENTAÇÃO do sistema financeiro, a quem passou a ser permitido o tipo de práticas que provocaram a crise económica em que vivemos;
a eliminação da maior parte dos serviços sociais (entre os quais se conta a tentativa de acabar com o Serviço Nacional de Saúde e com a Educação gratuita, o que provocou grande contestação dentro do próprio Partido Conservador,
e a forma como ostensivamente degradou a imagem pública das assistentes sociais e dos professores);
a flexibilização do mercado de trabalho, praticamente abolindo o salário mínimo,
reduzindo o poder dos chamados Conselhos de Salários, limitando o direito à greve e reprimindo selvaticamente as manifestações de trabalhadores
(como a dos mineiros do carvão em 1985, na qual contou com o apoio de uma Polícia feroz que ela própria protegera com base em mentiras na sequência da tragédia de Hillsborough
- os mineiros chegaram a ser perseguidos em suas próprias casas);
a privatização de inúmeras empresas estatais, a maioria ligada à Siderurgia, aos Transportes, à Electricidade e Águas, à Educação e à Solidariedade Social;
e o claro proteccionismo às classes mais abastadas através da Poll Tax, imposto regressivo que criou em 1989 e no qual os ricos pagavam, proporcionalmente, menos do que os pobres.
Uma versão de Robin Hood ao contrário – roubava aos pobres para dar aos ricos, ao mesmo tempo que era implacável perante os primeiros e submissa perante os segundos
(a sua imagem de séria e inflexível esboroa-se quando analisamos a sua postura perante o tabaco:
completamente anti-tabagista antes de ser Primeira-Ministra, acabou como consultora da Philips Morris pouco tempo depois de sair do Governo, com verbas que incluíam 750 mil libras por ano).

Os resultados económicos e sociais da sua política foram desastrosos:
Diminuição da produção industrial, com consequente aumento do desemprego, das falências e das importações;
aumento da inflação (que chegou quase ao dobro durante os seus mandatos);
alargamento do fosso entre ricos e pobres, com 10% dos mais ricos (sendo 50% antes) a acumularem 97% da riqueza produzida no país);
e aumento da mendicidade e da criminalidade para o dobro.

No plano internacional, estabeleceu relações privilegiadas com o Presidente Reagan, dos Estados Unidos, e com o ditador chileno Augusto Pinochet.
Numa clara afirmação do que era a sua visão do mundo, acusou Nelson Mandela de ser um terrorista.

Vinda de uma família humilde, morreu aos 87 anos com uma fortuna calculada em 16 milhões de dólares.
O seu filho, que enriqueceu em 1984 por intervenção directa da mãe junto do sultão de Omã, tem actualmente uma fortuna avaliada em 100 milhões de dólares.

Hoje gastam-se 10 milhões de euros para celebrar a sua morte.
A morte de uma das mais SINISTRAS personalidades políticas europeias do séc. XX.


De .Sinistra neoLiberal. a 18 de Abril de 2013 às 11:43
O funeral de Thatcher
(-17/4/ 2013 por António Paço)

Enquanto Margaret Thatcher é enterrada com pompa e circunstância, John Millington diz que o seu verdadeiro legado está nas fábricas abandonadas da Grã-Bretanha. De Red Pepper (www.redpepper.org.uk).
...

Qual é então o legado de Thatcher?
Destruição, morte e apaziguamento de fascistas. Ela apoiou o ditador fascista Pinochet. E rotulou o dirigente do ANC Nelson Mandela de terrorista, recusando-se a aplicar sanções ao regime do apartheid sul-africano.

Maniatar os trabalhadores
No entanto, será mais lembrada pela sua famosa batalha com o Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM). Foi uma batalha puramente ideológica que, mesmo em termos capitalistas, não fazia qualquer sentido económico, destruindo a base industrial da Grã-Bretanha para sempre e devastando comunidades em todo o país.

O anúncio do encerramento de 20 poços em Março de 1984 foi uma provocação deliberada ao sindicato mais militante e bem organizado da Grã-Bretanha. Milhares de milhões de libras de dinheiro dos contribuintes e as receitas provenientes do petróleo do Mar do Norte foram desperdiçados para reforçar as forças de segurança do Estado e para esmagar a greve dos mineiros e conseguir o encerramento dos poços.
Os mineiros Davey Jones e Joe Green pagaram ambos a greve com as suas vidas, permanecendo sem resposta muitas perguntas sobre as suas mortes trágicas durante a disputa.

Enquanto os mineiros em greve mostraram coragem para defender a indústria britânica, as suas mulheres ergueram bem alto o espírito comunitário montando grupos de apoio, fornecendo alimentos e apoio à greve, que durou um ano.

Thatcher, por seu lado, introduziu leis anti-sindicais em torno de votações secretas.
Hoje, elas são usadas ​​para maniatar os trabalhadores e impedi-los de tomar uma greve eficaz,
ficando muito difícil garantir que os empregadores sejam obrigados a negociar adequadamente durante os conflitos laborais.

Veteranos da greve dos mineiros que entrevistei ao longo dos anos afirmam regularmente que a Grã-Bretanha está 25 anos atrás do resto da Europa em termos de tecnologia do carvão limpo.
As reservas domésticas de carvão poderiam fornecer energia à Grã-Bretanha durante 100 anos. Em vez disso, ficámos com uma crise energética, continuando hoje a importar mais de 40 milhões de toneladas de carvão por ano.

-----Destruição social
Mas longe das estatísticas e da grande política, há uma destruição social profunda que engole o país, nas cidades industriais fantasma e nas fábricas abandonadas, especialmente na minha cidade natal de Wolverhampton.
Qualquer pessoa que venha de comboio para Wolverhampton a partir do Norte pode assistir sentada na primeira fila a um ‘tour de destruição’, que é resultado directo das políticas económicas neoliberais de Thatcher.

Em tempos um forte centro produtivo industrial, com trabalhadores bem pagos e altamente qualificados, a área é agora um deserto de armazéns e ex-fábricas decadentes.
A carreira de autocarros 79, que se estende por uns bons quilómetros, já foi famosa por transportar 250 mil trabalhadores. Isso acabou.

A política económica liberal de Thatcher, onde as forças de mercado estão autorizadas a fazer o que bem lhes apetece,
coloca o Estado como parceiro interessado em esmagar qualquer um que se ponha no caminho do lucro privado.
Não há nenhum pensamento sobre investimento a longo prazo ou sobre os custos sociais, e é essa política que permanece em vigor na Grã-Bretanha hoje.

Pessoalmente, não sou fã de celebrar a morte de ninguém.
Mas pedir às pessoas que mostrem respeito por alguém cuja visão do mundo levou a que os seus parentes perdessem os postos de trabalho, sofram problemas de saúde mental
como resultado do desemprego de longa duração ou com a dependência de drogas devido ao aumento da pobreza nos antigos redutos da mineração do Norte do País de Gales e do Sul do Yorkshire
é pedir o impossível.

O funeral de Thatcher é uma oportunidade para contar a história das vítimas, a história de Davey e Joe, das mulheres dos mineiros e, no fim de contas, a história da classe operária contemporânea na Grã-Bretanha.

Todos eles foram queimados, mas não quebrados.


De ALIAR no Sindicalismo e na política. a 16 de Abril de 2013 às 09:40

DESAFIOS PARA A UGT !

A UGT tem marcado o seu Congresso para o próximo fim- de semana, a 20 e 21 de Abril. O seu
atual Secretário -Geral, Joao Proença, irá abandonar o cargo e suceder-lhe-á Carlos Silva, um sindicalista dos Bancários do Centro.

É um Congresso que ocorre num dos momentos mais dramáticos para os trabalhadores portugueses.
Estamos sob intervenção externa dos credores e em plena DESTRUIÇÃO do Estado Social e de subversão dos direitos LABORAIS consignados na Constituição
como o direito ao trabalho em segurança, ao salário, á pensão depois de anos de trabalho.
Temos um DESEMPREGO histórico e uma juventude em DEBANDADA para o estrangeiro!

Perante esta situação, que tem causas externas e internas, mas cujo principal responsável é o Governo atual de Passos /Portas, a direção da UGT tem PACTUADO em nome de um realismo e de um minimalismo que se assemelha a COLABORACIONISMO (com os capangas da DITADURA FINANCEIRA-NeoLiberal ) !!

E aqui sabemos bem que o papel principal é de Joao Proença na medida em que na UGT o Secretário -Geral é um órgão! Na prática o mais importante órgão da UGT.
Neste vendaval Proença considerou que o melhor caminho para a UGT seria respeitar um acordo que, na prática, o governo nunca respeitou e, mesmo assim, Proença nunca fez mais do que AMEAÇAR que iria romper o mesmo!
O desgaste na credibilidade da UGT foi enorme !
Em alguns locais de trabalho onde ainda se fala destas coisas, o tema era motivo de riso ! (ou raiva !!)

Por outro lado, a sua personalidade e aversão á CGTP nunca o deixaram formular uma estratégia de UNIDADE eficaz na AÇÃO, embora salvaguardando a sua identidade!
As poucas greves conjuntas não serviram para alargar os canais de COOPERAÇÃO mas antes para os estreitar….e a responsabilidade não estará toda do outro lado, pese também a personalidade voluntarista do atual líder da CGTP !
Sei , todavia ,que para a última greve geral houve vontade genuína de CONVERGÊNCIA da parte da CGTP !
A Greve foi ibérica pela primeira vez e até com adesões de outros países europeus!
Proença foi o único a bater-se contra para ESPANTO dos outros sindicalistas europeus!

Assim, espera-se que o novo líder da UGT encontre um caminho que retire a UGT desta situação ou seja, que seja capaz de DEFENDER os trabalhadores á sua maneira sem colaborar com os seus declarados adversários!

(-por A.Brandão Guedes , 15/4/2013)


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