Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

     O ataque ao Estado-nação   (-por Tiago M. Saraiva)

... políticas impostas pela troika é o ataque à soberania dos países sob intervenção. No radicalizado contexto europeu, é de todo o interesse que em países como Portugal se opere uma vandalização das relações de trabalho e dos salários, que haja poucas condições para o aumento da produção e que cresça o clima de insegurança interna.
... O seu objectivo não é apenas que Portugal pague, mas que a sua dívida se torne tão incomportável que, à sombra de um 'hair cut', perca ainda mais poder de decisão sobre o presente e o futuro.     ...  

                      Governo corta 1300 milhões e começa por doentes e desempregados 

Isto é  Insustentável.  Vamos comer os  velhos!  e as crianças !!  (-por Raquel Varela)

   Há mais de 200 anos Jonathan Swift fez uma proposta para resolver a fome na Irlanda: comer as crianças. Em primeiro lugar os filhos dos mendigos e, logo de seguida, os filhos dos pobres, o que teria múltiplas vantagens, entre elas o facto de as mulheres grávidas deixarem de levar pancada  – hábito então – porque carregavam no ventre algo que tinha saída no mercado, e não mais um pedinte a gritar com fome.

   Creio que é hora de, nós portugueses, nos levantarmos e propormos medidas com este grau de sabedoria. Vai ser duro mas é um sacríficio necessário para reencontrar a nossa credibilidade nos mercados.

    ...   Os desempregados, Ricardo Araújo Pereira, propõe, num texto magnífico, dar-lhes um tiro na cabeça. Discordo. Não será competitivo. Porque sem desempregados os que estão empregados perdem o medo e vão exigir um salário acima da reprodução biológica (servidão/ escravatura), cai a produtividade !

    Podemos claro optar por transformar os desempregados em soldados. Aí sim, o PIB cresce.

    ...   Quantos cobardes cabem na palavra medo ?

                                           Absurdo
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                              Se não devemos, não pagamos. O resgate é um sequestro ! 

     Como diz a Raquel nesta entrevista (a partir dos 15′), ”não há nenhum problema com o Estado Social, há um problema com um Governo que quer destruir o Estado Social”. Se não sabem governar deixem os de baixo tomar conta da chafarica. Aos que se apresentam como alternativa propondo o que vai ser implementado – renegociação da dívida – é uma boa altura para celebrarem.
    A culpa é do povo. Eles ficavam satisfeitos quando os roubávamos.  (Versão insana de um sem vergonha por Tiago Mota Saraiva )
                     Estivadores de Hong Kong, uns cavalheiros  (-por  Raquel Varela)
    O dono da Hongkong International Terminals (HIT) é o 8º homem mais rico do mundo.        Há  500 homens que estão em greve contra em ele Hong Kong. Pedem um boicote concertado aos estivadores do mundo, através do sindicato internacional !       A seguir à II Guerra a diferença de rendimento entre um trabalhador manual médio e a média da pessoa mais rica era 1 para 12. Em 1980 passou de 1 para 82 e hoje é de 1 para 520 !

 



Publicado por Xa2 às 19:23 | link do post | comentar

18 comentários:
De Protectorado/ Colónia de Trabalho a 24 de Julho de 2013 às 14:20
Um escravo sai caro, um proletário é melhor: sobre a configuração da UE
(-por João Vilela , 23/7/2013, blog.5dias)
...
...
Esta ideia da recolonização planetária é extremamente fecunda e, somada às declarações insuspeitas de um Bagão Félix ou de um P.Portas sobre a transformação de Portugal num «protectorado» desde a chegada da troika
(bem dizem Cavaco e Passos que «a realidade» se impõe quer queiramos quer não…), importaria averiguar de que natureza é esta recolonização e onde se distingue no fundamental da colonização «clássica».

Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Timor, eram colónias portuguesas. Por acaso, ao contrário dos protectorados, como Marrocos e o Egipto,
não tinham instituições próprias, mais ou menos formais e honoríficas, que parecessem, aos olhos do indígena, uma forma de participação «sua» nas decisões políticas que diziam respeito ao seu povo.

Em todo caso, nas duas circunstâncias esse estatuto vertia-se fundamentalmente em duas instituições coloniais estruturais:
a terminante proibição de uma política externa própria (à metrópole cabia a incumbência de definir, como quisesse e pudesse, o destino a dar aos residentes nos seus territórios coloniais, o seu emprego ou não em guerras, a sua aliança ou o seu desalinhamento relativamente a outros Estados),
e a vigência do exclusivo colonial (obrigação de a colónia comerciar em exclusivo com o Estado central, só podendo importar dele e exportar para ele).

Em tal circunstância reveste-se de algum insólito vermos Paulo Portas proclamar que somos um protectorado no Parlamento e ir fazer «diplomacia económica» para o México no dia seguinte, esbarrondando o termo «protectorado», num só gesto,
contra as suas próprias insuficiências para explicar o actual status quo do Estado português:
que protectorado é este que preserva intacta a sua diplomacia?
Que colónia vem a ser esta que se propõe, livremente, fazer negócio com um país que não a sua metrópole?
Poderíamos chamar-lhe, por assim dizer, uma «colónia proletária».
Incumbida de prover a reprodução da sua força de trabalho, de garantir pelos seus próprios meios o seu lugar na divisão internacional do trabalho,
e simultaneamente submetida em termos político-económicos à estratégia, aos ditames,
e aos interesses do centro imperialista que a subjuga.

A colonização clássica, não obstante assegurar o acesso a matérias-primas, mercados, e mananciais de mão-de-obra barata, comporta contudo custos que se prendem com uma relação metrópole/colónia que conserva ainda alguns traços da relação dono/escravo:
se existe o exclusivo colonial, ele funciona como a grilheta que impede o escravo, na plantação, de sair em busca do seu sutento, e obriga a metrópole a fornecer-lhe, por piores que sejam, alguns dos produtos que a colónia necessita,
e a adquirir-lhe, mesmo se em condições concorrencialmete desvantajosas, determinadas outras mercadorias.
Há algumas vantagens para o centro capitalista em não ter nas colónias espaços sob sua jurisdição política e a ela ligados por obrigação, submetidos formalmente, com papéis assinados e obrigações permanentes.
Comporta, é certo, por outro lado, como a liberdade de circulação do proletário, riscos de rebelião, de aliança anti-imperialista, de revolução contra a dominação da periferia pelo centro.
Mas assegura que, se o país submetido precisa de importar bens que não compensa ao centro fornecer-lhe, ele que se desenrasque.
Se quer exportar a sua produção de coisas que ao centro não interessam, que envie um qualquer Paulo Portas pelo mundo em busca de comprador.
Para quem manda pelo peso-monstro da divisão internacional do trabalho, do endividamento público, e da aquiescência da burguesia nacional em troca de
um estatuto de sócia menor na exploração das classes populares, fica essencialmente o filet mignon da dominação (acesso às matérias-primas, mercados de escoamento, mão-de-obra, dívida soberana ou dívida externa)
sem os incovenientes (fornecimento forçoso de bens e serviços, aquisição de produtos coloniais, ocupação efectiva).
...


De Trabalhadores e países NeoCOLONIZADOS a 24 de Julho de 2013 às 14:24
Um escravo sai caro, um proletário é melhor: sobre a configuração da UE
(-por João Vilela , 23/7/2013, blog.5dias)
...
...
Naturalmente, porque não há nada de novo debaixo do sol, muitas destas características podem ser divisadas na revisitação da literatura produzida pelos independentistas africanos sobre as questões do neocolonialismo.
Lá encontramos tudo o que vemos hoje:
desde o papel da ajuda multilateral do FMI e do Banco Mundial (a que se soma hoje a da CE e do BCE),
ao papel preciso dos governos nominais dos países formalmente independentes,
às campanhas de intoxicação ideológica, de criação de pânico junto das populações com a perda de apoio externo,
até às medidas menos dissimuladas (patrocínio a golpes de Estado, constituição de milícias mercenárias, assassinato de líderes anti-imperialistas, sabotagem económica, invasões abertas, no limite) de que os governos de Papademos e Monti nos deram um antegosto.

Lidamos com um inimigo perigoso e uma reconversão da política europeia que importa estudar e conhecer.
Perceber o que é esta dinâmica recolonizadora, como a denunciamos e combatemos, é o fundamental para alcançarmos a libertação.



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