Sobre o Partido S. e a Política activa

       Para «abrir o partido à sociedade» (e «dar o exemplo na nossa casa»), 45 «turcos» deputados do PS  (jovens e menos jovens) e simpatizantes com «currículo no Estado e na vida privada», incluindo «familiares de históricos» (vieira da silva, v.constâncio, j.miranda), e para não contribuir «para discursos demagógicos e populistas»,  propoem: .

      1A-- direito de voto a simpatizantes ... permitindo influenciar na escolha... - [ NÃO concordo, ver 2. ]

      1B-- incluir na Comissão Nac. e na Comissão Política Nac. 25 + 7 «cidadãos independentes ou simpatizantes»... por proposta dos "mais altos senadores do partido" (!), reunidos depois de cada congresso electivo... com participação plena e e escolha de candidatos a deputados... - [ NÃO concordo, ver 2. ]

      1C-- idem (participação de 'simpatizantes' e cidadãos) para :     os referendos ... ;   direito de petição (interna no PS) ... ;   apresentar propostas ao Congresso (com assinatura de 1.000 cidadãos !!) ...;   apresentação e votação de propostas de política através da internet ...

      1D-- Proposta de que no programa eleitoral do partido ... as medidas concretas sejam apresentadas com um calendário e programação da sua execução, bem como uma estimativa de impacto económico-financeiro e o seu financiamento ... - para «credibilizar as propostas do PS junto da sociedade» (eleitores).


      2- Creio que a sociedade, cultura e sistema político português é diferente do modelo 'supra-sumo' dos EUAmérica, pelo que:  
  - Só deve/pode VOTAR quem for Membro (de pleno) !! - isto é válido para o PS, para qualquer associação e para um país de cidadãos conscientes e responsáveis !!
  - E deve existir Registo de filiados/ militantes  e uma Quota anual, nem que seja de apenas 1€ por ano !!
  - Não seguir estas regras é permitir a infiltração e destruição ou tomada de poder da organização/partido por forças adversárias... com a ajuda, ou não, de indivíduos/grupos internos instalados na máquina ou de barões/caciques ou de elites de gabinete e academia ...

 

      3- Para MELHORAR a organização, neste caso o PS, e a participação na Política do SEU  País (e na sua autarquia e na União Europeia)  é preciso fazer algo COM e PARA os militantes/inscritos e eventuais candidatos/simpatizantes, sejam adolescentes, jovens, meia-idade ou veteranos e ex-militantes/desmotivados !!!
    E é preciso actuar tanto a nível nacional como nas 'concelhias' e 'secções', nos departamentos e federações, ... e nas faculdades, nos sindicatos (e na UGT), nas associações de moradores e nas culturais e recreativas, ...  nos jornais, TV, redes sociais, ... .

    Todas as outras propostas (1C e 1D) são interessantes se for mantido o princípio DEMOCRÁTICO de que «quem manda são os Membros plenos da organização, com direito de candidatura e de voto igual entre si».
    Se isto não for respeitado é trocar uma deficiente democracia interna por uma péssima fantochada antidemocrática !!

(-por Zé T., em comentário a PS alternativo:  virar à esquerda ... 21/2/2013)



Publicado por Xa2 às 07:53 de 25.04.13 | link do post | comentar |

12 comentários:
De Novo Partido "PRD"/PRuiTavares. a 29 de Junho de 2013 às 12:08
Esquerda frutada
(-por Luís Bernardo, 25/6/2013, 5dias)
Um artigo de José Vítor Malheiros, publicado ontem no Público (desculpem lá, não sei onde está o link – se alguém puder colocá-lo nos comentários, ponho-o aqui), e no seguimento de uma entrevista a Rui Tavares no i, sugere que se discuta um novo partido à esquerda. A razão, se a entendo no meio de conjecturas e pressupostos, é esta: há uma reserva de votos à esquerda que é preciso capturar porque há um “povo de esquerda” que não se sente representado pelas forças políticas actualmente na Assembleia da República. Esse “povo de esquerda” é , anti-austeritário, diz-se. Esse “povo de esquerda”

Na entrevista a Rui Tavares, refere-se, lá para o meio, o Manifesto por uma Esquerda Livre. Ou Movimento, já não me lembro. O mesmo que procura posicionar-se entre a esquerda mole e a esquerda inconsequente. Não consegui, até hoje, perceber o que é “esquerda mole” e “esquerda inconsequente”. Embora o livro de André Freire e Luke March sobre a esquerda radical dê algumas pistas, e uma entrevista mais ou menos recente do primeiro autor ao i também sugira que o desalinhamento de preferências entre alguns eleitores do Bloco de Esquerda e os seus dirigentes pode criar espaço para um novo partido de esquerda, toda esta conversa peca pela falta de consistência e, pegando no vocabulário inenarrável do Manifesto por uma Esquerda Livre, consequência. Em suma, vemos um conjunto de sugestões, conjecturas e pressupostos que não respondem a três perguntas muito simples:

1. Esse partido quer ser a DIMAR portuguesa? Ou seja, um partido de tendência social-democrata e europeísta?
2. Qual será a sua política de alianças à esquerda e à direita?
3. Qual será o seu relacionamento com a sociedade portuguesa?

Quanto à primeira questão, um partido do género terá de se confrontar com dois problemas: a disfuncionalidade crescente do euro (e não, Rui Tavares não tem razão ao dizer que uma saída do euro obriga a uma saída da União Europeia, embora seja provável que uma coisa aconteça depois da outra) e os novos mecanismos de governo económico europeu, que ilegalizam o keynesianismo, a social-democracia e qualquer pretensão a uma política de pleno emprego. Perguntem ao Paulo Rangel, ele explica. Se Portugal se vir na contingência (voluntária ou involuntária) de abandonar o euro, qual será a atitude do Grupo Spinelli no Parlamento Europeu? Continuarão a abanar as bandeirolas federalistas? Este novo partido será federalista? E já se perguntou ao “povo de esquerda” o que acha do federalismo e do soberanismo? E já se perguntou ao “povo de esquerda” se acha que o problema da democracia representativa é a quantidade insuficiente de partidos?

Quanto à segunda questão, devo estar aqui com um bloqueio. Talvez acorde uns dias mole e outros inconsequente, mas gostaria de perceber para que é que servirá um novo partido à esquerda se a estratégia do Bloco de Esquerda já parece ser a de se aproximar ao Partido Socialista. O novo partido quer meter-se no meio? Por mim, venha a libertinagem, mas conviria saber qual é a probabilidade de ser bem-sucedida, porque a libertinagem política mal-sucedida pode dar confusão. Digo eu. Como é que este partido reagirá se se vir isolado? Vai piscar o olho ao CDS ou a uns quantos meninos mal-comportados do PSD?

A terceira questão tem a ver com isto da libertinagem. Eu também gosto de metáforas tectónicas, mas há aqui qualquer coisa que não bate certo. Por duas coisas. Em primeiro lugar, é fácil andar para aí a falar acerca de abrir os partidos à sociedade, e fazer um monte de propostas com palavras bonitas e agradáveis. Mas seria bom ver como é que a coisa se virá a processar. É que não se percebem quais os interesses potenciais a agregar pelo novo partido. É o eleitorado urbano altamente qualificado? Mas não há uns gajos que já andam a tentar essa praia há mais de uma década? Que outras “alterações tectónicas” se produziram na sociedade portuguesa, nos últimos 25 anos, que não podem ser devidamente representados pelos partidos já existentes? O livro March/Freire não ajuda a vislumbrar grande coisa e não sei exactamente qual a bandeira com que a esquerda não-mole/não-inconsequente pretende congregar o voto do “povo de esquerda”. A ideia pode ser meter tudo na cama e ...


De .Um Novo Partido de Esquerda.? Congregar a 29 de Junho de 2013 às 12:44

...
A ideia pode ser meter tudo na cama e tiram-se as conclusões a seguir.

Dito isto tudo, eu cá acho que o problema é outro, e tem a ver com instituições. Mas isso é conversa de gente inconsequente, parece. Fica para daqui a uns dias, quando a Comissão Europeia decidir que também já não quer fazer parte da troika.
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Um novo partido de esquerda? («Ressuscita, PRD»…)

(-por Joana Lopes, 25/6/2013)


Este post vem na linha de um outro publicado esta tarde pelo Luís Bernardo, a propósito da discussão sobre o possível aparecimento de um novo partido à esquerda, suscitada por uma entrevista que Rui Tavares deu ao «i» e de um artigo de José Vítor Malheiros no Público de hoje (sem link, mas que reproduzi aqui.)

Estando genericamente de acordo com o que o Luís escreveu, é-me impossível não estabelecer um paralelismo entre esta discussão recorrente sobre um hipotético espaço eleitoral entre o PS e os dois partidos com assento parlamentar, que se situam à sua esquerda, e aquela que deu origem, em 1985, à criação do Partido Renovador Democrático (PRD).

Os tempos e as motivações são outros, e alguns dos condicionalismos também, mas nem todos: se é verdade que a arena do PRD se situava entre o PSD e PS, e não à esquerda deste, é bom recordar que aquele partido nasceu em consequência da insatisfação com a política de austeridade posta em prática pelo governo então vigente (do bloco central, PS-PSD, 1983-1985, com Mário Soares como primeiro-ministro e com o FMI por cá…) e que foi precisamente a esse facto que ficou a dever-se o seu sucesso eleitoral nas eleições legislativas que se seguiram à queda desse mesmo governo: 18% nas legislativas de 1985, conseguidos sobretudo à custa do PS que desceu espectacularmente de 36 para 21%. Mas em 1987, quando o governo minoritário de Cavaco Silva foi derrubado por uma moção de censura e ocorreram novas eleições, o PRD passou de 18 para 5% de votos e de 45 para 7 deputados. O resto é conhecido: foi desaparecendo e acabou por vender a sigla para a legalização de um partido da extrema-direita.

Ou seja: não existia «espaço» real entre o PS e o PSD, como não existe hoje, julgo, entre os PS e o que está à sua esquerda. Há um grande descontentamento porque os socialistas não o são de facto, porque o Bloco parece um tanto à deriva, porque o PCP é visto como imobilista? Certamente. Mas não seria a criação de algo ideologicamente incaracterístico, mais ou menos gelatinoso, que se insinuasse nos interstícios, que viria dar origem a uma base sólida e consistente. E ainda não vi nenhuma aproximação que não fosse isto mesmo, agora ou no passado recente, sempre que esta questão regressa à boca de cena. Se um partido deste tipo viesse a existir (o que eu não creio que venha a acontecer), até poderia ter, como o PRD teve, um resultado de estreia minimamente interessante e garantir uns tantos lugares ao Sol a muitos que os procuram. Mas não teria uma vida longa, como o PRD não teve, e, sobretudo, não resolveria o problema da esquerda portuguesa. O que resolverá então? Ah, isso é uma questão para um milhão de dólares, o caminho faz-se caminhando e o mundo não acaba amanhã.

(Também aqui)
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José Couto Nogueira disse...

O espaço existe, está lá, agora que o PS foi para o centro e os dois m-l se tornaram imprestáveis para alianças ou acordos. Não há é 1) líderes, 2) dinheiro, 3) pachorra.
As pessoas estão fartas de partidarismo, seja de que cor for, e certamente gostariam de um partido que não se importa de dizer que os outros têm razão quando fazem uma proposta boa para o país.

Joana Lopes disse...

José, tudo bem: que tipo de partido? Com que género de programa?
É suficiente «dizer que os outros têm razão quando fazem uma proposta boa para o país»? Não me parece...
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Zé T. disse ...

Mais do que +1 partido entre tantos (que só dividem votos da Esquerda e permitem a Direita ganhar),
é necessário :
COLIGAR (os partidos, sindicatos e movimentos que existem, NÃO se atacarem global e mutuamente, basta marcar as diferenças, quando necessário, e), UNIR em ACÇÕES concretas, respeitando as Diferenças, JUNTAR esforços para as CAUSAS COMUNS (valorizar os «minimos denominadores comuns»)


De .Mansos esperam líderes... a 29 de Junho de 2013 às 13:32
Dizem
(os bem instalados, os alienados, os cérebros 'lavados' ou os fantoches e seus avençados,-- para desmotivar, dividir, desmobilizar... que):
«Não há líderes, dinheiro, pachorra» ...

Poderia haver mais e melhores líderes mas estar à espera que apareça D.Sebastião ou que outros apareças/saltem para a frente da luta ... uma uma posição cómoda mas de perdedor, de cidadão fraco, ... assumam isso ! é o primeiro passo para se mexerem !
E esperar, que apareça, um Caudilho altruísta, democrático, herói, amigo pessoal, ... é desejar milagres ! caiam na real.
A aparecer, o mais provável é em pouco tempo o líder (e seu pequeno grupo) ser traído/ derrubado ou se passar para a Direita, anti-democrática, vendido ao grande capital e às oligarquias !!

Cidadãos, assumam-se como iguais em direitos e deveres !!
E se querem defender os vossos direitos, o Estado Social, a Democracia ...
comecem a REUNIR e Formar os "VOSSOS BATALHÕES" !!
pois de outro modo (divididos, isolados) serão derrotados, espezinhados, roubados, maltratados, abandonados, ... e/ou feitos ESCRAVOS.


De .Intervenção PS - Ana Gomes. a 7 de Maio de 2013 às 11:41
Intervenção no XIX Congresso do PS

Camaradas

Está dito: o PS só volta ao Governo com ELEIÇÕES !
Mas pode voltar mais cedo do que o Presidente da Republica deseja. Presidente a quem eu só desejo que termine com dignidade o seu mandato.

O PS pode, de facto, ser chamado a governar porque este Governo não só DESGOVERNA, como está em decomposição acelerada, por submarinas amarras que mantenham o líder do CDS/PP preso à sobrevivência do PM do PSD.

Sabemos que há alternativas às políticas RUINOSAS da Troika e deste desGoverno. Mas elas supõem reformas de fundo que a coligação da direita não fez, nem podia fazer, porque o seu objectivo é DESMANTELAR o Estado e PRIVATIZAR o que lhe dê sustentabilidade económica.

A 1ª reforma tem de incidir sobre o sistema de JUSTIÇA e as forças de segurança, para recuperarem a confiança dos cidadãos, dos agentes económicos, dos investidores nacionais e estrangeiros. Contra a impunidade dos corruptos e da criminalidade organizada, com banca na Banca, que enriquecem à custa de CAPTURAR agentes políticos e do ESTADO para espoliar os cofres públicos, ou seja os contribuintes que pagam impostos.

A 2ª reforma tem de se centrar no ESTADO - não o queremos mais gordo, mas mais MUSCULADO. Com funcionários capacitados para apoiar o poder político na identificação e defesa dos interesses nacionais.
Cabe ao PS emendar a mão e TRAVAR a espiral de "OUTSOURCING" que os seus governos no passado ajudaram a avolumar, desnatando o serviço público, para ENGORDAR escritórios de ADVOGADOS e empresas de CONSULTADORIA, montando esquemas RUINOSOS como o BPN, o BPP, as PPP, os SWAPs, e em obras e aquisições públicas.

A 3ª reforma respeita ao sistema FISCAL, hoje clamorosamente iníquo e desincentivador da poupança e do investimento na economia real. É preciso SIMPLIFICÁ-lo, desbaratar a floresta de ISENÇÔES fiscais, alargar a base tributária e combater a EVASÃO e fraude fiscais.

É evidente que uma reforma fiscal eficaz não depende só de nós - precisamos de acabar com a selva fiscal na Europa, que domicilia na Holanda e outros PARAÍSOS fiscais 19 das 20 empresas do PSI-20. Precisamos de construir a Europa da HARMONIZAÇÂO fiscal que combata os paraísos fiscais no continente europeu e globalmente, como aqui disse M.Schultz.

Essa Europa tem de avançar para a UNIÃO BANCÁRIA para controlar a ESPECULAÇÃO financeira. E tem de ter recursos próprios adequados para investir estrategicamente no crescimento inteligente e no pleno EMPREGO. Não pode contentar-se com o pífio orçamento de menos de 1% do PIB europeu, que é o que o coitado Durão arranjou para fazer cantar a U.E.

Esta Europa tem de abandonar as políticas AUSTERICIDAS impostas pela direita com quartel-general na chancelaria Merkel.

Esta Europa tem de salvar e reforçar o Euro, para que não continue a AGRAVAR as DIVERGÊNCIAS macro-económicas entre Norte e Sul, avançando para a restruturação da divida soberana de todos os Estados Membros através de um Fundo de Amortização comum.

Sim, é por uma Europa FEDERAL que todos nos podemos salvar, mas ela tem que significar mais CONTROLO e participação DEMOCRÁTICO dos cidadãos.

Para isso, em Maio 2014, eles não vão apenas eleger eurodeputados, vão pela 1ª vez escolher o Presid. da Comissão Europeia. Precisamos aí de um EUROPEISTA com visão, ganas e garras para SALVAR a Europa do VENENO ultra-LIBERAL da direita, que transformou a economia europeia num casino.

É por uma União que acabe com a crise e dê resposta aos anseios dos cidadãos que o PS, sob a direcção do nosso Sec.-Geral, A.J. Seguro, se tem batido na Europa. A principio sozinho, perseverou - e por isso hoje estamos bem acompanhados por todos aqueles que, finalmente, compreenderam que é preciso JUNTAR FORÇAS e falar grosso na Europa, para travar a direita que enterra a Europa social, que enterra a Europa da Paz.

Se investe em alianças no plano externo, o PS tem também de encorajar ENTENDIMENTOS que concitem o máximo apoio a um programa patriótico de reforma e recuperação nacional. O que implica RENEGOCIAR com credores e parceiros europeus.
O que implica também abertura e busca de entendimento com forças e agentes polític
...


De .Contributo p.Congresso PS. a 2 de Maio de 2013 às 16:55
In absentia

Não estou no Congresso Nacional do PS. Não fui eleito delegado, assim sendo (ainda que também por impedimentos vários), não fazia grande sentido deslocar-me ao Congresso apenas para assistir ao que assisto, provavelmente até melhor, na televisão.

No entanto hoje em dia o debate não se faz só presencialmente. Em espírito de Congresso quero deixar aqui o meu contributo para a reflexão que eu acho ser fundamental fazer.

A realidade da Grécia e da Itália, assim como aquilo que se espera poder acontecer em Espanha, é a demonstração de uma verdade histórica que já se verificou no fim do século XIX e início do século XX, quando os partidos Liberais, que haviam representado as forças progressistas (ou parte importante delas) até aí, foram reduzidos de uma posição de poder para a quase irrelevância eleitoral sendo suplantados pelos Partidos Socialistas, Social-Democratas e Trabalhistas.

Isto deveu-se a que na altura, como agora, as forças que haviam sido as progressistas deixaram de saber representar esse papel e cristalizaram-se como meras forças de alternância ao serviço dos interesses instalados. Não devemos ter ilusões, a diferença entre a Esquerda e a Direita em cada momento histórico, mais do que diferenças programáticas económicas ou sociais, é a diferença entre o progresso e o conservadorismo, entre a defesa dos mais fracos e a defesa de quem detém o poder.

Isto tem de nos fazer compreender a evidência de que, ao contrário do que pensam muitos, os Socialistas não têm qualquer direito histórico a ocupar posições de poder e a ser um grande partido de governo; ao contrário disso, o que os Socialistas têm é um dever histórico de saber representar as forças progressistas e reformistas, de saber construir um futuro melhor e, acima de tudo, de representar os interesses dos mais desfavorecidos contra os poderes existentes na Sociedade. Se não cumprirem este dever histórico, não só não terão sucesso como nem sequer existe razão para que o tenham.

Posto isto torna-se absolutamente cristalino que é necessário encerrar definitivamente o período histórico em que os Socialistas se limitaram a querer gerir bem o Estado ou a querer conduzir políticas capitalistas com ‘consciência social’. O papel dos Socialistas não é nem pode ser, por definição, um papel conservador (no sentido de defender o que já foi conquistado), só seremos fies a nós próprios se entendermos que o nosso papel, não é defender ou manter o que quer que seja, é construir um futuro melhor, com mais direitos e mais bem estar. Nunca o nosso papel pode passar por ajudar a construir um futuro em que, no Mundo mais rico e com mais conhecimento e tecnologia que alguma vez existiu, se efective uma redução de direitos sociais ou económicos.

Temos de abraçar a consequência necessária da nossa posição Ideológica que é, como só pode ser, o da transformação do sistema Capitalista com vista à sua superação, por algo que, mesmo não sendo para nós evidente no actual momento, não devemos nunca parar de procurar.

Se não compreendermos que, ainda que com a paciência e a via reformista que os extremismos não aceitam, esse tem de ser o nosso objectivo poderemos ser muitas coisas, muitas delas até estimáveis, mas Socialistas não seremos.


De .PS: Abandono de Regras, Programa. ... a 2 de Maio de 2013 às 17:02
O processo (I) - por Rui Moreira, 27/4/2013

Hoje, no Congresso Nacional do Partido Socialista, o meu direito à palavra foi coarctado.
A discussão da Moção Global de Estratégia "Portugal Tem Futuro", apresentada por António José Seguro, foi condicionada.
Segundo a Ordem de Trabalhos e o artigo 9º do Regimento do XIX Congresso Nacional do PS, a votação das moções globais só pode acontecer quando a sua discussão estiver terminada.
Aquilo a que se assistiu foi o inverso.
A uma distância de 78 intervenções do final da discussão, foi antecipada a sua votação através da consulta do congresso, sem qualquer justificação para além da abertura dos telejornais às 20h.

Ou seja, no período em que eu teria a possiblidade de discutir a moção e contestar o VAZIO ideológico que impera, já a mesma estaria votada.
Modus operandi ILEGAL ! Perante este atropelo das regras, optei por não permanecer no recinto e amanhã, durante a sessão de encerramento, estarei por casa a recordar o discurso do Sérgio Sousa Pinto e a escrever-vos sobre o ABANDONO programático e ideológico do Partido Socialista.


De .PS, congresso: - Qual rumo?. a 2 de Maio de 2013 às 17:04
Qual Rumo?
(-Frederico Aleixo, )

As datas que assinalam conquistas laborais em Portugal foram intervaladas pelo XIX Congresso do Partido Socialista. Um Congresso ganho à partida por António José Seguro com a sua aproximação a dois notáveis que desafiaram a sua liderança num passado recente, refiro-me a António Costa e Francisco Assis. Reunido o aparelho, bem visível na lista apresentada à Comissão Nacional, procedeu-se à aprovação da moção "Novo Rumo". Como disse o reeleito secretário-geral, quem esperava um PS radical, irresponsável e facilitista enganou-se. Pelos vistos também se enganou quem perspectivava pelo menos um PS mais arguto, ousado e desafiante do status quo europeu. Uma organização política que se disponibilizasse a uma solução coligada à esquerda para o problema da dívida e procurasse alianças no quadro europeu dos países alvo de intervenção. Nem uma coisa nem outra. Pior, nem uma demonstração de solidariedade. Se o objectivo era não prometer nada que não pudesse cumprir, então a lista vencedora foi mais longe. Não apresentou alternativas substanciais ao problema da dívida portuguesa e à política económica que tanto desemprego e miséria têm gerado.

Com uma dívida pública a situar-se na casa dos 123% com tendência para aumentar, um desemprego galopante e uma economia em queda livre, a nova moção não conseguiu ir além de uma renegociação dos juros e extensão de prazos para cumprimento do défice, além de um papel mais interventivo do BCE como grande estratégia para a recuperação do país. Não conseguiu explicar como resolverá o problema do stock da sua dívida acrescentado aos 78 mil milhões mais juros a pagar à Troika e o seu exercício religioso, qual auto de fé no papel interventivo do BCE. Não existe, portanto, uma solução alternativa que dependa unilateralmente de um governo eleito. Fica por saber como é que António José Seguro evitará o corte nas funções sociais do Estado exigido pela Troika sem rasgar o memorando de entendimento, já que um papel mais acutilante do Banco Central Europeu na compra de dívida depende do compromisso com a intervenção externa, condição sine qua non para compra ilimitada de dívida no âmbito do Outright Monetary Transactions. A própria mutualização da dívida pública portuguesa que exceda os 60% depende mais da correlação de forças na europa, sendo certo que o ministro alemão das finanças Wolfgang Schäuble, pelas suas posições anteriores, demonstra ser um opositor desta medida.

Esta é a base para uma folga orçamental que, juntamente com a redução do rácio de solvabilidade dos bancos e a criação de um banco de fomento, possibilitaria uma estratégia fiscal para as empresas, sem sequer mencionar qualquer medida para aumentar a procura. É que a criação de emprego nada diz em relação aos míseros salários pagos, à perda de direitos laborais e o assalto aos rendimentos dos trabalhadores para pagar a dívida portuguesa. Sobre o salário mínimo português nem uma palavra.

Sem que partilhe das posições da esquerda parlamentar e, como disse Seguro, prossiga a austeridade, ficam várias questões por responder: como é que o PS vai evitar o desmantelamento do estado-social sem, no mínimo, reestruturação da dívida e abandono das políticas de ajustamento e metas do Tratado Orçamental Europeu em relação à dívida pública e ao défice estrutural? De que forma pretende entender-se à esquerda sem que prescinda da estratégia europeia seguida até aqui? Certamente e paradoxalmente com entendimentos à direita. A mesma direita que considerou as medidas apresentadas como demagógicas e irrealistas.

Para uns, o Congresso da unidade e esperança; para outros, como eu, a certeza de que este Partido Socialista não está virado para as pessoas, mas para a austeridade eterna. Não está virado para o país mas para a actual realidade europeia. Um PS virado, isso sim, para uma alternativa que mantenha os cidadãos e cidadãs a financiar o fim do modelo social europeu.


De .Directas eA inutilidade dos Congressos. a 2 de Maio de 2013 às 17:19

A inutilidade do Congresso

(-por Gonçalo Clemente, 29/4/2013, http://quandooslobosuivam.blogs.sapo.pt/ )

Calma, não falo deste Congresso em específico. Com todas as particularidades da situação política interna e externa, e diferenças pontuais que elas motivam, este Congresso foi igual aos últimos antes dele, desde que se introduziram as DIRECTAS.
Os Congressos actualmente, no PS (como no PSD e no CDS, que também utilizam directas), são de uma inutilidade política absoluta.

Chegando o líder já eleito ao Congresso, este fica esvaziado de qualquer relevância política efectiva, resumindo-se a um mega comício de ENTRONIZAÇÂO do LÌDER eleito.
O discurso de abertura do Congresso parece ser ele próprio já um discurso de encerramento, como é natural que seja uma vez que é o primeiro ‘grande discurso’ do Secretário Geral depois de ser eleito.

Estando o líder escolhido à partida, todas as outras atribuições do Congresso ficam também ESVAZIADAS.
Votam-se as Moções Políticas de Orientação Nacionais, mas, já não falando da extrema improbabilidade de se recusar a Moção de um líder recém-eleito, alguém acha que faz sentido politicamente eleger um Secretário Geral e recusar o seu plano de acção política?
Também a segunda das atribuições do Congresso fica esvaziada, porque a eleição dos órgãos nacionais não é mais que uma mera gestão da relação de FORÇAS entre o Secretário Geral eleito e os vários ‘BARÕES’ com peso político (e eleitoral) interno.
Ainda assim, em última análise aquele que acabou de conquistar o poder, contra aqueles que se presume lhe possam fazer frente nas listas aos órgãos nacionais, parte com uma incomensurável VANTAGEM que lhe vem, entre outras coisas, do facto de os LUGARES mais apetecíveis não serem, nem eleitos em Congresso, nem sequer partidários.

Por último, resta ao Congresso o poder de alterar os ESTATUTOS e quanto a isso, depois do último processo de alteração dos mesmos, não é preciso sequer referir o DESINTERESSE geral que essa matéria provoca na maioria dos DELEGADOS bem como o seu carácter instrumental para os objectivos políticos de cada liderança.

O Congresso hoje em dia resume-se, como já disse, a um mega COMÍCIO que faz as delícias de partidários e jornalistas, mas que pouco mais utilidade tem.
Minto, o Congresso tem uma outra grande utilidade, ele é o grande momento de convívio da estrutura, isto pode não parecer importante, mas é:
é no congresso que se confraterniza, que se constroem amizades e cumplicidades e que muitos militantes, com menos importância do que gostariam, procuram forma de serem conhecidos e afirmarem a sua posição enquanto possíveis futuros dirigentes.

Dificilmente estas podem ser justificações para se manter o actual modelo em que o Congresso, esvaziado de relevância política em prol das mais mediáticas… perdão, democráticas directas, persiste como um ARCAÍSMO herdado de um tempo sem telemóveis, internet ou facebook.

Eu não me oponho aos Congressos, pelo contrário.
A minha preferência recairia pelo modelo anterior, de líder eleito em Congresso, sem eleições directas que, ao contrário de limitarem o poder do CACIQUISMO, apenas o reforçam.

Também compreendo, embora discorde, todos aqueles que, achando que as directas são o melhor método para eleger o líder, tentam arranjar formas de as tornar efectivamente democráticas e limitar todos os defeitos que quem as conhece sabe que têm.

No entanto, se o objectivo é esse, devem ter a coragem e a lucidez de propor o fim do Congresso e a eleição directa, SIMULTÂNEA com o Secretário Geral, dos órgãos nacionais do Partido (de caminho, eliminando a anormalidade que é o líder eleito ter o seu projecto político, em forma de Moção, votado separadamente dele próprio), isso sim seria democrático e mudaria a forma como se faz política dentro do partido.

Assim, deixar-se-ia ao congresso, convocado apenas extraordinariamente, o papel único de discussão dos Estatutos, quando a sua alteração for proposta à Comissão Nacional.

A manutenção deste modelo híbrido é que não me parece que sirva minimamente ao partido.
But that is just my opinion…


De .Remodelar os órgãos nacionais e ... a 3 de Maio de 2013 às 11:04

AINDA O CONGRESSO DO PS
(-por Rui Namorado, 28/4/2013, OGrandeZoo)

Ao longe, escapa-me o elenco completo dos órgãos nacionais do PS. Estão agora a ser eleitos.

A experiência sugere-me um distanciamento desconsolado. A irremediável tentação da esperança leva-me a sonhar com uma Comissão Nacional composta com critérios objectivos, entre os quais a lucidez política e a capacidade de intervenção sejam tidas em conta.


Seria uma corrente amarrada às pernas do PS, fazer com que os congressistas elegessem uma plateia de espectadores, encarregada de aplaudir ou apupar duas ou três dezenas de artistas, destinados a dizerem periodicamente o esperado. Duas ou três vozes, escapadas ao crivo da rotina, não fariam a primavera.


Seria na verdade um retrocesso, não se aproveitar a circunstância para se estruturar a Comissão Nacional, de modo a transformá-la num órgão de autêntica direcção política, constituída por militantes experientes, esclarecidos e lutadores. De facto, uma direcção política deve estar mais próxima de um estado-maior militar do que duma plateia disciplinada de crentes. Uma direcção política deve ser muito mais parecida com um grupo de trabalho do que de um feixe de turistas, que vão ouvir, de quando em quando, um punhado de dirigentes , votando com aprumo favoravelmente as propostas que lhes fazem.


Enfim, talvez a réstia de esperança que me assaltou afinal se justifique.


De batatas a 25 de Abril de 2013 às 11:29
Uns sonhadores que acreditam que algum partido alguma vez se regenerar por dentro.
São mais a batatas podres que as sãs.
Nunca vi uma batata depois de apodrecer regenerar-se. muito pelo contrario, se as boas não se retirarem apodrecem também.


De .Melhorar a Política e os Partidos. a 26 de Abril de 2013 às 11:11

Parabéns pelo 'post', mas sobre ele há ainda a dizer :

1 - "... simpatizantes com «currículo no Estado e na vida privada», incluindo «familiares de históricos» "-
esta afirmação tanto inclui pessoas com valor próprio, ...
- como aqueles que lá estão/passam por NEPOTISMO, i.e. por cunha, por parentesco/herança, por co-sociedade/negócio, por troca de favores e tachos, por ''mérito oblíquo ou horizontal'' !!!
- e ainda aqueles que lá chegaram/estão por carreirismo com sabujice lambe-botismo e esquemas jota-aparelhisticos ...
e não faltam exemplos...

2- Para além das situações de deficiente democracia interna ... por mais que digam o contrário nos discursos e regulamentos ...
- só um caso, para ilustrar :

A nomeação de candidato a uma freguesia para as próximas autárquicas foi feita sem audição dos militantes dessa secção, que nunca reuniu para tal .

Aliás nos últimos anos só reuniu para fazer alguns "debates"/apresentações de convidados forasteiros - alguns com discurso interessante, a maioria foi "o mesmo do mesmo"-, sendo que a ouvir estavam mais elementos de fora (de outras secções e a 'entourage' dos palestrantes) do que da seção onde se realizou o 'evento'.

O nomeado, nem se sabe se é membro da secção (se o é, é de há pouco tempo, pois é desconhecido da maioria) ou da freguesia para a qual concorre, ... e foi 'descrito' pela coordenadora da secção como: «sabes, é ..., deputado (*) e professor universitário...».
Independentemente de outros eventuais méritos e deméritos, e da saudável apresentação aos militantes da secção e da confrontação com outros eventuais candidatos ... e da apresentação das suas propostas ou programa ou qualquer coisa ... isto passou a ser um facto, consumado. - mas ANTI-DEMOCRÁTICO !!

de facto, este candidato "caiu ali de 'para-quedas', ele foi IMPOSTO de 'cima para baixo' pela 'comissão concelhia'?, pela 'federação'?, por um grupo de 'senadores'?... com a eventual conivência/apoio/ consentimento da coordenadora da secção
(a qual, 'inocentemente', poderá? obter algo em TROCA ou alargar a sua influência no nível acima ou na sua carreira/CV ... - "um FAVOR com favor se paga"/ 'coça-me as costas...').

Com este procedimento, obviamente, que para a campanha local e ... muitos vão «votar com os pés» !! e desacreditar ainda mais nos 'políticos' ...

(*) - por acaso um dos 'jovens turcos' do PS.
------------------------


Essa das batatas podres é uma imagem forte ... não sei como a rebater...

O que sei é que ficar quieto (em política/cidadania) é o mesmo que deixar-se levar para o matadouro... ou para a escravatura.

Se o combate «por dentro» não serve ou não chega ... deve «combater-se também por fora» ... nem que seja aliando-se/passando para uma outra organização (partido, movimento cívico, ...) ou construindo uma nova organização .

-------





De Mas afinal, quem é o pai da criança? a 29 de Abril de 2013 às 14:13
Ora toma! Muito bem dito.


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