De .Contributo p.Congresso PS. a 2 de Maio de 2013 às 16:55
In absentia

Não estou no Congresso Nacional do PS. Não fui eleito delegado, assim sendo (ainda que também por impedimentos vários), não fazia grande sentido deslocar-me ao Congresso apenas para assistir ao que assisto, provavelmente até melhor, na televisão.

No entanto hoje em dia o debate não se faz só presencialmente. Em espírito de Congresso quero deixar aqui o meu contributo para a reflexão que eu acho ser fundamental fazer.

A realidade da Grécia e da Itália, assim como aquilo que se espera poder acontecer em Espanha, é a demonstração de uma verdade histórica que já se verificou no fim do século XIX e início do século XX, quando os partidos Liberais, que haviam representado as forças progressistas (ou parte importante delas) até aí, foram reduzidos de uma posição de poder para a quase irrelevância eleitoral sendo suplantados pelos Partidos Socialistas, Social-Democratas e Trabalhistas.

Isto deveu-se a que na altura, como agora, as forças que haviam sido as progressistas deixaram de saber representar esse papel e cristalizaram-se como meras forças de alternância ao serviço dos interesses instalados. Não devemos ter ilusões, a diferença entre a Esquerda e a Direita em cada momento histórico, mais do que diferenças programáticas económicas ou sociais, é a diferença entre o progresso e o conservadorismo, entre a defesa dos mais fracos e a defesa de quem detém o poder.

Isto tem de nos fazer compreender a evidência de que, ao contrário do que pensam muitos, os Socialistas não têm qualquer direito histórico a ocupar posições de poder e a ser um grande partido de governo; ao contrário disso, o que os Socialistas têm é um dever histórico de saber representar as forças progressistas e reformistas, de saber construir um futuro melhor e, acima de tudo, de representar os interesses dos mais desfavorecidos contra os poderes existentes na Sociedade. Se não cumprirem este dever histórico, não só não terão sucesso como nem sequer existe razão para que o tenham.

Posto isto torna-se absolutamente cristalino que é necessário encerrar definitivamente o período histórico em que os Socialistas se limitaram a querer gerir bem o Estado ou a querer conduzir políticas capitalistas com ‘consciência social’. O papel dos Socialistas não é nem pode ser, por definição, um papel conservador (no sentido de defender o que já foi conquistado), só seremos fies a nós próprios se entendermos que o nosso papel, não é defender ou manter o que quer que seja, é construir um futuro melhor, com mais direitos e mais bem estar. Nunca o nosso papel pode passar por ajudar a construir um futuro em que, no Mundo mais rico e com mais conhecimento e tecnologia que alguma vez existiu, se efective uma redução de direitos sociais ou económicos.

Temos de abraçar a consequência necessária da nossa posição Ideológica que é, como só pode ser, o da transformação do sistema Capitalista com vista à sua superação, por algo que, mesmo não sendo para nós evidente no actual momento, não devemos nunca parar de procurar.

Se não compreendermos que, ainda que com a paciência e a via reformista que os extremismos não aceitam, esse tem de ser o nosso objectivo poderemos ser muitas coisas, muitas delas até estimáveis, mas Socialistas não seremos.


De .Remodelar os órgãos nacionais e ... a 3 de Maio de 2013 às 11:04

AINDA O CONGRESSO DO PS
(-por Rui Namorado, 28/4/2013, OGrandeZoo)

Ao longe, escapa-me o elenco completo dos órgãos nacionais do PS. Estão agora a ser eleitos.

A experiência sugere-me um distanciamento desconsolado. A irremediável tentação da esperança leva-me a sonhar com uma Comissão Nacional composta com critérios objectivos, entre os quais a lucidez política e a capacidade de intervenção sejam tidas em conta.


Seria uma corrente amarrada às pernas do PS, fazer com que os congressistas elegessem uma plateia de espectadores, encarregada de aplaudir ou apupar duas ou três dezenas de artistas, destinados a dizerem periodicamente o esperado. Duas ou três vozes, escapadas ao crivo da rotina, não fariam a primavera.


Seria na verdade um retrocesso, não se aproveitar a circunstância para se estruturar a Comissão Nacional, de modo a transformá-la num órgão de autêntica direcção política, constituída por militantes experientes, esclarecidos e lutadores. De facto, uma direcção política deve estar mais próxima de um estado-maior militar do que duma plateia disciplinada de crentes. Uma direcção política deve ser muito mais parecida com um grupo de trabalho do que de um feixe de turistas, que vão ouvir, de quando em quando, um punhado de dirigentes , votando com aprumo favoravelmente as propostas que lhes fazem.


Enfim, talvez a réstia de esperança que me assaltou afinal se justifique.


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