12 comentários:
De Novo Partido "PRD"/PRuiTavares. a 29 de Junho de 2013 às 12:08
Esquerda frutada
(-por Luís Bernardo, 25/6/2013, 5dias)
Um artigo de José Vítor Malheiros, publicado ontem no Público (desculpem lá, não sei onde está o link – se alguém puder colocá-lo nos comentários, ponho-o aqui), e no seguimento de uma entrevista a Rui Tavares no i, sugere que se discuta um novo partido à esquerda. A razão, se a entendo no meio de conjecturas e pressupostos, é esta: há uma reserva de votos à esquerda que é preciso capturar porque há um “povo de esquerda” que não se sente representado pelas forças políticas actualmente na Assembleia da República. Esse “povo de esquerda” é , anti-austeritário, diz-se. Esse “povo de esquerda”

Na entrevista a Rui Tavares, refere-se, lá para o meio, o Manifesto por uma Esquerda Livre. Ou Movimento, já não me lembro. O mesmo que procura posicionar-se entre a esquerda mole e a esquerda inconsequente. Não consegui, até hoje, perceber o que é “esquerda mole” e “esquerda inconsequente”. Embora o livro de André Freire e Luke March sobre a esquerda radical dê algumas pistas, e uma entrevista mais ou menos recente do primeiro autor ao i também sugira que o desalinhamento de preferências entre alguns eleitores do Bloco de Esquerda e os seus dirigentes pode criar espaço para um novo partido de esquerda, toda esta conversa peca pela falta de consistência e, pegando no vocabulário inenarrável do Manifesto por uma Esquerda Livre, consequência. Em suma, vemos um conjunto de sugestões, conjecturas e pressupostos que não respondem a três perguntas muito simples:

1. Esse partido quer ser a DIMAR portuguesa? Ou seja, um partido de tendência social-democrata e europeísta?
2. Qual será a sua política de alianças à esquerda e à direita?
3. Qual será o seu relacionamento com a sociedade portuguesa?

Quanto à primeira questão, um partido do género terá de se confrontar com dois problemas: a disfuncionalidade crescente do euro (e não, Rui Tavares não tem razão ao dizer que uma saída do euro obriga a uma saída da União Europeia, embora seja provável que uma coisa aconteça depois da outra) e os novos mecanismos de governo económico europeu, que ilegalizam o keynesianismo, a social-democracia e qualquer pretensão a uma política de pleno emprego. Perguntem ao Paulo Rangel, ele explica. Se Portugal se vir na contingência (voluntária ou involuntária) de abandonar o euro, qual será a atitude do Grupo Spinelli no Parlamento Europeu? Continuarão a abanar as bandeirolas federalistas? Este novo partido será federalista? E já se perguntou ao “povo de esquerda” o que acha do federalismo e do soberanismo? E já se perguntou ao “povo de esquerda” se acha que o problema da democracia representativa é a quantidade insuficiente de partidos?

Quanto à segunda questão, devo estar aqui com um bloqueio. Talvez acorde uns dias mole e outros inconsequente, mas gostaria de perceber para que é que servirá um novo partido à esquerda se a estratégia do Bloco de Esquerda já parece ser a de se aproximar ao Partido Socialista. O novo partido quer meter-se no meio? Por mim, venha a libertinagem, mas conviria saber qual é a probabilidade de ser bem-sucedida, porque a libertinagem política mal-sucedida pode dar confusão. Digo eu. Como é que este partido reagirá se se vir isolado? Vai piscar o olho ao CDS ou a uns quantos meninos mal-comportados do PSD?

A terceira questão tem a ver com isto da libertinagem. Eu também gosto de metáforas tectónicas, mas há aqui qualquer coisa que não bate certo. Por duas coisas. Em primeiro lugar, é fácil andar para aí a falar acerca de abrir os partidos à sociedade, e fazer um monte de propostas com palavras bonitas e agradáveis. Mas seria bom ver como é que a coisa se virá a processar. É que não se percebem quais os interesses potenciais a agregar pelo novo partido. É o eleitorado urbano altamente qualificado? Mas não há uns gajos que já andam a tentar essa praia há mais de uma década? Que outras “alterações tectónicas” se produziram na sociedade portuguesa, nos últimos 25 anos, que não podem ser devidamente representados pelos partidos já existentes? O livro March/Freire não ajuda a vislumbrar grande coisa e não sei exactamente qual a bandeira com que a esquerda não-mole/não-inconsequente pretende congregar o voto do “povo de esquerda”. A ideia pode ser meter tudo na cama e ...


De .Um Novo Partido de Esquerda.? Congregar a 29 de Junho de 2013 às 12:44

...
A ideia pode ser meter tudo na cama e tiram-se as conclusões a seguir.

Dito isto tudo, eu cá acho que o problema é outro, e tem a ver com instituições. Mas isso é conversa de gente inconsequente, parece. Fica para daqui a uns dias, quando a Comissão Europeia decidir que também já não quer fazer parte da troika.
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Um novo partido de esquerda? («Ressuscita, PRD»…)

(-por Joana Lopes, 25/6/2013)


Este post vem na linha de um outro publicado esta tarde pelo Luís Bernardo, a propósito da discussão sobre o possível aparecimento de um novo partido à esquerda, suscitada por uma entrevista que Rui Tavares deu ao «i» e de um artigo de José Vítor Malheiros no Público de hoje (sem link, mas que reproduzi aqui.)

Estando genericamente de acordo com o que o Luís escreveu, é-me impossível não estabelecer um paralelismo entre esta discussão recorrente sobre um hipotético espaço eleitoral entre o PS e os dois partidos com assento parlamentar, que se situam à sua esquerda, e aquela que deu origem, em 1985, à criação do Partido Renovador Democrático (PRD).

Os tempos e as motivações são outros, e alguns dos condicionalismos também, mas nem todos: se é verdade que a arena do PRD se situava entre o PSD e PS, e não à esquerda deste, é bom recordar que aquele partido nasceu em consequência da insatisfação com a política de austeridade posta em prática pelo governo então vigente (do bloco central, PS-PSD, 1983-1985, com Mário Soares como primeiro-ministro e com o FMI por cá…) e que foi precisamente a esse facto que ficou a dever-se o seu sucesso eleitoral nas eleições legislativas que se seguiram à queda desse mesmo governo: 18% nas legislativas de 1985, conseguidos sobretudo à custa do PS que desceu espectacularmente de 36 para 21%. Mas em 1987, quando o governo minoritário de Cavaco Silva foi derrubado por uma moção de censura e ocorreram novas eleições, o PRD passou de 18 para 5% de votos e de 45 para 7 deputados. O resto é conhecido: foi desaparecendo e acabou por vender a sigla para a legalização de um partido da extrema-direita.

Ou seja: não existia «espaço» real entre o PS e o PSD, como não existe hoje, julgo, entre os PS e o que está à sua esquerda. Há um grande descontentamento porque os socialistas não o são de facto, porque o Bloco parece um tanto à deriva, porque o PCP é visto como imobilista? Certamente. Mas não seria a criação de algo ideologicamente incaracterístico, mais ou menos gelatinoso, que se insinuasse nos interstícios, que viria dar origem a uma base sólida e consistente. E ainda não vi nenhuma aproximação que não fosse isto mesmo, agora ou no passado recente, sempre que esta questão regressa à boca de cena. Se um partido deste tipo viesse a existir (o que eu não creio que venha a acontecer), até poderia ter, como o PRD teve, um resultado de estreia minimamente interessante e garantir uns tantos lugares ao Sol a muitos que os procuram. Mas não teria uma vida longa, como o PRD não teve, e, sobretudo, não resolveria o problema da esquerda portuguesa. O que resolverá então? Ah, isso é uma questão para um milhão de dólares, o caminho faz-se caminhando e o mundo não acaba amanhã.

(Também aqui)
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José Couto Nogueira disse...

O espaço existe, está lá, agora que o PS foi para o centro e os dois m-l se tornaram imprestáveis para alianças ou acordos. Não há é 1) líderes, 2) dinheiro, 3) pachorra.
As pessoas estão fartas de partidarismo, seja de que cor for, e certamente gostariam de um partido que não se importa de dizer que os outros têm razão quando fazem uma proposta boa para o país.

Joana Lopes disse...

José, tudo bem: que tipo de partido? Com que género de programa?
É suficiente «dizer que os outros têm razão quando fazem uma proposta boa para o país»? Não me parece...
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Zé T. disse ...

Mais do que +1 partido entre tantos (que só dividem votos da Esquerda e permitem a Direita ganhar),
é necessário :
COLIGAR (os partidos, sindicatos e movimentos que existem, NÃO se atacarem global e mutuamente, basta marcar as diferenças, quando necessário, e), UNIR em ACÇÕES concretas, respeitando as Diferenças, JUNTAR esforços para as CAUSAS COMUNS (valorizar os «minimos denominadores comuns»)


De .Mansos esperam líderes... a 29 de Junho de 2013 às 13:32
Dizem
(os bem instalados, os alienados, os cérebros 'lavados' ou os fantoches e seus avençados,-- para desmotivar, dividir, desmobilizar... que):
«Não há líderes, dinheiro, pachorra» ...

Poderia haver mais e melhores líderes mas estar à espera que apareça D.Sebastião ou que outros apareças/saltem para a frente da luta ... uma uma posição cómoda mas de perdedor, de cidadão fraco, ... assumam isso ! é o primeiro passo para se mexerem !
E esperar, que apareça, um Caudilho altruísta, democrático, herói, amigo pessoal, ... é desejar milagres ! caiam na real.
A aparecer, o mais provável é em pouco tempo o líder (e seu pequeno grupo) ser traído/ derrubado ou se passar para a Direita, anti-democrática, vendido ao grande capital e às oligarquias !!

Cidadãos, assumam-se como iguais em direitos e deveres !!
E se querem defender os vossos direitos, o Estado Social, a Democracia ...
comecem a REUNIR e Formar os "VOSSOS BATALHÕES" !!
pois de outro modo (divididos, isolados) serão derrotados, espezinhados, roubados, maltratados, abandonados, ... e/ou feitos ESCRAVOS.


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