Exército da alta finança e fuga ao fisco controla leis e governos

        As "Big Four" empregam 700.000 especialistas na fuga ao fisco    ( # por R. Narciso, PuxaPalavra)

    Na Alemanha, nas últimas décadas, o número de funcionários das autoridades tributárias (Finanças), mal pagos, diminuiu 5%. Em contrapartida o número de especialistas em otimização fiscal (leia-se fuga legal aos impostos) aumentou 30% e o número de advogados fiscalistas (outro tipo de especialistas na fuga ao fisco) aumentou 60% e são altamente remunerados.   Mesmo que mais nada dissesse bem se percebe para que lado têm andado as coisas.
     Há 4 grandes empresas que detêm o grosso da atividade de fuga aos fisco, uma atividade essencial ao mundo da alta finança internacional. São conhecidas pelas BIG FOUR: a Deloitte, a PriceWaterHouseCoopers, a Ernst & Young e a KPMGElas têm ao seu serviço 700 mil especialistas, trabalham em 150 países e faturam 76,5 mil milhões de euros por ano.
     Só no minúsculo Chipre têm ou tinham 2.500 especialistas. São seus clientes as maiores multinacionais. Por exemplo a Deloitte tem a Vodafone ou a Microsoft, a Ernst & Young tem, p.ex. a Google, a Aple, a Amazon, a Coca Cola.   A fonte é um estudo do alemão Walter Wullenweber que o publicou, em 15 de Março deste ano, na revista Stern, um estudo em parte reproduzido no Courrier Internacional, origem destes dados.
     Nesse estudo diz-se que as Finanças de países como a Grécia, Chipre, Portugal ou Irlanda são incapazes de cobrar impostos às grandes fortunas. Mas o exemplo poderia, se este alemão quisesse, alargar-se à Alemanha. De facto um pouco adiante ele refere que na Alemanha desde 1960 os impostos sobre salários, consumos energéticos ou sob a forma de IVA, isto é os que atingem a população em geral, quase duplicou e os impostos sobre lucros, isto é sobre o capital e portanto sobre as grandes fortunas, caíram 75% . É obra!     Todas estas situações parecem paradoxais mas “esmiuçando” percebe-se que não o são assim tanto.
     Os estados e os governos querem cobrar o máximo de impostos ou pelo menos todos os impostos que a lei estipula mas… nada se perceberá ou ganhará coerência se não se perceber que a função dos estados e dos governos é disputada e influenciada por forças contraditórias. Por um lado, pelo mundo do trabalho, por forças democráticas, por grande parte do eleitorado e por outro pelo mundo do capital, pelos bancos, gestores de fundos e fortunas, o mundo financeiro em geral. Mas os campos não são perfeitamente delimitados. Os altos salários estão em geral do lado do capital e o pequeno capital está, frequentemente, do lado do trabalho. E quem detém a maior parte da influência, e frequentemente o controlo dos governos salta à vista.  
    Aquele exército de 700.000 funcionários da fuga ao fisco e os mil e um paraísos fiscais convivem em perfeita harmonia com os governos e os Estados porque nestes prevalecem os interesses do capital e, em particular, do capital financeiro.
     Do ponto de vista ético esta situação é, para os que não conhecem bem as leis que regem a sociedade, profundamente desmoralizadora e obriga a olhar para os governos, especialmente os dos mais fortes países ou para as organizações internacionais, EUA, Alemanha, Japão, UE, ONU, etc, como entidades profundamente hipócritas, cúmplices dos multimilionários quando não da ilegalidade e do crime.    Todos sabemos que as BIG FOUR e quejandas só existem porque os parlamentos e os governos que fazem as leis fazem-nas frequentemente sob o controlo dos juristas especializados na fuga ao fisco, funcionários daquelas empresas ou de sociedades de advogados especializados no mesmo objeto, como o bastonário da AO, Marinho Pinto ou o vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade, Paulo Morais, além de outros, não se cansam de denunciar.
    A fuga aos impostos em grande escala pelas grandes empresas, bancos e sociedades é uma forma da concentração da riqueza em cada vez menos cidadãos e uma forma de contrariar a redistribuição da riqueza pelo estado social que assim fica com menos meios para a educação, para a saúde para as reformas e demais medidas sociais.


Publicado por Xa2 às 07:52 de 21.05.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De 'Outsource' Ruinoso e Corruptos a 23 de Maio de 2013 às 09:21
Contra a fraude e a evasão fiscais
(-por AnaGomes , 21/5/2013, Causa-Nossa)

"De 2000 a 2012 mais de 170 mil milhões de euros foram transferidos de Portugal para paraísos fiscais - e isto é só a parte oficialmente registada.

Os que evadem ou evitam impostos foram assistidos por bancos, advogados e peritos financeiros a quem os governos portugueses também regularmente contratam para, supostamente, lhes entregar em "OUTSOURCE" a defesa de interesses do Estado - tudo acabando, usualmente, em CONTRATOS RUINOSOS CORRUPTOS e leis cheias de buracos para ajudar os CRIMINOSOS fiscais.

No ano passado, já sob resgate e com os impostos aumentados drasticamente sobre as pessoas que os pagam,
o Governo português concedeu uma "amnistia fiscal" aos criminosos fiscais, permitindo-lhes manter o secretismo e pagar uma multa ridícula de 7,5% para legalizar e manter fora, a maior parte na Suíça, mais de 3.4 mil milhões.
Ou seja, nem sequer exigindo o repatriamento desses capitais. E tudo com a benção da Troika.

Listas Lagarde, listas Liechenstein serviram realmente para proteger os criminosos fiscais
e encobri-los em ainda mais secretismo por parte das autoridades portuguesas.

A troca de informação automática é essencial ao nível UE e ao nível global.
A Áustria e o Luxemburgo têm de ser nomeados e envergonhados por a obstruírem.

Os membros dos governos da UE e quaisquer peritos que protejam os criminosos fiscais
devem ser expostos, julgados e exemplarmente punidos."

-------------
Intervenção hoje no plenário do PE, em debate sob luta contra evasão e fraude fiscal, preparando o Conselho Europeu de amanhã.
No minuto que me coube não deu para completar com as duas ultimas frases. Mas aqui ficam.


De "capitalismo, empreendedor, explorador,. a 22 de Maio de 2013 às 10:44
Over It! – Era uma vez um conto de fadas

(22/5/2013 por Renato Teixeira, blog.5dias.net)

Ou como o empreendedorismo acaba sempre por tropeçar nos próprios pés.

Quem tem idade para fazer negócios, tem a responsabilidade de responder às perguntas que se impõem.
Quem é adulto para assinar contratos, importar, exportar e opinar sobre se é bom ou mau viver com o salário mínimo, diria mesmo, tem a obrigação de se explicar.
O programa do Prós e Contras de ontem dará pano para muitas discussões, uma vez que a ignorância e a mentira não foram monopólio do espertalhão do Martim.
Os acólitos da historieta do empreendedorismo um dia desistem de nos convencer de que pode haver negócio sem investimento e produtos baratos sem recorrer a mão-de-obra escrava ou sobre-explorada.
Quem assina os contratos em seu nome?
De onde vêm os produtos que ele importa?
Quem lhe concedeu o crédito?
O testa de ferro que o manobra e a turba de austeritários que o tornaram em mais um idiota útil da sua propaganda, deviam pelo menos ter poupado o adolescente ao marketing de guerrilha.
Agora, no pico da onda do debate e com ele a ganhar interesse na sua substância, seria desonesto que a data de nascimento do intérprete – que até parece bom rapaz – de um negócio de sucesso, não fosse usada como pretexto para que se tirem todas as conclusões.
A peta desculpa-se, a dele ou a de interposta pessoa, a falta de verdade não.

Sobre o assunto, ler também:
“A Tragédia Social na Rede Social“, “A Falta de noção do ridículo“, “Empreende-dor-ismo“, “Raquel, do lado certo da História“, “Uma mão cheia de argumentos contra a ignorância“, “O Martim é bue da empreendedor“, “O salário Mínimo é uma Vergonha“ e este testemunho.
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Vai estudar Martim !
(para esse empreendorismo ... já bastam os ciganos da butik alcofa, com a ASAE à perna ... e tu quando terás o Fisco à porta ?!)
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Raquel Varela, do lado certo da História
(21/5/2013, Rui Moreira, «Quando os Lobos Uivam»)

O pequeno Martim, jovem empreendedor e futuro embaixador do Impulso Jovem monopolizou as atenções das redes sociais. O automatismo com que descompôs Raquel Varela e todos os que auferem o Salário Mínimo Nacional colheu aplausos na acefalia entusiasta da sua bancada.
A forma como esses aplausos se têm reproduzido em diferentes comentários e declarações sebastianistas revela como muita gente está descontente com o Governo. Martim, o supra-sumo da economia, está já na mira de alguns como futuro Primeiro-Ministro de Portugal e resolverá os problemas estruturais do nosso país.

Porém, a mediática resposta que protagonizou é parte integrante do barulhento discurso (nunca sustentado) de que uma economia competitiva deve estar assente em miseráveis salários.
Esta argumentação queda, à partida, quando analisamos o nosso caso.
O CAPITALISMO e a consequente DESVALORIZAÇÂO SALARIAL (aliás, a sua maior virtude) deu ao mundo, e também a Portugal, POBREZA e fome.
Se analisarmos meia dúzia de dados, rapidamente percebemos como o não acompanhamento dos salários relativamente à inflação resultam na perda de qualidade de vida das classes sociais de base.
Perceberemos também que o regime se tornou explorativo, pois comparando o salário dos trabalhadores com o salário dos seus gestores, revela-se uma diferença abrupta entre eles.
O que importa discutir é isto:
como os baixos salários, em última análise, descapitalizam o Estado e o seu providencialismo coesivo.
Baixos salários não nos trouxeram competitividade económica nem social, apenas pensões ínfimas e a acumulação imoral de riqueza em determinadas famílias.
Os custos sociais da crise que vivemos provêm, para além da conjuntura internacional, das baixas contribuições que o Estado arrecadou nas últimas décadas.
Não existe proporcionalidade salarial nem contributiva em Portugal.

Acredito que o que escrevi está implícito em parte do discurso da Raquel Varela e é factual.
Não o querermos discutir é negligenciar valores fundamentais para a nossa emancipação colectiva.
Aplaudí-lo é estar do lado errado da História.


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