O sistema de pensões é sustentável?

No caderno “dinheiro vivo” publicado pelo jornal DN, em texto de Lucília Tiago, cujo título era o acima referido, ficou bem ilustrado o mau jornalismo e as histórias muito mal contadas que por aí abundam.

Pela leitura do texto, sobretudo a referencia aos números, e o modo como tal referência é feita, o leitor é levado a concluir que o sistema está, por culpa própria, falido.

A jornalista, por desconhecimento ou má-fé, não foi ou não quis ir à raiz do problema e apenas olhou o malabarismo numérico sem aprofundar as razões dos mesmos. Números e malabarismos.

Não abordou (não quis ou não lhe deixaram?) o fato dos vários governos, nas últimas décadas, andarem a fazer triplos desfalques no sistema.

O primeiro desfalque foi o de deixarem de colocar, no Fundo de Gestão da Segurança Social os valores correspondentes às responsabilidades dos não contributivos (componente de solidariedade cobrada, através dos impostos). Essa responsabilidade teve durante os primeiros anos Orçamento de Estado próprio;

O segundo desfalque é a integração no sistema de Segurança Social de beneficiários provenientes das extintas Caixas de Pensões privadas.

Como se transferem as responsabilidades futuras sem que os respetivos descontos, acumuladas, sejam para ali transferidos, corresponde ao terceiro desfalque.

O “saque” feito quase sistematicamente, (o mais recente foi o dos bancários) para equilibrar os Orçamentos de Estado como receitas extraordinárias, não deixa de ser, de forma encapotada, um furto ao Sistema de Pensões da CNP. É como irem a uma conta poupança Reforma num qualquer banco usarem o nosso dinheiro sem nos darem qualquer justificação. Parece que já faltou mais!

A jornalista desconhece estas realidades?

Ao já referido acresce enquadrar a falta de vontade política, económica e social em alterar os métodos de financiamento do sistema ainda baseado no modelo industrial e custeado apenas nas contribuições provenientes do número de trabalhadores ativos e não com componente, também, na riqueza produzida.

Os números são relevantes mas, sendo mal equacionados, tornam-se enganadores e o trabalho assim efetuado serve interesses inconfessados.

A jornalista ao dar relevo “…ao corte de pensões…” e que isso “…pode por em causa a confiança dos contribuintes no sistema…” está a ser conivente com as aqui referidas delapidações efectuadas a esse mesmo sistema.

É pois de justiça que a jornalista reveja o escrito e aprofunde o tema e o DN lhe dê o merecido relevo, para bem da verdade esclarecida.



Publicado por DC às 11:10 de 10.06.13 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 10 de Junho de 2013 às 15:08
1) É natural que quando se tira do «saco», para dar a quem nunca lá pôs nenhum..., que o «saco» esvazie mais depressa.
- É o que tem acontecido desde a «nacionalização» das chamadas «Caixas de Previdência», em que os Governos, desataram a «dar» reformas a quem nunca tinha descontado... Não estaria mal se esse dinheiro fosse reposto pelo O. E., mas não foi;
2) É natural que quando se tira do «saco», para dar a quem não fez o tempo e os descontos necessários..., que o «saco» esvazie mais depressa.
- É o que tem acontecido desde que os Governos desataram a «sacar», mediante legislação feita especificamente para o isso, reformas e pensões antecipadas: chamem-se elas subsídios vitalícios ou outras artimanhas que tais;
3) É natural que quando se tira do «saco», para dar a quem não fez o tempo e os descontos necessários..., que o «saco» esvazie mais depressa.
- É o que tem acontecido desde que muitos dos que agora foram integrados no sistema da CNP, mas que os descontos que então tinham feito para lhes assegurar as reformas, foram aplicados para baixar o deficit público, em vez de entrarem no «saco»...
4) e 5) e 6) Muitos exemplos mais se poderiam aqui explicitar, mas não vale a pena porque «todos» sabem do «saque» que tem sido feito ao dinheiro que alguns portugueses viram descontados nos sues vencimentos e alguns patrões foram obrigados a pagar por cada empregado que tinham na empresa e, que lhes fora garantido que seria para lhes garantir, a eles, sim a eles - os que descontaram, as suas reformas num futuro próximo: o do limite de idade.
E mesmo assim já havia as chamadas profissões de desgaste rápido (habitualmente muito bem pagas durante o seu exercício) e com benesses de escalão reduzidos enquanto exerciam e se «desgastavam» na sua profissão. Querem exemplos? Pois então lá vai um: os futebolistas...
Querem mais? Digam que eu digo. Um abraço seus «mansos»!


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