4 comentários:
De .Greve de Prof.s e ... a 17 de Junho de 2013 às 17:43
Um irresponsável
(-por Daniel Oliveira)

Crato acabou mesmo por ter de encontrar outra data para o exame de português. Com a agravante de ter criado uma insanável desigualdade entre os alunos que fizeram o exame de hoje e os que farão o de 2 de Julho. Ao recusar o adiamento para dia 20, Crato queria mostrar a sua força. A adesão à greve foi enorme e nem convocando todos os professores conseguiu evitar que quase um terço dos alunos não conseguisse fazer exame. Ou seja, a demonstração de força enfraqueceu-o e criou um problema sem solução possível.

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A estratégia de dividir para reinar está a falhar
(-por Daniel Oliveira)

Atualização: a estratégia de Nuno Crato, de virar os estudantes contra os professores grevistas, está a falhar. Os estudantes manifestam-se, sim, mas contra a trapalhada do Ministério da Educação, que cria a situação de haver alunos com exames e outros sem os poderem fazer. Em Braga, houve mesmo estudante que invadiram as únicas sete saladas (de 23 previstas) onde decorriam exames. E de todos os relatos que chegam a revolta é contra o Ministério e não contra os professores. É que os professores têm uma vantagem em relação a Nuno Crato: estão na escola e contactam com os seus alunos. E têm outra: não fazem parte de um governo que manda os jovens emigrar.

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Ansiedade mas escolas e as virgens distraídas
(-por Daniel Oliveira)

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A hipocrisia como modo de vida
(-por Sérgio Lavos, 16/6/2013)

Nuno Crato, o resto do Governo e os comentadores avulso pedem compugidamente aos professores para não prejudicarem os alunos. Os mesmos alunos que têm sido prejudicados como nunca nos últimos dois anos, com o fim da Formação Cívica, da Educação Tecnológica, com o aumento do número de alunos por turma (e que irá subir ainda mais, conforme ficou acordado entre o Governo e a troika durante a sétima avaliação), com a redução drástica da quantidade de comida servida nas refeições nas cantinas e dos apoios sociais aos alunos mais desfavorecidos, etc., etc. Não bastando tudo isto, a crise provocada pelas políticas do Governo está a ter como consequência que cada vez mais famílias deixem de considerar como hipótese os filhos seguirem para a universidade. Só este ano, 40% dos alunos afirmam não querer prosseguir os estudos depois do 12.º ano, uma quebra de mais de 9000 estudantes em relação ao ano passado. E relembremos: Portugal, apesar dos progressos, é ainda dos países com menos licenciados na OCDE, com as consequências que este facto acarreta, ao nível da competitividade da economia e da riqueza objectiva e subjectiva do país. A hipocrisia e a lata de quem diz defender o interesse dos alunos são incomensuráveis. Mais um recorde para este Governo.



De 'Normalidade' tretas/ estado de excepção a 17 de Junho de 2013 às 17:48
Rigor e exigência
(-por Sérgio Lavos, 17/6/2013)

O ministro do rigor e da exigência veio hoje anunciar que os exames de Português e de Latim tinham decorrido dentro da normalidade.

Normalidade, para Nuno Crato, foi 22 000 alunos (no mínimo) não terem podido realizar os seus exames.
Normalidade foi ter havido professores de português a vigiar as provas, quando a lei proíbe especificamente que docentes da disciplina do exame em causa possam exercer essa função;
normalidade foi terem sido feitos exames em refeitórios e cantinas, vigiados por um professor apenas, quando a lei diz que não poderão estar mais de 20 alunos por sala de aula;
normalidade foi ter havido alunos a trocar mensagens com colegas que estavam no exterior das salas de aula sobre o conteúdo o exame;
normalidade foi alguns alunos terem tido acesso aos exames antes de estes começarem a ser realizados;
normalidade foi muitos exames terem começado trinta minutos depois da hora prevista sem ter havido depois prolongamento do horário;
normalidade foi ter havido salas de aula fechadas à chave e alunos terem sido impedidos de sair;
normalidade foi terem sido vários professores chamados de reuniões de avaliação à pressa para vigiarem as aulas, infringindo assim a lei da greve, que proíbe especificamente que outros trabalhadores substituam quem faz greve;
normalidade foi ter havido salas sem professores suplentes nem coadjuvantes;
normalidade foi terem sido feitos exames sem secretariado de exames e sem inspecção, obrigatórios por lei;
normalidade foi ter havido alunos a invadir escolas, perturbando quem estava a prestar provas, e a polícia ter sido chamada para esses alunos serem expulsos.

Toda esta "normalidade", apenas para que o Governo pudesse achar que ficaria a ganhar a opinião pública, no seu braço-de-ferro que incluiu a recusa em adiar os exames para dia 20 de Junho, como propôs o colégio arbitral, e como tinha sido aceite pelos sindicatos.
Em qualquer país decente, este ministro teria pedido imediatamente a demissão.
Deve ser isto a que chamam o "estado de excepção".


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