Bancocracia: enriquecer à custa da Democracia e da dívida do Estado

               Compreender a dívida Pública     (-por  #  Raimundo Narciso)

     Até 1973 o Estado francês controlava o sistema financeiro do país, assim como a moeda, o franco, através do Banco Central. Para as necessidades do Estado, para pagar a administração pública, para investir na saúde ou na educação o governo, se o dinheiro dos impostos não lhe chegava, pedia dinheiro emprestado ao Banco Central e não pagava qualquer juro.
     Aconselhado pelos banqueiros, em 1973, o presidente Pompidou publicou uma lei que alterou radicalmente a situação. A partir de então o Estado quando necessita de dinheiro pede emprestado aos bancos privados que, obviamente levam o seu juro. Parece absurdo. Parece, mas assim os bancos, os acionistas dos bancos e os administradores dos bancos passam a ter uma gigantesca fonte de riqueza e de facto passam a controlar, mais ainda, a vida económica do país.
     No vídeo que aqui está, informa-se que, de 1973 a 2010 a dívida pública da França tinha aumentado 1,348 biliões (milhões de milhões) e que, sintomaticamente, os juros pagas pelo Estado à banca privada nesse mesmo período foi de 1,408 biliões de euros. O aumento brutal da dívida pública da França nestas 4 décadas foi praticamente igual aos juros pagos, neste período, pelo Estado aos banqueiros , consequência daquela lei de Pompidou que entregou aquele poder do Estado, poder do povo, aos banqueiros e acionistas dos bancos.
     Esta situação de os Estados terem de pedir dinheiro emprestado aos bancos privados em vez de o obterem sem juros do banco central do seu país generalizou-se a quase todo o mundo. E é  também a situação na zona euro. Esta mudança de paradigma foi aliás um passo grande do sistema financeiro internacional na sua longa caminhada para o controlo dos governos nacionais e do "governo do mundo".
    Obviamente que não podemos concluir que os bancos são "maus". Os bancos foram instrumentos fundamentais e absolutamente indispensáveis ao desenvolvimento histórico e atual da economia mundial. Deveriam era serem propriedade dos Estados ou controlados por eles e não o contrário.
  

            Pseudodemocracia - Entre a Revolução e a Ditadura      (-por Ana Paula Fitas )

Na crueldade abusiva e indiferente com que a política vai conduzindo os tempos, como se a servidão, a pobreza e a dependência fossem naturais por inerência à condição social da vida humana, vale a pena registar as palavras de D. Januário Torgal que podemos ler AQUI e a síntese assertiva de um homem cuja experiência e determinação em marcar o pensamento e a história de Portugal podemos encontrar no texto que, a seguir, transcrevo:

     «O antigo Presidente da República Mário Soares considera que a «democracia está em baixa», porque as pessoas tem «muito medo», mas, adverte, o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se.   Em entrevista ao jornal "Público", o histórico socialista afirma que os portugueses não reagem com veemência às dificuldades que estão a atravessar porque "há muito medo na sociedade portuguesa".

    "É por isso que a democracia está em baixa, porque não havia medo e hoje há muito medo. As pessoas têm de pensar duas vezes quando têm filhos. Mas é uma coisa que pode levar a atos de violência", adverte.   Mário Soares ressalva que é uma situação que não quer que suceda. No entanto, "pode acontecer, porque o desespero é tal que aqueles que têm fome podem zangar-se".

     Fazendo um paralelismo sobre a reação dos portugueses às dificuldades que atravessam e o que se passa no Brasil, afirma que "no Brasil vieram para a rua de forma pacífica porque acham que há muita corrupção. Aqui, em Portugal, não há corrupção a rodos, porque a justiça não funciona. Ou por outra, a justiça só funciona para os pobres".    "Aos que roubam milhares de contos ao Estado, em bancos e fora de bancos, não lhes acontece nada", critica. Mário Soares receia que a seguir à crise política possa "vir uma revolução": "Eu esperaria que fosse pacífica, mas pode não ser". Pode também seguir-se uma ditadura, o que "era ainda pior", sublinha.

     O antigo presidente considera que não existe uma relação entre o país e o Governo, que "ignora o povo", e que a "democracia está em perigo".

Neste momento, somos uma pseudodemocracia, porque a democracia precisa de ter gente que resolva os problemas", diz, questionando: "Quando o Presidente da República não é capaz de resolver nada a não ser estar de acordo com o Governo, e o Governo não faz nada porque não tem nada para fazer, nem sabe o que há-de fazer, o que é que se passa?"

    Sobre o que faz a oposição, Mário Soares afirma: "protesta". "Eu não tenho nenhuma responsabilidade política, nem quero ter, mas penso, leio, escrevo e estou indignado, claro, porque estão a destruir o país", sublinha.    Questionado pelo Público sobre se o Banco Central Europeu devia estar a emitir moeda, Mário Soares foi perentório: "pois claro". Não admite a saída do euro, frisando que é a "favor do euro e da União Europeia, embora não aceite que a chanceler Merkel seja uma pessoa não solidária com os outros países, é contra o espírito da União Europeia.     Relativamente ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, Mário Soares acusa-o de ser "um camaleão", considerando que Portugal não ganhou nada em tê-lo naquele cargo. "Foi só desprestigiante para Portugal. Nunca achei que ele podia ser bom. Avisei sempre, escrevi que era um grande erro. Diziam que era português, mas na Europa não há portugueses, nem de qualquer outro país, há europeus", comenta.   Mário Soares diz ainda que Durão Barroso "não pode" chegar ao cargo de secretário-geral da ONU, "depois de tudo o que disseram dele, a senhora Merkel, os franceses e tantos europeus". "Futuro político acho que não tem", remata.»   in DIÁRIO DIGITAL/LUSA

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           Este é um dos «clubs da elite política-financeira-...»

(há outros, incluindo 'pensadores/thinkTanks', fundações, associações maçónicas, religiosas /OpusD, caridadezinhas, universidades, partidos, ... financiados por magnates da Banca, da Especulação bolsista, das Multinacionais : armamento, farmacêuticas, alimentos/sementes, petróleo, automóveis, aviões, minérios, água-distribuição, electricidade, telefones, jornais, TVs, redes sociais/internet, ...) 
    ... que MANDA, compra/ameaça/manipula desGovernos FANTOCHES, seus capatazes e avençados escribas. ... e "faz a opinião" das maiorias e dos eleitorados, desvirtuando a Política, a Democracia, a transparência, as liberdades e a equidade de acesso, ... prejudicando o interesse público e milhões de contribuintes e cidadãos.



Publicado por Xa2 às 07:40 de 25.06.13 | link do post | comentar |

5 comentários:
De Austeridade NÃO funciona. Alternativas. a 25 de Junho de 2013 às 15:36

Mark Blyth: “A Austeridade Não Funciona. Ponto Final”.

Há muito, que economistas (Keynesianos, mas não só) nos advertem para a ineficácia das políticas de austeridade, mas poucos conseguiram explicar o apelo de uma ideia que tem demonstrado ser tão nociva.
Foi precisamente isso que Mark Blyth, professor de Economia Política na Universidade de Brown explicou no livro
Austerity: The History of a Dangerous Idea.
Num estilo acessível, Blyth faz duas coisas.
- Primeiro, descreve a genealogia das ideias de austeridade, e explica o seu apelo – são simples e têm a mensagem moralista que convém a sociedades influenciadas pela cultura cristã.
- Em segundo lugar (e esta é a parte mais importante), Blyth demonstra que a austeridade não só não funciona agora, como nunca funcionou.

Não funcionou na Alemanha no período pós-1918, nem em França no período 1919-39, nem nos Estados Unidos durante a Grande Depressão.
As políticas de austeridade também não funcionaram nos casos mais recentes que os economistas “austeritários” (por exemplo, Alesina, Ardagna, Perotti, economistas da escola de Bocconi que o BCE cita com regularidade) gostam de citar como exemplos de sucesso, nomeadamente os da Dinamarca, Suécia e Irlanda nos anos 80, e os da Estónia, Letónia, Lituânia, Bulgária e Roménia em 2008-2010.
Todos estes casos foram desmontados por Blyth com a ajuda de economistas do FMI (uma ajudinha oportuna).
No caso da Dinamarca, os autores do estudo que tentam demonstrar a tese da austeridade, omitiram o simples facto de que os cortes à despesa pública terem sido efectuados quando a economia estava em crescimento.
Pelos vistos, este é um pormenor de somenos importância.

Assim, Blyth conclui:
“...the deployment of austerity as economic policy has been as effective in bringing peace, prosperity, and crucially, a sustained reduction of debt, as the Mongol Horde was in furthering the development of Olympic dressage.
It has instead brought us class politics, riots, political instability, more rather than less debt, assassinations, and war.
It has never once ‘done what it says on the tin’”.


As alternativas à austeridade
Blyth diz ainda que, obviamente, há alternativas à austeridade (achei sempre curioso o determinismo dos neo-liberais; afinal a base do liberalismo é a crença no livre-arbítrio).

As alternativas tradicionais à austeridade são a desvalorização,a inflação e o não-pagamento, mas nenhuma é ideal ou é sequer uma possibilidade na zona euro.

Mas há mais alternativas e uma delas é a que Blyth define de “repressão financeira” e que se traduz pelo aumento dos impostos para a classe de contribuintes que mais beneficiou do boom dos anos 90 e que provavelmente é mais responsável pela crise.

Ora, Blyth não é o único a pensar nisto.
Um grupo de economistas alemães fez recentemente o cálculo seguinte:
um imposto pontual (one-off) de 10% à riqueza pessoal que exceda os 250 mil euros por contribuinte poderá arrecadar fundos equivalentes a 9% do PIB alemão.
Peter Diamond (do MIT) e Emanuel Saez (da Universidade de Berkeley) chegaram a conclusões semelhantes:
o aumento dos impostos sobre os rendimentos dos actuais 22,4% para 43,5% para os contribuintes mais ricos (o topo 1%) teriam o efeito de arrecadar fundos equivalentes a 3% do PIB, o que será suficiente para fechar o défice estrutural norte-americano.

Blyth está convencido que, mais dia, menos dia, a opção ‘repressão financeira’ e impostos elevados para os mais ricos chegará à mesa da zona Euro.
Estou a torcer para que Blyth tenha razão.


P.S. O livro de Mark Blyth deveria ser leitura obrigatória para todos os governantes e políticos europeus,
e já agora para todos os jornalistas e comentadores que contribuíram para o triunfo do “austeritarismo”.


P.S.2: Muitas desculpas por um post tão longo.


De .Club BILDERBERG . Poder secreto. a 1 de Julho de 2013 às 11:52
Bilderberg 2013 custeada pela Goldman Sachs e outros "beneméritos"

Apesar da elevada segurança, reunião de notáveis mundiais não deverá ter custos para Hertfordshire
[Sérgio Soares, ioline.pt, 08-06-2013]

No decurso da mais secreta reunião do mundo, nos próximos quatro dias na localidade inglesa de Hertfordshire, o Clube de Bilderberg vai debater tópicos que incluem o cibercrime, a política externa americana, "desenvolvimentos no Médio Oriente" e "desafios africanos", apesar da flagrante e nítida ausência de representantes destas regiões.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, e o secretário-geral do PS, António José Seguro, participam nos trabalhos do clube, de que faz parte Francisco Pinto Balsemão.

Este ano, o 61.o encontro, que integra uma elite composta por actuais e ex-governantes, executivos de grandes empresas multinacionais, bancos e investigadores universitários, conta com a presença do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, da directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, dos antigos primeiros-ministros de França, François Fillon, e de Itália, Mario Monti, e do actual chefe de governo holandês Mark Rutte, num total de 140 ilustres convidados.

Os encontros Bilderberg decorrem anualmente desde 1954 para alegadamente facilitar o diálogo entre os países europeus e os Estados Unidos. Segundo a organização são um "fórum informal, de discussões à porta fechada sobre tendências e desafios a nível mundial que permitem aos seus participantes, dada a sua natureza informal, ouvir, reflectir e recolher depoimentos". Como sempre, não é disponibilizado qualquer programa e os encontros nunca produzem resoluções ou propostas ou pareceres públicos.

A Inglaterra faz-se representar pelo ministro das Finanças George Osborne, e pelo seu homólogo sombra, o trabalhista Ed Balls. Os presidentes da Amazon e da Google, ambos muito contestados pela reiterada fuga ao fisco das respectivas empresas no Reino Unido, são dois dos mais destacados executivos presentes.

A lista de convidados deste ano inclui apenas 14 mulheres.

Há jornalistas de todo o mundo que aguardam a uma distância conveniente, nas proximidades do hotel, tentando cumprir a impossível missão de reportar algo das reuniões do grupo marcado pelo secretismo.

A polícia inglesa montou um gigantesco dispositivo de segurança considerado impressionante. A polícia assegurou aos habitantes locais que a conferência não teria custos para o orçamento do Hertfordshire, graças aos donativos dos organizadores. Estes "donativos" foram garantidos, pelo menos parcialmente, pela Associação Bilderberg, uma organização de caridade britânica que recebe "donativos" da British Petroleum e da Goldman Sachs.

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Este é um dos «clubs da elite política-financeira-...» (há outros, incluindo «ThinkTanks», fundações, aasociações religiosas /OpusD, maçonicas, caridadezinha, universidades ... financiadas por Magnates da Banca, da Especulação bolsista, das Multinacionais das Farmaceuticas, Armamento, Alimentos/sementes, Petróleo, Automóveis, Aviões, Minérios, Água-distribuição, Electricidade, Telefones, Jornais, TVs, RedesSociaisInternet, ...),
...que MANDA, compra/ameaça/manipula desGovernos FANTOCHES e seus capatazes e avençados escribas. ... e "faz a opinião" das maiorias e dos eleitorados.


De Bilderberg /conspiração ou não-coincidên a 5 de Julho de 2013 às 18:01
Mais informação ... sobre o «club bilderberg»

“Bilderberg: As minhas perguntas a Balsemão e a sua resposta” ( http://ergoressunt.wordpress.com/2013/07/04/bilderberg-as-minhas-perguntas-a-balsemao-e-a-sua-resposta/ )
...
Do Blogue Perguntas InOfensivas
Por Marisa Moura
....

e +

»» “Paulo Portas e António José Seguro estiveram no clube de Bilderberg” – SIC Notícias, 09/06/2013

»» “As Soberanias Nacionais Estão Mortas” – Entrevista, em Inglaterra, ao ex-apresentador da BBC e estudioso de Bilderberg, David Icke, na última reunião, pelo português Basílio Martins – jornal O Diabo, 03/07/2013
( http://jornalodiabo.blogspot.pt/2013/07/as-soberanias-nacionais-estao-mortas.html?spref=fb )

[com exemplo do Tratado de Lisboa, o tal em que Sócrates soltou o célebre «Porreiro, pá!» Não embarcasse David Icke em certos ambientes freaks ligados à espiritualidade, pondo-se a jeito para ser descredibilizado, e ninguém teria razões para acusá-lo de "desequilibrado" pois factos é coisa que não falta nesta evidência "conspirativa" de que os Parlamentos são mero inglês-ver].
»» Será também isto do marido da ministra mais uma coincidência Balsemão/Bilderberg? [ver blogue]
»» Por que será que algo me diz que o Portas preparou isto há umas semanitas? [ver blogue]“

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Não acreditas na Teoria da Conspiracao? .. Então ! ....Prova-me a Teoria das Coincidências!.....



De De Lucro Banca a Crise soberana/paga pov a 28 de Maio de 2014 às 11:31
Crise bancária passou a soberana. Assim o Zé conforma-se e paga

O sol aqueceu a esplanada, o cafezinho arrebitou a conversa e o Sô Zé aventurou-se a interpelar o vizinho.
- Oh Senhor Antunes explique lá isso da crise aqui ao pessoal da rua. Dizem que a crise era dos bancos e afinal nós é que pagamos?
- Bem, a crise é soberana. Realmente a crise era bancária, começou em 2008 nos Estados Unidos e alargou-se logo à Europa.
- Mas os bancos anunciavam todos os anos milhões e milhões de lucros como puderam assim, de repente, entrar em crise?
- O negócio dos bancos é receber juros do dinheiro que emprestam. Quanto mais emprestam mais juros ganham, mais enriquecem os seus acionistas através dos dividendos que cada ano o banco distribui no valor de muitos milhões e maiores ordenados ganham os seus administradores, sempre acima e muito acima, de 1 milhão por ano.
- Parece-me bem.
- O problema é que com a desregulação dos bancos, com a criação da banca paralela, fundos de investimento, com a revolução dos últimos 15 anos nos sistemas financeiros, na criação de “produtos complexos” e negócios à velocidade da luz à escala mundial o sistema financeiro, a banca, faz o que quer. Para ampliar muito os lucros os bancos enveredarem por uma conduta aventureira de ganhos imediatos fabulosos com o aumento de empréstimos para compra de casa, “compre casa, compre! Compre!! Compre!!! que o banco empresta o dinheiro”, empréstimo para tudo e mais alguma coisa a privados e às famílias com os cartões de crédito. Emprestar e emprestar, para ganhar juros e mais juros e comissões para isto e para aquilo, sem querer saber se a recuperação do crédito estaria adequadamente garantida.
- Como assim? Sem garantias de pagamento o negócio de emprestar dinheiro pode ser ruinoso. Então os bancos não têm lá especialistas para avaliar o risco?
- Mas não estão muito preocupados com isso porque influenciando os governos, tendo os seus homens nos governos e nos parlamentos, têm a certeza que os governos obrigarão o povo a pagar os prejuízos dos banqueiros com os impostos ou com cortes de salários, de subsídios, de reformas, cortes no orçamento do Serviço Nacional de Saúde, na Educação.
- Então e as fortunas dos banqueiros ficam a salvo?
- É para isso que eles têm os seus homens junto do governo e do poder político em geral de tal modo que eles é que são, de facto, o verdadeiro poder.
Mas não foi só nesses empréstimos duvidosos que muitos bancos foram à ruina . Os bancos transformaram-se em super-casinos, inventaram "produtos financeiros" por vezes tão complexos que só os emissores entendiam o que aquilo era, CDS's, Swaps, etc que vendiam e compravam nas bolsas de todo o mundo. Isso fez fortunas do dia para a noite a muitos "especialistas financeiros" e deu lucros fabulosos aos bancos. Mas eram lucros fabulosos imediatos e com risco de brutais falências. O lado casino do sistema financeiro internacional é bem retratado pelo número de operações financeiras em todo o mundo das quais só uma percentagem ínfima diz respeito à economia real.
- Esses negócios financeiros de alto risco incluindo a atividade de "casino" acabou por dar para o torto, não é isso?
- Exatamente.
- Então não deviam ser os banqueiros e esses especialistas financeiros a arcar com os prejuízos? Quando o negócio deu lucro o lucro era deles quando levou à ruina pagamos nós que não estávamos no negócio?
- É isso mesmo. Vamos ver uns exemplos. Imaginemos uma empresa pequena que faliu e ficou a dever meio milhão de euros aos bancos ou outros credores.
- Quem é que vai ter de pagar?
- Os donos da empresa os seus 3 sócios, quem os manda fazer maus negócios!
- Ah... é lógico.
- Vejamos o caso de uma empresa média com dez sócios que faliu e ficou a dever 5 milhões de euros.
- Não me diga que é o Estado que vai pagar o prejuízo?
- De modo nenhum. 5 milhões, não é gente assim tão importante. Pagam os seus 10 sócios, quem havia de ser? O contribuinte, não?!
E agora imaginemos o caso de uma grande empresa, um banco, por exemplo, que em virtude da sua atividade de casino e de empréstimos de risco apresenta um "buraco" de 5, 10 ou 20 mil milhões de euros como sucedeu nos EUA e pela Europa. Estou a falar de bancos "sérios" como o BES ou o Goldman Sachs e não de associações de pequenos m


De Bancocracia e bangsters arruinam cidadão a 28 de Maio de 2014 às 11:38
Crise bancária passou a soberana. Assim o Zé conforma-se e paga
...
Sachs e não de associações de pequenos mafiosos, amigos do Presidente, como os do BPN.
- Isso já é muito dinheiro.
- Muito dinheiro. Gente de respeito. O governo não pode deixar o banco ir à falência. Isso constituiria uma catástrofe, um perigo sistémico!!
- Perigo sistémico? Sistémico? Isso deve ser perigoso não? Mas que é isso exatamente?
- Eu explico. Os donos, os grandes accionistas do banco, chamados de “referência”.
- De referência!? Hum…isso há-de ser gente muito importante ?…
- É um conjunto de multimilionários portugueses mas também alemães e franceses e ainda angolanos e norte-americanos grandes acionistas de bancos que emprestaram dinheiro ao banco português. Não podemos arruinar essas pessoas que são grandes empreendedores e fazem imensa falta à sociedade. Seria um desprestígio para o país. Uma vergonha. Mais, a própria sociedade ficaria em grande perigo.
- Grande perigo? Mas porquê?
- Ora porquê... que pergunta!... Bem… o melhor é mesmo perguntar-lhes a eles, aos multimilionários. Eles lá sabem.
- Então que fazer?
- Ora o BCE, o FMI e a UE, com o apoio e aplauso do governo que elegemos, Passos Coelho e Paulo Portas com o apoio e proteção do nosso presidente Cavaco Silva, dizem que é obrigatório que o prejuízo seja pago pelos contribuintes, pela população em geral. Senão é uma catástrofe "sistémica"!!
- Mas essa gente ganhou fortunas. Os bancos todos os anos anunciavam lucros fabulosos e então nisso não se toca? Então quando o banco dá lucro o lucro é deles se dá prejuízo o prejuízo é nosso?
- Ora aí está, o meu amigo começa a perceber o que é um “perigo sistémico” coisa horrível, catastrófica. Para os lucros deles, é claro.
É gente importante que pode oferecer empregos dourados e redourados a governantes, a deputados, a magistrados, onde ganharão 10, 20 ou 30 vezes mais do que ganhavam no governo, no parlamento ou nos tribunais. São pessoas de respeito que Durão Barroso da Comissão Europeia, que Christine Lagarde do FMI ou. Mário Draghi. do Banco Central Europeu cumprimentam com uma importante vénia. É gente de muito respeito.
- Mas não estou a perceber. Isso é a crise bancária e seria uma enorme injustiça e uma desavergonhada desfaçatez sermos nós a pagar as dívidas dos bancos mas parece que temos de pagar é apenas a dívida soberana ou dos países ou lá o que é? Essa é que parece que nos cabe a nós todos ter de pagar pois se ela é a dívida do país...
- Ora aí é que está o busílis, Sô Zé. Obrigado a pagar a dívida dos bancos o povo podia revoltar-se e pôr a Ordem em perigo. Uma coisa horrível. Por isso muito habilmente, a conselho prudente dos bancos, os governos transformaram a crise bancária em crise soberana. O Estado salvou os bancos, nacionalizou a dívida e paga-a com o nosso dinheiro. Crise soberana o Zé Povinho protesta mas não tanto.
- Mas não havia uma dívida excessiva dos Estados?
- Sim havia, em Portugal e muitos outros países da UE como a Grécia ou a Espanha ou a Alemanha mas sem a crise bancária e com uma política que não fosse a que a Alemanha impôs aos países do Sul da Europa a crise não teria tido a gravidade que teve e que condena a maioria dos portugueses ao empobrecimento, a economia e as conquistas sociais a regredirem muitos e muitos anos.
No início da crise a dívida soberana de Portugal, cerca de 68% do PIB, era equivalente à da Alemanha mas o governo conservador de Merkel impôs como solução a política de austeridade a todo o custo, que agravou a economia, o desemprego, a emigração, aumentou a pobreza e aumentou e muito a dívida do Estado português. A intervenção da Troica em Portugal, convocada e aplaudida pelo governo de Passos/Portas levou a que a dívida do Estado passasse, em três anos, de 90 para 130% do PIB mas teve o condão de permitir que, com o empréstimo de 78 mil milhões de euros, de que pagaremos 34,4 mil milhões em juros, salvássemos os bancos alemães e franceses que fizeram empréstimos arriscados em Portugal. A Alemanha que agora dá ordens à UE impôs regras que convêm aos bancos e grandes grupos económicos mas prejudicam os países do Sul da Europa. Por isso, pensando nos bancos alemães, não admira que o governo conservador alemão diga que a intervenção da troica foi um sucesso


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