De Margherita Allegro a 25 de Junho de 2013 às 15:12
Conhecia Horta do Monte no 2008. Vivia em Lisboa e tinha necessidade de um contacto directo com a terra, com as plantas. Participei nalgumas actividades deles mas depois foi embora de Lisboa. Nunca me esqueci da horta.
Quando voltei no Setembro 2012 fui logo a ver se ainda existia aquele espaço mágico. Conheci Inês e desta vez comecei um participação mais assídua, 1 ou 2 vezes por semana.
Voltei lá pela mesma razão da primeira vez: o simples contacto com a terra. Ver os ciclos naturais dos organismos, desde semente, passando por tímido rebento, ficar planta adulta e produtiva, comer os seus frutos. E ao fim, utilizar a mesma planta para fertilizar o canteiro para o próximo cultivo.
A horta é um exemplo de sustentabilidade. Todas a construções e os canteiros são feitos a partir de material reciclado encontrado na rua e os desperdícios orgânicos são aproveitados para a compostagem. Deixam-se crescer ervas espontâneas, muitas delas comestíveis, para promover uma maior biodiversidade, importante para prevenir pragas a atirar uma grande variedade de insectos polinizadores como abelhas e borboletas, frequentemente ausentes em ambientes urbanizados. As madeiras deitas fora na rua vem utilizadas para cozinhar, e a cinza obtida para lavar loiça ou fertilizar a terra.
A horta é um importante ponto de agregação e integração. Todos são convidados a participar, como nos dias das horta, onde nos encontramos para trabalhar juntos, como nas festas onde cozinhamos juntos, trocamos ideias e conhecimentos, partilhamos e aproveitamos um das presenças dos outros, conhecendo novas culturas e diferentes modos de viver.
A participação é grande e variada em categorias e idades: moradores do bairro, que vêm a cultivar, levar os desperdícios orgânicos no compost, ou aproveitar de uma sopa apena cozinhada, estrangeiros que moram em Lisboa por razões de estudo ou trabalho, famílias com crianças que querem aproveitar dum dia de sol para brincar numa área verde, e ao mesmo tempo aprender algo sobre a natureza.
A horta é uma continua oficina de educação. Grupos de escola primaria foram visitar a horta, aprendendo a importância das minhocas para o terreno, explorando cores, cheiros e utilização de diferentes plantas, observando que é possivel construir a partir de material reciclado.
A sensibilização das crianças ao tema da sustentabilidade é fundamental mesmo para o futuro deles.
Também muitos estudantes de diferentes faculdades (Antropologia, Sociologia, Urbanística e Arquitectura, Agronomia) foram atraídos das diferentes dinâmicas da horta e foram fazer projectos, teses, experiências e diferentes trabalhos no âmbito da horta.
Na Horta do Monte organizam-se também workshop variados, o último foi a realização dum fogão foguete, que permite a utilização segura da madeira deitada fora na rua para cozinhar.
Na minha opinião, a Horta do Monte é um processo continuo de requalificação a nível social e ambiental, que envolve a comunidade em escala pequena, como o bairros próximos e a cidade de Lisboa, mas também chegando a ter uma identidade e repercussão internacional.
Embora seja um espaço no fundo pequeno, oferece variados serviços à população, e tudo baseando-se em trabalho voluntário e auto financiamento.
Pessoalmente, posso chegar à Horta em diferentes estados emocionais, mas depois de umas horas de trabalho lá, sempre termino com um sorriso no rosto e com o ânimo mais tranquilo.


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