Muitos empobrecem para poucos enriquecerem ... e de que maneira !

"Do rabo"

   Já é famosa a conversa entre dois quadros  (directores) do Anglo-Irish Bank em que, em amena cavaqueira sobre o resgate público ao banco falido, um deles afirma ter “tirado do rabo” o valor a pedir ao Banco Central Irlandês – 7 mil milhões de euros.
   Entretanto a contabilidade criativa não é exclusiva dos irlandeses. Hoje soubemos que o défice públic do primeiro trimestre é de 10,3% do PIB (anualisado), mas que não nos devemos preocupar com isso. Parte dele, 700 milhões, não vale nas contas para a troika. E, como não conta, é como se não existisse. Já os cortes inconstitucionais contaram a dobrar, se observarmos o valor crescente estimado para os cortes na despesa nos próximos anos.

Mas a contabilidade criativa não fica por aqui. O acontecimento da semana foi o anúncio em relação aos mil milhões pagos à banca devido aos exóticos instrumentos financeiros contratados por empresas públicas. “Descobriram” uns contratos – certamente também exóticos – no instituto público que gere a dívida, o IGCP, cujos ganhos (potenciais?) compensam estas perdas. Que sorte, hein? Que contratos são estes? São todos de valor positivo? A que desconto foram finalizados? (só assim se explica o acordo da banca) Afinal há dinheiro?

Tudo demasiado estranho e opaco. Mais uma razão para subscrever a campanha empreendida pela “Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública”.

 

                   A  ponta  do  iceberg ?   (-por Nuno Serra, Ladrões de B.)

«Um dos executivos pergunta ao outro "como chegou ao número de sete mil milhões como sendo a soma correcta para pedir ao Estado". O outro ri-se e diz que "a tirou do rabo" ["picked it out of my arse"].
Mais a sério, explica que "inicialmente não convém pedir muito". O melhor é deixar que o financiamento pelo Estado vá crescendo discretamente, sempre usando o argumento de que "deixar o banco afundar-se seria pior para toda a gente".
Acima de tudo, sugere o executivo (rindo ainda mais, juntamente com o seu colega) "não se pode deixar que os contribuintes percebam que nunca vão recuperar o que é deles". A cada nova solicitação de fundos, tem de se explicar que é para o cidadão comum proteger "o seu dinheiro".
Com um pouco de sorte, acrescentam os executivos, "o banco ainda acaba nacionalizado e eles os dois conservam os seus lugares".
Ao todo, o Estado irlandês já investiu 30 mil milhões de euros, só naquele banco. Estas novas revelações, surgidas no diário Irish Independent, podem vir a ter consequências.»

Excertos de uma conversa entre dois executivos do Anglo Irish Bank, gravada em 2008, nas vésperas de o governo irlandês injectar milhares de milhões de euros no banco («o BPN de lá», como refere Luís M. Faria, que assina esta notícia no Expresso).
Trata-se somente de um caso, «documentado» (as gravações podem ser ouvidas na íntegra aqui, em inglês). O que aconselha, obviamente, prudência nas generalizações. Mas não custa mesmo nada captar e perceber, através deste episódio, o estado das coisas e o «espírito do tempo» que antecedeu o início da crise. O início da crise? Não será este, por acaso, o «perfume» que paira no ar, desde então?

(Nem de propósito, este escândalo é conhecido no dia em que Vítor Gaspar avisa que o défice no primeiro trimestre pode ficar acima dos 10%, devido a novas ajudas à banca, nomeadamente ao BANIF). 
 -------------- 

E  Quantos  pobres  foram  necessários ?   (-por J.Rodrigues)

Passos Coelho insiste que todos estão a fazer sacríficos e que estamos na direcção certa. No meio de uma crise socioeconómica que se acentua, multiplicam-se os indicadores que confirmam para quem se dirige a política deste governo: o número de milionários subiu 3,4% no ano passado e está a caminho dos 11 mil portugueses com mais de um milhão de dólares. E quantos pobres foram necessários?
 (c. mil habitantes para cada 1 que fica milionário)

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Publicado por Xa2 às 19:21 de 28.06.13 | link do post | comentar |

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