Palhaçada de democracia fantoche sob a troika e austeridade mortal

A democracia põe em causa a nossa credibilidade (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

   Quando PPCoelho, PPortas e CavacoS entraram no Mosteiro dos Jerónimos, para a missa do novo cardeal patriarca, toda a fina flor do regime aplaudiu, entusiasmada, os salvadores da estabilidade política. Depois da mais desenvergonhada palhaçada, eles fizeram-se de novo amigos, trocaram ministros e ministérios, pequenos poderes e vaidades, e impediram "a pior das tragédias: eleições. ...Ou seja, as eleições são, em qualquer democracia decente, um problema a evitar. Fazem-se, quanto muito, na data marcada para manter as aparências".

     A opinião mediática condicionou, através da chantagem e do medo, qualquer decisão que pudesse levar a eleições. ... cozinhava-se um governo qualquer, juntavam-se os três partidos responsáveis (responsabilíssimos, como temos visto), mudava-se a liderança do PSD ou do CDS, arranjava-se alguém que estivesse disposto a governar sem o apoio da opinião pública, fazia-se um governo minoritário que estivesse em queda iminente desde do dia da tomada de posse, escolhia-se um governo de Salvação Nacional que, como é evidente, não iria salvar coisa nenhuma. Desde que se evitasse a participação da turba, sempre muito perturbadora da "estabilidade política" e dos mercados, tudo, por pior que fosse, seria aceitável. Muitos dos que o defenderam não pensaram o mesmo nas vésperas de se assinar o memorando da troika, percebendo-se que o valor da estabilidade depende, em muitos casos, de quem tenha a maioria no momento.

     Os argumentos para a não realização de eleições foram três: a nossa credibilidade junto da troika, a nossa imagem junto dos mercados e a ausência de qualquer solução estável depois das eleições. Vou ignorar aqui, por decoro, o argumento do preço das eleições. Porque descer a este nível é conspurcar o debate político.

     Quando à credibilidade junto da troika (da Alemanha), tenho uma novidade: nenhuma solução que não passe pelo que Vítor Gaspar fez nos dois últimos anos, com os resultados que teve para a nossa economia, tem credibilidade junto da troika. E nem isso chega. Quando tudo se mostrar inútil a troika dirá, como já começou a dizer, que Portugal não está a cumprir. Penso que o guião da Grécia é suficientemente conhecido para não termos ilusões.

     A democracia nos países periféricos não tem credibilidade junto da Comissão Europeia, BCE e FMI. Se quisermos realmente agradar-lhes suspendemos todos os atos democráticos, incluindo as eleições, obrigamos os três partidos a assinar um acordo inviolável e vitalício em torno de tudo o que está decidido e extinguimos o Tribunal Constitucional e o Estado de Direito. E, mesmo assim, será dito, no fim de tudo, que fomos nós que não fizemos as coisas como deve ser. Porque, insisto no que escrevo há dois anos, o objetivo deste "resgate" não é, nunca foi, salvar Portugal. É, sempre foi, sacar o máximo possível do que devemos para depois abandonar a carcaça na beira da estrada. A Europa é, nos dias que correm, esta selva. E ser "credível" é aceitar morrer sem resistir.

     Tudo o que façamos para resolver os nossos problemas enfurecerá a troika. Que, como fez na semana passada com o dinheiro que virá com a 8ª avaliação, fará a mais descarada das chantagens à mínima tentativa de restaurar a normalidade democrática no País. Ou queremos sair desta crise e vivemos com os riscos que isso implica ou aceitamos morrer calados. É a escolha que temos pela frente. Uma escolha que chegou a este limite: há quem, fora de Portugal, pense que nos pode impedir de exercer os direitos democráticos e nós achamos normal que isso seja sequer uma posição a ter em conta. Se a tivermos em conta seremos obrigados a reconhecer que a existência de Portugal, como Estado soberano, é uma anedota. E mais vale acabar de uma vez por todas com esta Nação. Porque um País que julga que a independência não comporta enormes perigos não merece essa independência.

     Quanto aos mercados, respondi na última sexta-feira  ... Basta, aliás, ver como a "tragédia económica e financeira irrecuperável" que teríamos vivido a semana passada, deixou de ser assunto para especialistas, comentadores e políticos para perceber a função que realmente cumpriu a histeria (campanha de Medo/ Ameaça) que foi lançada. O aumento dos juros da nossa dívida (que não estamos a pagar) e as gigantescas perdas para as empresas portuguesas (que não aconteceram) desapareceram, de um dia para o outro, do debate público. Devemos estar a nadar em dinheiro para tamanha hecatombe já não preocupar ninguém. Ou, mais provável, a hecatombe não aconteceu.

     Quanto à solução política que sairiam das próximas eleições, só por humor negro, depois daquilo a que assistimos na semana passada, alguém pode falar de estabilidade e credibilidade. Não há soluções política estáveis e, em simultâneo, democráticas, na atual situação social e económica. Porque este "ajustamento" é incompatível com a democracia. Nunca houve estabilidade política com instabilidade social. É dos livros. E nenhum governo, enquanto isto durar, terá uma esperança de vida muito longa. A questão é saber se, dentro da instabilidade que é estrutural a esta crise, Portugal tem quem represente um pouco melhor (mesmo que mal) os sentimentos do País. A começar por não ter a dirigir o governo a única pessoa que ainda acredita que a loucura imposta pela troika é a saída para esta crise. A democracia é isso mesmo: garantir, o melhor possível, a representatividade da vontade popular. Não é um arranjo onde os cidadãos são um "problema" que podemos ignorar.

     Podemos continuar a brincar com o fogo. ... a achar que se pode governar sem dar grande importância à opinião dos cidadãos, meros destinatários passivos de inevitabilidades. Até ser mais difícil encontrar um português que acredite na democracia do que um governante que junte a coragem à competência.

     Que a troika se esteja nas tintas para a viabilidade da nossa economia e da nossa democracia não me espanta. Eles não vivem aqui. Não terão de conviver com o Inferno político e social que andam a alimentar. Eles não são eleitos. Não terão de pagar o preço dos seus disparates. Que políticos, comentadores e jornalistas portugueses julguem que se pode levar a degradação da democracia e das condições sociais de vida muito para lá do limite do que é sustentável é que me espanta. Julgarão que estarão a salvo das suas consequências? Não estão. Quando surgirem os populistas salvadores da Pátria, prontos para "limpar" o País e "regenerar" a política, podem esquecer a liberdade de imprensa, as eleições e a fiscalização do poder. Quando isto acontecer, estes cúmplices da destruição da democracia, que desprezam o que lhes permite exercer as suas funções em liberdade, apenas estarão a colher os frutos que semearam.

     As coisas vão correr bem se houver eleições? Não. Como não vão correr bem se elas não existirem. E, em qualquer um dos casos, haverá, com este ou com outro nome, um segundo "resgate". Basta olhar para os números das finanças e da economia, mesmo ignorando todo o contexto político, para o saber. A vantagem das eleições é só esta: ter no governo alguém que, governando bem ou mal (não sei que governo sairá do sufrágio popular), ainda represente algum português. Em democracia, isso faz alguma diferença. Ou não?

          A amarga vitória do revogável Portas  ... Tudo isto seria resolvido se Portas conseguisse cedências extraordinárias da troika, uma reforma do Estado aceitável pelos parceiros sociais e uma política económica que contrariasse a espiral recessiva em que vivemos. Ou seja, se Paulo Portas conseguisse não um, não dois, mais três milagres em simultâneo. Eu, homem de pouca fé, duvido. Caso contrário, Portas será o novo Gaspar: o bode expiatório de todas as desgraças.   ...

                Maquiavel de pacotilha  (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

     ... Não me parece nada de extraordinário que tudo isto não passe de uma encenação, montada para iludir o fracasso do Governo (e do memorando). A carta de Vítor Gaspar dá várias pistas (e ainda hoje o jornal SOL afirma que a história que correu sobre os insultos num supermercado não passa de spin). E sabemos que o segundo resgate é inevitável. O regresso aos mercados, depois da saída da troika, é uma farsa ensaiada que nunca irá concretizar-se, mas a Europa não pode deixar que esse falhanço seja ligado ao programa de ajustamento português.    ...

      Você compraria um carro a pessoas que mentem, dissimulam, fingem, roubam, são cobardes, cínicas, hipócritas, pessoas que não têm a mínima vergonha de serem tudo aquilo que são? Você entregaria o Governo do país onde vive a estas pessoas? Foi isso que fizemos e vamos continuar a fazer.(??!!

      ... Pedro Passos Coelho, o triste traste, cede porque sabe que se as eleições fossem daqui a dois meses o PSD cairia para níveis inferiores ao PSD de Santana Lopes e a seguir nem conseguiria arranjar emprego nas empresas do antigo padrinho Ângelo Correia. O país, esse, vai continuar a sofrer com o pior conjunto de crápulas da história da democracia.  ...

      ...  nossos jornalistas, coitados. A verdade é que há semanas que o Governo negoceia um segundo resgate com a Comissão Europeia. ... Portugal não conseguirá regressar aos mercados sem ajuda das instituições europeias. Pior, as medidas de austeridade, a contrapartida exigida aos países "resgatados", vão continuar, provavelmente aprofundar-se, num desastre social sem fim à vista.  Nas costas dos portugueses, o Governo negoceia as condições do seu fracasso. Quando surgir a confirmação da negociação do segundo resgate ('brando'), o spin governamental encarregar-se-á de espalhar a palavra: irá ser dito e redito que este segundo resgate não só não é, na realidade, um resgate, como é resultado dos sucessos da política económica e da credibilidade conquistada. Muitos acreditarão - ou vão querer acreditar nisso. Mas a verdade é que entrámos numa espiral recessiva que está a destruir a economia, e sem crescimento económico nunca conseguiremos pagar o que devemos, seja aos mercados, seja à troika. O resultado de dois anos a destruir a economia é que... não temos economia para pagar o que devemos. A aplicação da austeridade em Portugal é um paradoxo ... (trágico, mortal)



Publicado por Xa2 às 07:46 de 09.07.13 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Prrr o salvadinho da bancocracia a 11 de Julho de 2013 às 10:10
Este é o pprresidd do laranjal chateado com seus capatazes e a querer impor / dictar regras e grilhetas para todos os condóminos ... - ele, o mais que iluminado por fantocheiros e burlões, o salvadinho da bancocracia, o guia cego no caminho da desgraça.

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Compromisso de salvação da política de Gaspar

Que salvação nacional pode ter por dinamizador um Presidente indelevelmente associado a Maastricht, a Dias Loureiro, à reconstrução política de grupos económicos, que hoje a maioria sabe que governam, ao apoio à troika e à destrutiva austeridade permanente, que esvazia, também com chantagem e medo, a democracia na única escala onde ela existe? A retórica da salvação na boca de Cavaco é só um truque para tentar manter o PS atrelado ao memorando existente e aos que existirão, para evitar o uso das armas de que um país devedor dispõe para defender os seus interesses nacionais. Entretanto, Cavaco aproveita a conjuntura e tenta conquistar uma certa iniciativa de coordenação e de direcção políticas, uma tarefa difícil, mesmo tratando-se de um dos mais hábeis operadores políticos, para aquele que se tornou o mais desprestigiado Presidente da República da democracia. Com o novo e mais populista entendam-se, Cavaco exibe um projecto com tentações pós-democráticas, do qual iniciativas políticas constitucionalmente mais ousadas poderão não estar ausentes. Cavaco ecoa à sua maneira os telefonemas dos banqueiros, e não só, que revogaram a decisão irrevogável de Portas, ecoa os interesses económico-financeiros mais poderosos em Portugal e no estrangeiro, os que prosperam com a tutela externa e que não querem ouvir falar de eleições para já. Eleições só se não houver garantidamente alternativas, não antes de Seguro assinar um papel. É isso que Cavaco também procura assegurar. E, entretanto, Cavaco mantém o governo em funções, dando-lhe um ano de folga e dando o apoio de sempre às políticas de austeridade, qualquer que seja o governo para lá de 2014.
(-por João Rodrigues , Ladrões de B.)


De :a Democracia é 1 Problema a resolver !! a 10 de Julho de 2013 às 11:17
JP Morgan avisa: a democracia é um problema a resolver

(-por Daniel Oliveira)

Em 2014, instituições europeias, FMI e a banca nacional deterão 80% da dívida soberana portuguesa.
O que quer dizer queos credores privados internacionais, que em 2008 detinham 75% da nossa dívida, se puderam, à custa dos nossas sacrifícios e dos contribuintes europeus, livrar dela. Daqui a um ano terão apenas 20%.
Foi este o verdadeiro resgate dos últimos anos. Um resgate à banca internacional.
Não serviu para pagarmos as nossas dívidas. Até devemos mais do que antes.
Serviu para que elas mudassem de mãos. Ou sendo transferidas para dentro do País ou sendo transferidas para instituições europeias e internacionais que têm os instrumentos políticos para nos obrigar a pagar tudo até estarmos exauridos.
Coisa que, lamentavelmente, faltava a estes credores internacionais que são, vale a pena recordar sempre, os grandes responsáveis pela crise financeira que criou as condições para a insustentabilidade das dívidas públicas.

Entre as maiores instituições financeiras internacionais está a JP Morgan. É líder mundial em serviços financeiros e uma das maiores instituições bancárias dos Estados Unidos.
Um ano depois de ter sido considerada a maior empresa do mundo, pela Forbes, teve perdas bilionárias em operações de crédito desastrosas, sendo alvo de investigações do FBI e da autoridade dos serviços financeiros do Reino Unido.
É uma das principais beneficiadas pelos contratos swap feitos pelas empresas públicas portuguesas e tem a seu cargo a pasta da privatização dos CTT.
Foi um dos maiores criadores de derivativos de crédito, fundamentais para perceber a crise que começou em 2008.
É por isso interessante saber o que pensam estes senhores. Não apenas sobre a situação económica da Europa, mas sobre política.
E sobre qual a melhor forma de regime para estas empresas poderem continuar a prosperar às custas da nossa desgraça.

Num relatório de 28 de Maio sobre a zona euro, a JP Morgan reconhece que há duas dimensões na relação política e institucional com esta crise:
a europeia, que passa por novas instituições para a zona euro,
e as nacionais, que, dependendo, ao contrário da primeira, do voto e da democracia, cria mais problemas.

A Alemanha pensa, recorda a instituição financeira, que os problemas financeiros, legais, constitucionais e políticos das Nações terão de ser resolvidos antes de uma maior integração, onde se inclui a criação dos eurobonds.
É na intervenção ao nível nacional, e não no espaço europeu, que estará o primeiro passo para reolver a crise do euro.
Porque são os bloqueios nacionais para as reformas necessárias que fazem a Alemanha temer que qualquer processo de integração traga a crise para a sua própria casa.

Só poderá haver mutualização do fardo desta crise quando os países que a sentem mais fortemente resolverem os seus problemas estruturais que estiveram, na narrativa alemã, na origem de tudo isto.

Até aqui, nada de novo. É a tese da própria Alemanha. Interessa, agora, saber que bloqueios são estes e em que momento estamos da sua resolução.
Há a dívida pública, que não pode ultrapassar os 60% do PIB e os défices estruturais, que têm de se ficar pelos 0,5%.
Tirando a Alemanha, Luxemburgo, Estónia, Áustria e Finlândia, o resto da Europa está a meio caminho.
Ainda há muita austeridade para aplicar.
O "ajustamento" das economias, para que sejam mais competitivas e melhorem as suas balanças comerciais, também ainda não terá chegado ao fim.
Resolver o problema do mercado imobiliário (aquele que a banca alimentou durante décadas), em Espanha e na Irlanda, estará, dizem os peritos da JP Morgan, a um quarto do caminho.
Quando à desalavancagem dos bancos, e olhando para os 36 maiores da zona euro (que correspondem a 60%), a JP Morgan está satisfeita.
Como se sabe, o empenho da Europa em salvar o sistema bancário foi assinalável.

Quanto às "reformas estruturais", apontam-se como pecados europeus a rigidez das leis laborais (a que, como de costume, atribuem as altas taxas de desemprego de longa duração), o excesso de intervenção do Estado na economia e o excesso de burocracia. Pede-se, acima de tudo, liberalização das leis laborais e maior flexibilidade nas decisões judiciais.


De Combater Ditadura Financeira e Bangsters a 10 de Julho de 2013 às 11:26
(banco) JP Morgan avisa:
a democracia é um problema a resolver

(-por Daniel Oliveira, 10/7/2013, Arrastão e Expresso online)
...
..
... Mais uma vez, nada de novo: a agenda é conhecida.

Resta a reforma política, onde, segundo a JP Morgan, está quase tudo por fazer. E é aí que o discurso se torna mais interessante.

As constituições dos países periféricos terão, segundo o olhar da JP Morgan, demasiadas "influências socialistas".
E o seu sistema político tem uma marca do peso dos partidos de esquerda, fortalecidos depois da queda dos regimes fascistas.

Entre essas marcas estão
"governos fracos", "Estado central fraco em relação às regiões",
"proteção constitucional dos direitos laborais" e "direito de protesto contra alterações indesejadas ao status quopolítico".

Traduzindo por miúdos: temos excesso de democracia.
O que tem levado os governos que têm de fazer reformas fiscais e económicas a ter de lidar com constrangimentos constitucionais (Portugal),
com o poder excessivo das regiões (Espanha)
e com o crescimento de partidos populistas (Itália e Grécia).
São necessárias reformas políticas para vencer estas influências nefastas do socialismo e da esquerda, onde se inclui o direito ao protesto.
Felizmente, celebra a JP Morgan, há um "reconhecimento", por parte dos governos europeus, deste problema.

Claro que todo o esforço necessário para vencer a crise, que o sistema financeiro criou e para o qual nos insinua como receita o enfraquecimento das democracias nas periferias da Europa
(escrevi aqui ontem que a democracia nos tirava credibilidade junto dos mercados),
pode ir por água a baixo se as "reformas políticas" não forem feitas com firmeza.

Diz a JP Morgan, que tudo pode desmoronar se houver um colapso político dos governos que estão a fazer "reformas" na Europa do sul, um colapso do apoio ao euro e à União Europeia, a vitórias eleitorais de partidos antieuropeístas radicais ou uma ingovernabilidade em estados membros afectados pelo desemprego.
Por enquanto, descansa-nos a JP Morgan, nenhum destes cenários parece provável a curto prazo.

Não é possível, têm os senhores da JP Morgan toda a razão, levar esta revolução social e política a bom porto em democracias constitucionais em funcionamento pleno.
Democracias em que, por exemplo, os governos tenham de dividir poder, o direito ao protesto e a proteção dos direitos laborais tenham lugar.

Concordando com os especialistas da JP Morgan, mas pondo-me, seguramente por excesso de "influência socialista", do lado da democracia, só posso concluir isto:
- ou combatemos a ditadura da banca, vergonhosamente representada por políticos sem escrúpulos e eurocratas sem legitimidade,
- ou teremos de lidar com os governos autoritários com que os rapazes da JP Morgan sonham.

Que cada um faça a sua escolha.


De Cmbater a Corrupção e Oligarquias a 10 de Julho de 2013 às 11:54
Da corrupção, do poder do dinheiro

Um estudo que me deixa optimista:
mais de metade dos portugueses inquiridos acha que o governo “está na mão dos grupos económicos”
e que a corrupção aumentou nos últimos dois anos.

Ter uma noção realista do que se passa é um primeiro passo para encontrar uma solução para
o poder ilimitado do dinheiro, para a sua tendência, sobretudo quando está concentrado em poucas mãos,
para se converter em poder político igualmente concentrado, para atravessar todas as linhas, para invadir todas as esferas,
para subverter todos comportamentos, para corromper todas as práticas.

De facto, como tenho argumentado neste blogue, a intensificação das políticas NEOLIBERAIS contribui para este fenómeno CORRUPÇÃO através de vários mecanismos.

Em primeiro lugar, e se seguirmos a indicação de vários estudos sobre os impactos negativos da DESIGUALDADE económica excessiva, o incremento que está sendo promovido, num dos países já mais desiguais da Europa,
pode contribuir para aumentar a CORRUPÇÃO, dando poder aos mais ricos,
aos grandes grupos capitalistas nacionais e estrangeiros,
para moldar as inevitáveis regras do jogo a seu favor
ou para saltar por cima delas quando der jeito,
corroendo a crença na sua justiça,
deslegitimando as instituições
e diminuindo a confiança que os cidadãos têm nelas e uns nos outros.

Em segundo lugar, as PRIVATIZAÇÔES são uma grande e conhecida oportunidade para corromper.
A entrada multiforme dos grupos económicos nas áreas da provisão pública, associada ao desmantelamento do Estado social, é uma grande oportunidade para corromper.
Temos grandes NEGÓCIOS à custa dos bens comuns.

Em terceiro lugar, a degradação da autonomia e do estatuto laboral dos funcionários públicos
e o ataque à ética do serviço público e as instituições públicas nas quais floresce,
da ameaça do despedimento à idolatria pela empresa capitalista,
aumentam as possibilidade para todas as pressões, chantagens e “persuasões” por parte dos poderes capitalistas e dos seus políticos de serviço.

Imaginam o que pode acontecer no futuro laboral que estão a desenhar aos funcionários que sigam o exemplo daquela técnica do ministério da agricultura que se recusou, durante anos, a dar parecer positivo a um célebre abate de sobreiros?

Em quarto lugar, o poder do dinheiro aumenta à medida que são deliberadamente erodidos os contrapoderes cívicos, incluindo sindicais,
à medida que se atrofia, graças ao desemprego e à precariedade, a acção colectiva popular que
saudavelmente suspeita do empresarialmente correcto que infesta a vida pública,
num país onde, também em parte graças à desigualdade, estes contrapoderes já não são fortes.

É por estas e por outras que uma política de
combate à corrupção tem de passar pelo combate à desigualdade socioeconómica,
pelo combate a favor da segurança e estatuto laborais de quem trabalha em funções públicas e nas outras,
pela protecção da integridade de instituições e valores não-mercantis,
pelo combate sem quartel ao neoliberalismo.

Uma política de combate à corrupção tem de ser, em suma, uma política socialista.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B, , 9/7/2013)


De .Políticos economistas imbecis neo-Liber a 9 de Julho de 2013 às 14:35

Imbecis desbocados

O governador do Banco de Portugal anda por aí a especular sobre a necessidade de Portugal precisar de um programa cautelar.
Eduardo Catroga armou-se em macaquinho de imitação e disse o mesmo.
Bruxelas desmente que tal esteja a ser negociado.

Bruxelas tenta acalmar os mercados, os irresponsáveis tentam ganhar protagonismo nacional promovendo a especulação nos mercados.
Ninguém consegue calar estes imbecis incompetentes e desbocados?

-----A moda dos ecomistas
...
E. Catroga foi uma das últimas escolhas de Cavaco para ministro das Finanças tendo feito pouco mais do que uma privatização pouco clara do antigo Banco Português do Atlântico.
Teve uma carreira empresarial e hoje ostenta o título de professor catedrático a tempo parcial a 0%, sustentado por estudos académicos que não vai além da licenciatura.

O sr Costa, do Banco de Portugal, é outra criatura que nunca passaria num exame curricular, os seus altos estudos de política económica ficam-se pela licenciatura, a sua experiência neste ramo da economia era nulo e num país a sério alguém envolvido enquanto responsável pela área externa do BCP no tempo dos negócios em off-shores nunca teria sido nomeado governador do Banco Central.

Aliás, esta abordagem terceiro mundista do papel do banco central é está sempre presente no seu discurso,
é um verdadeiro graxista do poder e mais parece um assessor do ministério das Finanças do que o líder de uma instituição independente do poder.

Ouvir muitos destes economistas a falar é quase como ir a cursos da Mocidade Portuguesa,
no seu discurso o povo é idiota,
o voto e as eleições são um incómodo desnecessário,
o sofrimento resultante da austeridade brutal é algo que não deve ser considerado.
O discurso desta gente não passa de uma nova forma de NEO-FASCISMO disfarçada de ciência económica. O que toda esta gente faz é tentar instalar uma ditadura fascista apoiada numa ideologia NEO-LIBERAL em que as verdades são as que decorrem dos mercados. A ida aos mercados está a cima de tudo, a começar pelo bem estar e pela vontade dos portugueses.

Porcaria na ventoinha
...
...
Sim: somos neste momento um país acabrunhado.
Um país que aprendeu à sua custa o que dá acreditar que qualquer coisa é melhor do que o que está.
Um país que saiu duas vezes à rua para se fazer ouvir e percebeu que lida com surdos.
Um país que vê o défice com o freio nos dentes (10,6% no primeiro trimestre),
o desemprego previsto (pelo Governo) de 19% para o fim do ano - este ano que nos garantiram ser o da retoma, depois de ter garantido o mesmo de 2012 -,
a dívida a 127,3% do PIB,
os juros quase nos 8%
e a recessão estimada (por Gaspar; INE prevê pior) em 2,3%
e não pode deixar de perguntar porque é que se muito menos era em 2011 apelidado de "bancarrota"
isto é, na boca de banqueiros e troika, "sucesso" e "bom caminho", que não pode ser "deitado a perder".

Um país que tem todos os motivos para concluir, como os egípcios que anteontem saudaram a queda de Morsi, que
às vezes a democracia dá nós que ninguém sabe como desatar.»
[DN]- Fernanda Câncio.
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Um sortudo chamado Gaspar


Ao voltar para o Banco de Portugal Vítor Gaspar é um funcionário público cheio de sorte, graças à alteração do estatuto do banco, a única reestruturação feita no Estado o ex-ministro fica a coberto das medidas de austeridade que impôs aos funcionários públicos.
No Banco de Portugal os funcionários beneficiam do melhor de todos os mundos, até podem comprar duas casas, uma para residir e outra para férias, com empréstimos de dinheiro dos portugueses a juros simbólicos.

E nem sequer vai ser penalizado com mais uma hora de trabalho pois o Gaspar é um funcionário público que ganha dinheiro dos portugueses
mas que naquilo que lhe interessa rege-se pelo contrato colectivo dos bancários.

Enquanto sujeitou os portugueses a uma experiência económica digna do laboratório do Dr. Mengele
o nosso Gasparoika assegurou-se que quando fugisse ficaria a viver à custa dos portugueses
e sem os limites da austeridade que ele próprio impôs ao país para corrigir os desvios colossais que resultaram da sua própria incompetência.

O Jumento 6/7/2013
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De Merkel destroi UE e Países periféricos. a 11 de Julho de 2013 às 12:04
"Destino de Merkel" será ditado pela Europa do SulNum livro bastante crítico, Hohler explica como é que a “chanceler de ferro” está a ameaçar o futuro da União Europeia, do euro e dos países resgatados, desconstrói a estratégia de Ângela Merkel e explica como chegou ao poder.11-07-2013 0:50 por Sandra Afonso

Depois da primavera árabe chegou a vez da Europa, os países do sul têm que se defender da estratégia Merkel. É o que defende Gertrud Hohler, consultora económica e política, antiga colaboradora do chanceler Helmut Kohl. De passagem por Lisboa, para apresentar o último livro, a autora defende que a Europa é liderada por uma mulher que nunca se considerou europeia, que esvaziou o próprio partido e cujo único objectivo é angariar poder. A política de austeridade chegou ao nível do absurdo e os cidadãos não aguentam mais, considera.

Num livro bastante crítico, Hohler explica como é que a “chanceler de ferro” está a ameaçar o futuro da União Europeia, do euro e dos países resgatados, desconstrói a estratégia de Ângela Merkel e explica como chegou ao poder.

“Ângela Merkel começou a sua carreira política como porta-voz do último governo da então RDA, estamos a falar ainda de Berlim Leste. Chamou a atenção pela sua postura de criança de olhos muito grandes que seguia com atenção tudo o que se passava, podemos chamá-la de menina bem comportada, também o senhor Kohl reparou nela e chamou a jovem política da antiga RDA para a nova legislatura da então Alemanha já reunificada. Ele sentia que estava a apoiar uma pessoa jovem, vinda de um sistema totalitário, que estava a fazer uma boa obra ao apoiar esta jovem esperança.

Mas não partilha dessa opinião? Pergunto, porque agora descreve Merkel como uma mulher ávida por poder, que fará qualquer coisa para garantir esse poder.
Sim, de facto Angela Merkel acabou por revelar que já não é esta menina bem comportada que todos pensavam. Foi ela que derrotou o então chanceler Kohl, o que nem os delfins do partido tiveram coragem de fazer, eram demasiado fracos. Foi obra dela e só então perceberam que é uma mulher perigosa.

Agora fala em "estratégia M". Que estratégia é esta e como funciona nesta angariação de poder?
A “estratégia M”, da senhora Merkel, começou por uma exploração sobre o panorama partidário na Alemanha e, em particular, das mensagens eleitorais da CDU e o que podia ser utilizado e rejeitado. Fez uma verdadeira exploração no terreno da história do partido, que levou a uma reestruturação do próprio partido, o que ninguém se tinha atrevido a fazer antes dela.

Esta reestruturação no âmbito da estratégia m está a retirar poderes ao parlamento alemão?
Num segundo momento foi o que ela acabou por fazer. Deu menos peso ao Parlamento retirando-lhe cada vez mais poderes. Recolheu ainda as mensagens de todos os partidos políticos que reuniam consenso da maioria da população e atribuiu-as à CDU, ou seja, fez um verdadeiro leasing, um empréstimo destas ideias, e hoje, em 2013, temos uma variedade de mensagens na CDU que antigamente eram defendidas pelos social democratas, pelos verdes e até pela extrema esquerda e pelos liberais do FDP, uma espécie de loja que oferece um pouco de tudo, se quiser comprar alguma coisa encontra lá.

E como é que esta estratégia se revela na União Europeia? Também está a ser aplicada para retirar poderes aos estados membros?
Na União Europeia a senhora Merkel começou por ser chamada de rainha da europa, dos outros países, apenas por governar a nação com mais poder económico na União Europeia, o país do qual se espera mais transferências de dinheiro e aceitou de boa vontade o papel, aproveitou-se disso, convocou muitas reuniões quando percebia que não havia consenso e impôs a sua opinião. Hoje diz-se que se a senhora Merkel não quer então as coisas não passam, mas não é bem assim. Muitas vezes também cedeu, quando a maioria ia noutro sentido. Ela consegue enganar a opinião pública, porque pensam que lidera mas limita-se a caminhar com o rebanho, ela consegue dissimular a sua incapacidade de líder.

Austeridade, destruição de emprego e paralisação das economias mais fracas. Defende que este é o plano de Merkel para Portugal?
Isto está a acontecer nos países submetidos aos programas de ajustamento porq...


De .'ajustamento'/austeritário é MORTE. a 11 de Julho de 2013 às 12:13
Gertrud Hohler
"Destino de Merkel" será ditado pela Europa do Sul
...
... Isto está a acontecer nos países submetidos aos programas de ajustamento porque é o preço da ajuda, há mecanismos de controlo que têm de ser cumpridos, a consequência desta política de austeridade é a destruição de postos de trabalho, a ausência de formação para os jovens, a redução dos salários, ou seja, muitos destes países endividados agora nem sequer os juros conseguem pagar, não fica quase nada que possa ser usado no próprio país. Esta é que é a verdade da política da dívida identificada com a senhora Merkel, o “programa Merkel”.

Como consultora económica concorda com esta estratégia para os países em crise como Portugal?
Não estou nada de acordo com esta estratégia, como escrevo no meu livro, e não sou a única. Economistas e empresários também defendem que esta estratégia está a destruir a competitividade dos países endividados. Para a maioria dos estados-membros em dificuldade a moeda comum, o euro, é sobrevalorizado. O problema não pode ser resolvido simplesmente com o envio de cheques para estes países.

Qual seria a solução para estes países, que estão numa situação complicada, já sem empregos e com dívidas para pagar?
O melhor seria dar mais flexibilidade ao euro, porque um euro bom para a Alemanha não é automaticamente bom para Portugal. Na zona euro, isto leva ao empobrecimento de Portugal e de outros estados do sul da europa. Não estamos a fazer o que deveríamos. Os países que mais contribuem, como a Alemanha, põem isso como requisito e tentam transferir direitos de soberania para a União Europeia, impondo a política financeira a estes países em crise, o sistema dual da Alemanha, por exemplo. Estes países o que devem fazer é defender-se desta tendência.

Se Merkel continuar no poder acha que vai destruir o euro?
Não será exactamente a senhora Merkel a destruir o euro, mas este conceito que está a ser seguido. Estamos a comprar tempo com dinheiro e a conduzir estes países a situações limite, ao nível da competitividade, através das agências de rating e do próprio mercado. A situação está elevada ao absurdo, o que faz com que as pessoas estejam na rua, em protesto. Os cidadãos já não podem ver os governos que lhes impõem esta austeridade, são sintomas de desgaste, as pessoas já não conseguem viver assim nem vão tolerar mais austeridade.

E este será o princípio do fim do euro? Esta contestação aliada ao empobrecimento dos países do sul?
Há analistas políticos que defendem que são os manifestantes do sul da Europa que vão determinar se o euro sobrevive. Eu acho isto convincente. No fundo são as pessoas desesperadas que fazem uso do último recurso. Já não têm emprego nem condições para cuidar das crianças e dos idosos, e vão para a rua. Estas manifestações populares têm muita força, como vimos no caso do Egipto na primavera árabe, e vamos assistir na União Europeia. Eu escrevo no final do meu prefácio que a Europa do Sul será o destino da senhora Merkel.

Uma última pergunta, que é também uma resposta aos críticos que têm defendido que este livro é um ajuste de contas com Merkel. É assim?
Um ajuste de contas? Isso é um absurdo! Não tenho contas para ajustar com a senhora Merkel! Não tenho nada pessoal contra ela, o que reparei é que ela mudou, introduziu um novo estilo de governo na Alemanha e de política na Europa e foi esse o motivo que me levou a escrever e foi esse o motivo que me levou a escrever este livro.
---------
Portugal está em guerra! Ninguem se dá conta disso porque as guerras modernas sao diferentes e silenciosas. . Mas ela está aí e nós estamos a perder batalhas todos os dias.
.., resta-nos a nós, soldados rasos, tomar as redeas e nao ter medo de enfrentar os poderosos. No nosso terreno temos a vantagem e eles ja estao bem ca dentro por isso temos que nos unir o mais rapido possivel.
..e combater o dominio financeiro que assola o mundo. Temos que romper com a troika, sair do euro e estabelecer bases para uma industria nacional.
Nao temos que pagar dividas que nao sao nossas! Nao temos que ter medo na dependencia energetica! Há que reconquistar a nossa independencia porque neste momento somos apenas um recurso de onde os poderosos sugam e sugam ...roubando o nosso presente e futuro.


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