2 comentários:
De O desafio de Semedo (BE),-por D.Oliveira a 17 de Julho de 2013 às 10:09
Um dia depois do PCP convidar o Bloco de Esquerda (e os "Verdes" e a Intervençao Democrática, um grupo minúsculo de compagnons de route do PCP, sem existência partidária formal, nem existência política real) para umanegociação para um programa de governo, o Bloco convidou o PS e o PCPpara o mesmo. Afirmando as suas posições, mas sem condições prévias, como tem de ser. Bem sei que, quando o PS se enfiou na armadilha de Cavaco Silva e se prepara para dar um balão de oxigénio a Passos Coelho, para só ter de governar daqui a um ano, quando o mal já estiver todo feito, estes convites múltiplos são vistos como jogadas políticas. Ainda assim, é uma jogada icom conteúdo, que poderia ter consequências. Que põe o PS perante uma escolha. Na realidade, o PS acaba, nesta crise política, por se ver confrontado, ainda antes de ir a votos e chegar ao poder, com as grandes escolhas que terá de fazer. As programáticas e as de alianças. Estando assim obrigado a mostrar o jogo. O seu discurso contra a austeridade é sincero ou faz apenas o jogo do costume, opondo-se agora àquilo que depois fará? A sua oposição a Passos Coelho corresponde à mera vontade de abreviar o ciclo da alternância ou corresponde à vontade de apresentar alternativas?

Até ontem, o PS tinha um álibi: a impossibilidade de entendimentos à esquerda atirava-o para os braços do PSD e do CDS. A proposta de João Semedo não resolve as enormes divergências entre o PS e o resto da esquerda, mas obriga Seguro a dizer, de uma vez por todas, se também ele está disponível para fazer um esforço. Mas para que isto faça algum sentido, é preciso que o Bloco de Esquerda saiba que uma negociação é uma negociação. Não se sai dela como se entrou, sem cedências importantes. O PS nunca quis "rasgar o memorando". Mas dizia querer renegociá-lo. Seria em torno da profundidade e do rumo dessa renegociação e de uma significativa reestruturação da dívida que o diálogo se teria de fazer.

Com a proposta feita ontem, João Semedo respondeu, de forma ativa e positiva, ao processo muito pouco institucional e democrático iniciado pelo Presidente, que resolveu ignorar uma parte significativa dos eleitores, legitimamente representados por BE e partidos da CDU. Em vez de fazer tudo para abrir o fosso entre o PS e o resto da esquerda, como fez o PCP com o seu convite limitado e condicionado às suas próprias posições, deixou clara a disponibilidade de construir pontes com os socialistas, deixando que fossem eles, como devem ser, a escolher o caminho que querem seguir. Sem ter, e muito bem, posto condições prévias para o diálogo. É exatamente isto que defendo há anos. Mostrou a Cavaco Silva e ao País que não está indisponível para negociações, está apenas indisponível para apoiar o caminho feito até aqui ou dar uma segunda oportunidade a Passos Coelho. Obriga os socialistas a clarificarem a sua posição, mostrando-lhes que uma futura aliança com o PSD é uma opção, não é uma inevitabilidade. Mas sem fazer tudo, como tem sido costume, para que a escolha fosse a habitual. Autonomiza-se do PCP, abandonando o suicidário complexo de inferioridade que o tem levado a mimetizar o seu discruso e a, com isso, perder força para os comunistas. As pessoas tendem a preferir o original à cópia. E afirmou, finalmente, uma diferença de estilo em relação à liderança anterior e às correntes mais ortodoxas do Bloco.

Infelizmente, o PS recebeu os bloquistas para lhes dizer que o seu empenho está unicamente nas conversas que o podem fazer chegar ao poder um ano antes do esperado, mas, felizmente para Seguro, quando todo o mal já estiver feito. Vem o pote, vão-se as dores de cabeça. A forma acintosa como o PS reagiu a esta abertura (dizendo, na prática, que só fala com quem também estiver disponível para salvar, na 25ª hora, este governo) e o contraste com empenhamento no "compromisso para a salvação de Passos Coelho" é um péssimo sinal. Chega a ser comovente ouvir um partido que negoceia a sobrevivência de um governo enquanto vota favoravelmente uma moção de censura falar de "jogos partidários". Esperemos então pelo fim disto. Ele determinará a forma como muita gente, que, como eu, há muito se bate pelo fim do sectarismo à esquerda, olha para os socialistas. ..casamento terá 1 preço (= Pasok ?). Não há votos nem vitórias garant


De .por uma COLIGAÇÃO de ESQUERDA. a 16 de Julho de 2013 às 15:12
-------------------------------------------
Por uma COLIGAÇÂO de ESQUERDA, porque aquilo que os UNE é maior do que aquilo que os separa.
-----------------------

Justificação histórica para uma Coligação de Esquerda
(-por Ricardo Santos Pinto)

Nunca como hoje uma Coligação de Esquerda foi tão necessária para fazer face aos avanços da Direita portuguesa. Já se sabe que PSD, ou PSD e CDS, ou PSD, PS e CDS, .... Por agora, não há muito a fazer ..., a não ser contrapor uma força sólida, um conjunto tenaz das várias sensibilidades de Esquerda que vão resistindo no nosso país e que, em conjunto, seja capaz de chegar aos 20 – 25% e de sonhar, quem sabe, com os 30%.
Impossível? Quem anda pelas ruas e nos transportes ouve amiúde dizer que o PS é muito mau mas que não há alternativa.
Votar em quem? Aos promotores da reunião de sexta-feira, exige-se que essa alternativa passe a existir na cabeça dos milhões de portugueses descontentes com tudo o que a política de Direita lhes deu.
A história mostra-nos que uma Coligação de Esquerda, que una Partido Comunista, Bloco e outros Partidos e movimentos, não é tão descabida como alguns querem fazer crer.
O próprio Bloco de Esquerda é a prova disso mesmo: resultou da fusão de PSR, UDP, Política XXI e outros pequenos movimentos.
...Tudo isto para dizer o quê?
Se forças como o leninismo e o trotskismo se puderam unir há bem pouco tempo em Portugal num Partido, apesar das naturais divergências históricas e diferentes pontos de vista, também actualmente seria possível, se todos quisessem, a formação de uma coligação eleitoral que, como é óbvio, não teria fins permanentes.

O próprio Partido Comunista, ao contrário da velha e estafada cassete de estar sempre contra tudo e contra todos, tem sabido dar exemplos de união e de alianças com forças próximas sempre que estão em causa os interesses nacionais.
...O crescente domínio estrangeiro sobre a economia portuguesa e a subalternização dos interesses portugueses a interesses estrangeiros no quadro da restauração dos monopólios e da integração europeia criam condições susceptíveis de alargar ainda mais as alianças sociais e político-partidárias com objectivos concretos, mesmo que de natureza conjuntural.
Do sistema de alianças decorre a política do PCP no sentido da unidade da classe operária e de todos os trabalhadores, da unidade ou convergência das classes e movimentos sociais anti-monopolistas, da unidade ou convergência de acção das forças democráticas e patrióticas.»

Alianças político-partidárias com objectivos concretos, mesmo que de natureza conjuntural – parece-me que nada mais seria necessário para comprovar a exequibilidade da coligação que está em cima da mesa. Mas podemos sempre juntar-lhe alguns factos históricos.
A própria criação do PCP foi o resultado da união entre militantes saídos das fileiras do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo. ...
... o Partido Comunista soube encontrar plataformas de unidade com outras forças de Esquerda. Foi assim que nasceu a APU, formada pelo PCP, MDP/CDE e mais tarde por «Os Verdes»; e mais tarde a CDU – Coligação Democrática Unitária, que reúne o PCP e Os Verdes e que tem concorrido nas últimas eleições.
Pontualmente, como exigiam as circunstâncias, o PCP coligou-se com o PS de Jorge Sampaio para a corrida à Câmara de Lisboa em 1989. O acordo foi facilmente fechado, tendo em conta o perigo da vitória do PSD, e a coligação durou até 2001.
Aqui chegados, temos dois Partidos – PCP e Bloco – com uma história de alianças político-partidárias. Olhando para trás, o que interessa saber é que a UNIÃO DEU BONS RESULTADOS .
.... a Direita que governa em coligação entre si e as políticas que todos conhecemos tem de ter um adversário à altura.
Uma Coligação de Esquerda, que saiba apresentar-se como alternativa credível às políticas que nos governam ... e que seja um obstáculo a essas políticas, que culminarão numa Revisão Constitucional, com os resultados de que todos suspeitamos.

Bastava que os políticos de Esquerda se entendessem.
Afinal, as diferenças entre PCP e Bloco são assim tão inultrapassáveis?

Não será que aquilo que os une é maior do que aquilo que os separa?



Comentar post