19 comentários:
De A HORA da Esquerda a 24 de Julho de 2013 às 13:43
A hora da esquerda
(-por Mário Machaqueiro , 22/7/2013)

Excelente análise, a que o Frederico faz aqui, e que tem o mérito de permitir pensar que possibilidades, na conjuntura actual, se abrem ou se fecham a uma alternativa de esquerda.

Há quem considere que, no quadro político-partidário em vigor, eleições antecipadas não irão alterar substancialmente as políticas austeritárias em curso. Confesso que hesito perante esta opinião. Digamos que tenho dias.
A verdade é que, num sistema reduzido a promover a alternância entre Dupond e Dupont, o acesso do Partido Socialista ao poder executivo poderá muito bem pautar-se, no essencial, pela replicação das medidas e do ideário subjacente ao memorando de entendimento.
Ora, como o Frederico sublinha, o PS deseja a quadratura do círculo, procurando agradar a gregos e a “troikanos”.
Parte dessa postura pode ser mera poeira nos olhos a pensar já nas eleições que, tarde ou cedo, serão antecipadas, ou um ingénuo “wishful thinking” que a “dura realidade” de uma Europa hegemonizada pela Alemanha se encarregará de destruir.
E, por falar na Alemanha, vários sinais apontam para que das próximas eleições alemãs saia uma posição ainda mais agressiva face aos países do Sul da Europa.
Portanto, contar com soluções dependentes da escala europeia (ou da União que se reclama desse adjectivo) é incorrer numa ilusão.
De uma maneira ou de outra, o PS, se insistir no caminho do austeritarismo “suave”, acabará confrontado com a exigência externa de novos ataques aos direitos sociais e laborais.
E quase tudo no passado desse partido indica que ele sucumbirá – com escassa relutância – a tais pressões, assumindo um papel idêntico ao que PSD e CDS adoptam no momento presente.

A menos que…

… haja no interior do PS correntes favoráveis a um entendimento com o PCP e o BE e que estas se possam revestir de influência suficiente para conduzir o PS às necessárias rupturas – a começar pela ruptura com o próprio memorando da troika.
Num quadro em que as mudanças políticas de vulto só se podem operar por via eleitoral, essa parece ser a única via para romper com os bloqueios institucionais e políticos que têm impedido a criação de alternativas dotadas de operacionalidade (é uma palavra feia, mas não me ocorre outra melhor).
Dir-me-ão:
com a actual direcção do PS, esperar por isso é tão ingénuo como esperar que esse partido resolva a quadratura do círculo acima referida.
É muito (mas mesmo muito) provável.
Porém, nesse caso, e na ausência mais do que previsível de um grande levantamento popular que arraste consigo a demolição do sistema vigente, teremos de nos confrontar com a nossa impotência.

É isso que queremos?


De Socialismo, Soc.Democ, neoLiberal, Burla a 2 de Setembro de 2013 às 15:27
Palavras imensas
[Manuel Alegre, publico.pt, 21-08-2013] | 2 comentários
A matriz das esquerdas é comum: reside na recusa daquilo a que Octavio Paz chamou "a injustiça inerente ao capitalismo." Essa é a sua essência. Mas a divisão entre revolucionários e reformistas vem quase desde o início. Talvez tenha começado no Congresso de Londres do Partido Social Democrata russo, em 1904.
...

Com a guerra fria, os partidos da Internacional Socialista funcionaram como terceira via, por um lado contraponto em relação ao bloco comunista, por outro gestão moderadora do capitalismo, através do Estado providência e dos direitos sociais que significaram um considerável avanço civilizacional.
No plano teórico, os partidos comunistas continuaram a defender a revolução, embora os eurocomunistas tenham trocado a via insurreccional pela eleitoral.
Os partidos da IS foram abdicando do projecto de transicção para o socialismo por via gradual e democrática.
Mas já depois do SPD alemão ter abandonado o marxismo, Mitterrand, após a sua eleição em 1981, começou por aplicar o "programa comum da esquerda", que visava a reindustrialização estatizante da França e uma ruptura progressiva com o capitalismo.
Mais tarde, aliar-se-ia ao chanceler Kohl para a consagração do neoliberalismo no Tratado de Maastrich.
Também em 1981, no congresso em que Mário Soares derrotou o chamado ex-Secretariado, a sua moção ainda mantinha uma via de ruptura gradual com o capitalismo. Onde isso vai!

Com Reagan e Thachter e o posterior colapso da União Soviética, não foi só o comunismo que foi derrotado, foi toda a esquerda, mesmo aquela que desde sempre se opôs ao estalinismo e ao modelo soviético.
A queda do muro de Berlim não se traduziu na vitória da social democracia, mas no triunfo do capitalismo financeiro à escala global.
Os partidos socialistas ou se deixaram colonizar pelo neoliberalismo triunfante ou seguiram a moda pseudo-modernizadora do blairismo.
Os partidos comunistas, com a honrosa excepção do português, sumiram-se ou mudaram de nome.
Adverti então que um partido pode tornar-se historicamente desnecessário.
Hoje, perante a crise provocada pelo domínio absoluto do capitalismo financeiro, as sondagens na Europa são reveladoras do declínio dos partidos tradicionais.
Nem os comunistas falam de revolução nem os socialistas pronunciam a palavra socialismo. E contudo a direita assume sem complexos e sem pudor a sua ideologia, na maior ofensiva de sempre contra os direitos dos cidadãos e o património histórico e social da democracia.
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Cidadania
(-Filipe da Silva Nobre,)
Na realidade a IS., abdicou do projecto para o socialismo democrático. Alguém tudo fez para guardar o SD., na gaveta. Presentemente, é um dos responsáveis pela situação do País. Não devo esquecer o desvio dos votos nas Presidenciais de 2006 para o Cavaco.
Igualmente, PCP+BE+CDS+PSD, também combinaram, fazer cair o PS., a fim determinarem novas eleições e, entregarem a governação ao novo feudalismo.
...Somos um País, sem justiça. Já não interessam os valores. Somos esquecidos. Existe uma desertificação terrível. Já não temos educação. Já não temos SNSaúde. são mais de 1.250.000 desempregados. Vale a pena acreditar ? Porquê acreditar, com tanto tacho.
As grandes sociedades de advogados, quem fiscaliza. Tanto e tanto abuso. Os senhores do BPN., BPP. e, outras instituições financeiras, não existem ? Os enriquecimentos ilícitos, não são punidos, porquê ?
Temos de saber ao nível de todos os que ocuparam e, os que ocupam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património, antes e depois. Somos um País de mentirosos, aldrabões e trapaceiros, Cavaco e, Coelho, nos termos da lei, não podem governar.
Um senhor do "BES"., não declarou 26 milhões de euros ao fisco. Esqueceram-se ? Um tal "Carrapatoso", não liquidou às Finanças 700 mil euros. Deve ser homenageado. Entretanto, despejaram uma velhinha de 80 anos da sua habitação.
Cavaco, Machete e outros da companhia, compraram as tais acções ao BPN., e,..
Cresci numa terra com alguns valores, com gente que olha nos olhos. Hoje mandam-nos para o estrangeiro. Somos um País que mata o cidadão por trás; traição. Tanto criminoso financeiro que escapam por motivos que nem ao diabo lembram


De Soc.Democ., 'Blair', NeoLib, PLUTOCRACIA a 2 de Setembro de 2013 às 15:41
Ó JORGE COELHO, DIGA-NOS LÁ QUE IDEIAS SUAS É QUE NÃO COINCIDIAM COM AS DO FALECIDO ANTÓNIO BORGES?
[Alfredo Barroso, 25-08-2013]

Ninguém bem formado se pode regozijar com a morte de um inimigo político, neste caso por doença fatal, mesmo que esse inimigo político ainda tivesse muito para dar à luta CONTRA a classe MÉDIA e as classes populares, em prol das grandes empresas, dos mais ricos e poderosos, do capital FINANCEIRO, em suma: da PLUTOCRACIA.

Esse inimigo político era António Borges, que sempre teve palavras de incitamento à política de austeridade e EMPOBRECIMENTO do país e dos portugueses, levada a cabo por este governo, ao mesmo tempo que revelava um enorme desprezo pelo sofrimento da esmagadora maioria dos portugueses, reclamando com insistência mais CORTES nos salários do TRABALHADORES que ainda não tinham sido atirados para o DESEMPREGO.

Como não sou hipócrita, não vou dizer que tinha respeito pelas ideias abertamente NEOLIBERAIS defendidas pelo defunto economista, que era adepto das PRIVATIZAÇÔES e do desmantelamento do ESTADO SOCIAL.
Ele quería contribuir activamente para que esse objectivo fosse bem sucedido e, por isso mesmo, era consultor e/ou conselheiro deste governo, com um estatuto quase ministerial.

Totalmente diferente da minha posição é a do ex-funcionário da UDP, ex-dirigente do PS, ex-ministro dos governos de António Guterres e ex-presidente da Comissão Executiva da Mota Engil Jorge Coelho. Este político do PS, que mergulhou há alguns anos no mundo dos NEGÓCIOS, disse à agência Lusa que se sentia «chocado» com a morte de António Borges (antigo vice-presidente do Goldman Sachs, o BANCO que arruinou a Grécia com «swap's»), e lembrou que ainda «recentemente havia viajado com o economista até à Colômbia, no âmbito da entrada da Jerónimo Martins naquele país». E acrescentou: «É uma pessoa por quem tinha - e tenho - grande estima e respeito (...) Independentemente das ideias que muitas, muita vezes não eram coincidentes com as minhas, era uma pessoa por quem eu tenho um grande respeito pessoal e intelectual».

Seria interessante ouvirmos um dia Jorge Coelho explicar quais eram essas «muitas, muitas ideias» que não coincidiam.
A verdade é que ambos se moviam - e Jorge Coelho vai continuar a mover-se - nas altas esferas da plutocracia, das GRANDES EMPRESAS e do grande capital FINANCEIRO, outrora tão odiadas pelo antigo funcionário da UDP.
Mas isso era antigamente, quando Jorge Coelho ainda não tinha experimentado as delícias do poder e a convivência e conivência com a «élite» de gestores do chamado «bloco central» de INTERESSES.
Mas ainda há quem, como eu, não esqueça as graves responsabilidades de dirigentes partidários como António Guterres e Jorge Coelho (e outros que nem é preciso mencionar) na deriva NEOLIBERAL e BLAIRista do PS , quando adoptou o «confortável» pragmatismo SEM PRINCÍPIOS implícito na doutrina da «Terceira Via».


De .Acordo SalvaTroika é cisão do PS. a 18 de Julho de 2013 às 14:21

Históricos socialistas pressionam o líder do PS a não assinar o acordo com a direita.

Ontem Manuel Alegre, hoje Mário Soares.
(-Carlos Abreu, 18 de julho de 2013 Expresso)


"Tenho a certeza de que não vai haver acordo entre PS e a direita do Governo, porque isso ia criar uma cisão no PS e só iria beneficiar o PCP". Palavras de Mário Soares, líder histórico do Partido Socialista proferidas ontem, na mesma altura em que o Presidente Cavaco Silva destacou os sinais "muito positivos" que saem das reuniões que decorrem entre PSD, PS e CDS com vista ao compromisso de "salvação nacional".

Em declarações ao "Público", Mário Soares disse ainda que "nos últimos dois dias, "tem havido um conjunto de pessoas do PS que [o] têm procurado a dizer que saem do partido se houver acordo".

O líder histórico dos socialistas acredita ainda que o atual secretário-geral, António José Seguro, nada fará que provoque uma cisão no partido.

"Acho que o Seguro é um homem de carácter e vai cumprir aquilo com que se comprometeu com Manuel Alegre e comigo e, portanto, não vai fazer acordo nenhum".

Recorde-se que já ontem, em declarações publicadas no jornal "i", outro histórico socialista, Manuel Alegre, tornou pública uma garantia dada por Seguro: "Estou convencido - e tenho a palavra do secretário-geral [António José Seguro] - de que o PS não vai fazer nenhuma cedência".

"Não podemos estar dos dois lados"

Entretanto, em declarações à Antena 1, Vítor Ramalho, da Comissão Polícia Nacional do PS admite que a eventual saída de militantes, referida por Mário Soares, é menos preocupante do que a forma como os portugueses passarão a olhar para os socialistas.

"O partido vai surgir aos olhos da opinião pública como um partido que deu a mão a um Governo que estava morto", disse Vítor Ramalho.

"O PS deixará de ser a referência da oposição ao próprio Governo. Nós temos que ser claros, não podemos estar dos dois lados", acrescentou.
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O acordo e o suicídio do PS
(H.Monteiro)
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À medida que o acordo se apresenta como uma possbilidade, aumenta igualmente o ruído de alguns que vêem na sua concretização uma machadada nas suas pequenas contas políticas. João Galamba, um mais ou menos eterno jovem do PS, disse que ele seria um suicídio para António José Seguro, embora eu não acredite que ele esteja assim tão preocupado com a saúde do líder do PS. Talvez esteja mais com a dele.

Quem viveu o suficiente já viu muita coisa. Há momentos de corte que são significativos e este é um deles. Como há quase 40 anos, o PS torna-se partido charneira. O futuro do país depende, em muito, do lado para o qual os socialistas pendem. Se então, como, mais tarde, em 1983, o PS tivesse ido atrás de certas teses com muito floreado e pouca responsabilidade, o PS ter-se-ia, aí sim, suicidado. Foi o facto de ter olhado para o país real, para as necessidades reais e não ter ficado enredado em prisões ideológicas sem sentido que fez com que o PS conseguisse salvar o país e salvar-se a si próprio. Hoje, estamos de novo, num momento assim. Mas há que dizer que ao esforço do PS tem de corresponder igual esforço do PSD e do CDS.

Creio que os partidos perceberão que a sua sobrevivência depende muito do que hoje fizerem.


De «Acordo SalvaTroikos» será fim do PS. a 18 de Julho de 2013 às 15:07
Se avançar o «acordo SalvaTroikos» ... pode ter a certeza que o PS passará a P.s'inho /'Pasok', com uma enorme descida de eleitores e de militantes, podendo mesmo dar-se a sua cisão - a sua ala esquerda poderá integrar uma COLIGAÇÂO eleitoral ALTERNATIVA (com o BE, Verdes, PCP, movimentos e associações de contestários, indignados, desempregados, precários, reformados, ...), tipo Syriza.


De Acordo SalvaTroikos: perde o PS e Portug a 18 de Julho de 2013 às 16:22
(JPP, Abrupto,blogspot.pt 18/7/2013)

O NAVIO FANTASMA (17)

Quer haja, quer não haja acordo, o verdadeiro perdedor será sempre o PS.

Se houver acordo, quem sai sempre reforçado é o governo, que verá as suas políticas caucionadas pelo PS, seja o acordo concreto, seja vago e genérico.
Se o PS pensa que vai obter ganho de causa por poder acenar com uma ou outra concessão (IVA da restauração, moderação da "reforma do estado", etc.) como sendo resultado da sua negociação, tire daí o sentido.
Essas medidas serão implementadas pelo governo Passos-Portas que não terá dificuldade em dizer que já estavam previstas, ou que foi a sua gestão nos dois primeiros anos que o permitiu, ou que foram os "sinais" de uma "inversão" da situação económica, que abriram esse caminho.
A linguagem do poder será sempre mais forte, e depois o tempo apagará as circunstâncias.


Se não houver acordo, o culpado desta crise passa a ser o PS.
Na percepção dos portugueses, até este momento, são Portas e depois Passos Coelho e as suas guerras que deram origem à crise.
Ao falhar a "salvação nacional", será sempre mais fácil culpar o PS desse falhanço e passará a ser o PS o mau da fita.
O governo terá um novo fôlego.


Claro que a retórica de que quem "ganha" ou quem "perde" "são os portugueses" é apenas pura retórica.
Na verdade, quem ganha ou quem perde são os portugueses, mas por outras razões.
A começar por se ter adiado a única solução capaz de desbloquear o impasse político actual:
novas eleições.


De . Salvação não.; + Consenso e Democrac a 19 de Julho de 2013 às 09:55
A Nação não carece de salvação
A ver se nos entendemos.

A Nação está bem e recomenda-se e, como tal, não carece de salvação.
Quem quer ser salvo e carece de salvamento é quem tem sido incapaz de cumprir as suas promessas perante a Nação e só está preocupado com o disfarce do seu insucesso para se conseguir manter à tona da água.

Entendo que a Nação precisa de consenso nacional (e não de salvação) em relação a determinadas matérias
e entendo que esse consenso só se poderá conseguir após os cidadãos, que são a razão de ser da Nação, se pronunciarem sobre as matérias e as formas de se obterem esses consensos.

LNT [0.241/2013]


De Bangsters Burlões, BPN Banif BIC BES ... a 17 de Julho de 2013 às 15:56

Outra vez o tal banco, outra vez o tal arco, outra vez os tais negócios

Há apenas dois dias eram 100 milhões, hoje já se fala em 816 milhões. As responsabilidades do Estado decorrentes da execução do contrato celebrado com o BIC para a venda do tal banco que, apesar de nos ter custado 9 mil milhões , os seus activos foram mantidos nas mãos dos antigos donos, o tal banco que foi avaliado em segredo por 101 milhões e acabou vendido com um desconto superior a 60% por 40 milhões ao tal consórcio detido, entre outros, pela mulher que se tornou a mais rica de África a roubar o seu povo e pelo homem que se tornou o mais rico de Portugal graças a uma venda de parte da GALP a preços de amigo pelo Governo Sócrates, o tal banco que esteve para ser vendido a crédito sem juros mas a Comissão Europeia não deixou, o tal banco que acabou por ser comprado com o capital do próprio banco, esse mesmo, o contrato de venda foi tão bem feito que o que o Estado ainda ficou a dever ao tal consórcio apesar deste ter ficado com o BPN pode chegar até aos 816 milhões de euros. O valor consta de um relatório da Roland Berger pedido pela tal ministra das Finanças dos SWAPs, Maria Luís Albuquerque, na altura, secretária de Estado do Tesouro e Finanças e que tinha responsabilidades na condução da privatização do BPN.

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Quem diria ?
(http://opaisdoburro.blogspot.pt/ 16/7/2013 )

O encontro entre o BE e o PS, no Largo do Rato, em Lisboa, durou pouco mais de uma hora.
E à saída da reunião, o PS emitiu um comunicado no qual clarifica que o partido não estará em processos de diálogo paralelos.
Para já, os socialistas continuam sentados à mesa com o PSD e o CDS. E então, por que diabo aceitaram conversar com o Bloco? Resposta óbvia: para darem ares de dialogantes.
Resposta ainda mais óbvia: porque estão prestes a chegar a acordo com os dois sócios do memorando.
O Bloco fez o que lhe competia.
O PS prefere aliar-se à direita. Nada a fazer com este PS.
Daquela mítica ala esquerda do PS, nem sinais.
Se não aparecer em cena agora, é porque não passava de mais uma fábula.
A esquerda já não mora ali há muitíssimo tempo.


De .Deputados da Uni.Salvação nacional.. a 17 de Julho de 2013 às 16:23
Dos parlamentos ofendidos
(-L.Gomes, blog5dias.net , 17/7/2013)
...
...Mas não só o voto expressa a vontade e o sentimento popular, coisa que é estranha a esta direita criptomaníaco-repressiva a quem qualquer manifestação de indignação, liberdade, opinião faz comichão.
Bem que tentam pela lei impedir que a verdade se escreva nas paredes, através do capital que ela não esteja na comunicação social, através da repressão que ela não esteja nas ruas.
Sabemos já que sindicalismo, de classe, é coisa que lhes mete medo (dentro e fora do parlamento).
Mas ir ao ponto de querer interferir com a autonomia de uma organização sindical que é livre de indicar quem entende para sua representação, de proceder à identificação chamando-os criminosos (Artur Rego sempre a marcar pontos) e de proferir estas palavras bafientas ainda não tínhamos experienciado,
a não ser através dos gritos histéricos da primeira senhora que foi eleita para presidir aos trabalhos (e lá vai a paridade pelo cano abaixo).

Crime são os juros usurários que a Segurança Social cobra quando persegue alguém que não tem dinheiro para pagar as contribuições monstruosas.
Crime é esta mesma Segurança Social se enganar frequentemente e nunca devolver o que ilegitimamente rouba aos cidadãos (como foi o caso dos trabalhadores independentes que descontaram a mais durante mais de um ano).
Crime é despedir sem justa causa. Crime é não pagar salários, subsídio de férias, subsídio de natal.
Vergonha é privatizar tudo e mais um par de botas deixando a água e a electricidade sob a mão do mercado e que os preços disparem ao ponto das famílias se endividarem para poderem pagar as contas.
Atentado à democracia é subverter a Constituição e com fardas azuis cercar centenas de pessoas, deter cidadãos que pintam murais políticos e proibir os graffitis, avançar com processos crime contra pessoas que se manifestam ou distribuem panfletos
(ao mesmo tempo que se fecham ruas vitais da capital do país para festas do Continente ou corridas de carros, não é Zé?).
Crime é não cumprir as decisões judiciais.

Indecorosa e vergonhosa ofensa é que estes sejam deputados da nação e que ainda não tenham percebido que o povo os quer de lá para fora.
...


De Izanagi a 18 de Julho de 2013 às 10:23
Tem em razão em quase tudo, excepto no último parágrafo. Foi o povo que os quis lá, os actuais e os anteriores.
O que não podemos é todos os 6 meses ( período máximo que qualquer governo tem até começar a ser contestado) fazer eleições. Isto obriga a uma escolha criteriosa quando há eleições, porque se o Povo não for criterioso a escolher quem o representa, estamos sistematicamente com os mesmos e com a situação do país a degradar-se.
A solução está no momento do voto, onde o POVO, tem que fazer escolhas conscienciosas.


De noticias de 17/7/2013 a 17 de Julho de 2013 às 17:06
----Portas adjudicou 344 milhões já demitido: negócio dos Pandur em governo de gestão; despacho com o nome do vencedor no concurso de blindados assinado depois de Sampaio demitir o Executivo - CM.

---- BdP agrava previsões para 2014. - JN

----PS continua a dizer não aos cortes: cortes na despesa do Estado estão no centro das negociações.
BPN: contrato do Estado com o BIC poderá implicar uma fatura de 816 milhões de euros.
Diretora-geral do Tesouro e Finanças sai por não ter sido nomeada secretária de Estado do Tesouro.
Pressão no Governo para travar tetos para os reguladores. -Público

---Previsões do Banco de Portugal: nova austeridade faz desaparecer crescimento em 2014; diretor do Mecanismo de Estabilidade Europeu admite segundo resgate.
Manuel Alegre ao i: "Seguro prometeu-me que o PS não fazia cedências". - i

--- Gregos conseguiram negociar com a "troika" corte no IVA da restauração, baixando de 23% para 13%.- o que muitos reclamam para Portugal - e criou um novo imposto sobre bens de luxo.


De Por uma Coligação de Esquerda a 17 de Julho de 2013 às 14:58

totalmente de acordo :

«...Mais importante que as naturais diferenças e divergências, é a
absoluta necessidade de União para ter força para mudar as políticas deste
fantoche desGoverno submisso a bangsters, troikas, 'mercados' e neoliberais
destruidores da Democracia, da Liberdade, da Justiça, da economia, dos trabalhadores e cidadãos deste país.»


(no post de 16/7/2013, Luminaria : Aliança, frente ou coligação : para Eleições e políticas de Esquerda
Bloco propõe negociação a PS e PCP )



De Fascismo pelos Bancos e neoLiberais a 17 de Julho de 2013 às 15:10
Do Regresso do Fascismo...

SE OS POVOS DA EUROPA NÃO SE LEVANTAREM, OS BANCOS TRARÃO O FASCISMO DE VOLTA

(Mikis Theodorakis - Compositor, Prémio Lenine da Paz)

No momento em que a Grécia é colocada sob a tutela da troica, que o Estado reprime as manifestações para tranquilizar os mercados e que a Europa prossegue nos salvamentos financeiros, o compositor Mikis Theodorakis apela aos gregos a combater e alerta os povos da Europa para que, ao ritmo a que as coisas vão, os bancos voltarão a implantar o fascismo no continente.

Entrevistado durante um programa político popular na Grécia, Theodorakis advertiu que, se a Grécia se submeter às exigências dos chamados "parceiros europeus" será "o nosso fim quer como povo quer como nação". Acusou o governo de ser apenas uma "formiga" diante desses"parceiros", enquanto o povo o considera "brutal e ofensivo". Se esta política continuar,"não poderemos sobreviver… a única solução é levantarmo-nos e combatermos".

Resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, Theodorakis também enviou uma carta aberta aos povos da Europa, publicada em numerosos jornais… gregos. Excertos:
"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.

Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.

Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)

Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito.

Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".


De .Lobby DONOS de P. a saquear ... a 18 de Julho de 2013 às 11:25
...Esperando que o manifesto de ontem, assinado pela nata dos negócios com o Estado e de empregadores de ex-ministros, não surta o seu efeito. Bem sei que o recurso a essa coisa arcaica que dá um voto a cada cidadão, independentemente da sua conta bancária, já não se usa para resolver crises políticas. Mas um pouco de decoro na pressão do poder económico sobre o poder político não ficava mal. - D.Oliveira.
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As personalidades do regime
(por Sérgio Lavos)

A história volta a repetir-se. Como aconteceu em 2011 a seguir ao chumbo do PEC IV,
o poder económico e financeiro movimenta-se para pressionar o poder político e assim assegurar que as coisas não mudam demasiado.
Agora de forma mais modesta, mas as movimentações são evidentes.
Nas últimas semanas, vários banqueiros manifestaram-se contra o funcionamento regular da democracia, opondo-se a eleições;
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, tem-se multiplicado em intervenções públicas, avisando para o perigo da instabilidade - como se as eleições representassem maior instabilidade do que aquela que existe na sociedade,
a instabilidade provocada pela política de transferência de recursos do trabalho para o capital a que temos assistido nos últimos dois anos.

Hoje, mais um conjunto de "personalidades" assina um manifesto a pedir um acordo entre os três partidos mais à direita da Assembleia.
E quem são essas "personalidades"? Os mesmos de sempre.
Dois "Mellos", um van Zeller, vários empresários e banqueiros, testas de ferro de grandes empresas.
As corporações que se alimentam do Estado há décadas, os DONOS de Portugal que parasitam o poder politico desde o Estado Novo e que apenas se mantiveram afastadas da esfera de influência durante o período do PREC.
Se tivessem pedido as assinaturas de Oliveira e Costa, Duarte Lima, Dias Loureiro ou Vale e Azevedo ninguém se escandalizaria.

Não surpreende esta posição da elite económica e financeira:
durante os dois anos que a intervenção externa leva, as maiores empresas portuguesesas viram os seus lucros crescer e os bancos foram alimentados a soro pelo dinheiro dos contribuintes.

O desemprego crescente permitiu que os salários baixassem e o seu peso relativo nos custos empresariais fosse reduzido.
Se há alguém a ganhar dinheiro com as políticas de austeridade é esta elite.
Enquanto a classe média vai desaparecendo e os pobres vão ficando cada vez mais pobres, as grandes empresas crescem e o número de milionários aumenta em Portugal.

Esta elite não quer confusões, não quer que a democracia funcione. Pretende apenas que o status quo se mantenha.
Estes dois últimos anos, de completa desregulação laboral e de compressão salarial provocada pelo aumento do desemprego, têm sido uma oportunidade.
Mas ainda não acabou.
Ainda há empresas públicas lucrativas para entregar a mãos privadas, ainda há leis do trabalho para flexibilizar, ainda há dinheiro dos contribuintes para ser injectado nos BANIF's desta vida.
Como os subscritores do manifesto escrevem:
"o tempo não é de recuar mas de avançar, de forma concertada, cumprindo a nossa parte".

Quem não os conhecer que os compre.


De .DesGoverno de bárbaros. a 17 de Julho de 2013 às 14:48

Mais olhos do que barriga
(-por OJumento, 17/7/2013)

Há muitos anos que a nossa direita vê no Estado a nova fonte de financiamento para mais uma década de corrupção e de subsidiodependência,
há muito que ideólogos da direita como Miguel Cadilhe (o tal que dizia que resolvia os problemas do BPN com 400 milhões de euros) até dizem que o número de funcionários a despedir é de 150.00o, só não esclarecem se o faroleiro das Berlengas está incluído.

Recorde-se que o primeiro governo a organizar despedimentos em massa no Estado foi o de Cavaco Silva, chegaram a ser feitas listas de disponíveis (foi o termo usado na época), mas o habitual oportunismo eleitoral da personagem levou a que o assunto fosse esquecido.
Mas o destino tem destas coisas e como a personagem tem agora o estatuto de rata velha descobriu uma solução,
Passos Coelho designou o despedimento em massa por requalificação,
Cavaco prefere chamar-lhe plataforma de salvação nacional e disfarça-lo com o pós-parto a que ele chama pós-troika.

O problema é que esta gente está mais motivada por uma visão racista da sociedade portuguesa e por um ódio ideológico ao Estado,
senão mesmo pela inveja que alguns inúteis das jotas têm dos jovens melhor qualificados que lhes ganharam nos concursos de admissão no Estado.
Alguém disse às organizações internacionais que se podia poupar uma fortuna no Estado.

Foram os mesmos que em tempos achavam que podiam cortar o mesmo nas famosas gorduras mas que depois de eleitos perceberam que tinham sido burros.
Agora têm uma nova tese mas bem mais perigosa, quando perceberem o desastre que provocaram será tarde, nada poderão fazer para recuperar a qualidade dos serviços públicos ou para reconstruir milhares de vidas destruídas.

Estes políticos incompetentes e mal formados não percebem que o Estado é muito mais e muito mais necessário do que essa coisa ideológica que aprenderam a odiar em discussões de discotecas alimentadas por bebedeiras de shots.
O Estado que eles defendem é o da África da infância de Passos Coelho, o Estado dos administradores coloniais formados no antigo Instituto Superior de Estudos Ultramarinos.
Estes idiotas estão convencidos que podem ter uma economia moderna com o Estado com quadros superiores a ganhar como empregadas domésticas e com horários de trabalho de serventes de pedreiro.

Ainda por cima não sabem fazer contas, algo que começa a ser uma tradição desde que um incompetente chegou a ministro das finanças de Passos Coelho.
Estes gulosos têm mais olhos do que barriga e quando fazem as contas ao que poupam com o despedimento dos funcionários públicos esquecem-se de algumas parcelas.

Para além dos custos (sociais, familiares, das pessoas e) das indeminizações e das reformas antecipadas
importa lembrar mais de metade do rendimento bruto de um funcionário público, como de qualquer cidadão, acaba por reverter para o Estado sob a forma de impostos.
Isto é, do que se poupa apenas se pode contabilizar metade pois a outra metade seria sempre receita fiscal sob a forma dos mais diversos impostos.
Mas como a outra metade deixa em grande parte de ser gasta pelas famílias importa considerar o seu efeito multiplicador negativo
e a consequente perda de rendimentos e de impostos em consequência deste corte e isso significa menos impostos e mais subsídios de desemprego.


De Coveiros neoliberais a 17 de Julho de 2013 às 15:06
Economia portuguesa?
(-por J.Rodrigues, 17/7/2013)

No Negócios, Nuno Aguiar e Rui Peres Jorge informam-nos que, segundo a OCDE,
Portugal foi o país que mais liberalizou os despedimentos desde 2008,
acentuando de resto uma tendência anterior; entre 2007 e 2012,
a economia portuguesa perdeu um milhão de postos de trabalho
e registou, em 2011 e em 2012, uma queda, respectivamente, de 6% e de 3,9% da remuneração salarial média.
Só em 2013, poderão ser 220 mil empregos eliminados.
É claramente preciso, em nome do “interesse nacional” aprofundar este sucesso neoliberal, esta combinação de austeridade recessiva e de reformas “estruturais” regressivas.
...


De Zé das esquinas, o Lisboeta a 17 de Julho de 2013 às 14:32
De acordo! Pelo menos teoricamente.
O pior seria, uma vez eleitos, se estes novos esquerdistas unidos e eleitos contra esta cambada, não se tornariam outra cambada igual ou mesmo pior... para o país e para o povo evidentemente.
Agora, pelas vias ditas normais (democráticas), não há dúvida que é de arriscar.
Serviria ou para nos redimir ou para nos desiludir de vez e então, procurarmos uma 3ª via...


De .politiquices e coisas importantes. a 17 de Julho de 2013 às 19:05
Sobre a espuma dos dias e outras coisas estúpidas
(-por Luís Bernardo, 17/7/2013)

Tudo isto é espuma (e nem sequer do Adriá, que sempre teria mais graça). E, enquanto nos divertimos com espuma, os produtores de hegemonia riem-se da nossa discussão. Percebo que esta seja uma preocupação relevante para muitos dos que escrevem neste blogue, mas muitos dos que escrevem neste blogue já chegaram a duas conclusões que me parecem as mais relevantes:

1. O PS não é um partido ideológico. Logo, não é um partido de esquerda. É um partido pós-ideológico, uma máquina caça-votos, um partido catch-all.
Portanto, não é uma organização que possamos avaliar com os mesmos instrumentos e categorias que usamos para avaliar o PCP ou o BE.
Para mim, as tácticas usadas pelo PS, ontem e durante a semana passada, fizeram e fazem todo o sentido. É um bicho fundamentalmente diferente daquele que estamos habituados a ver – mais próximo de uma empresa que de uma organização partidária tradicional.

2. O BE é um partido esmagado entre as contradições da social-democracia, a deriva autoritária da União Europeia, os sinais da Grécia – mais dia, menos dia (se não aconteceu já), Catarina Martins ou João Semedo dirão que o Bloco quer ser a SYRIZA portuguesa, tal como feito pela Izquierda Unida e,
mais importante que isso, a percepção de que deve tornar-se uma solução de governo anti-austeritária.
Isso implicará um realinhamento programático, porque o BE não pode querer tornar-se uma solução de governo sem se realinhar com as preferências de um eleitorado (porque o partido entrou no jogo eleitoral, aceitou as regras desse jogo e isso determina tudo o resto) que não conseguiu atingir até ao momento.
O caminho escolhido é tortuoso e impõe duas notas de clarificação que ainda não foram feitas:
esses realinhamentos minam a matriz do partido-movimento e implicam compromissos que levarão o partido a apostar num eleitorado volátil.
É uma jogada possível e perigosa. Alguém na Rua da Palma leu o livro do André Freire e do Luke March com atenção. Resta saber se o leu com atenção suficiente.

E as conversas casuais, como a de ontem, não podem terminar com Fernando Rosas em pose desapontada, como se a indisponibilidade do PS fosse surpreendente.
O comunicado do PS diz tudo a esse respeito: no Rato, nada de novo. O socialismo na gaveta, a responsabilidade na manga e um calculismo hábil.
A resposta à manobra do PCP – porque também foi uma manobra – não poderia ser uma imediata expressão de interesse em conversações alargadas “à esquerda” sem compromissos ou sem termos definidores mínimos.
Os dirigentes do BE mostraram falta de jogo de cintura; mostraram não perceber que o PCP tem um eleitorado estável e uma base militante sólida, ainda que cada vez mais estreita; mostraram não perceber que uma reacção unitarista e ecuménica, nesta altura, teria de ter contornos mais discretos. Talvez seja este o outro ponto de sufoco do BE: a tentação do mediático e do grandiloquente. Não teria sido mais fácil desmontar os contornos messiânicos do discurso do PS, que se apresenta constantemente como partido essencial, partido fundamental, partido necessário, esquerda moderna? Essencial para quê? Fundamental para quê? Necessário para quê? Moderno, de facto, na configuração organizacional virada para a conquista de votos, mas nunca à esquerda. Sejamos claros: o PS não é essencial para nada, fundamental para nada, necessário para nada e a sua modernidade não augura algo de bom para a democracia eleitoral.

Por causa disto, não falamos de coisas também importantes. Eu diria “coisas realmente importantes”, mas fico-me por “também”.

Não falamos dos resultados do EU-SILC anunciados pelo INE. Surge alguma preocupação com os níveis de privação material enfrentados por mais de um terço da população portuguesa (ainda que o EU-SILC subestime esses níveis). A eficácia e eficiência das transferências sociais no combate à pobreza e privação parecem ter estagnado, embora o risco de pobreza antes de transferências sociais tenha aumentado. O risco de pobreza entre a população com mais de 65 anos, sem o sistema de pensões e transferências sociais que compensa esse risco – e que é um dos cavalos de batalha da escória reaccionária suportada pela troika, ascendeu a 87,5%


De .Em queda livre, em poço sem fundo. a 17 de Julho de 2013 às 19:19
Sobre a espuma dos dias e outras coisas estúpidas
(por L. Bernardo, blog.5dias.net)
...
...
... O risco de pobreza ... ascendeu a 87,5% em 2011. Oitenta e sete e meio por cento.
Um terço, precisamente 33%, das crianças portuguesas está na mesma situação.
As políticas sociais dirigidas à compensação desse risco estão a perder eficácia à medida que a sobrecarga das despesas por agregado familiar aumenta, a intensidade laboral diminui drasticamente à medida que a precariedade aumenta.
E tudo isto pode ser instrumentalizado. Pode dizer-se que, “no primeiro ano da troika, a pobreza caiu para 17,9%”, sem ter que se explicar que os 4700 milhões a cortar são os mesmos que permitiram esse declínio.
E sem ter que explicar que as políticas públicas não funcionam como a Accenture, a Mckinsey ou outra consultora acham: demoram a surtir efeito, mas batem como um martelo.
Ainda não levámos com as consequências mais brutais da austeridade, e isso também importa reter.
Não estamos à beira de abismo algum: estamos em queda livre.
Não batemos no fundo do poço: o poço não tem fundo.

Mas não debatemos, neste blogue e entre organizações politizadas, a significância deste processo regressivo e reaccionário ou os modos empíricos de combatê-lo
– o que passaria por enfrentar vários tabus da esquerda não-institucional, como o problema de enfrentar situações de pobreza e privação extremas sem cair num assistencialismo ligeiramente menos paternalista. É feio? É.
A solidariedade e o compromisso colectivo são preferíveis? São.
Enquanto debitamos estes mantras, há trabalhadoras e trabalhadores em privação extrema por esse país fora. Percebemo-lo razoavelmente, e alguém debate “alternativas”.
Mas as alternativas não podem passar apenas pela recomposição de políticas sociais paliativas, um processo que depende de demasiadas variáveis que não controlamos e cuja prioridade me soa cada vez mais estrangeira, num contexto de CATÁSTROFE HUMANITÁRIA iminente (em Portugal, tb).

Não falamos do anúncio de Viviane Reding, Comissária Europeia para a Justiça e vice-presidente da Comissão Barroso, acerca dos “tecnocratas” do FMI. A troika está moribunda, diz Reding.
Talvez se ouçam aplausos ou murmúrios de satisfação. Por mim, não me convence.

O FMI já cedeu o posto à HIDRA Ecofin-BCE-Bundesbank há algum tempo. Reding não convence, apesar de ter sido capaz de afrontar Sarkozy.
Trata-se de uma afirmação que pode ser encaixada numa dinâmica mais global:
na Hungria, o governo Orbán solicitou, ao FMI, o encerramento dos escritórios em Budapeste. O Fundo acedeu. Uma pequena vitória para um governo de matriz autoritária, nacionalista e homofóbica.

No Japão, foi um governo nacionalista a adoptar medidas expansionistas que ajudarão a economia japonesa a crescer. Não é que isso seja uma prioridade, num país com indicadores de desenvolvimento humano como o Japão. Mas foi Shinzo Abe que nomeou Haruhiko Kuroda governador do Banco do Japão. O mesmo Shinzo Abe revisionista e nacionalista. Pequenos apontamentos de uma direita nacionalista que não tem vergonha de se sujar, está mais hábil que outrora e é um fenómeno global.

E andamos para aqui com espuma e idiotices, até chegarmos a Junho de 2014 e estarmos a falar precisamente das mesmas merdas de sempre:
a pureza de uns, o pragmatismo de outros, a revolução, a Revolução, a esquerda, a esquerda grande, a esquerda pequena, a esquerda não-institucional, institucional e aquela que devia ser trancada numa instituição de cuidados psiquiátricos, os movimentos orgânicos e inorgânicos, os sindicatos que não nos levam ao colo ou aqueles que defendemos até fazer sangue.

Chegaremos a 2014 e, se esta palhaçada não muda, haverá governo PS com uma estrutura de governo económico europeu consolidada.
Austeridade eternizada.
E, entretanto, do Rato à Rua da Palma, andamos nisto.

Quero a minha espuma com sabor a tequila, se faz favor.
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Avancemos para a Coligação Eleitoral de Esquerda ... ou preparemo-nos para a iminente CATÁSTROFE Humanitária, social, ... para o Caos ... e o inglório MATADOURO ou Sargeta.


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