De Zé das esquinas, o Lisboeta a 17 de Julho de 2013 às 14:32
De acordo! Pelo menos teoricamente.
O pior seria, uma vez eleitos, se estes novos esquerdistas unidos e eleitos contra esta cambada, não se tornariam outra cambada igual ou mesmo pior... para o país e para o povo evidentemente.
Agora, pelas vias ditas normais (democráticas), não há dúvida que é de arriscar.
Serviria ou para nos redimir ou para nos desiludir de vez e então, procurarmos uma 3ª via...


De .politiquices e coisas importantes. a 17 de Julho de 2013 às 19:05
Sobre a espuma dos dias e outras coisas estúpidas
(-por Luís Bernardo, 17/7/2013)

Tudo isto é espuma (e nem sequer do Adriá, que sempre teria mais graça). E, enquanto nos divertimos com espuma, os produtores de hegemonia riem-se da nossa discussão. Percebo que esta seja uma preocupação relevante para muitos dos que escrevem neste blogue, mas muitos dos que escrevem neste blogue já chegaram a duas conclusões que me parecem as mais relevantes:

1. O PS não é um partido ideológico. Logo, não é um partido de esquerda. É um partido pós-ideológico, uma máquina caça-votos, um partido catch-all.
Portanto, não é uma organização que possamos avaliar com os mesmos instrumentos e categorias que usamos para avaliar o PCP ou o BE.
Para mim, as tácticas usadas pelo PS, ontem e durante a semana passada, fizeram e fazem todo o sentido. É um bicho fundamentalmente diferente daquele que estamos habituados a ver – mais próximo de uma empresa que de uma organização partidária tradicional.

2. O BE é um partido esmagado entre as contradições da social-democracia, a deriva autoritária da União Europeia, os sinais da Grécia – mais dia, menos dia (se não aconteceu já), Catarina Martins ou João Semedo dirão que o Bloco quer ser a SYRIZA portuguesa, tal como feito pela Izquierda Unida e,
mais importante que isso, a percepção de que deve tornar-se uma solução de governo anti-austeritária.
Isso implicará um realinhamento programático, porque o BE não pode querer tornar-se uma solução de governo sem se realinhar com as preferências de um eleitorado (porque o partido entrou no jogo eleitoral, aceitou as regras desse jogo e isso determina tudo o resto) que não conseguiu atingir até ao momento.
O caminho escolhido é tortuoso e impõe duas notas de clarificação que ainda não foram feitas:
esses realinhamentos minam a matriz do partido-movimento e implicam compromissos que levarão o partido a apostar num eleitorado volátil.
É uma jogada possível e perigosa. Alguém na Rua da Palma leu o livro do André Freire e do Luke March com atenção. Resta saber se o leu com atenção suficiente.

E as conversas casuais, como a de ontem, não podem terminar com Fernando Rosas em pose desapontada, como se a indisponibilidade do PS fosse surpreendente.
O comunicado do PS diz tudo a esse respeito: no Rato, nada de novo. O socialismo na gaveta, a responsabilidade na manga e um calculismo hábil.
A resposta à manobra do PCP – porque também foi uma manobra – não poderia ser uma imediata expressão de interesse em conversações alargadas “à esquerda” sem compromissos ou sem termos definidores mínimos.
Os dirigentes do BE mostraram falta de jogo de cintura; mostraram não perceber que o PCP tem um eleitorado estável e uma base militante sólida, ainda que cada vez mais estreita; mostraram não perceber que uma reacção unitarista e ecuménica, nesta altura, teria de ter contornos mais discretos. Talvez seja este o outro ponto de sufoco do BE: a tentação do mediático e do grandiloquente. Não teria sido mais fácil desmontar os contornos messiânicos do discurso do PS, que se apresenta constantemente como partido essencial, partido fundamental, partido necessário, esquerda moderna? Essencial para quê? Fundamental para quê? Necessário para quê? Moderno, de facto, na configuração organizacional virada para a conquista de votos, mas nunca à esquerda. Sejamos claros: o PS não é essencial para nada, fundamental para nada, necessário para nada e a sua modernidade não augura algo de bom para a democracia eleitoral.

Por causa disto, não falamos de coisas também importantes. Eu diria “coisas realmente importantes”, mas fico-me por “também”.

Não falamos dos resultados do EU-SILC anunciados pelo INE. Surge alguma preocupação com os níveis de privação material enfrentados por mais de um terço da população portuguesa (ainda que o EU-SILC subestime esses níveis). A eficácia e eficiência das transferências sociais no combate à pobreza e privação parecem ter estagnado, embora o risco de pobreza antes de transferências sociais tenha aumentado. O risco de pobreza entre a população com mais de 65 anos, sem o sistema de pensões e transferências sociais que compensa esse risco – e que é um dos cavalos de batalha da escória reaccionária suportada pela troika, ascendeu a 87,5%


De .Em queda livre, em poço sem fundo. a 17 de Julho de 2013 às 19:19
Sobre a espuma dos dias e outras coisas estúpidas
(por L. Bernardo, blog.5dias.net)
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... O risco de pobreza ... ascendeu a 87,5% em 2011. Oitenta e sete e meio por cento.
Um terço, precisamente 33%, das crianças portuguesas está na mesma situação.
As políticas sociais dirigidas à compensação desse risco estão a perder eficácia à medida que a sobrecarga das despesas por agregado familiar aumenta, a intensidade laboral diminui drasticamente à medida que a precariedade aumenta.
E tudo isto pode ser instrumentalizado. Pode dizer-se que, “no primeiro ano da troika, a pobreza caiu para 17,9%”, sem ter que se explicar que os 4700 milhões a cortar são os mesmos que permitiram esse declínio.
E sem ter que explicar que as políticas públicas não funcionam como a Accenture, a Mckinsey ou outra consultora acham: demoram a surtir efeito, mas batem como um martelo.
Ainda não levámos com as consequências mais brutais da austeridade, e isso também importa reter.
Não estamos à beira de abismo algum: estamos em queda livre.
Não batemos no fundo do poço: o poço não tem fundo.

Mas não debatemos, neste blogue e entre organizações politizadas, a significância deste processo regressivo e reaccionário ou os modos empíricos de combatê-lo
– o que passaria por enfrentar vários tabus da esquerda não-institucional, como o problema de enfrentar situações de pobreza e privação extremas sem cair num assistencialismo ligeiramente menos paternalista. É feio? É.
A solidariedade e o compromisso colectivo são preferíveis? São.
Enquanto debitamos estes mantras, há trabalhadoras e trabalhadores em privação extrema por esse país fora. Percebemo-lo razoavelmente, e alguém debate “alternativas”.
Mas as alternativas não podem passar apenas pela recomposição de políticas sociais paliativas, um processo que depende de demasiadas variáveis que não controlamos e cuja prioridade me soa cada vez mais estrangeira, num contexto de CATÁSTROFE HUMANITÁRIA iminente (em Portugal, tb).

Não falamos do anúncio de Viviane Reding, Comissária Europeia para a Justiça e vice-presidente da Comissão Barroso, acerca dos “tecnocratas” do FMI. A troika está moribunda, diz Reding.
Talvez se ouçam aplausos ou murmúrios de satisfação. Por mim, não me convence.

O FMI já cedeu o posto à HIDRA Ecofin-BCE-Bundesbank há algum tempo. Reding não convence, apesar de ter sido capaz de afrontar Sarkozy.
Trata-se de uma afirmação que pode ser encaixada numa dinâmica mais global:
na Hungria, o governo Orbán solicitou, ao FMI, o encerramento dos escritórios em Budapeste. O Fundo acedeu. Uma pequena vitória para um governo de matriz autoritária, nacionalista e homofóbica.

No Japão, foi um governo nacionalista a adoptar medidas expansionistas que ajudarão a economia japonesa a crescer. Não é que isso seja uma prioridade, num país com indicadores de desenvolvimento humano como o Japão. Mas foi Shinzo Abe que nomeou Haruhiko Kuroda governador do Banco do Japão. O mesmo Shinzo Abe revisionista e nacionalista. Pequenos apontamentos de uma direita nacionalista que não tem vergonha de se sujar, está mais hábil que outrora e é um fenómeno global.

E andamos para aqui com espuma e idiotices, até chegarmos a Junho de 2014 e estarmos a falar precisamente das mesmas merdas de sempre:
a pureza de uns, o pragmatismo de outros, a revolução, a Revolução, a esquerda, a esquerda grande, a esquerda pequena, a esquerda não-institucional, institucional e aquela que devia ser trancada numa instituição de cuidados psiquiátricos, os movimentos orgânicos e inorgânicos, os sindicatos que não nos levam ao colo ou aqueles que defendemos até fazer sangue.

Chegaremos a 2014 e, se esta palhaçada não muda, haverá governo PS com uma estrutura de governo económico europeu consolidada.
Austeridade eternizada.
E, entretanto, do Rato à Rua da Palma, andamos nisto.

Quero a minha espuma com sabor a tequila, se faz favor.
-------xxxxxxx------

Avancemos para a Coligação Eleitoral de Esquerda ... ou preparemo-nos para a iminente CATÁSTROFE Humanitária, social, ... para o Caos ... e o inglório MATADOURO ou Sargeta.


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