De .Acordo SalvaTroika é cisão do PS. a 18 de Julho de 2013 às 14:21

Históricos socialistas pressionam o líder do PS a não assinar o acordo com a direita.

Ontem Manuel Alegre, hoje Mário Soares.
(-Carlos Abreu, 18 de julho de 2013 Expresso)


"Tenho a certeza de que não vai haver acordo entre PS e a direita do Governo, porque isso ia criar uma cisão no PS e só iria beneficiar o PCP". Palavras de Mário Soares, líder histórico do Partido Socialista proferidas ontem, na mesma altura em que o Presidente Cavaco Silva destacou os sinais "muito positivos" que saem das reuniões que decorrem entre PSD, PS e CDS com vista ao compromisso de "salvação nacional".

Em declarações ao "Público", Mário Soares disse ainda que "nos últimos dois dias, "tem havido um conjunto de pessoas do PS que [o] têm procurado a dizer que saem do partido se houver acordo".

O líder histórico dos socialistas acredita ainda que o atual secretário-geral, António José Seguro, nada fará que provoque uma cisão no partido.

"Acho que o Seguro é um homem de carácter e vai cumprir aquilo com que se comprometeu com Manuel Alegre e comigo e, portanto, não vai fazer acordo nenhum".

Recorde-se que já ontem, em declarações publicadas no jornal "i", outro histórico socialista, Manuel Alegre, tornou pública uma garantia dada por Seguro: "Estou convencido - e tenho a palavra do secretário-geral [António José Seguro] - de que o PS não vai fazer nenhuma cedência".

"Não podemos estar dos dois lados"

Entretanto, em declarações à Antena 1, Vítor Ramalho, da Comissão Polícia Nacional do PS admite que a eventual saída de militantes, referida por Mário Soares, é menos preocupante do que a forma como os portugueses passarão a olhar para os socialistas.

"O partido vai surgir aos olhos da opinião pública como um partido que deu a mão a um Governo que estava morto", disse Vítor Ramalho.

"O PS deixará de ser a referência da oposição ao próprio Governo. Nós temos que ser claros, não podemos estar dos dois lados", acrescentou.
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O acordo e o suicídio do PS
(H.Monteiro)
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À medida que o acordo se apresenta como uma possbilidade, aumenta igualmente o ruído de alguns que vêem na sua concretização uma machadada nas suas pequenas contas políticas. João Galamba, um mais ou menos eterno jovem do PS, disse que ele seria um suicídio para António José Seguro, embora eu não acredite que ele esteja assim tão preocupado com a saúde do líder do PS. Talvez esteja mais com a dele.

Quem viveu o suficiente já viu muita coisa. Há momentos de corte que são significativos e este é um deles. Como há quase 40 anos, o PS torna-se partido charneira. O futuro do país depende, em muito, do lado para o qual os socialistas pendem. Se então, como, mais tarde, em 1983, o PS tivesse ido atrás de certas teses com muito floreado e pouca responsabilidade, o PS ter-se-ia, aí sim, suicidado. Foi o facto de ter olhado para o país real, para as necessidades reais e não ter ficado enredado em prisões ideológicas sem sentido que fez com que o PS conseguisse salvar o país e salvar-se a si próprio. Hoje, estamos de novo, num momento assim. Mas há que dizer que ao esforço do PS tem de corresponder igual esforço do PSD e do CDS.

Creio que os partidos perceberão que a sua sobrevivência depende muito do que hoje fizerem.


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