De A HORA da Esquerda a 24 de Julho de 2013 às 13:43
A hora da esquerda
(-por Mário Machaqueiro , 22/7/2013)

Excelente análise, a que o Frederico faz aqui, e que tem o mérito de permitir pensar que possibilidades, na conjuntura actual, se abrem ou se fecham a uma alternativa de esquerda.

Há quem considere que, no quadro político-partidário em vigor, eleições antecipadas não irão alterar substancialmente as políticas austeritárias em curso. Confesso que hesito perante esta opinião. Digamos que tenho dias.
A verdade é que, num sistema reduzido a promover a alternância entre Dupond e Dupont, o acesso do Partido Socialista ao poder executivo poderá muito bem pautar-se, no essencial, pela replicação das medidas e do ideário subjacente ao memorando de entendimento.
Ora, como o Frederico sublinha, o PS deseja a quadratura do círculo, procurando agradar a gregos e a “troikanos”.
Parte dessa postura pode ser mera poeira nos olhos a pensar já nas eleições que, tarde ou cedo, serão antecipadas, ou um ingénuo “wishful thinking” que a “dura realidade” de uma Europa hegemonizada pela Alemanha se encarregará de destruir.
E, por falar na Alemanha, vários sinais apontam para que das próximas eleições alemãs saia uma posição ainda mais agressiva face aos países do Sul da Europa.
Portanto, contar com soluções dependentes da escala europeia (ou da União que se reclama desse adjectivo) é incorrer numa ilusão.
De uma maneira ou de outra, o PS, se insistir no caminho do austeritarismo “suave”, acabará confrontado com a exigência externa de novos ataques aos direitos sociais e laborais.
E quase tudo no passado desse partido indica que ele sucumbirá – com escassa relutância – a tais pressões, assumindo um papel idêntico ao que PSD e CDS adoptam no momento presente.

A menos que…

… haja no interior do PS correntes favoráveis a um entendimento com o PCP e o BE e que estas se possam revestir de influência suficiente para conduzir o PS às necessárias rupturas – a começar pela ruptura com o próprio memorando da troika.
Num quadro em que as mudanças políticas de vulto só se podem operar por via eleitoral, essa parece ser a única via para romper com os bloqueios institucionais e políticos que têm impedido a criação de alternativas dotadas de operacionalidade (é uma palavra feia, mas não me ocorre outra melhor).
Dir-me-ão:
com a actual direcção do PS, esperar por isso é tão ingénuo como esperar que esse partido resolva a quadratura do círculo acima referida.
É muito (mas mesmo muito) provável.
Porém, nesse caso, e na ausência mais do que previsível de um grande levantamento popular que arraste consigo a demolição do sistema vigente, teremos de nos confrontar com a nossa impotência.

É isso que queremos?


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