De .Acordo de outro tipo.. a 19 de Julho de 2013 às 10:06
Também apoio o "Acordo ..." desde que...


"It's the economy, stupid !" explicava Clinton. É o conteúdo "stupid" digo eu.
É que também concordo com a necessidade urgentíssima de um "acordo de salvação nacional". Mas de que acordo?
Ora aí está, é o conteúdo.
Vejamos, se o conteúdo do acordo for, por exemplo, mais ou menos assim:

- renegociar a dívida;
- devolver os subsídios roubados;
- não despedir as dezenas de milhar de funcionários públicos programadas;
- limitar drasticamente durante o período mais intenso da crise as reformas e pensões mais altas e não tocar nas mais baixas;
- limitar as remunerações da administração pública, Governo, PR, incluindo empresas, institutos e fundações do Estado, por um certo lapso de tempo, a um teto expressivo,
- reduzir a metade ou um terço, durante a crise o orçamento da PR, do Governo e da AR, a frota de carros do governo e do estado. Proibir a compra de carros de luxo para o estado,
- criar escalões de IRS de 80 e 90% (como fez Stalin ou Mao Tsé Tung? Não! Como fizeram os presidentes dos EUA, Roosevelt e Eisenhower, em situação de "salvação nacional" nos anos 40 e 50 ) para rendimentos familiares muito altos.
- Englobar, em sede de IRS, os dividendos em vez de os taxar baixinho.
- não privatizar a CGD nem nenhum das empresas do seu universo, como é o caso dos seguros;
- não privatizar a RTP, Águas de P., aeroportos, CP, ... nem nenhum outro bem estratégico para o país.

Em resumo obrigar a oligarquia financeira, seus aliados e empregados de luxo a arcar com o grosso dos custos da crise de que são responsáveis, poupar as suas vítimas e salvar o estado social.

Não há um "interesse nacional" ! Há vários e frequentemente antagónicos.

A gritaria que para aí vai sobre o "interesse nacional" é sobre o interesse da alta finança
internacional e nacional e respetivos aliados e clientelas.

E o "interesse" destas classes não é o "interesse" das classes médias e dos trabalhadores. Não é o "interesse" de 90% ou mais dos portugueses.

Nas matérias em discussão, no que respeita ao equilíbrio financeiro do Estado, o interesse dessas duas partes é rigorosamente oposto.
Quando estes "gatos" apelam, por esses media afora, a um "acordo de salvação nacional" é da salvação deles, gatos, que estão a falar e não do interesse dos "ratos" que nós somos, como na conhecida parábola canadiana "Ratolândia" que o Youtube oferece.
Não estamos a falar de "interesse nacional" comum a todos os portugueses como p.ex. a ausência de catástrofes naturais que interessa quer aos Srs banqueiros e quer ao professor ou ao trabalhador portuário, aos "gatos" e aos "ratos".
A lamúria que ai vai nos media, dirigida pelo governo e pela presidência da república sobre o "interesse nacional" é uma conversa de "gatos" para tentar convencer "ratos".

Acho que o PS fez bem em aceitar "dialogar" com os partidos do Governo e acho que o mesmo deveriam ter feito o PCP e o BE,
não porque haja qualquer esperança fundada em trazer este governo vendido à troica/aos credores/a Merkel a posições opostas às que o têm orientado e levado o país à ruina
mas para pôr em destaque perante a opinião pública as diferenças de conteúdo do acordo/desacordo.

Se o PS claudicar, aceitando o plano austeritário do governo para a destruição do estado social, ainda que recauchutado com umas alterações pouco significativas para enganar eleitor, terá a merecida recompensa do eleitorado.
Se se portar bem terá o voto dos eleitores. Aguardemos.

O comunicado do PS após o encontro proposto e realizado com o BE é um mau indício a revelar o pior do PS.
Já quanto ao PCP parece que continua, apesar de muita gente capaz que lá tem, firme no seu desígnio de fazer acordos só com os Verdes e com a Intervenção Socialista, isto é, consigo próprio.

Entretanto o Presidente foi com o Sr que o trata por Sr. Silva, o "Alberto João", visitar as cagarras na Selvagem Grande, ali onde Portugal quase pega com as Canárias, para se distrair ou para nos distrair da crise?

# posted by Raimundo Narciso , PuxaPalavra, 18/7/2013


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