De .Interesses privados e desgoverno. a 19 de Julho de 2013 às 10:25

Interesses que não são nacionais

Se Daniel Bessa e Nuno Fernandes Thomaz passam por “personalidades de vários quadrantes”, então também passam por “empresários”.
Os quadrantes do último abaixo-assinado resumem-se a um:
Cavaco, a sua tropa-fandanga e o seu esforço para tirar irrevogavelmente o S ao PS.
De resto, não sabia que passar de Secretário de Estado do mar para a CGD, com umas actividades numa dita boutique financeira pelo meio, ou que dirigir uma parceria público-privada que organiza umas jantaradas e umas conferências-almoçaradas sobre inovação e tal qualifica alguém como empresário.

Mas certamente que os qualifica como Pessoas Muito Sérias (**), muito empenhadas na salvação nacional, na competitividade e noutras fraudes.

Estão qualificados desde que deram as boas-vindas à troika, a melhor coisa que nos tinha acontecido, diziam, a melhor coisa que lhes aconteceu, sabemo-lo desde sempre.

Agora falam com pungência do desemprego, os hipócritas, mas acham que os cortes já feitos ainda não chegam.

Dizem que é para recuperar a soberania, como se este conceito fizesse algum sentido num enquadramento europeu que é o seu melhor aliado externo.

É claro que teria sido tudo diferente, dizem ainda, se o governo tivesse começado pela “reforma do Estado”.
O governo não andou a fazer outra coisa:
tratou-se sempre de fragilizar, de despedir e de privatizar, de facilitar negócios com benefícios privados e custos públicos.

Os efeitos depressivos são evidentes, mas pouco lhes importam.
Eles estão protegidos pelo seu instinto, que não é empresarial, mas sim de classe.

Se o PS assinar o tal acordo, e espero mesmo que não o faça, dou-lhes os parabéns.
Ganhariam essa batalha.
Para que possamos vencer a guerra, alguém terá de cuidar do S.

PS. Estou mesmo a precisar de umas férias, pelo menos uma semana sem escrever sobre esta nossa viciosa economia política. Não irei para as selvagens, mas andarei por perto. Boas férias e boas leituras, sem fraudes, por aqui ou por outros lugares.

(-por João Rodrigues, Ladrões de B., 18/7/2013)
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(**)- Pessoas Muito Sérias
(http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2013/06/pessoas-muito-serias.html , 3/6/2013)

Augusto Mateus é uma das Pessoas Muito Sérias de Portugal*. Ser uma Pessoa Muito Séria consiste em falar de “Competitividade” com Muita Seriedade e em dizer que estamos onde estamos porque nos “cansámos”, porque não tivemos força de vontade para fazer com que estruturas da integração europeia que não foram feitas para nós resultassem para nós. Ser uma Pessoa Muito Séria implica falar de vontade, de mentalidade e de sacrifícios que “todos” temos agora de fazer, de austeridade inevitável por todo o lado, até porque andámos a fazer demasiadas viagens e a comprar demasiadas “televisões fininhas”. O problema é a falta de seriedade da maioria, no fundo. É claro que as Pessoas Muito Sérias sabem que é preciso austeridade e crescimento também. Segundo um estudo Muito Sério para a fundação de outra Pessoa Muito Séria – as Pessoas Muito Sérias tendem a ter dinheiro a sério ou a trabalhar para quem o tenha – investimos muito na coesão e pouco na competitividade. Desculpem, na Competitividade. A minha única esperança é que este povo pouco sério recuse continuar a fazer força enquanto as Pessoas Muito Sérias continuam a gemer.

*A expressão “Very Serious People” foi popularizada por um economista pouco sério.


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