De .Emigração/ saldo de recursos. a 13 de Setembro de 2013 às 14:23
A riqueza das nações

«A emigração irrompeu nos anos mais recentes, atingindo níveis semelhantes ao grande êxodo registado em Portugal nos anos sessenta. Fontes oficiais e investigadores apontam para que pelo menos 100 mil pessoas estejam a abandonar anualmente o país, o que equivale à saída de uma pessoa em cada cinco minutos e aproxima Portugal das taxas de emigração da Irlanda. "Num país com 10 milhões de pessoas, isto representa uma enorme vaga de emigração", diz Peixoto, sociólogo do Observatório Português da Emigração. A diferença, desta vez, é que ao contrário dos trabalhadores que deixaram o país nos anos sessenta, com baixas qualificações e na sua maioria rurais, os emigrantes de hoje possuem frequentemente graus universitários e elevadas competências profissionais. "Estamos a perder alguns dos nossos melhores e mais brilhantes", diz Peixoto. "As pessoas que estão a sair do país neste momento são jovens, urbanas e escolarizadas".»

Peter Wise (Financial Times), Portugal sees exodus of skilled workers seeking better prospects

Os anúncios sucedem-se, do norte e centro para o sul europeu: «Bélgica procura portugueses para oito mil empregos», «Alemanha procura jovens portugueses que queiram estudar e trabalhar no país», «Noruega procura engenheiros», «Três hospitais de Inglaterra estão em Lisboa à procura de 200 enfermeiros». Portugal é hoje a uma reserva disponível de mão-de-obra qualificada e desaproveitada, que fica à disposição de economias de outros países. De economias que nem sequer precisaram de investir na formação e qualificação daqueles a quem se está a negar um futuro, no seu próprio país.

O gráfico ali em cima, que acompanha a notícia do Financial Times, é uma imagem assaz eloquente do rotundo falhanço da «estratégia de empobrecimento e competitividade», desenhada pelo governo e pela Troika, que assenta em ajustamentos centrados no «factor trabalho», como dizia Cavaco Silva. Nos termos dessa estratégia, a descida dos salários tornaria a economia portuguesa mais competitiva, promovendo o aumento das exportações e fazendo crescer, por essa via, o investimento e a criação de emprego. Se estivesse certa, essa mesma estratégia teria feito com que a linha do desemprego tivesse começado a descer há muito tempo, acompanhando assim a tendência de descida dos custos salariais.

Mas as coisas não se passam, de facto, como o governo supõe. O plano da maioria PSD/PP não só parte de pressupostos errados (os salários não são o problema central do nosso défice de competitividade) como despreza, obstinadamente, a procura interna (que é esmagada pela própria descida dos salários, directos e indirectos, e pelo desemprego). Uma vez falhada a receita, o resultado óbvio consiste no aumento consecutivo do número de pessoas que, perante uma economia tornada deliberadamente medíocre, são compelidos a emigrar, em benefício de países e economias que assim fazem bons «negócios» de ocasião.

Nos tempos das caravelas e da dominação colonial, a riqueza das nações residia essencialmente nas matérias-primas (recursos minerais, vegetais, etc.) que os colonizadores tratavam de explorar e delapidar. Hoje, nos tempos da economia do conhecimento, da inovação e da qualidade, uma parte crucial da riqueza das nações são os seus recursos humanos, sobretudo os mais qualificados. Ora, é justamente essa riqueza que está à mercê dos «novos colonizadores», quase se podendo dizer, por comparação (e passe a piada fácil), que o interesse por especiarias apenas se converteu no interesse por especialistas.

Postado por Nuno Serra , 12/9/2013


De Demagogia PSD, Burlões, DesGoverno. a 13 de Setembro de 2013 às 16:47
Esperteza saloia
por FERNANDA CÂNCIO,

Como é que o principal partido da oposição decidiu reencarar a reabertura parlamentar em setembro? Dizendo:
preciso baixar os impostos, é preciso aliviar os portugueses da austeridade, que temos de crescer. (7 setembro de 2013, Passos Coelho, primeiro-ministro)

O aumento de impostos que já está previsto no documento que assinámos com a "troika" da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional já é mais do que suficiente. Não é preciso fazer mais aumento de impostos. (maio 2011, Passos Coelho, presidente PSD)

A ser necessário, só consideraríamos mexer em impostos sobre o consumo e não nos impostos sobre o rendimento das pessoas e nem nas pensões e reformas. (março 2011, Miguel Relvas, secretário-geral PSD)

Os impostos têm um efeito recessivo sobre a economia. A ideia que se foi gerando em Portugal de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento. (março 2011, Passos Coelho, pres PSD)

Os impostos só devem aumentar com circunstâncias especiais e só por incompetência o governo pode pedir mais impostos porque não se tem mostrado diligente com o dinheiro dos outros. (outubro 2010, idem)

A carga fiscal actual, a maior de sempre em Portugal, é inadmissível, um disparate (abril 2011, Diogo Leite Campos, vice-presidente PSD)

Todos os ordenados até 2.500 euros/mês têm de ser revistos e apoiados.
É preciso manter as prestações sociais, reduzir impostos, etc. (...)
Para o objectivo de quatro anos, o principal é proteger todas as famílias que ganhem até 2.500 euros. (idem)

Ao contrário do que se diz, os funcionários públicos não são de mais. Estão é mal aproveitados (ibidem)

Garanto que não financiaria a redução do défice recorrendo, sobretudo, aos salários dos funcionários públicos. (outubro 2010, Passos Coelho, pres. PSD)

Não estão em causa despedimentos na função pública. Aliás, nós temos muito respeito pelos funcionários públicos.
O PSD é contra toda e qualquer tentação no sentido de eliminar ou atacar a ADSE ou os subsistemas de saúde na função pública. (maio 2011, Eduardo Catroga, nomeado pelo PSD para negociar com a troika e co-autor programa eleitoral PSD)

Temos 700 mil desempregados, esperamos ao final de quatro anos ter conseguido diminuir em 200 mil o número. ( abril 2011, Diogo Leite Campos)

O PSD não viabializará um orçamento que estrangule a nossa capacidade de crescer e que onere ainda mais os portugueses no pagamento de impostos. Se o PM quiser colocar a questão no tudo ou nada, teremos de dizer que se trata de uma chantagem inaceitável, que não é séria." (outubro 2010, Passos Coelho)

Como é que nós conseguimos construir o futuro com demagogia desta maneira? Há algum governo que goste de lançar austeridade sobre o seu povo? (setembro 2013, Passos Coelho)

Que maneira de fazer política! Que tristeza! Como é possível que ainda alguém pense que esta esperteza saloia pode render votos em Portugal? (idem)


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres