4 comentários:
De PPP e chorudas rendas a privados.- Ponte a 5 de Junho de 2014 às 12:11
"Poço Vasco da Gama" (PPP e chorudas rendas a privados)

«A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o estado não teria dinheiro para construir a infra-estrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo estado português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6,0%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%). O verdadeiro investidor foi o estado português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo de anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros.

Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo sem lhes pagar o respectivo dízimo.

Para piorar a situação, o estado negociou, ao longo de anos, sucessivos acordos para "a reposição de reequilíbrio financeiro", através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento de taxas de juro. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.

Aqui chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativem as receitas da "25 de Abril" e sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.»
– Paulo Morais, no CM. (via http://opaisdoburro.blogspot.pt/ , 3/6/2014)


De Electric., Renovaveis, PPP, custos. a 17 de Janeiro de 2014 às 15:36
---- A reforma estrutural com efeito imediato nas contas externas

(- M.Abrantes, 17/1/2014, CamaraCorporativa, http://corporacoes.blogspot.pt/2014/01/a-reforma-estrutural-com-efeito.html )

Quase 60% da electricidade consumida em 2013 foi de origem renovável

• Pedro Silva Pereira, A reforma estrutural da energia:
‘No meio dos muitos números que têm desfilado na agenda mediática, há um que não devia passar despercebido:
em 2013, soube-se agora, 58,3% da energia eléctrica consumida em Portugal foi produzida a partir de fontes renováveis, dando aproveitamento aos recursos nacionais.
Dada a centralidade da questão energética, este resultado prova que o investimento nas energias renováveis, feito na década que muitos diziam "perdida", foi afinal a mais importante reforma estrutural da história recente da economia portuguesa.

Em apenas meia dúzia de anos, entre 2005 e 2011, a capacidade instalada de produção energética a partir de fontes renováveis cresceu em Portugal de 6267 para 10322 MW.
Este enorme aumento ficou a dever-se, sobretudo, ao investimento em dois sectores:
o sector hídrico, cuja capacidade instalada evoluiu, nesse período, de 4752 para 7547 MW;
e no sector eólico, que aumentou de 1047 para 4301 MW, distribuídos por 2613 aerogeradores e 226 parques eólicos.
O resultado está à vista:
no ano passado, 23% da produção eléctrica nacional foi assegurada pela energia eólica e quase 60% foi garantida pelo conjunto das energias renováveis.
E tudo isto com uma particularidade importante:
a aposta nas renováveis foi acompanhada de medidas políticas que levaram à criação em Portugal de um novo "cluster" industrial de elevado valor tecnológico, que gerou emprego qualificado e rapidamente se afirmou no quadro das nossas exportações.

Graças ao investimento nas energias renováveis, Portugal começou a enfrentar, finalmente, um dos mais graves problemas estruturais da economia portuguesa:
o problema crónico da dependência energética nacional, responsável por quase metade do desequilíbrio das nossas contas com o exterior.
Segundo os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia, a aposta política nas energias renováveis fez reduzir, de forma expressiva e consistente, a dependência energética nacional, que em 2005 chegou a atingir os 88,8% e em 2012 já tinha caído para cerca de 77%.
Na mesma linha, o comunicado conjunto da Associação Portuguesa de Energias Renováveis e da Quercus, divulgado esta semana, revela que a elevada produção de electricidade a partir de fontes nacionais renováveis verificada em 2013
permitiu não só reduzir substancialmente a importação de electricidade mas
também poupar (mesmo sem contabilizar o contributo da grande hídrica) cerca de 806 milhões de euros na importação de combustíveis fósseis (gás natural e carvão)
e 40 milhões de euros em licenças de emissão de dióxido de carbono (que teriam sido necessárias se fosse preciso recorrer às centrais tradicionais, altamente emissoras de gases com efeito de estufa).

A decisão política de investir nas energias renováveis fez, pois, toda a diferença.
E fez a diferença porque não se limitou a enunciar objectivos longínquos ou a descrever no papel uma reindustrialização imaginária.
Pelo contrário, gerou movimento e criou oportunidades.
Assumiu uma visão para o futuro do País, mobilizou recursos e fez obra; lançou indústrias e deu empregos; traçou metas e cumpriu.
Por consequência, Portugal saltou para a dianteira dos ‘rankings' internacionais, ousou desafiar o destino medíocre que alguns lhe julgam reservado e tornou-se uma referência mundial num sector altamente competitivo, de tecnologia avançada.

Que a aposta nas energias renováveis tenha sido escolhida como um dos alvos prioritários a abater, ... "acima das nossas possibilidades", diz tudo sobre o sentido das "reformas estruturais" de que tanto nos falam.
E o sentido, para onde quer que se olhe, é só um: retrocesso.’

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Bem, isto seria verdade se o investimento resultasse de poupança (pública ou privada) nacional. , como esses investimentos foram feitos com recurso a dívida externa, a dependência em relação ao exterior é um falso argumento
pois há pagar a factura capital+juros+taxas PPP ...
+ o elevado custo pró consumidor ...
e o lucro EDP que passou para a China ...


De ...com quem anda o PM... e poderes... a 16 de Setembro de 2013 às 15:54
----- 6.9.13, (JPP)

OUT OF THE BOX: ESCOLHAS

Posso formular a questão nestes termos: quantas vezes, no último ano, Passos Coelho esteve na mesma sala com Arménio Carlos da CGTP ou com Carlos Silva da UGT, ou Bettencourt Picanço, que é um militante do PSD, e quantas vezes esteve com Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Jorge Tomé, Luís Amado, Mira Amaral, etc. Quantas vezes esteve com banqueiros, ou gente da banca e quantas vezes esteve com sindicalistas? A pergunta pode parecer bizarra até porque ninguém a faz, mas tem todo o sentido. Nem sequer me estou a referir a audiências mais ou menos protocolares, mas a eventos que o Primeiro-ministro organiza, frequenta, ou participa. Os banqueiros que se sentam com o primeiro-ministro em sessões organizadas pela imprensa económica, por exemplo, por organizações empresariais, em visitas às empresas, ou em “cerimónias” a anunciar investimentos e programas governamentais.
...
A questão não está em que os sindicalistas sejam expendables para o Primeiro-ministro. Não são, nem para o governo que procura no institucionalismo e nos interesses estatais dos sindicatos (o nosso sindicalismo depende muito do estado, principalmente a UGT) um factor de moderação e legitimação que sabe que não tem nos seus representados. Por isso os sindicalistas são “precisos”, mas apenas de forma utilitária, enquanto os banqueiros são precisos de forma substancial.

O governo não vê de facto os portugueses como iguais: pode entrar em considerações de número (em períodos eleitorais) mas entra muito mais em considerações de dinheiro. Portugueses há muitos e dinheiro há pouco. Poder no dinheiro há muito, nos portugueses nenhum, a não ser para umas publicidades optimistas e pirosas. São escolhas.


----- JPP, 1/9/2013
O NAVIO FANTASMA (36): A VINGANÇA E A DERIVA

Toda a linguagem do Primeiro-ministro é de vingança, medo, e representa uma deriva cada vez menos democrática.
Alguém lhe explique que em democracia há três poderes, executivo, legislativo e judicial.
O executivo desde sempre "engoliu" o legislativo através da domesticação de partidos e deputados.
Agora falta o poder judicial.
Note-se a palavrinha "poder", que é o que lhe provoca fúrias.
Sem leis tudo seria mais simples.
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De .Revolta e Rebeldia. a 16 de Setembro de 2013 às 09:46
de Natália Correia (via LNT [0.296/2013]): sentimento trágico da vida:

«
Não há revolta no homem / que se revolta calçado.
O que nele se revolta / é apenas um bocado
que dentro fica agarrado / à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente / e parte em filosofia
é porventura a semente / do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido / sem descobrir o sentido / do que nos há-de matar.

Rebeldia é o que põe / na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte / que nos mata devagar.

E só depois de informado / só depois de esclarecido / rebelde nu e deitado / ironia de saber / o que só então se sabe / e não se pode contar.
»


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