De .Portugal Vende-se ... aos abutres 1% ! a 20 de Setembro de 2013 às 16:01
«Assim se ganha dinheiro !», ou uma breve ilustração da economia capitalista moderna.

(-por Jorge Valadas, 17/9/2013, http://viasfacto.blogspot.pt/ )

Num documento do Fundo Monetário Internacional (citado numa edição recente de Le Monde Diplomatique) pode ler-se que,
aproximadamente 93% dos ganhos do «crescimento» observados nos Estados Unidos durante a recente tímida retoma económica foram distribuídos pelos 1% dos mais ricos.
Os tais 1% popularizados pelo movimento Occupy Wall Street, confirmando a tendência segundo a qual, quanto mais «crescimento» há, mais a pobreza alastra e mais a riqueza se concentra.

O empobrecimento de massa das sociedades, a acentuada baixa dos custos de trabalho são, para a classe capitalista, os parâmetros essenciais no processo actual.
Não obstante, os resultados obtidos não parecem ser suficientes para restabelecer a rentabilidade necessária e o investimento produtivo estagna ou continua a baixar,
entrando assim a economia capitalista num processo prolongado de morte lenta, durante o qual as forças capitalistas, tais abutres, desmembram e partilham os melhores restos do doente.

De facto, o que dá hoje pelo nome de «retoma» mais não é que a retoma da especulação e da concentração financeira.
E o sistema de produção continua a não dar sinais que permitam perspectivar um novo ciclo dinâmico de acumulação e de expansão da produção.
Se o «crescimento» não se traduz num alargamento da base de produção, se os lucros gigantescos não se reinvestem em novo capital produtivo, então é o sistema que está a minar a sua própria essência capitalista.
Os frágeis sinais que os funcionários da propaganda avançam como prova da iminente retoma são rezas de padre destinadas a animar o cortejo dos pobres.
Um exemplo ridículo desta propaganda foi dado, o mês passado, em França, quando uns observadores mais zelosos das estatísticas revelaram que
os 0,2% de «crescimento» do PIB anunciado com música e foguetório correspondia ao aumento do consumo da energia durante os primeiros meses de uma Primavera fria a chuvosa, que tinha obrigado os cidadãos a ligar os aquecedores domésticos.
Assim vai a mentira da economia, assim vão os seus economistas.

Alguém conhece ou ouviu falar de uma empresa chamada Hipoges ?
Criada em Madrid, por um tal Juan Vizcaíno, formado na famigerada Lehman Brothers, esta mercearia especializa-se na «gestão de activos tóxicos».
Nada a ver com Fukushima! Trata-se de negócios de abutres, justamente.

Os negócios da crise, a compra de tudo o que esta à venda ao desbarato, palácios e edifícios do Estado e municípios, parques naturais, bens públicos,
alojamentos expropriados ou ocupados por quem, de repente, não pode pagar alugueres ou créditos.
Pois não é que o senhor Vizcaíno acaba de abrir uma sucursal em Lisboa, onde os activos tóxicos também abundam e os políticos são complacentes com estas negociatas?
Estamos a falar de um mundo de gente fria, sem sentimentos, motivada pela possibilidade de «fazer dinheiro» com a miséria do mundo.
Esta excelente reportagem do El Pais, dá-nos a conhecer esta bicharada, agentes do capitalismo predador contemporâneo.
Como diz um deles com cinismo, «Assim se ganha dinheiro!». Ou melhor, a crise é a boa oportunidade.
Chama-se a isto em português «estar entregue aos bichos»!

¿Quién compra España? España está en venta.
e Portugal também !


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