Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013

Abstenção não é solução  (é 'voto'/ajuda ao 'centrão')

 
 Para ver resultados nacionais e em todas as autarquias:  
  http://autarquicas2013.mj.pt/  
 
 e  Novo mapa autárquico, 2013  (Expresso)

 


Publicado por Xa2 às 07:29 | link do post | comentar

20 comentários:
De .Nº votos absoluto e + Abstenção. a 1 de Outubro de 2013 às 11:30
Arco da governabilidade (aka: partidos da troika) perde cerca de 750 mil votos
(-por Renato Teixeira, 30/9/2013, 5dias)


O comparativo em número de votos absolutos é o melhor indicador para analisar a evolução do comportamento do eleitorado.

Em 2009:

PS: 2.027.195
PSD: 1.237.259
PPD/PSD.CDS-PP: 513.593
CDU: 533.701
CDS: 167.001
BE: 162.046
MRPP: 13.419
PNR: 1.202
Brancos e Nulos: 158.372
Votantes: 5.365.705

Em 2013:

PS: 1.757.022
PSD: 802.060
PPD/PSD.CDS-PP: 371.903
CDU: 546.555
CDS: 147.014
BE: 116.878
MRPP: 22.494
PNR: 2.976
Brancos e Nulos: 329.600
Votantes: 4.840.231

O arco da governação (aka partidos da troika: PS, PSD e CDS) perdeu cerca de 750 mil votos.
Assim, o número de votos perdidos é quase tanto quanto o número de eleitores que (ainda) votaram no PSD e metade dos que (ainda) votaram no PS.
Diga-se, sobre esse indicador, que só o PS perdeu cerca de 300 mil votos, sete deles na capital.
A CDU ganhou 13 mil.
O BE perdeu perto de 50 mil.
O MRPP dobrou a votação e o PNR triplicou, ainda que no caso destes sem chegar aos 3 mil votos.

Brancos e Nulos sobem para quarta força política, à frente de CDS e BE (mesmo somados), numa eleição onde mais de meio milhão de eleitores se juntou à abstenção.
Continuem a cantar vitórias a fingir, continuem.
A insurreição agradece.


De .é tempo de: Unir e contra-atacar.BASTA. a 1 de Outubro de 2013 às 11:41
O povo contra-ataca
(por Lúcia Gomes )
...
Mas ontem, ao ouvir os deprimentes comentários, com a televisão pública e a SIC a cingirem-se aos comentários de dois partidos (apenas e curiosamente a TVI fez ouvir 5 partidos, não falando dos canais de cabo) dos fazedores de opinião que já foram governantes e as declarações – particularmente – do PS e do CDS, vejo que não há limites para a sem-vergonhice.

Paulo Portas ou João Almeida a tentarem apropriar-se de vitórias que não são do seu partido, as ditas “independentes”, nomeadamente a de Rui Moreira (que já se previa) em que quem ganhou foi o capital portuense (e quando digo o capital, refiro-me mesmo ao muito dinheiro que movimenta Rui Moreira e os seus círculos) continuando o parasitismo típico do CDS. Um partido pouco representativo (quer em militância quer no tecido social português), que eleitoralmente é praticamente inexistente, mas de manobras percebe bem. De se colar ao poder, passeando entre os intervalos da chuva como se jamais tivesse algo a ver com as decisões governativas (e tão responsáveis são em matéria de perseguição aos beneficiários da Segurança Social, nomeadamente os falsos recibos verdes e no fim das prestações sociais num ódio bafiento à pobreza), de se auto-denominarem poder, de se coligarem estrategicamente depois das eleições sabendo que jamais o povo lhes daria o seu mandato.

O CDS não ganhou nada. Mas o PS também não pode cantar vitória. Perder câmaras como Braga, Guarda, Évora… Perder votos em inúmeras cidades, perder vereadores, ser solução de retaguarda para quem não quer votar PSD mas tem “medo” ou preconceito de votar num outro partido, nomeadamente a CDU.

Um PS que está longe das pessoas, que sufragou todas as políticas governamentais (perdendo mesmo a noção do ridículo ao vir saudar a decisão do TC quanto ao Código do Trabalho quando o apoiou e não subscreveu o pedido de inconstitucionalidade), um PS que assinou o pacto com a Troika, agredindo todo o povo português e fazendo tábua rasa da Constituição. Um PS que nada ganhou nas eleições autárquicas que não seja uma ilusão de que é um partido em que as pessoas confiam.

Um PSD moribundo, em guerra civil, assumindo «responsabilidades pessoais» (aliás, como fez o BE), rejeitando a vontade popular e a decisão que é uma demonstração de que as pessoas estão fartas. Um PSD chantagista, criminoso, agressor que se confrontou, contra a sua convicção de que «o povo é sereno» e o seu autoritarismo, com a soberana vontade de quem não votou neles.

A vitória dos “independentes” ou dos “grupos de cidadãos” que mais não são do que a resposta tosca de militantes mais do que conhecidos que se chatearam porque os não deixaram protagonizar mais um número de projecção pessoal que foram enfatizados pela comunicação social como a cidadania em acção em projectos que nada têm a ver com a luta ou movimentação popular, mas a manipulação partidária do PS e PSD para se desresponsabilizarem de décadas de políticas miseráveis.

As televisões que deixaram de mostrar os mesmos de sempre e arrancaram as críticas aos que estão habituados a fazer política atrás de uma câmara de filmar ou nos jornais – PSD, PS e BE foram os grandes derrotados pela comunicação social e tiveram que estar na rua, com as pessoas. É desconfortável para eles, bem se sabe, e o resultado está à vista.

A grande resposta, demonstrando que não cedemos a chantagens como as de Passos Coelho a fazer birrinha com a ameaça de que a troika vem aí novamente (exactamente o que fazia eu à minha irmã quando ela tinha dois anos, para que comesse a sopa ou hoje, nos seu 4 anos e na sua vontade legítima de decidir o que veste e demora horas, a troika espreita para lhe tirar os livros ou os brinquedos), não acreditamos em falsas soluções como as do PS, que fará o mesmo que o PSD, que não nos fazem de parvos e que o povo está a contra-atacar está a ser dada.

Está a ser dada nas urnas, mas, e será dada nos dias que se seguem. A 19 de Outubro, atravessaremos as pontes deste país com a CGTP e todos os trab.
vamos encher novamente as ruas com manifestações de todo o país convocadas pelos movimentos sociais sob uma ideia de unidade – Que se Lixe a Troika (26 out.) – Não há becos sem saída, onde em S, Bento, em Lisboa, se exigirá a queda do govern


De Roubo mas faço .vs. Roubo, pago e penali a 3 de Outubro de 2013 às 09:40
Roubo mas faço
(por Daniel Oliveira

Em frente a um estabelecimento prisional, centenas de carros buzinam enquanto os seus condutores gritam o nome de um dos presidiários. Trata-se de um político local preso por corrupção. O seu delfim ganhou as eleições e o povo, feliz, quer dividir aquele momento com o seu herói encarcerado. Esta vitória foi dele. Ninguém nega que ele roubou. Roubou mas fez. Esta cena não se passa numa qualquer pequena cidade perdida no Brasil dos coronéis. Não se passa no México do narcotráfico ou numa nova ditadura nascida da ex-URSS. Passou-se em Oeiras, o concelho com maior percentagem de licenciados de Portugal, um país democrático e supostamente desenvolvido da União Europeia.

Explicar isto sem ser deselegante para com os meus concidadãos não é fácil. Opto, por isso, por falar dos mitos que são abalados pelo resultado de Paulo Vistas e da sua lista de homenagem ao presidiário Isaltino.

Não é verdade que a descrença crescente dos portugueses na democracia e nos políticos resulte de uma qualquer exigência ética. Não é a corrupção que cria desconfiança perante a classe política. Mesmo os portugueses mais ilustrados toleram bem a corrupção, desde que "deixe obra" para si. Muito menos é a impunidade que cria revolta. Quando a justiça faz o seu trabalho o eleitor trata de o desfazer.

Muitos dos que votaram na lista de Isaltino aplaudirão com entusiasmo as intervenções públicas de Paulo Morais e até as diatribes de Marinho Pinto. A corrupção incomoda-os. Mas o que os incomoda não é o roubo. É serem eles os roubados. Se o corrupto lhes deixa alguma coisa a corrupção deixa de ser um problema. Porque é apenas o seu interesse pessoal, e não a exigência ética que nasce da pertença a uma comunidade de valores, que determina as suas escolhas políticas. É por isso que, para muitos portugueses, os seus direitos são direitos e os direitos dos outros são privilégios, a sua greve é justa e a greve do outro é um transtorno.

O combate à corrupção não se faz com discursos inflamados contra os políticos. Faz-se através de uma ideia de solidariedade entre cidadãos que veem os recursos públicos como pertença de todos e o seu uso indevido como uma falha sempre grave, seja qual for o beneficiário. Só que, ao contrário do que se costuma dizer, Portugal não é um país especialmente solidário. O que é normal, tendo em conta os seus altíssimos níveis de desigualdade. A solidariedade nasce da pertença a uma comunidade. Essa pertença só acontece quando há empatia. A empatia precisa de proximidade. E a proximidade exige mínimos de igualde social e económica. As sociedades desiguais são egoístas e, por isso, pouco escrupulosas na sua ética coletiva. E assim é Portugal.

O fascínio que os eleitores têm pelas listas independentes não resulta apenas de uma qualquer doença partidária que promova a corrupção e o compadrio. Com isso, a maioria dos eleitores vive sem qualquer problema. A desconfiança em relação aos partidos é, em Portugal, antes de mais, uma desconfiança em relação às suas formas pouco democráticas de seleção de pessoal político. Uma desconfiança justa e legítima (tratarei amanhã), porque retira aos eleitores a possibilidade de escolha. Mas que nada tem a ver com qualquer tipo de exigência ética.

A descrença nos partidos também resulta da crise económica, pela qual estes são responsabilizados. Mas a alternativa em que muitos cidadãos apostam é o atalho mais fácil: alguém que deixe obra passando por cima das regras e da lei. A maioria dos eleitores comunga do pragmatismo amoral de muitos políticos: desde que sobre alguma coisa para mim, que se danem os bons costumes. E se a maioria dos eleitores é egoísta e pouco exigente é natural que os políticos também o sejam. Afinal de contas, vivemos numa democracia representativa. Os que elegemos limitam-se a representar o que nós próprios somos. Não, o país não se divide entre políticos, por um lado, e os portugueses, suas vítimas.

Por fim, este episódio recorda-nos que, ao contrário do que se costuma pensar, não é a educação que garante uma democracia saudável e exigente. Essa falta de exigência não resulta de ignorância. As pessoas mais qualificadas não são eticamente mais rigorosas.
O bom funcionamento da democracia tem a ver com regras. ....


De Poucas Regras/leis, claras e Justiça ráp a 3 de Outubro de 2013 às 09:49
«'Roubo mas faço' ».versus. «se Roubo, pago/reponho, sou penalizado e impedido de exercer mais cargos públicos.!! » (ou Arbitrariedade e Crime vs Lei e Justiça)
--------------------------
Roubo mas faço
(por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online, 2/10/2013)
... ...
... regras. É a definição de poucas mas invioláveis regras que permite não misturar tudo no mesmo saco, como se tudo (do pequeno atraso fiscal à corrupção) tivesse a mesma gravidade e relevância.
Definir linhas éticas claras e não nebulosas de suspeição, onde, como todos cabem, nada chega a ser realmente grave.
São essas regras que criam, mesmo na cabeça dos eleitores, um ambiente de exigência formal ou um ambiente propício à corrupção.
São elas que acabam por instituir que há práticas inaceitáveis.

Se Isaltino Morais tivesse sido travado no primeiro momento em que prevaricou e tivesse perdido imediatamente o lugar não teria tido oportunidade de criar as teias de interesses que criou.
E não teria conseguido passar a ideia de que o crime compensa.
E que compensa a ele e compensa aos eleitores, que se comportam como seus cúmplices.
Nunca se poderia dizer, sobre ele, que "rouba mas faz".
Porque a regra seria esta: "quem rouba não faz".
Porque não roubar tem de ser a primeira condição para fazer seja o que for no Estado.
Não precisamos de políticos puros, que nunca tenham falhado como cidadãos. Até porque eles não existem.
Precisamos de poucas regras cuja violação represente, para todos, a imediata impossibilidade de exercer cargos públicos.


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