De + perto do inferno: violência social con a 1 de Outubro de 2013 às 13:16
(JPP, 30/9/2013, Abrupto)

DEPOIS DE AMANHÃ (HOJE) ACORDAMOS MAIS PERTO DO INFERNO
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O menosprezo do Presidente pelos factores políticos da crise, que levou a manter em funções o "navio-fantasma" do governo da diarquia Passos-Portas, apoiado pela
opinião publicada que assume o discurso da "inevitabilidade", pela imprensa económica e pelo establishment financeiro,
assente na fraqueza de Seguro,
impediu que a solução, arriscada, imperfeita, e com custos, das eleições antecipadas pudesse alterar os dados da questão e permitir mais espaço de manobra política.
Conheço muita gente que nem queria ouvir falar de eleições e hoje começa a perceber que elas permitiriam alterar os dados políticos, que o actual impasse não permite.

Por tudo isto, depois de amanhã vamos acordar na antecâmara do Inferno.
Pensam que estou a exagerar? Na verdade, nestes dois anos, a realidade tem sido sempre pior do que a minha mais perversa imaginação, porque as coisas são como são, tão simples como isto. E são más.
A partir de amanhã, haja convulsão mansa no PSD, ou forte no PS, acabarão por milagre as pontes, túneis e medicamentos gratuitos, que ninguém fará, nem pode fazer,
e vai começar o discurso puro e duro da violência social contra
quem tem salários minimamente decentes,
quem tem emprego no Estado,
quem recebe prestações sociais,
quem precisa de serviços de saúde,
quem quer educar os seus filhos na universidade,
quem quer viver uma vida minimamente decente,
quem quer suportar uma pequena empresa,
quem paga, com todas as dificuldades, a sua renda, o seu empréstimo.

O que nos vai ser dito, com toda a brutalidade, é que
os nossos credores entendem que ainda não estamos suficientemente pobres para o seu critério do que deve ser Portugal.
Apenas isto: vocês ganham muito mais do que deviam, não podem ser despedidos à vontade, têm mais saúde e educação do que deveriam ter, trabalham muito menos do que deviam, vivem num paraíso à custa do dinheiro que vos emprestamos e, por isso, se não mudam a bem mudam a mal.
Isto será dito pelos mandantes.
E isto vai ser repetido pelos mandados da troika, sob a forma de não há "alternativa" senão fazer o que eles querem.
Haver HÁ, mas nunca ninguém as quer discutir,
quer quanto à saída do euro,
quer quanto à distribuição desigual dos sacrifícios,
de modo a deixar em paz os mecânicos de automóveis e as cabeleireiras e olhar para
os que se "esquecem" de declarar milhões de euros, mas isso não se discute.

Por que é que, dois anos depois de duros sacrifícios, estamos pior do que à data do memorando,
por que é que nenhum objectivo do memorando foi atingido,
por que é que o Governo falhou todos os valores do défice e da dívida,
porque é que o desespero é hoje maior, a impotência mais raivosa, o espaço de manobra menor, isso ninguém nos explicará do lado do poder.

Vai haver um enorme atirar de culpas, à troika, do PSD ao CDS ao PS, à ingovernabilidade atávica dos portugueses, aos sindicatos comunistas, aos juízes conservadores do Tribunal Constitucional, e o ar ficará denso de palavras de raiva e impotência.

Mas "vamos no bom caminho", dirá o demónio de serviço à barca do Inferno.
Depois de amanhã ouviremos essas palavras.


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