Terça-feira, 1 de Outubro de 2013
O segundo resgate vem a caminho - e a culpa não é do Tribunal Constitucional
Na ponta final da campanha eleitoral autárquica as afirmações do Governo tornam cada vez mais claro que o ‘regresso aos mercados’ nunca passou de uma ilusão. A continuação da política deste governo e da troika está a agravar os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta. Mas existem alternativas - e são urgentes.
O governo tem vindo a afirmar que as decisões do Tribunal Constitucional (TC) estão a tornar cada vez mais provável a necessidade de um segundo resgate. Ao insistir nesta ideia, o governo tem três objectivos: 1) desresponsabilizar-se pela crise económica e social que atravessa o país; 2) justificar as privatizações e os cortes nos serviços públicos e nas prestações sociais que se prepara para anunciar com a proposta de Orçamento de Estado (OE) para o próximo ano; e 3) ir instalando na sociedade portuguesa a ideia de inevitabilidade da continuação da actual estratégia de governação para lá de 2014. Face a isto, é fundamental compreender e afirmar com clareza que:
1º) O Estado português não conseguirá, tão cedo, financiar-se nos mercados internacionais - mas isto não decorre das decisões do TC. Portugal tem uma dívida pública superior a 130% do PIB, um endividamento externo historicamente elevado, uma estrutura económica débil e um sector financeiro enfraquecido. O país não dispõe de instrumentos de política económica para lidar com estes problemas e quem deles dispõe – ou seja, as instituições europeias - recusa-se a pô-los em prática, preferindo usar o seu poder de chantagem para impor aos países periféricos e, por arrasto, ao conjunto da UE um modelo de sociedade que não foi sufragado nas urnas.
Nestas condições, a dívida portuguesa é impagável e é isso que explica a persistência das elevadas taxas de juro dos títulos da dívida portuguesa. É por essa razão que o 'regresso aos mercados' nunca passou de uma ilusão, usada pelo governo para justificar os sacrifícios até aqui impostos ao país e aos portugueses.
2º) A estratégia do governo e da troika não resolve – antes agrava – os bloqueios que economia portuguesa enfrenta
Segundo o governo, a destruição dos serviços públicos e a desregulação das relações de trabalho são o caminho para sair da crise. No entanto, após três anos de austeridade tornou-se ainda mais claro que esta estratégia não resolve, antes agrava, os bloqueios que a economia portuguesa enfrenta – desde logo, um endividamento insustentável e uma estrutura produtiva débil. Se esta trajectória não for interrompida, Portugal terá uma sociedade ainda mais desigual e entregue às lógicas de mercado. Esse será o único 'sucesso' do 'programa de ajustamento' do governo e da troika.
3º) As alternativas existem e são urgentes
O caminho da devastação social e económica não se inverterá enquanto não se impuser uma renegociação da dívida pública portuguesa que seja consentânea com uma política de relançamento do emprego, de valorização do trabalho e de restabelecimento dos direitos que asseguram uma sociedade decente. Os portugueses e portuguesas que não se revêem no actual rumo têm de continuar a reunir forças para resistir à estratégia de retrocesso social e para construir as condições para uma alternativa de governação que faça frente à chantagem e devolva ao país um sentido de esperança no futuro.
O Congresso Democrático das Alternativas apela, assim, à mobilização de todas e todos para as iniciativas de protesto que terão lugar no mês de Outubro (nomeadamente, as manifestações convocadas pela CGTP, dia 19, e pelo Que Se Lixe a Troika!, dia 26), bem como para o esforço de clarificação dos propósitos e das implicações da estratégia do governo e da troika.
Ao longo das próximas semanas, o Congresso Democrático das Alternativas irá realizar iniciativas de debate e esclarecimento sobre “A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes” e sobre a proposta de OE para 2014, culminando numa grande iniciativa pública que terá lugar no dia 31 de Outubro, em Lisboa.
Contamos com a sua participação! Saudações democráticas,
A Comissão Organizadora do Congresso Democrático das Alternativas http://www.congressoalternativas.org/ . E subscreva a petição “Pobreza não paga a dívida – Renegociação já!” lançada pela IAC – Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida.
---- A vergonha da (não) reestruturação da dívida
... estamos cada vez mais próximos do dia em que perguntar-nos-emos como é que foi possível condicionar a vida de tantas pessoas por algo que nos parecerá tão "irracional". Nesse dia questionaremos o porquê de uma restruturação da dívida tão tardia e lamentar-nos-emos por não termos evitado tantos males que pensávamos serem inevitáveis.
---- O segundo resgate ou a tendência dos notáveis do regime para a negação
---- «Que fazer com este Euro?»: Vídeos do lançamento/debate
De Seleção de noticias de 1/10/2013 a 1 de Outubro de 2013 às 14:12
JN:
84 suicídios por mês este ano;
dispara venda de antidepressivos nas farmácias
CM.
barricado com mulher e bebé ameaça massacre
Estado corta apoio a idosos e crianças
Destak:
mais jovens em risco;
490 mil pessoas perderam o subsídio de desemprego
1500 crianças e jovens deixaram de ter abono de família
Sol:
pais põem filhos em perigo (com fotos no facebook)
PJ:
défice atinge 7,1% e dívida pública 127,8% do PIB
Diabo:
mais cortes ou 2º resgate: medidas voltam a incidir nas Pensões e na Adm.Pública; Passos C. afirma que não se trata de teimosia, porque esta é a única via (mentiroso convencido!)
Crime:
rapaz sequestrado por dívidas dos pais.
económico: Marcelo:"Passos tem sido dos piores líderes do PSD" (e um PM destruidor)
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Sic noticias:
Por outro lado, (o Papa) garantiu que a Igreja "não se vai ocupar da política", pois "as instituições políticas são, por definição, laicas e atuam em esferas diferentes".
"A Igreja não irá mais além do dever de expressar e difundir os seus valores, pelo menos enquanto eu aqui estiver", confirmou.
Sobre os temas da atualidade, o ex-arcebispo de Buenos Aires considerou que "os grandes males que afligem o mundo são o desemprego dos jovens e a solidão em que foram deixados os idosos".
"Os idosos precisam de cuidados e companhia. Os jovens de trabalho e esperança", destacou.
O Papa também criticou o "liberalismo selvagem" que transforma "os fortes em mais fortes, os débeis mais débeis e os excluídos mais excluídos", acrescentando serem "precisas regras de comportamento e se for necessário também a intervenção do Estado para corrigir as desigualdades mais intoleráveis".
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De acordo com o diário italiano, o IOR (banco do Vaticano) enviou na segunda-feira cartas a 900 clientes a pedir para fecharem as respetivas contas, devido a "suspeitas de branqueamento de dinheiro sujo e mesmo financiamento do terrorismo".
"Estes clientes não passaram na série de controlos criada, em maio, pela sociedade de consultadoria Promontory, líder mundial antibranqueamento",
, o porta-voz do IOR "...sublinhando que o pedido de encerramento das contas não estava forçosamente relacionado com uma suspeita de atividades criminosas.
"Desde maio, que estamos a controlar a identidade de todos os nossos clientes para verificar que corresponde aos critérios em vigor para deter uma conta no IOR", explicou.
Este controlo permitiu detetar pessoas que já não estavam autorizadas a ser clientes do banco do Vaticano, como, por exemplo, antigos embaixadores junto da Santa Sé atualmente reformados.
Ao mesmo tempo, no âmbito da luta contra o branqueamento, o IOR está a controlar "as transações efetuadas nas contas e a verificar se são compatíveis com o rendimento do titular (...) Neste caso, o encerramento da conta é motivado por um suspeita de atividade ilegal", acrescentou.
De acordo com o Corriere della Sera, o IOR decidiu fechar as contas das missões diplomáticas do Irão, Iraque e Indonésia, depois de ter verificado a ocorrência "de depósitos e levantamentos de grandes somas em dinheiro vivo".
A Autoridade de Informação Financeira (AIF), um organismo que supervisiona as operações financeiras do Vaticano, considerou que as justificações apresentadas por aquelas embaixadas, em relação às transações duvidosas, datadas de 2011, eram "demasiado fracas e desproporcionadas relativamente àos valores em jogo, até 500 mil euros num único movimento", acrescentou o jornal.
O porta-voz do IOR escusou-se a confirmar qualquer informação relativa aos clientes do banco.
O banco do Vaticano gere perto de 18.900 contas (6,3 mil milhões de euros em ativos), que pertencem sobretudo religiosos ou laicos que trabalham no Vaticano, e a diplomatas acreditados junto da Santa Sé.
No final de junho, o papa Francisco criou uma comissão para inspecionar o IOR e propor uma reforma.
De acordo com o 'site' oficial do IOR, que anunciou hoje um resultado líquido, em 2012, de 86,6 milhões de euros, a operação de análise das contas deverá terminar até ao final do ano.
http://www.publico.pt/temas/jornal/sos-na-zona-pobre-27140130
SOS na zona pobre
Paulo Moura (texto) e Paulo Pimenta (fotografia
Com as novas regras do RSI e da habitação social, os pobres estão ainda mais pobres.
Nalgumas zonas, como certos bairros da freguesia de Campanhã, no Porto, a miséria é atroz.
Os direitos humanos essenciais são violados.
Os apoios do Estado são uma fraude, a reinserção social uma ficção.
Ser pobre é viver num mundo à parte, de onde nunca se consegue sair
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Regina e Bruno: três filhos, muitas dívidas acumuladas, sem direito a RSI por dois anos
----------- Casa nova: só para quem vive numa ruína
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20.000 pessoas deixaram este ano de receber o rendimento de inserção.
Desde 2010, foram quase 135 mil a perder o direito a este apoio
---------- Melhorar o buraco
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Não há complacência. Ao mínimo erro, as pessoas são excluídas, punidas.
Os assistentes sociais têm um poder excessivo, que usam para tramar as pessoas. São de uma exigência, rigor, dureza e agressividade para com os pobres, como mais nenhum serviço tem em Portugal
José António Pinto (Chalana), assistente social
Álvaro Lopes passa as manhãs a pastar um rebanho junto ao Rio Tinto. Em troca, o dono das ovelhas dá-lhe almoço
---------- O rapaz que segura a família
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270 mil pessoas recebem o RSI: são obrigados a descontar tudo o que ganham em biscates ou outros rendimentos
----------- A 'cultura da pobreza'
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Não há mobilidade social ascendente. A segunda geração não tem oportunidades. Não têm empregos nem escolaridade.
Quem é que dá trabalho a um habitante do Lagarteiro? Já estão no mesmo caminho dos pais.
Todos os miúdos que conheci quando aqui comecei a trabalhar já estão a traficar droga ou a arrumar carros
Chalana
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