De Crises e (não) soberania monetária, ... a 4 de Outubro de 2013 às 14:51
Crises e (não) Soberania monetária, ... ----------------------------
Crises há muitas

[ PIGS 'R' US ]

Pode dizer-se muita coisa sobre a crise política que está a paralisar o Estado federal nos EUA e a forçar a austeridade, incluindo tentar indicar o que é da luta de classes e o que está para lá dela, como faz Krugman de certa forma.
O desastre à vista nos EUA pode então ser interpretado como um produto da captura do processo democrático por uma elite endinheirada e por certas fracções da grande indústria,
a coligação social na base do chamado Estado predador e que apostou fortunas numa profunda viragem à direita no panorama político,
convertendo dinheiro em poder político e poder político em dinheiro, no processo
fomentando ideologias aberrantes e que agora até podem virar-se contra muitos dos seus interesses.
"Tea Party" (*) e companhia.
*( facção ultra direitista/neoliberal do 'Partido Republicano' dos EUA)

Pode então dizer-se muita coisa, o que não pode dizer-se, como já li por aí, é que esta crise, apenas porque o orçamento e a dívida estão metidos ao barulho, tem semelhanças com o que se passa, sei lá,
em Portugal, uma região periférica sem moeda própria, um país é outra coisa do ponto de vista monetário e orçamental, e muito menos sem a moeda mundial, o dólar, cuja posição, de resto, se reforçou desde a crise,
ao contrário de algumas análises apresadas sobre o declínio da posição hegemónica dos EUA nesta e noutras matérias.

A possibilidade distante de um incumprimento norte-americano pode colocar-se devido a uma artificial regra política que fixa um limite para a dívida pública, cujo aumento está sujeito a aprovação.
Mas nunca podemos perder de vista que os EUA contraem dívida na sua própria moeda
e que esse facto faz toda a diferença em termos substantivos, da autonomia soberana da política orçamental para lá das regras artificiais,
dado que, em primeira e última instâncias, existe sempre um Banco Central para o que der e vier (e para emitir mais moeda, e para valorizar ou desvalorizar a moeda, ...).
Um Estado que está endividado numa moeda que controla, no sentido em que é puro produto do seu poder soberano, como são todas as moedas viáveis, só entra em incumprimento se quiser.

Uma região como Portugal é diferente:
dependente do sistema financeiro e com um Banco Central que não é de Portugal, endividada numa moeda estrangeira chamada euro, com estranhos pouco bondosos, o incumprimento pode ser uma inevitabilidade, restando saber o que se faz depois disso.
Questão decisiva, claro.
Em matérias destas e das outras, a soberania monetária ou a ausência dela conta.
Dos EUA a Portugal e para lá das especificidades institucionais da aprovação do orçamento e do aumento necessário da dívida pública para assegurar a recuperação económica.

(-por João Rodrigues , Ladrões de B., 2/10/2013)



De Neoliberalismo e desGoverno favorecem 1% a 4 de Outubro de 2013 às 14:54
NeoLiberalismo e desGoverno favorecem o micro-grupo dos 1% hiper-ricos e privilegiados
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Neoliberalismo ou como ajudar os multimilionários

Estas imagens
http://1.bp.blogspot.com/-vtHEzZHvc0U/Uj3wbkuDPXI/AAAAAAAAFmY/D0Pvh7OoDWo/s1600/Scan0001.jpg
retirei-as da revista Visão (17 a 25 de Set 2013) que nos oferecem informação interessante ainda que não nova, relacionada com a crise atual em Portugal e no mundo.
Também na mesma página se informava que em Dezembro de 2009, 244 mil milhões de dólares da dívida portuguesa estava na posse de bancos europeus.
A intervenção da "Troica" permitiu entretanto que a banca e fundos privados, particularmente estrangeiros, transferissem esta dívida para o BCE e até para o Fundo Nacional de Pensões português, pondo a salvo a alta finança privada.
Agora um eventual perdão da dívida (que muitos e avisados economistas nacionais e estrangeiros consideram inevitável) faria recair parte da "despesa" não sobre a banca privada que já levou os juros agiotas mas sobre o contribuinte e até sobre o dinheiro das pensões nacionais.
---------Este 1º quadro mostra como a dívida pública cresceu nos últimos anos com a política de empobrecimento dos portugueses (95% dos portugueses ou mais
porque os muito ricos estão fora da crise e o capital financeiro e suas grandes empresas como EDP, PT, Jerónimo Martins (PingoDoce) estão a salvo com a política da Troica e a do governo que postergado perante esta procura mostrar serviço quer ultrapassar no "castigo" a dar aos "vassalos" portugueses.

Os quadros ilustram também como Portugal divergiu da Europa no crescimento da economia.
(Fontes indicadas pela Visão Banco Mundial, BIS, Bloomberg,...). [ Um clique amplia as imagens.]


A 1ª imagem sobre a "alavancagem" do banco inglês Barclay´s diz-nos como, na ausência de regulação por parte do Estado, o banco por cada libra ou euro do seu dinheiro (capital social e outros bens seus, mais os depósitos dos clientes ) emprestava (e ganhava o respetivo juro) 61,3 vezes mais dinheiro do que aquele que de uma forma ou de outra possuía.
Dinheiro que na realidade não existia. Alavancagem!

A 2ª imagem ilustra como entre 1980 e 2007, 0,1% dos norte-americanos mais ricos multiplicaram por 7 as suas imensas fortunas aumentando brutalmente o fosso entre os multimilionários e os mais pobres e as classes médias.
Qual o segredo?
A política de desregulamentação do sistemas financeiro (os bancos, fundos, etc) posta em prática por Reagan e Tatcher de acordo com o neoliberalismo.
Fazendo regressar a sociedade norte-americana a uma desigualdade nunca vista desde os anos 30 do século passado.
Políticas que vieram contrariar as políticas de Roosevelt e outros presidentes que se seguiram e que criaram a classe média norte americano. Para isso criou nomeadamente escalões de impostos (IRS) para os muito elevados rendimentos que chegaram a 70% e até a 90% na presidência de Eisenhower (in Paul Krugman "A Consciência de um Liberal pág. 256 Ed. Presença).

As políticas neoliberais e de rédea solta ao sistema financeiro nos EUA como em Portugal e muito especialmente com o atual governo
conduz à concentração da riqueza numa restritíssima minoria à custa do empobrecimento das classes médias e dos trabalhadores.

# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra, 27/9/2013


De Batalha TTF (taxa Transações Fin.) a 4 de Outubro de 2013 às 14:56
Batalha pela TTF (a Taxa de Transações Financeiras)
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A Batalha TTF - I (quase a 'taxa Tobin')
(-por Sara Rocha, Ladrões de B., 3/10/2013)

A implementação da Taxa sobre as Transações Financeiras (TTF) é uma das poucas boas noticias que saíram da crise financeira. Na verdade ainda não é uma notícia. É uma esperança:
11 governos europeus manifestaram a vontade de dar os passos necessários para a sua implementação e enfrentam agora a reação espectável dos mercados financeiros e dos estados tradicionalmente mais protetores da finança, como a Inglaterra, o Luxemburgo e a Irlanda.

Não é que os 11 governos envolvidos (Áustria, Bélgica, Estónia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Eslovénia, Eslováquia e Espanha) sejam grandes arautos do controlo sobre os capitais,
mas a crise financeira expôs inequivocamente os custos do seu funcionamento desenfreado e a total ausência de contribuições do sistema para a cobertura desses riscos e para o funcionamento da sociedade em geral.

A TTF está longe de ser a medida que resolve todos os problemas, mas tem alguns impactos importantes, não apenas pelo seu peso financeiro mas muito pelo seu peso político.

No geral trata-se de atualização do conceito proposto por James Tobin nos anos 70, cuja implementação associações como a ATTAC Internacional têm vindo a defender há mais de uma década.
A taxa tem um valor reduzido porque o seu objectivo não é tanto angariar fundos mas sim introduzir um elemento de rigidez seletiva no sistema:
se houver uma taxa de 0,1% sobre cada movimento, as transações de alta frequência, disparadas por variações centésimais nos preços, deixam de ser lucrativas o que, por si só, reduz a instabilidade constante.
Ao mesmo tempo, a taxa é relativamente irrelevante em transações que envolvam investimentos na economia “real”.
Tobin propôs uma taxa deste tipo para as transações cambiais, para proteger as economias das constantes variações no valor das moedas.
No caso da TTF proposta pelos governos europeus, ela aplica-se a quase todas as transações no mercado financeiro, incluindo os derivados (para cujos contratos a taxa proposta é de 0,01%, em vez dos 0,1% propostos para as restantes transações).

O peso político da medida é tão ou mais importante do que os 37 mil milhões de euros anuais de receitas previstos.
A implementação da TTF implica uma tomada de posição dos estados perante os mercados, impondo uma centelha de poder democrático sobre o frenesim da desregulamentação.
Obrigar os mercados a contribuir com a sua parte, é provar que os governos não se podem limitar a (tentar) implementar umas quantas regras de gestão prudencial sobre os bancos e deixar o resto do sistema a funcionar num universo paralelo, desenraizado da sociedade que, no final das contas, acaba por pagar os seus desvarios.

Esta é uma medida quase simbólica mas importante – tão importante que os mercados não a deixarão passar sem dar luta !



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