É imperativo sair deste ciclo vícioso e do desgoverno fantoche

    Virtuoso  ou  Vicioso ?   (-por J.Gusmão, 9/10/2013, Ladrões de B.)

.   “É evidente que o regime de pensões só pode funcionar quando a economia cresce e quando cria muito emprego. O nosso problema neste momento nas questões sociais tem a ver fundamentalmente com o aumento do desemprego, porque é mais dinheiro que sai para os subsídios de desemprego e é menos dinheiro que entra, pois quando as pessoas estão empregadas descontam para a Segurança Social” - Silva Peneda
     "Não é possível suportar um regime de pensões da forma como criámos e, simultaneamente, o emprego, o rendimento e a produtividade em queda" - Teodora Cardoso 
    Duas formas diferentes de dizer a mesma verdade. Provavelmente, com intenções também diferentes. É verdade que a sustentabilidade do sistema de Segurança Social está associada ao crescimento e emprego ou falta deles. Se o país continuar no caminho do aumento do desemprego e da precariedade (que é emprego sem descontos ou descontos baixíssimos), em breve, o sistema de segurança social público que temos (tínhamos) será inviável. Inversamente, como uma economia em crescimento e próxima do pleno emprego, o sistema que temos seria (e era, há bem pouco tempo) perfeitamente viável e até excedentário.
    O debate sobre a nossa (demografia e) pirâmide etária e a sustentabilidade de longo prazo do sistema é um debate apaixonante, mas não tem nada a ver com o que se está a passar agora. Do que se trata actualmente é da pura e simples expropriação de pensões (e salários) para fazer face às consequências da austeridade. Essa expropriação apenas serve para deprimir ainda mais a procura interna e agravar a espiral recessiva, levando a mais cortes. Onde acaba este processo? Não acaba. Se a lógica da austeridade for seguida até às últimas consequências, o fim deste processo é o fim da segurança social pública (, fim da escola pública, fim do SNSaúde, fim de direitos laborais, ... fim do Estado Social), ponto.
   Quem pensa que não faz mal cortar nas pensões, desde que sejam só as mais altas, não está a ver nada do filme. Depois dos (cortes aos trabalhadores e pensionistas da classe média e) remediados, vêm os pobres. Depois dos pobres, vêm os miseráveis. A opção não é, portanto, de grau. É de fundo. Uma política de ciclo virtuoso, centrada no emprego, que garanta os níveis de receita fiscal e contributiva que sustente o Estado Social que conhecemos ou o ciclo vicioso da recessão, como instrumento de engenharia social (aprofundar as desigualdades de rendimento, dificultar a ascenção social e limitar o acesso a uma vida digna para todos), para a desforra com que a Direita (neoliberal e neofascista) sempre sonhou.
   Dirão os apologistas desta alegre caminhada que não é possível cumprir os nossos compromissos com os credores e implementar uma política de crescimento que proteja o sistema de segurança social. Também aí têm razão. Só se esquecem de um pequeno detalhe: mesmo depois de destruirmos o sistema de segurança social, a nossa dívida continuará a ser impagável, pelo que a escolha apresentada é ilusória. Mas essa formulação tem a vantagem de clarificar a opção de fundo: ou a dívida ou o sistema de segurança social (e outras coisas, diga-se de passagem).
   Quando os cortes chegam às pensões que asseguram o rendimento e a qualidade de vida de viúvos e órfãos, fica mais claro (para quem ainda tivesse ilusões) que escolha fez o Governo.    
-----------------
      [(E não venham mais com a mentira de que «não há alternativas» aos ditames da troika/mercados/finança/oligarquias). 

Vale a pena consultar a página do Observatório sobre Crises e Alternativas, dinamizado pelo Centro de Estudos Sociais e coordenado por M.Carvalho da Silva. Para além da versão digital do "Dicionário das Crises e Alternativas", e dos Barómetros regularmente publicados, existe agora uma recente cronologia sobre o processo que atravessamos. Como já sabemos, mas nunca é demais repetir, o conhecimento é uma arma.]

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Publicado por Xa2 às 13:36 de 10.10.13 | link do post | comentar |

5 comentários:
De DesGoverno, Culpas e intenções a 11 de Outubro de 2013 às 17:24
“Eles vão convencer-te que a culpa é tua, e só tua…”
(-por Alex.S. Carvalho , 11/10/2013 , 5Dias)

Definição de “relativo sucesso” segundo o Dinheiro Vivo:
“A economia mergulhou em recessão e o desemprego explodiu para níveis históricos.” Ah, mas diminui-se o défice.
Só esqueceram de dizer que o défice tem subido consecutivamente (logo todos os cortes de austeridade não têm tido reflexo qualquer nas contas públicas),
e que o défice do primeiro trimestre deste ano (10,6%) já está acima dos “loucos anos” de Sócrates,
o PIB diminuiu consecutivamente desde que este governo entrou em funções, tendo o país obviamente entrado em recessão 1,3% em 2011 e 3,2% em 2012, sendo esta última inclusivé a pior recessão desde 1975.
Da dívida nem se fala, um aumento de quase 20% desde 2011, situando-se actualmente nos 127%.

Mas isto tudo não quer dizer absolutamente nada. Este governo, que nem para liderar um clube de futebol servia, continua a dizer que para o ano é que é.
São campeões em mentiras (há algum ministro que ainda não tenha mentido descaradamente com todos os dentes que tem na cara?
Já foi o Relvas, o Coelho, o Gaspar, o Machete, o Crato, o Portas, o M.Macedo, …) e são campeões da irresponsabilidade.
São campeões da governação pelo medo e em cima do joelho (já nem consigo enumerar as diversas “medidas” anunciadas que vão sendo revistas, alteradas, suspensas, ou eliminadas nos dias subsequentes).
São campeões do pensamento duplo e da subserviência.
Subserviência, não apenas perante a Alemanha ou a Troika ou o Eurogrupo, mas perante tudo e todos que aparentem ter um mínimo de convicção ou defendam um interesse específico (sejam eles americanos ou angolanos ou chineses, não interessa).
Porque se este governo não tem uma única ideia de como defender o interesse nacional muito menos terá ideia de como liderar um país.

Nenhuma vitória em política externa, nenhum indicador económico positivo que seja sustentável.
O legado deste governo é e será a desagregação do tecido socio-económico, a implosão da democracia, da separação de poderes, da impunidade política absoluta e de pôr o país a saque. Sem pudor nem dignidade.
Este governo é um erro colossal.

É um total DESGOVERNO.


De Vicioso a 11 de Outubro de 2013 às 16:29
São cada vez menos, até na blogosfera, os criativos e inovadores. Estão a cair no vicio de se copiarem uns aos outros.
O país empobreceu, não só económica como culturalmente. É pena, os nosso antepassados sentir-se-iam, certamente, muito envergonhados e tristes.


De Desgoverno e más companhias... a 11 de Outubro de 2013 às 10:23
DESGOVERNO : incompetência, teimosia, má-fé, negligência, crime, ...; dividir portugueses para 'reinar', aversão e maus tratos a aposentados, funcionários públicos e trabalhadores em geral, , ...

--------------------------------
O presidente da Comissão de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), Virgílio Meira Soares, demitiu-se.

Numa carta enviada aos deputados
acusa o Governo de
"incompetência", "teimosia" e "má-fé".

Jorge Araújo, representante do Conselho de Reitores também bateu com a porta.

Meira Soares considera que o atual Executivo tem demonstrado "uma propensão para
lançar privados contra público e novos contra velhos,
manifestando claramente uma aversão aos (funcionários públicos e aos) aposentados em geral",
conforme se pode ler na carta, a que o "Diário Económico" teve acesso.

Sublinhado que percebe que "numa situaçaõ de emergência, como a atual, o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratos", acrescenta que está
escandalizado com o facto de Estado atacar "de maneira despudorada os que menos recebem, os desempregados e os doentes".

"A incompetência dos gvernos é a maior responsável" pela situação do país
e há "centenas de milhões de euros que estão perdidos por negligência ou por ações criminosas".

Dirigente da CNAES há 15 anos, desde que a comissão que define as regras de acesso ao ensino superior nasceu, Virgílio Meira Soares não recebia qualquer verba pelas suas funções desde 2000, depois de se ter aposentado.
--------------


De novo Orçam. rectific. + CORTE de 10% àFP a 10 de Outubro de 2013 às 14:31
Bate leve, levemente, a derrapagem das contas públicas

(-Via Manuel Cintra


“Existe a necessidade de novo rectificativo? A resposta é não. Se o Governo está a preparar medidas adicionais? A resposta é não”.
--diz Hélder Reis, secretário de Estado do Orçamento, em resposta ao deputado do PSD Cristóvão Crespo, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública da Assembleia da República

No meio do talk show da RTP que está a decorrer, o alegado primeiro-ministro anuncia um NOVO Orçamento Rectificativo para este ano (2013).
Como escreve Pedro Marques, “(…) o Governo assume que precisa de receitas extraordinárias, não apenas por perder outras receitas, mas também porque há despesa ou dívida descontrolada.”

É o círculo vicioso da austeridade.

-----xxxxxxxxxxx---------------

e atenção Função Pública.:
afinal o novo CORTE salarial não será de 5% , mas o dobro: 10 % !!

Aguentam até quando ?!


De Raiva, Pobreza e desGoverno Malévolo. a 10 de Outubro de 2013 às 14:10
uma raiva que nos revolve as tripas
(-por Paulo Pinto, em 10.10.13, Jugular)

"Há muito, muito tempo, era eu uma criança", Portugal era um país pobre. Melhor, um país de pobres.
"Pobres, mas honrados" era uma espécie de lema nacional. Durante décadas, séculos, os portugueses foram educados, treinados e ensaiados para a pobreza.
Havia ricos e poderosos, também, esses que tinham os filhos na universidade e andavam de carro. Mas eram muito poucos.
É por isso que faço um sorriso amargo quando oiço suspiros sobre o "antigamente", como se podia circular e estacionar em Lisboa, e que patusco e típico, genuinamente português era o "campo".
Basta ver os filmes da "idade de ouro" do cinema português para se perceber como a pobreza era aceite, uma fatalidade resignada e humilde, orgulhosa, até. Pobres mas honrados.

Há muito pouca honra na pobreza, muito pouco orgulho na miséria e na indigência.
"Feios, Porcos e Maus" é um filme que nunca seria produzido em Portugal. Por cá, é sempre "O Pátio das Cantigas".
Hoje, a pobreza está de volta. E, uma vez mais, querem-nos incutir a ideia de que há honra e orgulho no empobrecimento e na miséria.
Ares paternalistas, compreensivos, misericordiosos de políticos e ministros, tecnocratas e responsáveis, que falam em sacrifícios e em "esforço", sem fazerem a mínima ideia do que isso é.
Sim, frankly, dear, you don't give a damn.
Temos até um primeiro-ministro que afirma, com a maior cara de pau, ontem perante o público, que os mais afetados pela crise são as pessoas com maiores rendimentos (se não foi isto, foi parecido).

.-----------

Quem não sabe governar aprende a governar-se

(-por C.Esperança, 8/10/2013, http://ponteeuropa.blogspot.pt/)

Apesar do oportunismo das oposições, que se furtaram a apresentar alternativas, era ao Governo que cabia gerir o País e poupar ao povo sacrifícios insuportáveis.

Incapaz da reforma administrativa que reduzisse os gastos e desse coerência à gestão do território, com marcada redução do número de municípios e cargos políticos;
receoso de enfrentar os interesses da classe dominante e os privilégios dos gabinetes ministeriais e autárquicos;
inapto para fechar Empresas Públicas parasitárias e cortar isenções fiscais à Igreja católica e a numerosas fundações de dúbia utilidade social;
cobarde para reduzir o pessoal político da Presidência da República, dos Governos Regionais e dos ministérios;
suficientemente perdulário para manter um número excessivo de embaixadas, chegando ao cúmulo de ter duas em Roma, uma para Itália e outra para o Vaticano;
o Governo que nem a frota automóvel ao serviço de empregados de terceira categoria consegue reduzir,
não tem pudor em cortar reformas de miséria, asfixiar o SNS e fazer retroceder o ensino várias décadas.

Perante um país que sofre, não sei o que mais me enraivece,
se a violência das medidas aplicadas aos mais fracos ou a indiferença de quem as aplica.

Este Governo não estava preparado para governar mas logo aprendeu a governar-se.
Até quando?
-----------

Portugal a saque com gente perigosa
(-por C.Esperança)

Paulo Portas substituiu o putativo primeiro-ministro na suposição de que o antigo líder da empresa de sondagens da Moderna, levada à falência com as tropelias fiscais, seria o melhor negociador para a troika. Só a presunção do génio consentiu tornar o irrevogável ministro demissionário no líder do Governo que, modesto, aceitou preceder o título pela palavra «vice». Jurou falar grosso à troika e acabou, de cuecas apertadas, a falar fininho.

Portas jura agora que não trocou a TSU das pensões pelo saque aos viúvos mas, como coordenador da economia, começou por se atirar aos vencimentos dos funcionários e às pensões dos reformados e acabou no assalto às pensões de sobrevivência.

Cavaco, ministro de Estado deste Governo, negou três vezes que a dívida pública fosse resgatável e, sem que tivesse deixado de aumentar ou se previsse um perdão, acoimou de masoquistas os que lhe deram razão, antes de dar o dito por não dito.

O MNE deixou de ser o detestado dos americanos e passou a ser o dileto dos angolanos, a confundir os órgãos de soberania e os princípios do Estado de direito com interesses próprios e de direita. Barroso, invasor do Iraque, ...


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