Auto-defesa contra burlões fantoches e assassinos de colar dourado

        Quantas  vezes  mais ?        (-por João Rodrigues, 15/10/2013, Ladrões de B.)

    Recentemente, o Banco que não é de Portugal estimou que por cada euro de cortes na despesa pública, o PIB cai cerca dois euros. Mais recessivo do que cortes na despesa pública não há. Mais regressivo também não há. Despesa pública que se corta é rendimento que desaparece, no público e no privado, por toda a economia. Se isto é assim, e sabemos como a realidade tem tido um intenso enviesamento keynesiano, o injusto corte planeado nos salários, pensões e serviços públicos, representando mais de 80% de uma nova ronda de austeridade no valor de 3,9 mil milhões de euros prevista no Orçamento de 2014, terá um impacto negativo de cerca de 4% do PIB. Não há economia que resista à austeridade permanente inscrita no memorando e nas regras europeias para lá dele. Não há (povo nem) economia que resista ao governo dos credores.
     Inscrita numa perversa lógica europeia de concorrência fiscal entre Estados despojados de instrumentos de política económica soberana está, entre outras, a anunciada descida do IRC, que supostamente servirá para promover o investimento neste desolador contexto. Perante o choque na procura anunciado, e sabendo que, de longe, o que mais trava o investimento empresarial é a expectativa em relação às vendas, são os empresários que o dizem, esta opção servirá para promover a perda de receita e o chamado Estado fiscal de classe.
     Uma vez mais, insistem numa política que falhou para a maioria do país. Uma vez mais, esperemos que o Tribunal Constitucional possa bloquear algumas das opções da política de austeridade. Uma vez mais, resta-nos esperar mobilizações populares, um país que ainda não desistiu. Quantas vezes mais?
------- Anónimo :
     O que os mercados (banca, fmi, bce e etc.) querem é estados com dívida perpétua (e a submissão esclavagista de trabalhadores, cidadãos e Estados com veleidades sociais, com aspirações de soberania, justiça e liberdade), essa é a verdadeira perversidade, e nós "já estamos no bom caminho" como nos diz o iluminado de Massamá.
------- Diogo :

     «... Quantas vezes mais ? »  (ou «... até quando ? »)
     Até as pessoas se aperceberem que as manifestações pacíficas não servem para nada.
     A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar. Contra a violência económica e financeira que nos tem atirado a todos para o desespero, repliquemos com a violência que for necessária para desparasitar de vez o país desta cáfila de parasitas assassinos de colarinho dourado.
    Um povo que se revolta de forma sangrenta contra a Máfia do Dinheiro, coadjuvada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e o país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa para se libertar.
     Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar,  fazer Justiça,  se auto-defender:
* Se um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho;
* Se uma mulher crava uma lima de unhas na barriga de um energúmeno que a está a tentar violar;
* Se um homem abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa e ameaça degolar-lhe a família;
* Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;
* Um povo está a utilizar a violência de uma forma justa quando utiliza a força, porque sonegado de todas as entidades que o deveriam defender, contra a Máfia do Dinheiro, acolitada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos (desvios, dolos, burlas,...) roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e a economia de um país inteiro.



Publicado por Xa2 às 07:48 de 16.10.13 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Chokes: expectativas, Angola, Orçam.'14 a 16 de Outubro de 2013 às 13:58
Afinal, foi o Governo que levou com um choque de expectativas
(-por Aspirina B., P.Querido)

Depois de Passos Coelho se ter mostrado muito preocupado com o choque de expectativas que o Orçamento poderia provocar nos portugueses, como se os portugueses tivessem alguma expectativa positiva.
E de ontem a ministra das Finanças ter dito que, afinal, não vê razões para choque de expectativas, mostrando mais uma vez a extraordinária sintonia destes governantes,
eis que, a poucas horas da entrega do Orçamento no Parlamento, é o Presidente angolano que desempata a coisa
deixando as expectativas do Governo português em estado de choque.

Lá se vão as expectativas do Governo em relação aos negócios com Angola e respectivo impacto na nossa economia.
Provavelmente, significa que o Orçamento, mesmo antes de ter dado entrada no Parlamento, já tem um buraco nas expectativas.

-----------


De Assoc. crimiduvidosa no Poder. e nós?! 0 a 16 de Outubro de 2013 às 13:38

A quadrilha da Tecnoforma reforça governo
(-por R.C.Silva, 15/10/2013, EsquerdaRepublicana)

Saiu Miguel Relvas entra Paulo Pereira Coelho. A quadrilha da Tecnoforma continua bem representada no governo.
Para quem não sabe Paulo Pereira Coelho foi membro da direção da JSD juntamente com Miguel Relvas e Passos Coelho.
Foi também presidente da Comissão de Coordenação Regional do Centro até 2004 e gestor do Programa Foral na Região Centro tendo selecionado e aprovado o financiamento da Tecnoforma gerida por Passos Coelho.
Este financiamento está atualmente a ser investigado pela União Europeia.
Pereira Coelho adjudicou ainda em 2004 um contrato de mais de 700 mil euros à empresa GPS, à qual se ligaria um ano depois.
Em 2008 foi constituído arguido por crime de participação económica no projeto do Galante na Figueira da Foz.
Em 2009, no âmbito do negócio do Edifício de Coimbra foi investigado por depósitos de 75 mil euros, em numerário, na conta de uma empresa sua.

Pelo meio há contas muito mal explicadas sobre os milhões executados no âmbito do programa Lusitanea.
Segundo o Diário da República, Pereira Coelho não será remunerado.
Veio-me uma lágrima ao canto do olho.
Nem que ele pagasse para trabalhar, da mesma forma que Bernard Madoff não deveria trabalhar para a Reserva Federal dos EUA nem que pagasse milhões.

Se tivéssemos um PR que presidisse, isto dava direito a demissão do PM.

------------- http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/10/paulo-pereira-coelho-esta-em-todas.html
----------- http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/07/pedro-passos-coelho-desapegado-do-poder.html -- é precisamente o seu apego ao poder (e tacho/s presente/futuro) que o leva a mentir tão descarada e desavergonhadamente...

---------- http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/01/os-donos-de-portugal-e-mao-no-poder.html
Os Donos de Portugal e a Mão no Poder

Paulo Morais escreve mais uma crónica certeira (destaques meus) com título «A Mão no Poder»:

«Até hoje, cativam uma parte significativa do orçamento de estado, à custa do qual se habituaram a enriquecer. Beneficiam de rendas das parcerias público-privadas da saúde, como acontece com o grupo Mello ou Espírito Santo. Recebem milhões pelo pagamento de juros da dívida pública. Obtêm concessões em monopólio, como acontece com a Brisa, detentora, por autorização governamental, das auto-estradas de Porto a Lisboa.

Os favores que recebem do estado têm revestido as mais diversas formas. No tempo do fascismo, obtinham licenças num regime de condicionamento industrial, em que só os amigos do regime podiam criar empresas. O seu domínio sobre a economia e a política vem dos tempos da monarquia, onde pontificava o conde do Cartaxo, antepassado da família Mello. Já os Espírito Santo descendem do poderoso conde de Rendufe.

Assim, estes grupos conseguiram trazer até ao século XXI, incólume, a lógica feudal, a tradição de atribuição de prebendas aos poderosos. Com uma diferença. Enquanto no tempo do feudalismo o rei atribuía privilégios que consistiam na doação de benefícios económicos (terras), a par de poder político (títulos), hoje apenas se concedem favores económicos. Assim, estes grupos mantêm o poder sem os incómodos do escrutínio democrático. Sabem que mais importante do que ter o poder na mão é ter a mão no poder. Até porque sempre influenciaram a política. Conseguiram-no no tempo de Salazar, através do fascínio que Ricardo Espírito Santo exercia sobre o ditador. Em democracia, contratam políticos de todas as tendências. Eanistas como Henrique Granadeiro, socialistas como Manuel Pinho ou social-democratas como Catroga.

Neste jogo democrático VICIADO, os cidadãos são hoje como os servos da gleba de outrora, mas agora sob a forma de contribuintes usurpados. E reféns do sistema vigente, que muitos chamam de NEOLIBERALismo, mas que não é novo nem é liberal. É apenas a manutenção do velho feudalismo.»

O livro que leio neste momento é todo ele sobre este tema, que é aprofundado em detalhe. «Os Donos de Portugal - Cem anos de poder económico (1910-2010)» é assim descrito (destaques meus):

«Este livro apresenta os donos de Portugal e faz a história política da acumulação de capital ao longo dos anos que vão de 1910 a 2010. Des


De OigarquiDonos d Portugal e mão no poder a 16 de Outubro de 2013 às 13:43
http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2012/01/os-donos-de-portugal-e-mao-no-poder.html
....


Descobre-se a fortuna nascida da protecção:
pelas pautas alfandegárias contra a concorrência,
pela ditadura contra as classes populares,
pela liberalização contra a democracia na economia.

Esta burguesia é uma teia de relações próximas:
os Champalimaud, Mello, Ulrich, entre outros, unem-se numa mesma família.
Os principais interesses económicos conjugam-se na finança.
Esta burguesia é estatista e autoritária:
o seu mercado é o Estado e depende por isso da promiscuidade entre política e negócios.

"Os Donos de Portugal" retrata também um fracasso monumental:
o de uma oligarquia financeira incapaz de se modernizar com democracia,
beneficiária do atraso, atraída pela especulação e pelas rendas do Estado
e que se afasta da produção e da modernização.

Ameaçada pelo 25 de Abril, esta oligarquia restabeleceu-se através de um gigantesco processo de concentração de capital organizado pelas privatizações.
Os escândalos do BCP, do BPN e do BPP revelaram as faces da ganância.
Este livro demonstra como os donos de Portugal se instalam sobre o privilégio e favorecimento.»

Os autores são Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas.
A informação presente nesta obra fundamenta a justa denúncia feita por Paulo Morais.


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