6 comentários:
De A democracia do povo!? a 18 de Outubro de 2013 às 18:43
O que é que o pagode estava à espera?
Então não andamos de vitoria em vitoria há 38 anos?
Não é o regime democrático uma vitoria?
Depois admiram-se que já haja por aí muita gente a dizer que isto está pior que no tempo do Salazar!
Que rica democracia, esta a do povo!
Não é do povo?
Então ou é estúpido, imbecil ou parvo. Cá pelo que me parece (que vim de longe) é tudo isso em simultâneo de outro modo não teria permitido que a situação chega-se ao ponto a que chegou. Já teriam tombado meia dúzia de energúmenos governativos.


De .A narrativa dos credores. a 18 de Outubro de 2013 às 15:09
A narrativa dos credores
(-por, João Rodrigues, 17/10/2013, LadrõesB)

Tivemos de pedir ajuda internacional para conseguirmos pagar salários, pensões e assegurar as funções essenciais do Estado. E poucos terão a noção de quão perto estivemos de uma situação de falência desordenada.

Maria Luís Albuquerque, apresentação do OE-2014

Nunca é de mais repetir:

É verdade que não havia e não há dinheiro suficiente para pagar salários, pensões e todas as outras despesas públicas, sobretudo se se incluir, decisivamente, o fardo de uma dívida pública crescente, que tem de ir sendo amortizada, e cuja despesa anual, só com juros, aumentou mais de 50%, entre 2010 e 2013, sendo já bastante superior à totalidade das receitas previstas com as privatizações no memorando.

É também verdade que, como sublinhou o ex-secretário de Estado do Orçamento, Emanuel dos Santos, mesmo quando se assinou o memorando havia dinheiro para pagar salários e pensões, já que, só no decisivo primeiro semestre de 2011, as receitas de IRS e IRC ultrapassavam as despesas com salários, e as contribuições para a Segurança Social chegavam e sobravam para pagar as pensões.

De qualquer forma, estando exclusivamente dependente dos agentes dos mercados financeiros ou, na falta de interesse destes, da "bondade de estranhos", um Estado sem a possibilidade de financiar monetariamente os seus défices não é bem um Estado e a sua dívida não é definitivamente soberana. Estes estranhos constituíram, em 2011, uma troika, nada bondosa, que nos emprestou dinheiro para garantir que os credores privados, sobretudo os bancos, não tivessem perdas com a dívida portuguesa num mundo ainda traumatizado com as consequências da falência do Lehman Brothers. Estas perdas adviriam de uma decisão, que hoje é mais difícil do que era em 2011, mas que é igualmente necessária: recusar o memorando e declarar uma moratória ao pagamento da dívida, isto é, uma suspensão dos pagamentos dos juros e das amortizações ao longo de um processo negocial que terá na agenda, entre outros temas, a reestruturação da tal dívida, reduzindo em profundidade o seu montante.
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Ainda a narrativa dos credores

O défice orçamental e o défice externo rondavam os 10% do Produto Interno Bruto [2010]. A crise financeira expôs os desequilíbrios da economia portuguesa, não os criou.

Maria Luís Albuquerque, apresentação do OE-2014

Vamos por partes. A crise financeira “criou” o défice orçamental, variável endógena, como se vê, já que, em 2007, o défice orçamental era de 3,2% do PIB, tendo subido para 3,7%, em 2008, e para 10,2%, em 2009. Isto foi sobretudo o resultado do colapso das receitas fiscais (6,1 mil milhões dos 8,9 mil milhões de euros de crescimento do défice, entre 2008 e 2009, por exemplo), devido à crise, bem como do aumento automático da despesa e da ajuda à banca e muito menos o resultado de qualquer estimulo discricionário (pouco mais de 800 milhões). O que é facto é que, graças aos chamados estabilizadores automáticos, a economia já estava a crescer em 2010. A dívida pública, que era de 68% do PIB, em 2008, está agora mais próxima de duplicar, em percentagem do PIB, do que outra coisa, graças à dinâmica recessiva e à diferença imparável desta com a dinâmica dos juros. A dívida tinha passado de 51% para 68% do PIB nos anos do novo milénio, marcados pela estagnação e austeridade latente, antes da crise internacional e da austeridade aberta provocarem danos ainda maiores.

O problema dos défices externos não foi de facto criado pela crise financeira, mas foi criado pela adesão à UEM, instituição que serve para justificar todos os sacrifícios, pela inserção dependente e pelo perfil de especialização que cristalizou, pela perda de instrumentos de política – cambial e industrial, por exemplo – que acarretou. De resto, a dívida externa liquida, medida pela posição de investimento internacional, residual até meados da década de noventa, andava pelos 110% do PIB, em 2010 e 2011, para subir para 120%, em 2013.

Desequilíbrios há muitos e não podem ser confundidos, mas as suas causas comuns fundamentais encontram-se no enquadramento externo que as elites criaram para a nossa economia. De resto, creio que este livro ajudar a desmontar a narrativa dos credores e do seu governo.


De . ESTA É A HORA !. a 18 de Outubro de 2013 às 15:12
Esta é a hora !
(-por Jorge Bateira, 17/10/2013, Ladrões de B.)


O país está em estado de choque. O governo preparou um Orçamento para 2014 que atinge brutalmente funcionários e ex-funcionários públicos, tanto pelo lado do emprego (“mobilidade”) como pelo lado do rendimento (salários e pensões). A partir de um limiar que entretanto já subiu, as pensões de sobrevivência também não escapam e serão cortadas numa escala inimaginável. O universo dos que lutam pela sobrevivência aumenta, como aumentam as filas dos que recorrem a uma refeição distribuída à noite, no anonimato, sem “condição de recursos”. Até agora, o rendimento das pensões constituiu para muitos uma rede solidária que minimizou os estragos desta política alucinada. Muitos filhos e netos estão parcial ou totalmente dependentes dos seus velhotes, no alojamento, no rendimento ou em ambos. Com este Orçamento, em muitas famílias a rede que os mais velhos garantiam vai rasgar-se. A situação é dramática para muitos portugueses, mas também o é para Portugal como nação. Quando a classe média é dilacerada, rompem-se os laços de solidariedade que sustentam o corpo social.

Quer o governo quer as instituições da troika sabem muito bem que esta política não reduz os défices nem sequer estabiliza a dívida. Hoje todos sabem que não há “austeridade expansionista”. Porém, a insistência nas “reformas estruturais” e a cada vez mais aberta aceitação do deslizamento das metas orçamentais são sinais de que há uma estratégia implícita na política económica que nos é imposta pelo ordoliberalismo germânico e seus agentes na periferia da zona euro. Assumida ou não, a estratégia é cada vez mais evidente: aniquilar o Estado de bem-estar que fomos construindo após o 25 de Abril. Numa sociedade cada vez mais desigual, os pobres e os estratos de baixos rendimentos serão amparados por um Estado assistencial, os restantes já estão a ser empurrados para os mercados da saúde, da educação e dos fundos de pensões.

Esta estratégia estava latente no projecto da moeda única desde Maastricht. A retórica da Europa social era apenas um véu que iludia o essencial: perda da soberania dos estados-membros nas diversas vertentes da política económica e submissão da zona euro à política económica alemã, seja na gestão da moeda e da taxa de câmbio do euro, seja na proibição de uma política orçamental activa, ou ainda na política comercial europeia de abertura à China. Acontece que sem política económica não podia haver desenvolvimento. Mas algum crescimento sustentado por crédito era possível. E os nossos bancos aproveitaram: transferiram muito dinheiro da Europa rica para sustentar o seu negócio de crédito fácil aqui. Sabemos como a euforia acabou.

E agora? Sujeitos a uma estratégia de submissão que visa fazer da periferia da zona euro um território de lazer da Europa rica, hoje virada para o comércio com a Ásia, como se vai recuperar o emprego? Como se consegue pagar a bola de neve do serviço da dívida? Como pode sobreviver Portugal enquanto comunidade? A resposta é simples: se não rompermos com o quadro institucional que nos conduziu aqui – as responsabilidades externas e internas são imbricadas, são sistémicas –, a emigração intercontinental será em massa, a dívida será parcialmente perdoada mas permanecerá um garrote, o país será gerido por marionetes nomeadas pelos interesses da finança europeia e pelos novos capitalistas angolanos. A questão da sustentabilidade do Estado social, tal como o conhecemos, já não se levantará então porque o país, enquanto polis com autonomia, terá desaparecido. As pressões que têm sido dirigidas ao Tribunal Constitucional pelas entidades credoras são reveladoras, em si mesmas, do destino que nos está reservado.

O país está em choque. Mas para reagir à ameaça letal que sobre ele se abateu precisa de adrenalina no corpo social. Precisa de tomar em mãos o seu destino. Este é o tempo em que se decide o futuro, esta é a hora!

(O meu artigo no jornal i)


De .OGE 2013, austeridade e ... a 18 de Outubro de 2013 às 15:23
Leituras (-por Nuno Serra, 16/10/2013, Ladrões de B.)
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«O OE de 2014 é herdeiro de uma famosa carta enviada pelo Governo à troika, ainda no consulado do anterior Ministro das Finanças. Mas sem personalidade. Do programa do PSD "para além da troika" de 2012, ao "enorme aumento de impostos" de 2013, segue-se agora algo sem nome, envergonhado e que se deu a conhecer aos soluços. (...) Se o erro económico e financeiro é fácil de detectar, mais difícil é compreender as suas origens. Há dois anos, podia-se falar de excesso de zelo e incompetência teórica; há um ano, já só se podia falar de interesses financeiros instalados. E este ano? Este ano apenas se vêem pessoas erradas, com poder e sem capacidade de mudança. O erro banalizou-se.»

Pedro Lains, «O terceiro orçamento de Vítor Gaspar»
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«Os anteriores OE cumpriram um objectivo: desvalorizaram o trabalho, aceleraram o desmantelamento do Estado Social, convulsionaram compromissos sociais básicos, colocaram os fracos em situação de maior fraqueza, retirando-lhes a esperança e asfixiando-lhes as expectativas, e impuseram a convicção ideológica de que a vida é um assunto de mercados. (...) Hoje, as pessoas comuns sabem com clareza laboratorial como não funciona uma economia: não funciona com crueldade salarial e fiscal e destruição da procura interna (...) que, sendo destruída, destrói a economia. E, com ela, a sociedade. (...) A alternativa a tudo isto existe e tem várias dimensões. Uma delas é um compromisso de estabilização salarial e de reposição de níveis mínimos de justiça social que quebre o vício destruidor instaurado.»

José Reis, «Os liliputianos: "não fazem por menos - tornam-se fatais"»
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«Todo o discurso sobre o "novo ciclo" resume-se, afinal, ao seguinte: o "novo ciclo" é igual ao anterior, mas em pior. Em pior por duas razões: porque estas medidas vão fazer regressar a espiral recessiva e agravar a situação no mercado de trabalho; e porque, nesta "nova" fase, o governo reforçou o clima de autofagia nacional. Ao invés de mobilizar os seus cidadãos contra uma política que condena o País à servidão, o Governo prefere fomentar um clima de guerra civil: pobres contra remediados, pobres e remediados contra a classe média, trabalhadores contra pensionistas, público contra privado, novos contra velhos, etc. É a luta de classes, mas ao contrário: não constrói laços entre as pessoas, corrói os que existem; não aproxima ninguém, antes explora o ressentimento e a inveja. Aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: não se reforça uma comunidade por esta via.»

João Galamba, «Eterno retorno do mesmo»
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«Esta parece uma corrida para o fundo, em que vamos devastando o nosso país e o nosso modo de vida em nome de uma dívida pública que não é possível pagar. Estamos, portanto, mais pobres em nome de nada. Não deixa de ser um fenómeno que perante o fracasso completo do actual rumo não se tenha simplesmente parado. Ainda que com dificuldade, é possível compreender o autismo dos credores internacionais - como se estão a marimbar para um povo que não é o seu, querem apenas assegurar que recebem tudo a que acham ter direito. O que já não se pode compreender e aceitar é a atitude subserviente e antipatriótica dos governantes portugueses. (...) Actualmente, só um discurso e um programa patrióticos poderão salvar, não só os estados europeus mais atingidos pela crise, mas sobretudo a ideia de uma Europa unida, solidária e democrática.»

Pedro Nuno Santos, «Em nome da democracia e da UE»

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O verdadeiro PORQUÊ da «crise financeira:
(-Fernando Madrinha - Jornal Expresso de 1/9/2007):

[...] "Não obstante, os bancos continuarão a engordar escandalosamente porque, afinal, todo o país, pessoas e empresas, trabalham para eles. [...] os poderes do Estado cedem cada vez mais espaço a poderes ocultos ou, em qualquer caso, não sujeitos ao escrutínio eleitoral. E dizem-nos que o poder do dinheiro concentrado nas mãos de uns poucos é cada vez mais absoluto e opressor. A ponto de os próprios partidos políticos e os governos que deles emergem se tornarem suspeitos de agir, não em obediência ao interesse comum, mas a soldo de quem lhes paga as campanhas eleitorais." [...]


De .Banca, donos de Portugal e mandaretes. a 18 de Outubro de 2013 às 15:29


------ Paulo Morais, professor universitário - Correio da Manhã – 19/6/2012

[...] "Estas situações de favorecimento ao sector financeiro só são possíveis porque os banqueiros dominam a vida política em Portugal.
É da banca privada que saem muitos dos destacados políticos, ministros e deputados.
E é também nos bancos que se asilam muitos ex-políticos." [...]

[...] "Com estas artimanhas, os banqueiros dominam a vida política, garantem cumplicidade de governos, neutralizam a regulação.
Têm o caminho livre para sugar os parcos recursos que restam.
Já não são banqueiros, parecem gangsters, ou seja, banksters."

[...]
Os aumentos de impostos que nos martirizam e destroem a economia têm como maiores beneficiários os agiotas que contrataram empréstimos com o estado português.
Todos os anos, quase dez por cento do orçamento, mais de sete mil milhões de euros, destina-se a pagar juros de dívida pública.

Ainda no tempo de Sócrates, e para alimentar as suas megalomanias, o estado financiava-se a taxas usurárias de seis e sete por cento.
A banca nacional e internacional beneficiava desse mecanismo perverso que consistia em os bancos se financiarem junto do Banco Central Europeu (BCE) a um ou dois por cento para depois emprestarem ao estado português a seis.

Foi este sistema que levou as finanças à bancarrota e obrigou à intervenção externa, com assinatura do acordo com a troika, composta pelo BCE, FMI e União Europeia. [...]
Mas o que o estado então assinou foi um verdadeiro contrato de vassalagem que apenas garantia austeridade.
Assim, assegurou-se a continuidade dos negócios agiotas com a dívida, à custa de cortes na saúde, na educação e nos apoios sociais.

[...] A chegada de Passos Coelho ao poder não rompeu com esse paradigma. Nem por sombras.
O governo optou por nem sequer renegociar os empréstimos agiotas anteriormente contratados; e continua a negociar nova dívida a juros incomportáveis.

Os políticos fizeram juras de amor aos bancos, mas os juros pagámo-los nós bem caro, pela via dum orçamento de estado que está, primordialmente,
ao serviço dos verdadeiros senhores feudais da actualidade, os banqueiros."


------ Miguel Sousa Tavares - Expresso 07/01/2006

«Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos [Ota e o TGV], não apenas os directamente interessados -
- os empresários de obras públicas, os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos -
- mas também flutuantes figuras representativas dos principais escritórios da advocacia de negócios de Lisboa.
Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses.
E o grande dinheiro agradece e aproveita.»



De Solução B para resolver a crise a 18 de Outubro de 2013 às 12:18
Modus Operandi

Caçar paulatinamente os ladrões do povo, apanhando-os um a um e justiçá-los...

Os criminosos são a máfia financeira, os donos e administradores de empresas que parasitam o Estado, os políticos corruptos, os legisladores a soldo, os propagandistas venais, etc.
A limpeza metódica desta cáfila (que o receio tornará difícil revezar), fará inevitavelmente desabar a pirâmide que detém o poder.

A sociedade está hoje instantaneamente ligada entre si pelas actuais tecnologias de informação e telecomunicações - Internet e telemóveis.
É actualmente possível a troca rápida de informação entre muitos milhares de cidadãos sob as mais variadas formas - redes sociais, blogues, e-mails, texto, voz, fotos e vídeos.

As populações, recorrendo a estas novas tecnologias e podendo comunicar mais rápida e directamente uns com os outros,
têm a capacidade de registar a teia de ligações, de influências e as agendas dos ladrões que os estão a conduzir à ruína,
bem como montar um sistema de vigilância que lhes monitorize os passos, os localize em tempo real e os elimine de facto.

Quando sonegado de todas as entidades que o deveriam defender, um povo tem todo o direito de utilizar a violência contra a Máfia do Dinheiro,
acolitada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e a economia de um país inteiro.

Num país em que os políticos, legisladores e comentadores mediáticos estão na sua esmagadora maioria a soldo do Grande Dinheiro, só existe uma solução para resolver a «Crise»...

Somos 10 milhões contra algumas centenas de sanguessugas... e não há buracos suficientes para elas se esconderem...

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Não esquecer de alargar a 'operação' a alguns alvos externos ...

e já outros povos estão a perceber o mesmo:

- Governo Grego diz que NÃO aplicará mais medidadas de austeridade, que a Troika lhe 'sugeriu'.
- cidadãos europeus atiram ovos ao Burroso em Bruxelas e insultam-no em Lampedusa,It..


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