De PachecoPer.: DesGoverno a voo de pássaro a 21 de Outubro de 2013 às 13:58
13.10.13 (JPP)
O NAVIO FANTASMA (42): SENTIDO DE ESTADO

Eu ia começar por escrever que mais uma vez se vê a completa falta de sentido de estado deste governo. Mas não é "mais uma vez", é sempre, todos os dias, sem respiração. A conferência de imprensa de Paulo Portas com a Ministra das Finanças ao lado (será castigo?) é um retrato de como este governo é apenas o palco das ambições e justificações políticas dos seus membros, em particular dos seus dois primeiros-ministros. Se tivessemos uma gota de ideia do que é o sentido de estado, ficariamos de cabelos em pé por coisas como esta conferência que se destina apenas a desculpar um seu membro, e punir os seus adversários, que, ou estão ao seu lado, ou lá dentro na parte de trás do pano.

Por que razão é que se permite uma conferência de imprensa de um membro do governo, em nome do governo, para se justificar a si próprio e anunciar de forma entaramelada uma medida única, cujos contornos, contexto e ligação com outras está longe de ser esclarecida? A única vantagem é ver Portas na patética situação de se entaramelar em explicações, sem sequer perceber até que ponto fica numa situação ridícula. Se há alguém no governo (e há) a querer ajustar contas com Portas está a consegui-lo na perfeição. Claro que à custa daquilo que antigamente , no tempo do Génesis, se chamava sentido de estado.

12.10.13 (JPP)
O GOVERNO (?) A VOO DE PÁSSARO (4): DE MAL A PIOR

O problema é que desde a última “crise Portas” o carácter disfuncional do governo acentuou-se. Já era mau, agora é pior porque se institucionalizou a diarquia reinante, sem que Portas tenha os verdadeiros poderes para que tem os seus múltiplos chapéus e Passos Coelho mande alguma coisa, entre o alheamento e a indiferença, a esperar que o seu Vice tropece nos seus chapéus como aconteceu na última semana. Será que o Presidente ainda não entendeu que não tem governo, tem um ajuntamento de conveniência em que os egos, as vinganças, as rasteiras, o salvar a sua própria pele são a regra e a motivação de todos os dias? Antes o cancro do governo era Relvas, hoje é Portas, mas em ambos os casos a primeira responsabilidade é de Passos Coelho e Cavaco Silva. E visto a voo de pássaro tudo parece desconjuntado, como efectivamente é. Pobre país, o nosso.

O GOVERNO (?) A VOO DE PÁSSARO (3): GOVERNAR POR “DESENHOS”

Pode ser aliás que não haja nada para saber, é tudo por arroubos, “desenhos”, tentativa e erro, anúncios cirúrgicos por Marques Mendes, recados ao Expresso nos fins de semana para a primeira página. O objectivo é criar “impressões”, e depois, quando as “impressões” caiem dias depois, sem sustentação, o seu efeito útil já existiu. Exemplos: “as privatizações foram as mais transparentes de sempre”, o “governo aumentou as reformas”, “não é necessário mais planos de austeridade”, “agora é que se vai exigir à EDP que participe no esforço nacional”, “o governo negociou os contratos swap de modo a evitar que se pagassem milhões”, PPPs idem, a “economia já deu a volta”, etc., etc. Tudo isto embrulhado em números reais, números imaginados, números previstos, comparação entre o que se previa e que vai acontecer, comparação entre o futuro virtual e a realidade nunca enunciada, tudo o que é mentira é “lapso”, tudo o que é grave é “declaração infeliz”, nada tem consequências. Claro, e a culpa é dos portugueses “piegas”, dos sindicatos comunistas, dos traidores do PSD, dos “socráticos” no PS e do Tribunal Constitucional

O GOVERNO (?) A VOO DE PÁSSARO (2): O HOMEM DOS MÚLTIPLOS CHAPÉUS
E que faz o maior portador de chapéus da política portuguesa, o Vice-PM, responsável pela “coordenação económica”, pelas relações com a troika, etc,. etc? Faz de PM. Anuncia as boas decisões. Oculta as más decisões, exercendo aquilo a que hoje se chama “comunicação politica”. Passeia com a Min. das Finanças pelo mundo para chegar de mãos vazias. Faz umas frases tipo soundbite para que a sua reprodução pela comunicação social distraia do conteúdo. Distribui umas pseudo-teses cómodas e simples, para circularem em vez de análises. Um exemplo: “desta vez houve negociação política”. Ai houve? Onde, com quem, com que resultados? Ou seja, há dois governos, um de papel, presidido por P.Coelho; outro de lata brilhante presidido por P.Portas


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