2 comentários:
De Neoliberais: explorar e degradar trabalh a 30 de Outubro de 2013 às 14:41
Francisco Louçã:
“Políticas neoliberais precisam do aumento absoluto da exploração”
[esquerda.net, 29-10-2013, via MIC]

Na sua comunicação “O capital fictício na Economia Sombra”, no II Congresso Internacional Karl Marx, o economista e dirigente do Bloco sustenta que, a partir dos anos 1980, o aumento do peso do capital financeiro e a hipertrofia dos mercados financeiros não regulados mantém o processo de queda da taxa de lucro e explica a agressividade das políticas que buscam o aumento absoluto da exploração e pretendem impô-la através de formas autoritárias.

No volume III do “Capital”, Marx escreveu: “Como é evidente, todo o sistema artificial de expansão forçada do processo de reprodução não pode ser remediado fazendo com que um banco, como o Banco de Inglaterra, entregue aos responsáveis da fraude o capital deficiente, imprimindo notas.” (Volume III, p.479). “Marx enganou-se neste ponto, se isto fosse uma previsão”, observou Francisco Louçã, porque “foi isso exatamente que foi feito na crise de 2008”. Mas o facto de os “responsáveis da fraude” terem sido recompensados pelos bancos centrais apenas comprova até que ponto o mundo da finança ocupa hoje um papel predominante na apropriação da mais-valia gerada na sociedade.

Derivados representam mais de 16 vezes o valor do PIB mundial

Isso quer dizer que a análise de Marx estava errada? Não. Francisco Louçã vai buscar a Marx a definição de capital fictício, conceito que considera essencial para explicar a crise atual. Marx falava de três tipos de capital fictício do banqueiro: ações, como as dos caminhos de ferro, que representavam capital real (títulos sobre capital); títulos de dívida soberana (títulos emitidos sobre capital gasto); e títulos de crédito, que permite ao banco o aumento dos ativos, em consequência do crédito e, portanto, da parte do capital financeiro na apropriação da mais valia. Ocorre que nos tempos de Marx, o fenómeno da financeirização da economia – e estes seguindo o terceiro tipo de capital fictício – não tinha a importância que adquiriu particularmente a partir dos anos 80 do século XX.

Os números dão calafrios: hoje, o valor do mercado de derivados não regulados ultrapassou um quadrilião de dólares e duplicou desde o início da atual recessão. De onde vem esta massa de capital que não tem correspondência na produção real de valores? Trata-se evidentemente de capital fictício, mas que tem o seu valor garantido por dívida, que é garantida por salários, pensões e impostos, obrigando a um controlo implacável. “A dívida é uma forma de exploração, porque é uma garantia do valor dos salários que é pago no futuro sob a forma de impostos”, explica Louçã.

Mais-valia absoluta

Nos últimos anos, prossegue Louçã, há uma grande discussão entre os economistas marxistas em torno de se existe ou não, atualmente, queda da taxa de lucro. A partir dos anos 80, registar-se-ia uma recuperação da taxa de lucro se forem levados em linha de conta os critérios normais de cálculo. Mas se se levar em conta as formas de moeda ou quase moeda, como títulos, ações, obrigações, o que Marx chamou de capital-crédito, então a taxa de lucro é muito mais pequena e, na verdade, prossegue a sua queda. Essa redução da taxa de lucro explica a agressividade das atuais políticas neoliberais, que buscam um aumento absoluto da exploração e pretendem impô-la através de formas autoritárias.

“A partir dos anos 80, quando as políticas neoliberais ganharam muita força nos principais países capitalistas, generalizou-se a grande dimensão do capital financeiro, este capital baseado na dívida, na extração da mais-valia absoluta, ou seja, no aumento da exploração do trabalho. Neste processo, estes novos setores do capital acumularem uma grande parte do valor que é produzido na sociedade”.

Formas autoritárias de exploração
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De !! Aumentar a exploração !! a 30 de Outubro de 2013 às 14:42
Francisco Louçã: “Políticas neoliberais precisam do aumento absoluto da exploração”


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Formas autoritárias de exploração

Para contrariar a queda da taxa de lucro, as classes dominantes multiplicam as formas autoritárias de exploração do trabalho, de todas as modalidades possíveis, nos países capitalistas da periferia, Portugal, Grécia, etc., sob a forma da renda fiscal, do aumento dos impostos, do aumento do trabalho gratuito, da redução de salários, da redução das pensões. “E esse processo é totalmente baseado no poder imenso que o Estado dá ao capital financeiro”. É o que Louçã chama de “governo sombra numa economia sombra”.

Este capital sombra é também capital real, na medida em que seja garantido por dívida que venha a ser paga, porque determina a distribuição e a apropriação de parte da mais-valia total da sociedade. O seu instrumento é a dívida, que é fictícia, mas cuja distribuição é política e até, eventualmente, militar. E por isso, “o capital fictício é a forma mais autoritária de poder político”.

Para Louçã, “o que a burguesia europeia pretende é a estabilidade de um regime que permita assegurar o aumento da extração da mais-valia, a recuperação da taxa de lucro, a reconstrução da sociedade degradando todos os direitos dos trabalhadores”.



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