De Emigrar: Fugir à miséria e aos ladrões a 6 de Novembro de 2013 às 12:13
O estigma da emigração
Debate Crise e alternativas

[-por Mafalda Durão Ferreira*, publico.pt, 04-11-2013, via MIC - * Reformada, ex-subdirectora-geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas]


A FLAD e a OCDE promoveram recentemente, em Lisboa, o seminário Novas dinâmicas Migratórias Internacionais: Portugal no Contexto dos Países da OCDE.
Neste seminário, usou da palavra o director-geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas (DGACCP), João Maria Cabral, o qual, segundo o PÚBLICO online, avisou que ia ser “provocatório”. Disse: “Não quero branquear o fenómeno social, mas a emigração pode ser vista como algo positivo e enriquecedor”.

Ora cumpre perguntar:
positivo e enriquecedor para quem?
Para quem parte, com sofrimento e perda, para as famílias que ficam, privadas de pais, filhos e filhas?
Para o País que investiu na formação de quem parte?
Para Portugal, país com graves problemas de natalidade e que fica privado da geração em idade fecunda?
Ou para os países que os recebem, a custo zero, sem nada terem gasto ou investido na sua formação e pagando-lhes metade ou menos dos ordenados que pagam aos seus nacionais com idênticas habilitações?

E disse ainda o sr. director-geral da ACCP:
“A saída pode ser uma mais-valia (…) a emigração pode oferecer mais do que as remessas dos emigrantes, (...) há que eliminar o estigma do fenómeno migratório.”

O sr. director-geral da ACCP reproduziu na íntegra a linha de “pensamento” do ex-ministro Relvas e do primeiro-ministro: “ Emigrem ! ”

A única coisa que vislumbro como “provocatório” e inovador no seu discurso é
a desfaçatez de vir procurar apresentar a emigração como “a” óptima alternativa para os portugueses atingidos pelo flagelo do desemprego.

Descobriu a pólvora!
Para os portugueses, a emigração é uma alternativa à fome, à miséria, ao desemprego, à exploração, desde há décadas!
Nunca precisaram de ser ensinados a partir, a pegar na trouxa e partir.
Mas são sempre os mesmos a partir, ainda que licenciados, sem bolsas de estudo, sem respaldo familiar, etc.

Estar desempregado, quer se queira, quer não, é sentido como um estigma pelo atingido.

Emigrar é fugir a esse estigma, é ganhar vida e a dignidade que o país lhe recusa!

O que todos nós queríamos era que Portugal fosse uma “ALTERNATIVA” para todos os portugueses.
Foi para isso que se fez o 25 de Abril, por um Portugal de todos, e não para ouvir discursos que são a despudorada verbalização de políticas que fazem lembrar os tempos da ditadura.




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