Global barbarismo neoliberal -vs- Alternativas político-económicas
    Notícias preocupantes mas que, infelizmente, não surpreendem:    «O medo regressou à Grécia com a notícia da morte de dois militantes do Aurora Dourada, alvejados por desconhecidos à porta de um edifício do partido neonazi num subúrbio de Atenas.» (Público, 2/11/2013)
     «Os mercados entraram em pânico e o Banco Central Europeu tem de tomar medidas urgentes. A razão é grave: a inflação na zona euro desacelerou para uma zona de perigo de deflação.   A taxa de inflação anual na zona euro atingiu 0,7% em Outubro, o que representa uma desaceleração face ao valor de 1,1% verificado em Setembro, segundo a estimativa rápida do gabinete de estatística da União Europeia divulgada na quinta-feira.» (i online)
     Como tenho dito, os anos 30 do século passado (e da grande depressão e ascensão do fascismo/nazismo) são uma referência útil para entender o que estamos a viver:
     «Em Berlim, a polarização eleitoral reflectia-se nas lutas de rua entre milícias nazis e comunistas. … Brüning manteve-se como Chanceler, apoiado no Reichstag pelos Sociais-Democratas, mas a sua autoridade tinha sido enfraquecida e a opinião política e financeira, no estrangeiro, estava cada vez mais alarmada. Em Dezembro de 1931 foram ordenados mais cortes … Brüning e os seus conselheiros sentiam uma imperiosa necessidade de restaurar a abalada confiança na Alemanha.» (Barbarism and Civilization, p. 177)
     «Várias lições da desastrosa experiência entre as duas guerras são directamente relevantes para a Europa dos nossos dias ... A deflação ajudou a aprofundar a Depressão; ... os países começaram a recuperar da Grande Depressão logo que abandonaram o padrão-ouro.» (O'Rourke e Taylor, p. 176)
  .   O trilema

     Realizadas as manifestações convocadas pela CGTP e pelo movimento Que Se Lixe a Troika, tudo indica que a falta de uma proposta credível para romper com a actual depressão, a falta de uma luz ao fundo do túnel, é a razão fundamental para a desmobilização das pessoas. Contudo, são cada vez mais visíveis os sinais de que há uma cólera sufocada que, mais tarde ou mais cedo, acabará por irromper com violência no espaço público. Na Grécia dos nossos dias, como na Alemanha dos anos trinta, a violência é sintoma de um enorme fracasso político à esquerda: a incapacidade de produzir uma alternativa mobilizadora. A situação em que nos encontramos foi descrita pelo economista Dani Rodrik sob a forma de um trilema. Dos três vértices do trilema - globalização, estado-nação, democracia - as sociedades contemporâneas apenas podem escolher dois.

      A globalização comercial e financeira, consagrada no Consenso de Washington, logo após o fim da União Soviética, foi progressivamente imposta nos vários continentes através do FMI, do BM e da OMC. Na Europa, os estados colocaram-se sob a tutela dos mercados financeiros e as várias dimensões do Estado social europeu foram sendo reconfiguradas em nome da "competitividade". Nesta nova ordem, a política económica contra-cíclica tornou-se anátema, o trabalho foi desprotegido, a legitimidade dos direitos sociais foi posta em causa e a finança desregulada infiltrou os maiores partidos, controlando agora apertadamente os estados. Por conseguinte, a escolha entre diferentes projectos de sociedade ficou praticamente eliminada já que a ideologia neoliberal e os interesses de uma minoria induziram a escolha dos vértices globalização - estado-nação. A situação de tutela que hoje vivemos, sujeitos a "condicionalidades" que não dependem dos resultados eleitorais, faz-nos sentir na pele o que vários povos de outros continentes há muito sabem: a globalização esvaziou a democracia no estado-nação.
      Tratando-se de um trilema, há mais duas escolhas possíveis. Uma delas é o binómio democracia - integração, neste caso deixando cair o estado-nação e transferindo para um nível superior os mecanismos da democracia representativa. Esta opção não existe à escala mundial mas é o sonho de muitos europeístas, pelo menos como a meta de um processo lento e cheio de obstáculos. Tendo abdicado da soberania económica através da criação de uma moeda única, de um banco central independente e do Tratado Orçamental, os estados pertencentes à Zona Euro poderiam dar mais alguns passos de natureza federal:    eleger o Presidente da Comissão, criar um orçamento federal com transferências dos países mais ricos para os que estão em dificuldades, mudar o mandato do BCE para que financie os estados mais frágeis e lhes torne mais favoráveis a taxa de câmbio e a inflação, etc.    A crise que estamos a viver já tornou evidente que a Alemanha nunca aceitará este caminho, embora esteja disposta a camuflar essa recusa com cedências de menor alcance, sempre tentando ganhar tempo. O SPD, o novo parceiro de Angela Merkel no governo, será muito útil para camuflar a sua estratégia de completa submissão da UE ao ordoliberalismo. Porém, como observaram Kevin O'Rourke e Alan Taylor num recente artigo académico (Cross of Euros), "Uma coisa é levar mais longe as instituições federais dos Estados Unidos em tempo de crise, dentro do que já é um país, outra coisa é fazê-lo numa união de 17 estados independentes."
     Perante a urgência de encontrar uma saída para esta crise, ainda podemos virar-nos para a terceira escolha, o binómio estado-nação - democracia, deixando cair a Zona Euro e protegendo-nos da globalização. É este o caminho de saída da crise que as esquerdas se têm recusado a assumir. Por isso é que continuamos sem luz ao fundo do túnel. E também é por isso que, em França, Marine Le Pen vai à frente nas sondagens.   (O meu artigo no jornal i)


Publicado por Xa2 às 07:43 de 04.11.13 | link do post | comentar |

14 comentários:
De + OIT na globalização ( e - OMC, - FMI) a 14 de Novembro de 2013 às 09:55
A OIT é indispensável à globalização
(-por José Gomes Ferreira, 5/11/2013, Cortex-frontal)

Há anos que defendo um papel mais activo da OIT na governança da mundialização,
e volto a ela no meu próximo livro
«Não há Mapa-Cor-de-Rosa : a história (mal)dita da integração europeia » - a ser lançado esta semana pelas Edições 70,.

A globalização neo-com assente no
desregramento financeiro, na competitividade de salários asiáticos sem protecção de direitos sociais
só foi possível pela quebra de influência da OIT no sistema das Nações Unidas,
com o reforço paralelo do FMI, e com
a emergência forçada da Organização Mundial do Comércio (OMC),
muito saudosa dos tempos da competitividade do trabalho FORÇADO (semi-escravo) como factor dos preços baixos no mercado mundial e da domesticação da inflação.
Deste modo as conquistas sociais europeias são mantidas na defensiva tanto mais que desapareceu o «o império do mal».

Pois bem, parece que a OIT quer começar por Portugal um novo ciclo na sua vida internacional.
É bem vinda.
Mas para já nenhum estudo da OIT consta das Fontes utilizadas no guião de Paulo Portas!


De Saídas da dívida e escrúpulos a 7 de Novembro de 2013 às 16:36
Para compreender as saídas da dívida soberana

A dívida é sustentável quando não há escrúpulos

(-por J.V. Malheiros, Público, 8/10/2013 )

Se o Governo português declarasse que a actual dívida pública é insustentável, esse gesto teria de ter como consequência a abertura imediata de um processo de renegociação dessa dívida com os credores que a detêm. Essa renegociação, feita em nome dos interesses do país, teria de se saldar por um perdão de uma parte substancial dessa dívida, por uma descida dos juros a aplicar sobre a dívida restante e por um reescalonamento dos pagamentos, de preferência de forma indexada ao desempenho da economia (balança comercial) e a indicadores sociais (desemprego).
É evidente que se pode perguntar "Por que razão é que os credores aceitariam receber menos dinheiro e mais tarde se podem receber mais dinheiro e mais cedo?".
A resposta é que há uma situação em que os credores aceitam sempre renegociar dívidas: quando essa opção é melhor do que a alternativa. A renegociação é aceite pelos credores sempre que existe um risco de incumprimento do devedor. Perante a possibilidade de deixar de receber pagamentos, é racional que um credor baixe juros e alargue prazos de pagamento. Esta renegociação não é um favor do credor nem é um pecado do devedor. É algo comum no negócio. Segundo a lógica da economia capitalista, é saudável ganhar ou perder com os negócios e, às vezes, perde-se. Quando se empresta dinheiro a quem não pode pagar, fez-se um mau investimento e, por isso, perde-se. E é uma condição essencial à existência de um são mercado concorrencial que se possa ganhar quando se faz um bom negócio e se perca quando se faz um mau negócio. Se houvesse sempre a garantia de ganhar, fazendo bons ou maus negócios, não haveria mercado e não haveria a sobrevivência dos mais capazes, como reza a teoria. Mas - pode argumentar-se - isso não incentiva todos os devedores a exigir renegociações? Isto não desequilibra o mercado em benefício dos incumpridores? Não, por duas razões: por um lado, o credor pode não aceitar a renegociação se considerar que tem boas possibilidades de receber todo o seu dinheiro; por outro lado, o devedor paga um preço em termos de reputação e, da próxima vez que precisar de financiamento, pode não o encontrar no mercado, o que constitui uma forte penalização.
Quando o devedor é uma empresa, é fácil avaliar os seus activos e ver se ela tem ou não condições para pagar. O seu património constitui um conjunto finito, conhecido. No caso de um país, as coisas são mais complicadas. Mesmo que um Estado não tenha reservas no tesouro nacional e não possa imprimir dinheiro, pode sempre aumentar impostos, confiscar bens privados, vender património, vender licenças para a exploração de bens públicos. De facto, um Estado só declara incumprimento quando se atinge uma linha vermelha que ele próprio decide. Mas pode acontecer que um governo ache que o pagamento da dívida nos termos contratados se sobrepõe a todos os deveres e deve ser feita "custe o que custar". Pode acontecer que um governo pense que o pagamento da dívida se sobrepõe à lei do país, aos direitos humanos, à moral. Neste caso, aumentará impostos, cortará na educação e saúde, cortará nas pensões, nos apoios sociais e venderá todos os bens públicos que possa. Quando se decide pagar custe o que custar e não renegociar nunca, o incumprimento pode nunca acontecer, mesmo que as condições dos empréstimos sejam moralmente abjectas e economicamente destrutivas. Pode-se vender a Batalha e a Torre de Belém. Pode-se vender o Algarve e a Madeira. Pode-se vender o voto nas instâncias internacionais a quem pagar mais. Pode-se vender concessões mineiras sem exigir garantias para o ambiente. Pode-se garantir uma exportação de milhares de engenheiros por ano para a Alemanha (a Alemanha gosta de receber Fremdarbeiter). Pode-se oferecer o país para fazer experiências científicas difíceis de aceitar noutros países. Pode-se criar uma rede de bordéis para utilização de altos funcionários de organizações credoras. Pode-se fazer imensas coisas para gerar dinheiro, pagar a dívida e satisfazer os credores. Custe o que custar.
Inversamente, quando existe um mínimo de moralidade e de sentido patriótico, há abjecções a que não se admite descer e ...


De Renegociar a dívida agiota a 7 de Novembro de 2013 às 16:38
Para compreender as saídas da dívida soberana

A dívida é sustentável quando não há escrúpulos
...
... quando existe um mínimo de moralidade e de sentido patriótico, há abjecções a que não se admite descer e que fazem com que a dívida seja insustentável.
A maior parte dos economistas não comprometidos com os partidos do poder acha que a dívida actual é insustentável.
Passos Coelho e Cavaco Silva, pelo contrário, acham que é sustentável. (É verdade que Cavaco diz que é masoquismo dizer o contrário, sendo que antes disse o contrário do que disse agora, mas isso é aquele problema de fios trocados que nós fingimos não ver.)
Há ainda imensas coisas que eles acham que se pode fazer para ir buscar dinheiro. Não existe linha vermelha definida pela lei, pela moral ou pelo interesse nacional que eles não admitam ultrapassar.
Isto significa que, enquanto Passos Coelho estiver no poder, a renegociação não será vista como a melhor opção para os credores. Eles sabem que têm um amigo na presidência e outro em São Bento. Enquanto eles lá estiverem, os credores estão garantidos. A dívida vai ser sustentada. Os portugueses, esses, é que vão ficar sem sustento.

About the Author
José Vítor Malheiros
Membro da Comissão de Auditoria da IAC


De Estado Social vs Privatização do Mundo a 7 de Novembro de 2013 às 15:49

A privatização do mundo

(-por F.Castro, 29/10/2011, EsquerdaRepublicana)

Eu acho que as poucas décadas de democracia e prosperidade que a Europa viveu a seguir à segunda guerra mundial são uma anomalia da história e não podiam durar.
Sobretudo porque a democracia e a liberdade e a justiça social que as democracias parlamentares do norte da Europa gozaram foram gozadas às costas dos ricos.

Durante as duas ou três gerações que a festa durou a classe alta foi obrigada a pagar impostos e a aceitar os interesses da maioria, pela primeira vez em 12 mil anos.
Ninguém achou piada, mas como muitos tinham apostado no Hitler e no Mussolini e no Halifax e no Pétain e no Pio XII, foram forçados a atravessar o deserto.
Nos anos setenta, como era de esperar, os ricos reorganizaram-se para ultrapassarem as desventuras da segunda guerra (os Bilderbergs e o WWF, por exemplo, são parte de um esforço vastíssimo dessa reorganização).

E foi neste contexto que há mais ou menos 30 anos que os políticos (e os jornalistas) que aceitaram viver debaixo da mesa dos ricos
desataram a dizer mal da política, a sabotar a democracia social e a repetir convulsivamente a mentira de os privados fazerem mais e melhor do que as administrações públicas.

As razões dos ricos são simples e fáceis de perceber:
do ponto de vista deles, quanto mais dinheiro tiverem melhor. Não porque consigam gastá-lo - não conseguem - mas por poder e por vaidade, para fazer inveja aos amigos e para viverem acima da lei, como sempre viveram.

As razões dos políticos (e dos jornalistas) também são fáceis de entender:
viver debaixo da mesa dos ricos é melhor que viver numa meritocracia. O Barroso nunca teria o que tem se não fosse um sabujo dos ricos.

As razões dos pobres que votam na direita também são óbvias e o Luis Buñuel explicou-as eloquentemente no filme "Viridiana":
os miseráveis têm tendência para serem miseráveis.
Aqui nos EUA são os miseráveis que estão sempre a falar das pessoas que "são um fardo para as outras".
Este é o argumento dos pobres: em princípio são contra ajudar os outros.
Verem os outros a viverem melhor, mesmo que também ganhem com isso, é-lhes insuportável.

No fim do dia, só a classe média é que tem alguma coisa a perder,
e a classe média está sempre ocupada com os resultados da bola, ou os dramas da telenovela.
Não há nada mais fácil do que escandalizá-los com os slogans dos pro-vidas e dos anti-gays, ou aterrorizá-los com os perigos diversos que os pasquins repugnantes que se publicam - como o Público ou o Correiro da Manhã - alardeiam quotidianamente -
dantes era o perigo amarelo, depois eram os comunistas a comerem crianças (...), agora é o islão, o terrorismo, a crise, ...

Todos os dias vejo aqui as secretárias do meu departamento, profissionais excelentes e incansáveis, a trabalhar horas extraordinárias
sem receberem nem mais um cêntimo, sem aumentos nem perpectiva deles até 2015, a saberem que os administradores ganham entre $250k a $500k (mil dólares,= c.20 000 € a 40 000 € por mês !! ) por ano
e se aumentam todos os anos,
e a defenderem o governador crápula que nomeou esta casta de cleptocratas. (governantes ladrões)

Se calhar temos o que merecemos /o que a maioria alienada merece :
a Médis e o PPD e o Cavaco e o Alberto João Jardim e o José Manuel Fernandes...


De Eficiência, redistribuição e serviço soc a 7 de Novembro de 2013 às 16:06
----Fern.Vasconcelos, 30, 2011 12:06:00

Em quase absoluto acordo, estão aqui retratados alguns dos problemas da nossa sociedade. O ataque ao estado social é baseado numa série de mentiras entre as quais a suposta verdade da excelência da gestão privada sobre a pública quando na prática ambas podem ser igualmente más ou boas, tudo depende exclusivamente da qualidade do gestor sendo o que verdadeiramente difere é a forma (para quem) como a mais valia é distribuída ...

---Kahorka Tudesca
privatização do quê?
estatização do mundo ocidental no pós guerra fria
três triliões de Libras de dívida estatal?
80 mil libras por brit'?
28% é o peso do estado na China 53% no Reino Unido o governo não pode expandir-se mais
A era dos grandes governos sovietizadores da economia chegou ao fim
não entender os paradoxos históricos que se criaram numa demografia moribunda é estúpido
é raciocínio de manga de alpaca
ou de bolseiro
ou de institucionalizado em instituto ou fundação
o estado não gera receitas só consumos
até a URSS importava trigo
a Rússia incendiada exporta-o

----Maquiavel,
Tudesca estupidesca e tristesca.
Usar essa comparaçäo ridícula da Rússia vs. URSS só tira crédito ao "argumento". Se fosse honesto intelectualmente saberia que a URSS eram 15 países, muitos dos quais ainda hoje deficitários em trigo. A RSFSR provavelmente também tinha excedentes, mas o conjunto dos 15 países era deficitário, como o deve ser ainda hoje. Tanto por onde pegar para se provar que a URSS era ineficiente e vai-me escrever isto? Só prova a sua estupidez. Adiante.

O Fernando falou e disse. Por exemplo, o sector público finlandês é bem mais eficiente que o sector privado português. É resultado da boa gestäo pública finlandesa. E mais: o sector público é que força o privado a ser *mais eficiente que* ele. A "eficiência" é sempre relativa. Sem esse termo de comparaçäo o sector privado é eficiente em termos relativos, embora ineficiente em termos absolutos (nomeadamente comparaçäo externa). E por isso o sector privado português é täo pouco exportador, porque concorre com empresas privadas e públicas no contexto da UE muito mais eficiente que ele.

Por isso há que ter um sector público forte, e bem gerido. Só assim os privado têm motivaçäo para melhorar.

-----Fernando Vasconcelos
Mas não é apenas isso - não é apenas uma questão de motivação para a concorrência. A questão é que em muitos casos (não em todos claro porque obviamente também existe má gestão pública) quando uma empresa pública é menos eficiente por vezes isso acontece por ter de fazer serviço público não rentável. Por exemplo explorar linhas de autocarros, comboios e outras deficitárias, explorar redes eléctricas para localidades remotas , aceitar doentes que não podem pagar ou "pior" ainda com doenças "não rentáveis". E agora queremos combater essas ineficiências como? privatizando? Ok tudo bem ... E estamos dispostos a pagar o preço? O kahorca tudesca pensa que sou contra uma economia capitalista e de mercado. De todo. Sou a favor mas sou absolutamente contra a onda liberal que nos assola e ainda mais contra algumas fábulas inventadas para suportar a usurpação indevida de riqueza de alguns e perpetuadas por mitos que repetidos vezes sem conta até parecem verdade. O estado não gera receitas só consumos ... Falso. O estado (isto é nós - porque o estado não é mais do que o conjunto de pessoas que trabalha para gerir a organização da nossa sociedade, que pagamos com os e nossos impostos) gera receita sempre que se envolve numa actividade produtiva qualquer, exactamente da mesma forma que uma empresa privada. Na execução dessa actividade tem custos - como qualquer empresa privada. O resultado liquido dessa exploração resultante da mais valia do serviço prestado no caso das empresas privadas reverte a favor dos seus accionistas ou sócios, no caso do estado reverte a favor de todos nós. Deve por isso o estado monopolizar a actividade económica? Obviamente que não. Isso está mais do que provado que não funciona. Deve manter uma presença nas áreas onde o serviço público inclui externalidades dificimente abarcáveis por empresas privadas? Penso que sim, que essa é a forma mais eficiente de permitir uma efectiva distribuição justa de riqueza.
...
...


De Público vs privado a 7 de Novembro de 2013 às 16:15
---- ... ...
Que áreas são essas? Bem possivelmente os transportes, a saúde, a banca, a energia, a comunicação social e as telecomunicações. Nestas áreas parece-me que o Estado deve manter uma presença significativa que lhe permita garantir que todos têm igual oportunidade de acesso. Terá de se fazer em todos os casos pela propriedade e pela gestão pública? talvez não em todos - se tivéssemos uma classe empresarial com sentido de estado ... Havia um insuspeito empreendedor japonês que dizia que as mais valias geradas por uma empresa apenas eram legitimas na medida do serviço que essa empresa devolvia à sociedade. Se todos os nossos empresários pensassem assim não me importaria nada de ter o estado mais "enxuto" do mundo. No actual estado de coisas ainda assim prefiro o roubo actual ...

----Maquiavel, 12:23:

Tem toda a razäo, FV, também existe a vertente dos "prejuízos justificados pelo interesse público".

Aplaudo de pé o seu comentário! Venham mais!

----Filipe Castro
AM
Eu acho que isto é uma questão de civilização. A sociedade pode tentar dar todos liberdade e dignidade e poder e condições para as pessoas viverem em paz e sem sobressaltos, ou pode privatizar a saúde, como aqui nos EUA, e deixar as empresas dizerem aos cidadãos que têm o azar de ter um cancro: "Agora passas para cá $500.000 dólares ou eu deixo-te morrer. Não tens? Vende a casa. Paga com o dinheiro da universidade dos teus filhos. Ou então morre aí, longe para não cheirares mal."

Ou pode privatizar o exército, como aqui nos EUA e deixar as empresas pressionarem para começar guerras que, do ponto dos CEOs, são oportunidades económicas excepcionais, como escreveu a Haliburton numa brochura quando o Cheney passou de CEO a vice presidente.


E ao anónimo das oito e meia sugiro que pense nisto:
em 1950 havia dinheiro para tudo numa Europa acabada de devastar na WW2,
sobretudo para inventar e implementar uma segurança social excelente.
Agora o mundo está MUITO mais rico e não há dinheiro para nada.

Porque será?

----Fernando Vasc.
Nem mais Filipe. Nós temos enquanto espécie os meios cientificos, o conhecimento filosófico e de organização necessários para permitir que todos vivam dignamente e com acesso aos bens básicos: educação, saúde, transporte, etc ... temos esses meios à nossa disposição. Capital humano para o fazer existe. Dinheiro? O Dinheiro e a economia não são um bem absoluto. Não existem per-se. Existem apenas função da nossa vontade enquanto indivíduos e enquanto sociedade. desde que se queira (e seja viável) existe sempre. Ora desde há 10, 15 anos nada mudou que justifique que agora não se possa. A conversa de que "a europa" viveu acima das suas possibilidades é uma desculpa porque na verdade provou-se na prática que pode ... o resto são apenas casos de usura e ambição material desmedida de alguns poucos que aliás em tempo de guerra mereceriam um tratamento sumário. Não o advogo note-se nem tão pouco sou partidário de uma revolução mas que é necessário neste momento pensarmos a fundo na raiz dos problemas e no que queremos mesmo fazer, se queremos transformar a nossa sociedade numa selva onde impera o mais forte, o mais rico ou o mais poderoso (que sem regulação e sem Estado efectivo é a proposta desmaquilhada do liberalismo) ou se preferimos um Estado Social, uma social-democracia com um equilíbrio entre o individuo e a sociedade. Haveriam obviamente outras escolhas mas pelo menos nestas e no que as divide na propaganda pela primeira que grassa em certos meios e nos seus fundamentos profundos deveríamos pelo menos pensar um pouco e desmontar argumentos bacocos pseudo-económicos que quase atribuem à economia e aos mercados uma qualquer capacidade cognitiva deificada. A economia e os mercados não existem repito. São aquilo que nós queremos que sejam e não são na sua essência mais complicados do que os jogos de lojinhas que fazíamos em miúdos. Escusam os srs. da economia tentar metáforas mais complicadas porque para mim essa serve. Ah e já agora quanto às vossas previsões e raciocínios actuais ... o q. diziam há 10 anos :
1) Não trateis como ciência algo que permite uma tão súbita mudança de axiomas, quando muito estais no domínio da alquimia ou da astrologia - proponho q os passeis a considerar nas vossas pro


De Cidadão (polític) ou Contribuinte (econó a 7 de Novembro de 2013 às 16:21
--- ... ...

nas vossas projecções
2) Tal como para estas outras actividades dedico-vos o mesmo respeito que tenho pela literatura de fantasia. São boas história para adormecer ...

-----Maquiavel
Eu passo a citar o FV, nem preciso de puxar pelos neurónios! :D

A pergunta do FC é muito pertinente, e tenho-a feito a muita gente.
Alguns ainda tentam puxar o argumento demográfico em väo (o aumento da riqueza mais que compensa o aumento da populaçäo idosa...
o que näo aumentou foi a % de impostos cobrados sobre a riqueza).
Os outros dizem "pois é"...

Já repararam que a coisa começou a descambar (para a selva neoliberal)
quando a palavra CIDADÃO passou a ser substituída no discurso político por CONTRIBUINTE?

O pessoal passou a interiorizar que os direitos civis, dependem, näo de se existir como ser humano, mas de pagar impostos. E porquê?
Para sacar o corolário de "os ricos säo quem paga mais impostos, logo eles é que devem mandar".

O problema é haver ricos com alguma consciência que começam a sentir-se mal quando percebem que as criadas deles pagam maior % de imposto que eles.
Os neoliberais têm essa tendência para a desonestidade intelectual,
adoram comparar alhos com bugalhos (valores absolutos em vez de %),
e os pelintras ainda väo na conversa!

Näo é coincidência que os países onde há maior equilíbrio entre a sociedade e a economia tenham o mais alto IDH.
Os EUA subiram 9 posiçöes no último relatório, mas a subida esfuma-se tomando em conta as "DESIGUALDADES de RENDIMENTO".

Pegando nos conselhos do FV, é bem verdade, os NEOLIBERAIS gostam de pensar que a economia é ciência exacta, com "informaçöes perfeitas" e "pessoas perfeitas". Ridículo.
A economia näo pode ser exacta porque é uma ciência social. Se é que é ciência...



De Nó gordio político: só à força se desat? a 4 de Novembro de 2013 às 14:36
Por que estamos bloqueados?
[-por Rui Tavares, 30-10-2013]

---1. Bloqueia-nos um debate de fraca qualidade em relação à presente crise, nos seus aspectos nacionais e europeus.
De um lado, temos os políticos e partidos tradicionais, ainda agarrados à figura do "bom aluno" europeu, proclamando que é necessário implementar tudo o que nos é sugerido, faça ou não sentido, para ficar bem na fotografia;
do outro, lado, uma crescente atitude de isolacionismo, frequentemente eivada de tons dramáticos, proclamando que a Europa morreu e que é preciso enterrá-la.
Para o primeiro desses campos, "mais Europa" é sempre a solução;
para o segundo, "adeus Europa" é a única solução.

Pois bem; é preciso lembrar que "mais Europa" não significa nada, e "adeus Europa" também não significa nada.

Mais justiça significa alguma coisa,
mais liberdade significa alguma coisa,
mais democracia significa alguma coisa,
mais desenvolvimento significa alguma coisa,
mais solidariedade significa alguma coisa.

A partir do momento em que entendemos que a nossa obrigação, enquanto comunidade política, é lutar por estes valores, o programa político começa a ficar mais claro:
o nosso objetivo é conquistar justiça e liberdade em Portugal e na Europa;
desenvolvimento e solidariedade em Portugal e na Europa;
democracia em Portugal e na Europa.

Lutar por essas conquistas em Portugal não é contraditório com lutar por elas na Europa, nem vice-versa.

---2. Bloqueia-nos uma política em que os bons debates não conseguem florescer.
E aqui é necessário pôr o dedo na ferida:
o problema não está nos partidos, mas está certamente naquilo a que se tem chamado partidismo, ou partidocracia.
Incorretamente, aliás, pois o que se passa não é que tenhamos chegado a um regime de "poder pelos partidos",
mas antes a um regime em que as direções partidárias se limitam a administrar a sua impotência,
fechadas sobre si mesmas, inacessíveis até aos seus militantes,
cuidando do nicho de mercado que disputam com as outras direções partidárias:
a gestão da frustração do eleitor que ainda vai votando,
descontando portanto os abstencionistas e os que emigraram.

Esta situação não mudará pela sua própria dinâmica.
É hoje evidente que só há duas maneiras de os partidos mudarem:
-- ou com um revolta interna dos seus militantes, que leve a uma profunda reforma democrática dos partidos,
-- ou com criação de novos partidos que funcionem segundo regras diferentes, levando os partidos antigos a acompanhar a evolução para não ficarem para trás.

O bloqueio é tal que todas as tentativas de sair dele envolvem riscos.

---3. E esse é o outro problema.
Estamos bloqueados por uma cultura do medo, da vergonha, do conformismo.
Uma cultura na qual destruir é mais fácil do que construir.

Resta-nos assim fazer alguma coisa, desde que essa alguma coisa não mude nada.
E, nesse domínio, podemos dizer que fizemos tudo.
Assinámos petições, fomos a manifestações, incentivámos indignações - tudo com pouco resultado.
Isso também explica a nossa depressão.
Quem não estaria deprimido se tivesse tentado tudo aquilo para que tinha coragem e nada tivesse dado certo?

A resposta para isso não é fácil, mas só consigo vislumbrar uma:
é preciso ir buscar coragem à imaginação.

Rui Tavares Deputado do Parlamento Europeu


De Novo Partido: impasse sem caudilho ?! a 4 de Novembro de 2013 às 15:41
Rui Tavares e o seu novo partido
(-por Henrique Monteiro, Expresso, 4/11/2013)

Confesso já que gosto de Rui Tavares, embora no essencial não concorde com as suas posições políticas.
Por isso, quando ele coloca a hipótese de criar um partido, não visa pessoas que pensam o que eu penso, embora vise pessoas como eu, quando afirma (e cito a entrevista que deu ao Expresso):
"Muita gente não sabe em que partido votar. Eu não sei".

Também concordo que os "partidos são gargalos da atividade política", como afirma, no sentido em que se fecham sobre si próprios e impedem a abertura à sociedade,
e que o Bloco de Esquerda, de que ele aceitou ser deputado independente (depois o Bloco zangou-se com ele, ou vice-versa) se tornou num partido antigo, dos anos 70, que aliás o faz perder apoios.

Concordo ainda com primárias para escolher o candidato de um partido a primeiro-ministro,
com listas abertas, com a possibilidade de os eleitores ordenarem as listas,
com a conjugação de círculos uninominais com um círculo nacional eleito por método de Hondt para repor a proporcionalidade.
Ou seja, concordo com muitas questões de forma que Rui Tavares vem trazer à política e saúdo-o por isso.

Concordo, mesmo, com a sua previsão política, que é clara e evidente: em 2015 vamos ter um Governo PS/PSD ou PS/CDS e isso devia fazer acordar a esquerda!

Mas Tavares não percebe ou não quer perceber a esquerda atual.
É totalmente conservadora e avessa a qualquer mudança.
Concedo que a direita é igual e esse é, até, o principal impasse português que podia ser quebrado com novas formações partidárias.

Tavares dá o exemplo do que Lula fez no Brasil, mas esqueceu-se de que o partido que fundou para as pessoas simples, o PT, (cito um jornalista brasileiro) começou por ser um partido de presos políticos para ser agora (depois do 'mensalão') um partido de políticos presos. Igual ou pior do que os outros.

O único eurodeputado português verdadeiramente independente tem ótimas intenções, mas esquece um aspeto que ele achará o cúmulo do meu conservadorismo: a natureza humana não muda facilmente.

Tavares quer uma esquerda moderna, desinibida, pronta a fazer concessões (ele foi contra a moção de censura do Bloco ao Governo Sócrates e foi sempre a favor de um entendimento geral que envolvesse o PS e o PCP).
Não quer uma esquerda pura e dura anti-poder como os dirigentes do PCP e do BE.
Nem sequer como certa ala do PS que tem impedido acordos dos socialistas com o Governo.
Em Portugal o compromisso é mal visto, seja entre partidos de esquerda, seja entre partidos de direita (vejam-se as birras, esquivas e artimanhas de Portas e Passos), seja ao centro.
Ele é historiador e tem de saber que qualquer compromisso, que envolve cedências mútuas, é visto na nossa cultura política como uma fraqueza.
Na arena de São Bento e nos partidos são todos uns machões ibéricos do pior.
A nossa cultura é a do "agarra-me senão eu mato-o", mesmo que ninguém esteja a agarrar ninguém.

Ainda assim, gostava que ele fizesse o partido que se propõe e que tivesse sucesso.
Por algum lado o impasse na política portuguesa tem de ser desfeito.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/rui-tavares-e-o-seu-novo-partido=f839142#ixzz2jgwFYH1V


De Novo partido ou Coligação de Esquerda a 6 de Novembro de 2013 às 14:52
Rui Tavares recusa listas do PS e avança com partido
(-por C.Falcão, 6/11/2013, i )

Francisco Assis desafiou o eurodeputado, eleito em 2009 pelo BE, a integrar as listas do PS. Rui Tavares diz que as "diferenças em matéria europeia" impedem acordo
Rui Tavares agradece a "alusão simpática" do socialista Francisco Assis para integrar as listas do PS às eleições europeias, mas recusa terminantemente juntar-se aos socialistas. "Não me reconheço no PS, não votaria no PS e não entraria nas listas do partido nem com eleições primárias abertas a independentes", garantiu ao i eurodeputado. O caminho de Rui Tavares é outro e passa por promover contactos para captar apoios com vista a um projecto que mude "o que tem sido imutável à esquerda". "Se tiver de ser um partido, que seja um partido", acrescenta.

Após voltar a admitir em entrevista ao "Expresso" que está empenhado na criação de um novo espaço de debate à esquerda, Rui Tavares recebeu ontem um convite de Francisco Assis, membro do secretariado nacional do PS e possível cabeça-de-lista às europeias, para fazer parte das listas do PS em Maio do próximo ano. O eurodeputado afirma ter registado a "vontade de diálogo do PS", defendendo que o debate se devia abrir a toda a esquerda, mas diz recusar fazer parte de um partido com quem tem tantas divergências, especialmente no que diz a assuntos europeus. "Tenho diferenças em matéria europeia com o PS. Fui dos mais acérrimos opositores do Tratado Orçamental, que o PS, em conjunto com o PSD, fizeram questão de aprovar", apontou o historiador.

O debate para Tavares deveria ser mais alargado e incluir toda a esquerda, fazendo com que os partidos de esquerda se coligassem contra a já anunciada coligação entre o PSD e o CDS nas eleições europeias.

Experiência do passado Francisco Assis disse ao "Diário de Notícias" que "veria com interesse" a inclusão de Rui Tavares entre os candidatos socialistas ao Parlamento Europeu. Na sua opinião, o eurodeputado encaixa-se "perfeitamente" na esquerda democrática e por isso "o PS não deveria perder a oportunidade de contar com ele". Também Ana Gomes, eurodeputada socialista, apoia esta sugestão, dizendo ao i que "há muito tempo" considera pertinente um convite deste tipo.

Rui Tavares, que foi inicialmente eleito em 2009 e que após a ruptura com o BE em 2011 passou a integrar o Grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, diz não ter recebido qualquer convite formal da direcção do PS, assegurando que mesmo que recebesse "não teria nada a acrescentar" ao partido.

Para o eurodeputado, que foi convidado por Miguel Portas a integrar as listas do BE em 2009 apesar de nunca se ter filiado, os partidos "em geral" exigem aos independentes convidados para as listas que sejam "mais disciplinados que os militantes", não aceitando críticas à actuação do partido. "Sei por experiência própria que os partidos esperam gratidão e disciplina em troca desses convites", sublinha Tavares.

Novo partido à esquerda Após a entrevista de Junho ao i, em que o eurodeputado disse fazer sentido repensar um espaço à esquerda "que transcenda as fronteiras dos partidos", o debate sobre a criação do novo partido à esquerda generalizou-se.

Segundo Rui Tavares tem havido muitas pessoas a dizer que "não há espaço ou não há mercado, mas ninguém disse que não havia necessidade". "É preciso, nesta altura, contribuir com algumas respostas, pois não temos todo o tempo do mundo para mudar, e à primeira oportunidade de entendimento entre o PS e o PSD nas eleições de 2015 a Constituição vai estar em jogo", apontou o eurodeputado, que promete empenhar-se na criação de uma nova força política a tempo das próximas eleições europeias.



De .Novo partido : o q. é preciso ?: a 7 de Novembro de 2013 às 12:45
-------- A inscrição de um novo partido político tem de ser requerida por, pelo menos, 7500 cidadãos eleitores (lista com assinaturas e nº BI, nº eleitor)
junto do Tribunal Constitucional, em documento acompanhado do projecto de estatutos,
declaração de princípios ou programa político e
denominação, sigla e símbolo.


De (re-)Nacionalizar tb os Lucros e os bens a 4 de Novembro de 2013 às 14:27

Deixar Falir a Banca?
(- por Raquel Varela, 4/11/2013, 5Dias)

O capital adiantado pela Troika – sob o nome de Memorando de Entendimento – visa unicamente recapitalizar a banca.
A solução, em 2008, era ter deixado falir (parte d) a banca – não havia outra. E ter garantido protecção aos empréstimos num valor colectivamente decidido, médio – 25 mil, 50 mil euros?

A outra "solução" foi salvar a Banca e enviar a factura aos salários e pensões.
No empréstimo de recapitalização da banca está a exigência do despedimento de trabalhadores de todo o país (reforma do Estado) e também
de trabalhadores da Banca- 3000? no BCP, quantos milhares em todo o sector?

Não há menos trabalho para ser feito nem menos tecnologia para ser usada – os que ficam, ficarão a trabalhar por 2, 3 ou 4, sem vida própria, sem horários, sem possibilidade de fazer planos de vida.

Pelo caminho vê-se a segurança social a ser descapitalizada porque os despedidos irão para a pré-reforma, a reforma ou o desemprego, e deixam de descontar.

O que fazer para inverter a espiral em que estamos?

A primeira coisa, creio, é não permitir nenhum despedimento recorrendo a formas de greve e protesto que tenham a solidariedade de todos nós;
a segunda é mobilizar os capitais para colocar todos a trabalhar sem redução salarial;
e a terceira é que esses capitais devem ser mobilizados pela expropriação da Banca.

O termo NACIONALIZAÇÂO e EXPROPRIAÇÂO assusta muitas pessoas.
Mas se reflectirmos sabemos que o BPN foi nacionalizado e que virtualmente toda a Banca o foi, no todo ou em parte.
Mas só os prejuízos da Banca foram nacionalizados.
Os lucros (a distribuição de dividendos, os chorudos salários e benefícios dourados) e o controlo do crédito, as escolhas de investimento, isso contínua privado.

O que nos devia assustar, muito, é a nacionalização do BPN com o cuidado de só terem sido nacionalizados os prejuízos, que hoje, nas notícias, ficámos a saber que já correspondem a quase metade do orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Susto é viver num país assim, tudo o resto é o caminho para construirmos um outro país.

Esta quarta-feira estarei no Porto com Paulo Morais e Paulo Pena, da Revista Visão, a debater, a convite dos bancários, este tema.


De República: Controlar Bancos e oligarcas a 4 de Novembro de 2013 às 14:43
Os Governos deviam controlar os bancos mas os bancos é que controlam os governos

São os juros, os juros, os juros. Stupid!
Empenhado em que eu entenda o verdadeiro papel de controlo, hoje em dia, dos governos e das nossas vidas pelos bancos ou, se preferirem, pelo sistema financeiro totalitário, através da dívida pública enviaram-me este vídeo http://www.youtube.com/watch?v=I6fImpY0jjw

Diz o académico que o dinheiro deve ser criado pelo banco central controlado pelos governos e não pelos bancos privados que são responsáveis, nos EUA e no RU, pela criação de 97% do dinheiro circulante. Por lá como por cá.

Publicado em 10/10/2013
http://www.youtube.com/watch?v=I6fImpY0jjw :

"O governo não pode ser autorizado a contrair empréstimos - nem um cêntimo - nunca mais, de ninguém!
Os bancos são empresas e requer-se ás empresas que maximizem os seus lucros.
O que isso significa?
Isso significa que os bancos NUNCA terão como objetivo o interesse público!
É impossível para eles funcionar para o interesse público!
Portanto, não podemos dar-lhe o poder do dinheiro."

Palestra completa aqui: http://www.mddvtm.org/detalhes-medida...

"Palestra de Bill Still na conferência do IFSS (Fórum Internacional sobre Sistemas Financeiros) em Istambul, Turquia (2013.09.12).

Bill Still é um ex editor e redactor de jornal.
Escreveu para os jornais USA Today, The Saturday Evening Post, the Los Angeles Times Syndicate, OMNI magazine, etc.
Escreveu 22 livros e dois vídeos documentários.

Em 1996 produziu o documentário aclamado "The Money Masters / Os Mestres do Dinheiro" (www.themoneymasters.com)
que previu os eventos econômicos que estão apenas começando a acontecer.
Coordenado pelo economista vencedor do premio novel Milton Friedman este é considerado o trabalho clássico sobre a reforma monetária."

# posted by Raimundo Narciso , PuxaPalavra, 3/11/2013


De .Estado paralelo-oligarq suga o E.Social a 4 de Novembro de 2013 às 10:47
Paralelo

Vale a pena ler a crónica de Pedro Adão e Silva no Expresso desta semana:
“O Estado Paralelo”.
A economia política da ida ao pote em duas fases que também aqui temos aflorado:
fragilização e
deslegitimação do Estado que desenvolve capacidades individuais e colectivas,
graças à política de austeridade, e consolidação de um “conjunto de mercados dependentes do Orçamento”,
promovendo opacos negócios privados nas áreas da educação, da saúde ou da insegurança social,
outros tantos campos de expansão para um certo capital.

Ao contrário do que a opinião convencional faz crer, quer por ignorância, quer sobretudo para manter a utopia liberal pura, porque afinal de contas esta nunca teria sido aplicada,
a suja política em curso tem uma lógica global, uma consistência ideológica e força política neoliberais que muito devem à importação forçada pela tutela externa de concepções e modelos promovidos pelas instituições da troika, mas também presentes em instituições nacionais que agem como se não fossem de cá.
Paulo Portas nem tem de se esforçar, até porque a força das estruturas, e uma opinião publicada que lhes é esmagadoramente subserviente, força a prazo o trabalho político na mesma direcção de sempre.

A única política que conta é a que ainda vai rareando, a que desafia as estruturas, a que desobedece à imposição externa e às forças internas que dela beneficiam e que promovem um movimento de outra forma imparável rumo a um Estado cada vez mais paralelo.

(-por João Rodrigues, Ladrões de B., 4/11/2013)


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