Coligação de esquerda: Europa diferente e contra oligarquias e cleptocratas
Os populistas não são o verdadeiro problema    [Barbara Spinelli, LA REPUBBLICA, 08-11-2013, via MIC]
    Rotular de populistas e reacionários  (ou de radicais) todos os movimentos de protesto que vão surgindo só serve para contornar as raízes do problema. A União Europeia, tal como se apresenta hoje, não está ameaçada pela ira dos seus cidadãos, mas pela relutância dos governos em delegar-lhes a soberania.
    Concordo com a criação de uma Europa federal e a salvação da moeda única. Caso contrário, teremos, em vez da União, muitos pequenos Estados sem grandeza mas não sem ignomínia, sem amigos mas mais do que nunca vassalos do poder norte-americano (ou dos bancos corporações  multinacionais). Regressaremos à estaca zero: derrotados pelo nosso nacionalismo (ou bairrismo ou clubite partidária), como nas guerras mundiais do século XX.
    Por que está a crescer na Europa uma humanidade tão infeliz, tão revoltada, que alimenta a extrema-direita e partidos eurocéticos? Chamar-lhe populista ou reacionária é ficar-se pelo “porquê”, fugindo à razão de ser desse grito. A resposta será inútil, se os protestos e propostas, tão diferentes entre si, forem tratados como uma massa compacta que obstrói qualquer tipo de progresso.
    Estigmatizar o problema com desprezo e rejeição é ignorar que a Europa de hoje destila venenos crónicos. Não basta, como fazem os governos atuais, invocar o seu nome para que ela exista. Isso serve para esconder o que é, contudo, óbvio: nacionalismo e conservadorismo são vícios que afligem as próprias instâncias dirigentes e as elites dos Estados da União Europeia.
   Também aqui, temos de ousar ir além das palavras. Se excluirmos a França, a palavra “federação” deixou de ser tabu. Evocada pela direita e pela esquerda, não é, no entanto, seguida por ações práticas, como a partilha das dívidas públicas, o crescimento impulsionado por euro-obrigações e recursos financeiros europeus de maior magnitude do que os atuais. Ou mesmo um Parlamento Europeu com novos poderes e uma Constituição comum, que seja expressão do sentir dos seus cidadãos. Em suma, uma Europa que seja para eles um refúgio em tempos de angústia e não o bastião que protege uma endogâmica oligarquia de poderosos que se protegem uns aos outros.
        Povos soberanos
    A Europa, tal como existe hoje, não está ameaçada pela ira (à direita ou à esquerda) dos seus cidadãos. Está ameaçada por governos relutantes em delegar a soberania nacional, não apenas fingida, mas usurpada, visto que em democracia, o soberano é o povo. A crise de 2007-2008 atormenta-a desmesuradamente devido a essas distorções. Uma austeridade que aprofunda a pobreza e a desigualdade, um Pacto de Estabilidade que nenhum Parlamento pode discutir: é esta a Europa que se quer livrar do populismo. É a miséria grega. É a corrupção de governos, que se alimenta das desigualdades e de falsa estabilidade.
    O caso da esquerda radical na Grécia é exemplar. O Syriza, uma coligação de movimentos de cidadãos e grupos de esquerda, foi apodado de populista e antieuropeu, nas duas eleições de maio e junho de 2012. Os governos europeus mobilizaram-se para descrever o Syriza como o monstro a abater. Berlim ameaçou fechar as torneiras da ajuda. Mas nem o Syriza nem Alexis Tsipras, que o dirige, são antieuropeus. Exigem é uma Europa diferente e é isso que apavora os poderes instalados.
    Em 20 de setembro, quando apresentou o seu programa no Kreisky Forum, em Viena, Tsipras surpreendeu aqueles que o tinham enxovalhado. Disse que a arquitetura do euro e os planos de resgate esmagaram a União, em vez de lhe curarem as feridas. Recordou a crise de 1929 e o dogma neoliberal com que foi tratada. Tal como hoje. “Os governos negaram a arquitetura aberrante dos seus projetos, insistindo na austeridade e na mera revitalização das exportações”.
           Crise europeia e corrupção
    O resultado foi a miséria “e a ascensão do fascismo no Sul da Europa e do nazismo na Europa Central e Setentrional”. É por isso que a União tem que ser refeita a partir do zero. Retomando propostas dos sindicatos alemães, o Syriza propõe um Plano Marshall para a Europa, uma união bancária real, a dívida pública gerida centralmente pelo Banco Central Europeu e um enorme programa de investimento público lançado pela União Europeia.
    Mas Alexis Tsipras disse mais: há uma ligação que tem de ser denunciada, entre a crise europeia e as democracias corruptas de Atenas e de muitos países do Sul. “A nossa cleptocracia forjou uma forte aliança com as elites europeias”, e esse casamento alimenta-se de mentiras sobre as culpas de gregos ou italianos, sobre os salários demasiado altos e um Estado demasiado generoso. Essas mentiras “são usadas para transferir a culpa dos ombros dos cleptocratas nacionais para os das pessoas que trabalham duramente”.
    É uma aliança que não tem qualquer oposição desde que a esquerda tradicional adotou, na década de 1990, os dogmas neoliberais. Grande parte da população ficou, pois, sem representantes. Perdida, abandonada, castigada por manobras que parecem exercícios recessivos. É essa parte – a maioria, se contarmos com os abstencionistas – que protesta contra a Europa.
         Elites consanguíneas
   Às vezes, sonha com um retorno irreal às moedas e às soberanias nacionais; outras, reclama uma Europa diferente, que não esqueça o clamor dos pobres, como foi possível no período do pós-guerra e no final dos anos de 1970. Assim fala Tsipras. E Grillo, em Itália, diz coisas semelhantes, ainda que de forma mais caótica.
   Se nada acontecer, a Europa deixará de ser um abrigo e passará a ser um lugar em que as pessoas ficam expostas, sem protecção. Administrada por elites consanguíneas, assemelha-se cada vez mais ao “Escritório das cartas mortas” de Bartleby, o solitário escriturário do conto de Herman Melville [Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street]. À força de compilar e deitar fora muitos milhares de cartas nunca enviadas aos seus destinatários, Bartleby acaba por amadurecer a sua recusa plácida, que fará com que responda a qualquer ordem ou pedido, com uma tranquilidade cadavérica: “Prefiro não fazer”.
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 Los amos del dinero: Las 70 familias de caciques que dominan España(o caso/exemplo de «Os Donos de Espanha»): 
           Eslabones perdidos del sistema
    Durante el feudalismo, la oligarquía española se organizaba en facciones dirigidas por familias, con sus círculos de influencia, matrimonios de conveniencia, vasallos y sirvientes. Controlaban directamente la recaudación de impuestos y gestionaban el territorio.
   500 años después las oligarquías se organizan en familias al amparo del franquismo tomando la forma de grupos empresariales en base a S.L. de entre 3 a 5 miembros. Poseen toda una suerte de empresas y dominan grandes campos de la producción si no toda. El dinero conseguido del privilegio y el ladrocinio, cuando no es conducido a paraísos fiscales, es reinvertido en toda suerte de empresas, destacando las Sicavs, gestionadas por los bancos.
          Los otros amos del dinero Por MARIBEL GONZÁLEZ y J.F. LEAL.
Hay vida, y cuentas corrientes con muchos ceros, más allá de las 100 fortunas que incluimos en nuestro ranking de ricos. Analizamos otros 70 apellidos cuyo patrimonio también merece el calificativo de ‘multimillonario’ y ponemos a todos en el mapa, para saber cómo se distribuye por regiones el dinero nacional.   [ ...   ...   ...}
          Conclusiones.
     Gracias a sus contactos políticos, también vasallos, si no miembros de los clanes, controlan indirectamente la recaudación, y se aprovechan del sistema coercitivo estatal para adsorber los fondos de los presupuestos (orçamentos), en forma de subvención (subsídios e isenções). Los mismos les proporcionan acceso a los concursos públicos.
    La oligarquía domina el territorio. Controla todos los aspectos de nuestra vida: lo que comemos, los vestidos, coches, casas. Es imposible escapar de sus garras acudiendo a los circuitos comerciales establecidos. Pero tampoco es posible montar alternativas, ya que ellos poseen los medios de producción y los dispositivos legales que justifican su supremacía.
          Consejero Delegado= Terrorista con corbata
     El Consumo responsable es necesario, pero no suficiente. Se debe cuestionar todo su sistema de valores, lo cual nos llevará a encontrar alternativas. Estas existen, y gusten o no pasan por una redistribución de los bienes sin el uso de dinero. Negar su máxima es negar su sistema entero: mercado y propiedad privada.
             Luchar contra sus empresas es luchar contra la oligarquía.   Abandona la militancia domesticada.     Organízate y lucha.

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«Anonymous publica los documentos del PP (Partido Popular)»  .    Como parte del compromiso adquirido ante el pueblo de España, Anonymous da inicio a OpSecretFiles2 y saca a la luz pública el caso de corrupción del Gobiernode España, con pruebas contundentes.  

     Que caigan los corruptos de España y que se sepa quien es Mariano Rajoy y sus alianzas, #OpSecretFiles2!!..    -Atentamente vuestras madres.    (http://www.ecorepublicano.es/ )

 

     



Publicado por Xa2 às 13:19 de 12.11.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .Obediência civil aos gr. Ladrões. a 12 de Novembro de 2013 às 15:50
Howard Zinn foi um historiador, cientista político, activista e dramaturgo americano, é mais conhecido como autor do livro A People's History of the United States, que vendeu mais de um milhão de cópias desde que foi lançado em 1980. Nasceu em 24 de agosto de 1922 em Brooklyn, Nova Iorque e faleceu em 27 de janeiro de 2010 em Santa Mónica, Califórnia.

Vejam como é actual o seguinte texto que ele escreveu (Cfr. Disobedience and Democracy: Nine Falacies on Law and Order, South End Press, 1968).
«
"A desobediência civil não é o nosso problema.
O nosso problema é a obediência civil.
O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência.
O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade.
O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país.

É esse o nosso problema." - Howard Zinn »


De .Guião de merd. p. estado mínimo. a 13 de Novembro de 2013 às 09:25
(- JPP, 12/11/2013 )
A GELATINA E O MURO

Se eu quiser dar um murro no Guião (muitos portugueses gostariam de lhe fazer coisas muito piores…) o meu punho encontra ar, depois alguma gelatina mole e por fim bate num muro. Aí é a sério. O Guião é ar (quase todo) e gelatina (algumas medidas), e o muro é o Orçamento de Estado.

QUEM DESVALORIZA O GUIÃO?

O PSD em primeiro lugar. O Governo. Passos Coelho. Até o CDS. Ainda estou à espera que Paulo Macedo comece uma frase dizendo “como se diz no Guião para a Reforma do Estado”…” Ou que Miguel Macedo, ou alguns secretários de estado que sabem o que estão a faze, digam: a partir de agora, “guiamo-nos pelo Guião do dr. Portas”… Maduro é capaz de o dizer, que é o papel dele. Cristas também, que isto de sobreviver no CDS fia muito fino. Mas alguém pensa que alguém que é alguém no Governo estava à espera do Guião para alguma coisa?

QUEM O DESCULPA MESMO QUE O DESVALORIZE?

Todos os defensores e propagandistas do actual poder. É mau, mas serve para discutir. É vazio, mas pode servir para o debate pós-troika. Não tem ideias, nem soluções, nem coisa nenhuma, mas foi um esforço positivo. É bom ter aparecido finalmente, mas devia ter aparecido há dois anos atrás, ou daqui a dois anos. Será um bom ponto de partida para um entendimento com o PS. Pode ser nulo, vácuo, indigente, mal escrito, cheio de erros ortográficos e com um pé no acordo ortográfico e outro na “soberania” ortográfica, mas é “obrigatório” discuti-lo.

É “OBRIGATÓRIO” DISCUTI-LO

Na verdade, discuti-lo tem sido feito por muita gente. Só que não é a discussão que interessa aos que estão do lado do poder. Eles querem anuência com os termos, o sentido, a deriva do papel, eles querem que o Guião sirva de pretexto para pressionar o PS a “voltar à mesa das negociações”, ou seja, eles querem, numa altura de bloqueio político e de grande isolamento do governo, ajudá-lo. Percebe-se muito bem. E por isso, embora haja muita discussão sobre o Guião, se não for neste sentido “útil”, vão estar sempre a dizer que não há discussão nenhuma. Não lhes serve, é incómoda, mina a sua credibilidade se é que ainda há alguma? Então não é discussão.

E SE DISCUTIRMOS O FACTO DE O GOVERNO NOS FORNECER UM DOCUMENTO MEDÍOCRE E ISSO REVELAR QUE HÁ UM SÉRIO PROBLEMA DE COMPETÊNCIA?

Muito bem. Expliquem-me por favor como é possível estar sempre a falar de excelência, de qualidade, de competição, e aceitar como válido um documento medíocre que não adianta um átomo para a discussão dos problemas nacionais? Ninguém chumba numa avaliação de qualidade do seu trabalho? É só para os funcionários públicos?

QUEM O VALORIZA?

Uma parte da esquerda que precisa de encontrar antagonismos ideológicos puros e duros e por isso está sempre a acentuar a coerência “neoliberal”, “ideológica”, dos seus adversários. Precisa de preto e branco, e por isso para eles o Guião é mais um exemplo da “ideologia” governamental. Porém o Guião é um fraco exemplo, cheio de contradições, e mesmo que haja de facto uma deriva para um estado mínimo (que o papel nega mas existe), atribuir-lhe uma grande coerência é fazer-lhe um favor. É considerá-lo útil, mesmo que pela negativa. Portas agradece, porque o que o mata é a acusação de incompetência e mediocridade, e pode muito bem com o dar-lhe um papel de chefe ideológico. O problema de alguma esquerda é que precisa de espelho na direita e não se importa que esse espelho tenha a cara de Paulo Portas. Eu acharia um susto.

SECÇÃO ORWELL: NOVOS SIGNIFICADOS PARA AS PALAVRAS

A partir de agora vazio significa “aberto” (ver defensores do Guião.) O papel pode ser vazio, admitem, mas tem o enorme mérito de não ser um documento “fechado” e estar “aberto” à discussão. Chamem o Jerry Seinfeld, Portugal é a sua terra.

DESAFIO

Comecei na última Quadratura, mas o tempo não dava. Eu desafio o autor público (Portas) e os trabalhadores do copypaste que lhe fizeram o papel, a sentarem-se a uma mesa e eu, sem notas, nem papel, nem lápis, dito-lhes de um fôlego um Guião semelhante, vacuidades, truísmos, lugares comuns, e algumas propostas na moda nos blogues, e com o mesmo tipo e largueza de espaços, encho mais páginas. 200 parece-lhes bem? Sempre é um número redondo, para um doc. redondo. ...


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