2 comentários:
De .Obediência civil aos gr. Ladrões. a 12 de Novembro de 2013 às 15:50
Howard Zinn foi um historiador, cientista político, activista e dramaturgo americano, é mais conhecido como autor do livro A People's History of the United States, que vendeu mais de um milhão de cópias desde que foi lançado em 1980. Nasceu em 24 de agosto de 1922 em Brooklyn, Nova Iorque e faleceu em 27 de janeiro de 2010 em Santa Mónica, Califórnia.

Vejam como é actual o seguinte texto que ele escreveu (Cfr. Disobedience and Democracy: Nine Falacies on Law and Order, South End Press, 1968).
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"A desobediência civil não é o nosso problema.
O nosso problema é a obediência civil.
O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência.
O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade.
O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país.

É esse o nosso problema." - Howard Zinn »


De .Guião de merd. p. estado mínimo. a 13 de Novembro de 2013 às 09:25
(- JPP, 12/11/2013 )
A GELATINA E O MURO

Se eu quiser dar um murro no Guião (muitos portugueses gostariam de lhe fazer coisas muito piores…) o meu punho encontra ar, depois alguma gelatina mole e por fim bate num muro. Aí é a sério. O Guião é ar (quase todo) e gelatina (algumas medidas), e o muro é o Orçamento de Estado.

QUEM DESVALORIZA O GUIÃO?

O PSD em primeiro lugar. O Governo. Passos Coelho. Até o CDS. Ainda estou à espera que Paulo Macedo comece uma frase dizendo “como se diz no Guião para a Reforma do Estado”…” Ou que Miguel Macedo, ou alguns secretários de estado que sabem o que estão a faze, digam: a partir de agora, “guiamo-nos pelo Guião do dr. Portas”… Maduro é capaz de o dizer, que é o papel dele. Cristas também, que isto de sobreviver no CDS fia muito fino. Mas alguém pensa que alguém que é alguém no Governo estava à espera do Guião para alguma coisa?

QUEM O DESCULPA MESMO QUE O DESVALORIZE?

Todos os defensores e propagandistas do actual poder. É mau, mas serve para discutir. É vazio, mas pode servir para o debate pós-troika. Não tem ideias, nem soluções, nem coisa nenhuma, mas foi um esforço positivo. É bom ter aparecido finalmente, mas devia ter aparecido há dois anos atrás, ou daqui a dois anos. Será um bom ponto de partida para um entendimento com o PS. Pode ser nulo, vácuo, indigente, mal escrito, cheio de erros ortográficos e com um pé no acordo ortográfico e outro na “soberania” ortográfica, mas é “obrigatório” discuti-lo.

É “OBRIGATÓRIO” DISCUTI-LO

Na verdade, discuti-lo tem sido feito por muita gente. Só que não é a discussão que interessa aos que estão do lado do poder. Eles querem anuência com os termos, o sentido, a deriva do papel, eles querem que o Guião sirva de pretexto para pressionar o PS a “voltar à mesa das negociações”, ou seja, eles querem, numa altura de bloqueio político e de grande isolamento do governo, ajudá-lo. Percebe-se muito bem. E por isso, embora haja muita discussão sobre o Guião, se não for neste sentido “útil”, vão estar sempre a dizer que não há discussão nenhuma. Não lhes serve, é incómoda, mina a sua credibilidade se é que ainda há alguma? Então não é discussão.

E SE DISCUTIRMOS O FACTO DE O GOVERNO NOS FORNECER UM DOCUMENTO MEDÍOCRE E ISSO REVELAR QUE HÁ UM SÉRIO PROBLEMA DE COMPETÊNCIA?

Muito bem. Expliquem-me por favor como é possível estar sempre a falar de excelência, de qualidade, de competição, e aceitar como válido um documento medíocre que não adianta um átomo para a discussão dos problemas nacionais? Ninguém chumba numa avaliação de qualidade do seu trabalho? É só para os funcionários públicos?

QUEM O VALORIZA?

Uma parte da esquerda que precisa de encontrar antagonismos ideológicos puros e duros e por isso está sempre a acentuar a coerência “neoliberal”, “ideológica”, dos seus adversários. Precisa de preto e branco, e por isso para eles o Guião é mais um exemplo da “ideologia” governamental. Porém o Guião é um fraco exemplo, cheio de contradições, e mesmo que haja de facto uma deriva para um estado mínimo (que o papel nega mas existe), atribuir-lhe uma grande coerência é fazer-lhe um favor. É considerá-lo útil, mesmo que pela negativa. Portas agradece, porque o que o mata é a acusação de incompetência e mediocridade, e pode muito bem com o dar-lhe um papel de chefe ideológico. O problema de alguma esquerda é que precisa de espelho na direita e não se importa que esse espelho tenha a cara de Paulo Portas. Eu acharia um susto.

SECÇÃO ORWELL: NOVOS SIGNIFICADOS PARA AS PALAVRAS

A partir de agora vazio significa “aberto” (ver defensores do Guião.) O papel pode ser vazio, admitem, mas tem o enorme mérito de não ser um documento “fechado” e estar “aberto” à discussão. Chamem o Jerry Seinfeld, Portugal é a sua terra.

DESAFIO

Comecei na última Quadratura, mas o tempo não dava. Eu desafio o autor público (Portas) e os trabalhadores do copypaste que lhe fizeram o papel, a sentarem-se a uma mesa e eu, sem notas, nem papel, nem lápis, dito-lhes de um fôlego um Guião semelhante, vacuidades, truísmos, lugares comuns, e algumas propostas na moda nos blogues, e com o mesmo tipo e largueza de espaços, encho mais páginas. 200 parece-lhes bem? Sempre é um número redondo, para um doc. redondo. ...


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