Há alternativas à crise e ao desgoverno

«A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes» debate na Biblioteca da A.R.

  «Este livro, do meu ponto de vista, é um livro que deve ser lido e estudado por todos os que queiram compreender, independentemente de opções ideológicas, quais são as origens efectivas da crise. As causas efectivas e estruturais da crise a que chegámos nos últimos anos.» (Octávio Teixeira)
   «É excelente como narrativa explicativa da crise, como narrativa de crítica à resposta à crise.» (João Cravinho)
   ... «Quando confrontado com os erros sucessivos dos cenários macroeconómicos desenvolvidos pela troika, em parceria com o governo português, ele [Olli Rehn] disse: "para nós o que é importante não é o cumprimento das metas do ajustamento orçamental, para nós o que é importante é o empenho do governo no prosseguimento, na concretização da agenda de reformas estruturais". E portanto é disso que se trata: o objectivo do Memorando de Entendimento é conseguir uma reconfiguração (neoliberal) do regime económico, social, e portanto político, da sociedade portuguesa.» (José Guilherme Gusmão)
   Da sessão de apresentação e debate do livro «A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes», promovido pelo Congresso Democrático das Alternativas e que teve lugar na Biblioteca da Assembleia da República no passado dia 6 de Novembro.
 
-------- E contudo ela une-se  (-por João Vilela, 14/11/2013, 5Dias)  
                            (-ou: da "esquerda" e da "direita", teórica, prática e política)

   ... Ser de direita é o refúgio natural das mentes preguiçosas.    À direita não se discute, não se teoriza, não se reflecte, não se elabora pensamento. Isso das teorias, das doutrinas, das ideologias, é tudo uma grande treta com que só a esquerda perde tempo.

    A direita é pragmática: os factos estão à vista, o diagnóstico está feito, discutir não passa de conversa fiada.   O que é preciso é fazer, seja o que for, em regime de meia bola e força, da forma que seja mais fácil e, já agora, que seja também baratinha, ou torne tudo mais baratinho para todos. 

    Naturalmente, os factos apurados por esta política do barato são-no sempre de forma técnica e asséptica, redutível a gráficos simplistas à la Medina Carreira, sem que qualquer «preconceito ideológico» turve a visão ao analista;   evidentemente, o diagnóstico que a política barata extrai dos dados que mobiliza é ele também tudo menos uma interpretação em que participem categorias valorativas de quem analisa, mas antes a própria expressão do bom senso, a constatação do óbvio, a reconstituição de uma linha lógica que se mete pelos olhos dentro;    indiscutivelmente, as soluções apontadas são inevitáveis, as que têm de ser, não há alternativas, e quem diz o contrário ou mente com despudor ou não percebe que «o mundo» funciona «assim».

     É escusado dizer-se que, por inexplicável coincidência, a aplicação prática deste pragmatismo todo, recai sempre sobre os mesmos.    Por estranha maquinação do destino, quando a direita é pragmática, nunca os banqueiros empobrecem, nem o patronato perde lucros, nem os salários aumentam, nem – supremo objectivo – os impostos chegam a descer.    O pragmatismo, filho de uma visão asséptica e neutra e isenta e imparcial, tem sempre a malvadez de ir ao bolso de quem trabalha, de fazer falir micro-empresas, de encurtar pensões e reformas, de gerar desempregados e – ó surpresa das surpresas! – beneficiar milionários, seja criando novos, seja aumentando os proventos dos que já existiam.     Para coisa que não foi premeditada para beneficiar uns contra outros, para coisa que não é pensada contra uns em favor de outros, a coisa não está mal.    O que me faz dizer, a mim que nem sou religioso, que Deus me livre de viver num sítio em que esta gente realmente se meta a discutir e a delinear planificadamente uma forma de beneficiar os ricos, deixando de lado a isenta seriedade que a caracteriza!

     Com efeito, bem sei, a repercussão que as ideias das H.M. que por aí andam, possa ter sobre quem menos tem, é a última coisa a preocupar os blasfemos. Merece-lhes um encolher de ombros, um «é a vida».   Aos mais dados a empregar palavreado da moda, julgando com isso dizer coisa que expresse a sua sofisticação e sapiência, ouviríamos talvez um «é o mercado a funcionar».    Já dos ainda assim dados, mau grado tudo, a sensibilidades serôdias ou hipocrisias de deputados em funções nas bancadas da direita ou a elas candidatos mais cedo ou mais tarde, talvez escutássemos um «são sacrifícios no presente para garantir melhorias no futuro».    Mudam os termos, não mudam os conteúdos: a direita que há 40 anos encolhia os ombros porque a pobreza «é a vontade de Deus» ou quando muito a classificava como o caminho para um lugar no Céu, encontrou na linguagem da economia mainstream (aquela que já não se chama economia política mas que o é como provavelmente nunca o foi) a nova vulgata para um credo com funções idênticas. Ao povo já não se dá ópio, dá-se-lhe o «Negócios da Semana».

     E afinal de contas - e deixo isto à consideração dos demais ...-, para quê a preocupação com o povo?   H.M. acusa-nos de «comunismo de sociedade recreativa» e consigo vê-la, vê-la literalmente, à porta da sede de uma sociedade desse tipo, vendo os homens lá dentro a jogar às cartas, a beber finos, a vozear, a dizer palavrões, com uns dentes muito sujos, umas panças muito salientes, alguns mesmo de fato de treino, as mulheres naturalmente de bata e a discutir a novela de ontem.   Que lugar horrível aquele!   A frágil H. estremece no alto do seu stiletto, sente-se mareada, cambaleia, enfia-se no carrinho, e acelera a toda a brida para bem longe de lugar tão feio!   Quereremos nós, confrades do 5 Dias, realmente defender gente de tão baixa extracção, que não lê livros nem vai ao teatro, que come com as mãos, gente que se coça?

     Aparentemente, queremos. Aparentemente, não dizemos «é a vida» quando sabemos que esta gente é despedida. Não dizemos «é o mercado» quando esta gente fica sem casa.   Não dizemos «saiam da vossa zona de conforto» aos filhos deles que não têm emprego.   Não consideramos «reduzir o peso do Estado» privá-los de centros de saúde, escolas, repartições, subsídio de desemprego, baixa médica, trabalho com direitos.   Vamos –pasme-se!– ao ponto de defender que alguns tenham RSI.    Vamos –imagine-se!– ao ponto de considerar que devem ser a classe dominante. Vamos –mas seremos bons da cabeça?!– ao ponto de não engolir a conversa «pragmática», o «diagnóstico» escorreito, as «soluções inevitáveis» que esta gente nos tenta impingir, matraqueadamente, todos os dias.   E discutimos como isso se faz, sim.   Mas acima de tudo unimo-nos para o fazer.   E a mesma H. que procura, em vão, ver nas discussões que por aqui nasceram a prova de que não o faremos com a mesma força, é a H. que nos verá, na luta concreta por cada uma destas coisas, unidos como os dedos da mão.

------- Cerco ao parlamento na Bulgária – desde o final de Janeiro de 2013 que o protesto é quase contínuo e esta é já a segunda tentativa de cerco, pelo meio já caiu um governo  (-por Francisco, 13/11/2013, 5Dias)

Bulgária    Desde o início de 2013 que os protestos anti-governamentais são quase quotidianos na Bulgária. Em finais de Janeiro a faísca que incendiou os ânimos populares foi a subida para mais do dobro das contas de electricidade, por parte das companhias que foram privatizadas na passada década. Uma das reivindicações dos manifestantes era a re-nacionalização das empresas de electricidade.

    Em resultado destes protestos anti-governamentais e anti-austeridade o governo conservador caiu e foi substituído por uma coligação hetróclita com os “socialistas” à cabeça. Os protestos regressaram após escândalos de corrupção e, digo eu, a falência do actual governo em responder à degradação do nível de vida das populações (ou tal como aqui, por se tornar evidente que esse é mesmo o objectivo).   Outros factores estão em jogo também, parece-me que nesta segunda vaga de protesto há também  um certo revanchismo de direita (político e sociológico) à mistura. De qualquer das formas os protestos não teriam a actual dimensão se não existisse terreno fértil, um mal estar mais geral e uma sensação mais ou menos difusa de retrocesso social.   Como já várias vezes tenho escrito, quem esteja à espera de movimentos de massas isentos de contradições, pode puxar uma cadeira e sentar-se, porque vai ter de esperar por toda a eternidade. Uma coisa é certa, independentemente da direcção e do conteúdo (que me parece contraditório q.b.) deste movimento de protesto, que inclusive já passou por várias fases, estas manifestações na Bulgária são sintoma de um mal estar geral que atravessa toda a Europa.



Publicado por Xa2 às 07:39 de 14.11.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De ou UE (e Pt) muda ou há Guerra/ violênci a 14 de Novembro de 2013 às 12:33
---- Soares avisa que país arrisca entrar numa ditadura
[Inês David Bastos , Económico.pt, 12-11-2013]
...acusa Cavaco de proteger o Governo e avisa que se Presidente não mudar de atitude país resvala para a violência.
-------
Mário Soares. “Se não há modificação na Europa vamos para uma nova guerra”
Em relação a Portugal Mário Soares diz estar "furioso com o Governo e com o Presidente da República porque não são capazes de respeitar a Constituição da República estão a destruir o país".
[Lusa, 13-11-2013]

O ex-presidente da República Mário Soares disse hoje, em Paris, que a Europa está a caminhar para o abismo e acredita que se a situação não se alterar o mundo pode assistir a uma terceira grande guerra.

"São os governos de extrema direita, sem ideologia, que dominam a Europa e acho que isso tem que acabar, porque se caímos no abismo acontece uma terceira guerra mundial.
Se não há modificação na Europa com o [Martin] Schulz vamos para uma nova guerra", disse Mário Soares à margem da sua homenagem na Câmara Municipal de Paris.

"Espero que (...) Martin Schulz, que aprecio muito como pessoa, possa ganhar as eleições pela primeira vez para ser presidente da Comissão Europeia e mudar tudo, porque
se continuarmos com o meu compatriota Durão Barroso, que é um homem que não sabe o que quer, quer dinheiro", acrescentou o ex-presidente da República.

O Partido Socialista Europeu (PSE) confirmou na semana passada a candidatura do social-democrata alemão Martin Schulz, atual presidente do Parlamento Europeu, à presidência da Comissão Europeia (CE).

O futuro presidente do executivo comunitário será aquele que alcançar a maioria dos apoios no Parlamento Europeu, cuja composição será conhecida nas próximas eleições europeias, agendadas para 25 de maio de 2014.

O atual presidente da CE, o português José Manuel Durão Barroso, assumiu o cargo em novembro de 2004 e recandidatou-se em 2009.

Mário Soares sublinhou que os governos de ideologia reacionária que dirigem a Europa neste momento "querem sempre austeridade e mais austeridade quando já toda a gente percebeu que a austeridade leva a mais miséria, mais desemprego".

"Devia ser o contrário que eles deviam fazer, mas não fazem porque são reacionários, não têm ideologia se não o dinheiro, as pessoas não contam nada para eles", acrescentou.

No entanto, o homenageado está "otimista" e "convencido de que a Europa vai ser salva, porque se não for salva era a desgraça para o mundo e para a América".

"Barack Obama sabe muito bem que sem a Europa os americanos não têm um único amigo, porque os americanos são odiados por todo o mundo, menos pela Europa.
A Europa é o seu grande e único amigo. Como pode a América não vir ajudar a Europa?
É necessário para eles, é importante para todos e devemos ter essa esperança", acrescentou.

Em relação a Portugal Mário Soares diz estar "furioso com o Governo e com o Presidente da República porque não são capazes de respeitar a Constituição da República estão a destruir o país".

"Faço tudo para que não haja violência no meu país, mas se eles persistem e não são capazes de mudar, o que vai haver é violência.
Há tipos que já dizem em Portugal que isto só vai a tiro", concluiu.

O ex-presidente da República Mário Soares foi homenageado pela Câmara Municipal de Paris com a Grande Medalha de Vermeil (prata dourada) de Paris.

Mário Soares foi recebido pelo presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, que lhe entregou a Medalha de Vermeil, numa cerimónia nos salões da Câmara parisiense.

-------------

(Renegociar duramente ou) Sair do euro para sair da crise

Sair da zona euro tem custos, mas é bom lembrar que nela permanecer impõe uma perda decisiva, a dos instrumentos de política económica indispensáveis ao desenvolvimento
[Jorge Bateira, publico.pt, 14-11-2013]


De + CARTELismo partidário e econo-social a 14 de Novembro de 2013 às 13:22
(-por OJumento, 14/11/2013)

Marcelo Rebelo de Sousa fez o primeiro comício da sua campanha presidencial e fê-lo com um discurso que faz lembrar mais a Marine Le Pen (EXTREMA DIREITA de França, agora em aliança para as eleições europeias com o partido de extrema direita da Holanda, ...)
do que alguém que há décadas vive no e à custa do sistema partidário, alguém que representa o sistema, que se alimentou desse sistema e que tem sido um dos símbolos do PIOR que esse sistema tem, a mentira política, a análise manhosa, a manipulação das opiniões.

É preciso alguma falta de honestidade intelectual para fazer campanha contra os partidos, seduzindo os eleitores com POPULISMO fácil. Se esta é a estratégia de Marcelo para a sua campanha presidencial a extrema-direita portuguesa que se cuide, terá em Marcelo um concorrente de peso.

«Marcelo Rebelo de Sousa defendeu esta quarta-feira que o sistema político português precisa de ser reformulado, vincando que a "reforma" deve começar pelos partidos políticos.
"Escreve-se há dezenas de anos sobre a dificuldade de conversão do sistema partidário, imaginam-se fórmulas, e os partidos estão cada vez mais iguais ao que eram. Estão rigorosamente iguais ao que eram", salientou o docente universitário no 23.º Congresso das Comunicações, em Lisboa, depois de ter dito que
"os partidos foram criados a partir do Estado" porque "a sociedade civil nunca existiu".

No entender do conselheiro de Estado, as duas maiores forças de representação - referindo-se ao PS e ao PSD - são "partidos de CARTEL" (*), aos quais "se juntou mais um", atirou em alusão ao CDS.

"Esses partidos precisam do poder nacional e local para perpetuarem a sua influência, apesar da penetração que tenham na sociedade civil.
A sua reforma é muito difícil e com os parceiros económicos é o mesmo", criticou ainda o ex-líder social-democrata, para o qual a solulção é apenas uma:
"O sistema político português - e o social também - precisa de um banho de humildade."» [DN]

------- Cartelismo político-partidário português ---------

PS e ao PSD (e CDS) - são "partidos de CARTEL" (*), -- nisso até podemos estar de acordo pois têm sido eles (o «arco do poder» desde 1975) a Manipular a Governação, as alterações constitucionais, os orçamentos e as leis, a distribuição e recepção de cargos, benesses, subsídios, ... - repartindo-os entre si e os seus parentes e associados. - realmente isto é um Cartel, que controla a economia e a sociedade portuguesa, com muito Nepotismo, Corrupção, Ladroagem, clientelismo e incompetência. !!


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