Vale a pena lutar
Nenhum Trabalhador despedido. Não há redução da tabela salarial.  (- por Francisco, 17/11/2013, 5Dias)
      Em Madrid lutou-se para GANHAR
Hoje, reunidos em Assembleia, os trabalhadores da limpeza de Madrid decidiram aceitar o acordo alcançado pelos sindicatos e terminar a greve. Antes de se iniciar esta luta a proposta era de despedir 1134 trabalhadores e impor uma redução salarial de cerca de 40%. O acordo alcançado prevê que não existirão nem despedimentos, nem reduções na tabela salarial.   Esta greve teve características que convém identificar:
- Greve Indefinida. Não foi um dia nem dois, foram os dias que foi preciso para vencer.
- Impactos reais na sociedade e economia. Madrid encheu-se de lixo, o quotidiano e a economia foram afectados pela greve de forma significativa e indisfarçável.
- Fundo de Greve.  Durante o decorrer da greve várias recolhas de fundos foram realizadas para apoiar os trabalhadores em greve.- Unidade. Houve uma grande unidade entre os trabalhadores do sector em greve. É preciso lembrar que embora no mesmo sector e região, os trabalhadores pertencem a três empresas diferentes.
- Decisões em Assembleia. A condução da greve e a decisão de esta terminar ou não, não coube em exclusivo às direcções sindicais, os trabalhadores em Assembleia tiveram a palavra final. 
- Não se aceitam comportamentos «fura greves».  As tentativas de furar a greve foram combatidas com eficácia.
- Sabotagem.  Alguns fariseus chegaram a dizer que se vivia em Madrid um clima de “Guerrilha Urbana”, é um exagero, mas de facto, houve caixotes do lixo e carros a arder, ataques a “esquiroles” e dezenas de detidos.
- Solidariedade Popular. A greve contou com a apoio activo de vários sectores populares. Houve manifestações de apoio, concertos em solidariedade e assembleias populares em bairros. Como forma de agradecer o apoio popular os grevistas doaram o seu sangue. Alguns destes elementos foram abordados pela Raquel recentemente.  Nomeadamente, a importância dos fundos de greve, a denuncia dos comportamentos “fura greves” e a necessidade de uma greve causar impactos sobre o quotidiano.Uma greve que empregue todos estes métodos não será automaticamente bem sucedida. 
    Uma greve pode ser bem sucedida e não contar com todos estes elementos. Mais, para que uma greve reúna todas estas características é necessário uma série de condições objectivas e subjectivas que não se obtêm com um estalar de dedos. Feitas estas advertências, existem quatro conclusões essenciais:

   1. Uma greve com estas características , sobretudo que cause um impacto importante na economia e quotidiano, não tem apenas mais probabilidades de vitória. Para que a própria hipótese de vitória exista é necessário que a greve seja um obstáculos efectivo ao “decorrer da normalidade”. Para além desta greve em Madrid, poderia aqui também invocar como exemplo a greve dos professores aos exames em Junho passado.

   2. A primeira condição para que uma luta possa ter hipóteses de vitória é subjectiva. É necessário que quem nela participa e a dirige ter o objectivo e a vontade de a vencer. Isso implica estar disposto a recorrer às ferramentas acima expostas e a fomentar/preparar as condições para que seja possível empregar esses métodos.

   3. É uma falácia pensar que a radicalidade e participação massiva auto-excluem-se, na verdade, uma luta só é participada se for perceptível que pode vir a alcançar alguns resultados.

   4. Numa certa Esquerda existe a tese que a manutenção da paz social deverá estar acima da procura de vitórias na luta social. Existe quem, mesmo podendo vencer, aceita derrotas em nome de “evitar o confronto”. Ora, a procura de vitórias é que deve ser o alfa e ómega da nossa estratégia, a existência ou não de confrontação depende dessa avaliação. Existem momentos em que até é correcto recuar e evitar o confronto.   Mas recuos desses não são motivo de orgulho, são retiradas e é como tal que devem ser encaradas. Se tacticamente até se pode aceitar uma “convivência pacífica”, estrategicamente há que ser…  Intolerante com os exploradores e seus agentes

     O ponto 2 que acima levantei parece óbvio, “é preciso ter vontade de alcançar vitórias”. No entanto, poucas lutas sociais do Portugal recente cumprem com este requisito. Os protestos, regra geral, não têm sido conduzidos com o objectivo de se alcançarem vitórias através do combate social.   A  forma como decorrem a maioria das greves e manifestações tem como resultado demonstrar que existe um elevado nível de insatisfação e provocar um desgaste na imagem do governo.   Aquilo que é possível obter com essa estratégia é, na melhor das hipóteses, abrandar a introdução de futuras medidas e contribuir para a derrota eleitoral dos partidos que compões a actual maioria.

   O que acima disse não é um juízo de valor, é a descrição da realidade. Há várias razões pelas quais isto acontece.  O papel das direcções do PCP e do BE nisso daria pano para mangas. Mas independentemente dessa discussão, o que me parece-me fundamental reconhecer é que esta estratégia do “desgaste simbólico” é claramente insuficiente para o actual momento histórico e daí é necessário tirar as devidas conclusões.

 

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Publicado por Xa2 às 13:43 de 18.11.13 | link do post | comentar |

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