A esperança passa pela Europa das Pessoas, dos cidadãos.

Um guião para um debate informado  (ver tb os comentários)

Um Guião político para as Europeias de 2014, escrito pelo Alexandre Abreu, pelo João Rodrigues e Nuno Teles, pretende intervir no debate sobre a questão nacional, socioeconómica e política, mais importante - a europeia - e sobre a estratégia da esquerda que não desiste para as eleições do próximo ano.   Sendo escrito por quem tem e toma partido, intervém numa discussão ampla para convergências tão amplas quanto possível.
Ideias centrais:    a campanha de uma força de esquerda que queira ser portadora de um projeto de esperança para os que aqui vivem tem de saber articular três grandes linhas:
 -- desobediência e recusa das perdas passadas e futuras de soberania,
 -- renegociação da dívida e
 -- exigência de saída do Euro (mas não da UE).
O documento pode ser descarregado aqui.  Que a discussão prossiga! 
--------------
          NÓ   DO   PROBLEMA              (-por R.Namorado, 23/11/2013, OGrandeZoo)
      Na atual conjuntura portuguesa e europeia, o radicalismo imediatista dos protestos, mesmo no quadro de um contexto táctico imaginativo e até potencialmente fecundo, mesmo que eticamente justificados e politicamente legítimos, são insuficientes, ainda que episodicamente  confortadores.   Não vão além de uma vulnerável atitude defensiva.
      Por mim, estou convencido que sem uma real ousadia estratégica que assuma a necessidade de encetar um processo reformista de superação do capitalismo, as esquerdas continuarão cercadas.   Cercadas dentro de um sistema que se sente confortável e tranquilo enquanto não for contestado na sua globalidade.   De facto, enquanto a circulação das ideias e das indignações não o puserem em causa como modo de ser da sociedade, todas as contestações serão encaradas pelos seus protagonistas centrais com descontracção e bonomia.
     E se as esquerdas, e em especial a que é eleitoralmente hegemónica, não forem capazes de passar por essa metamorfose, dificilmente abrirão qualquer porta para o futuro.    De facto, como poderão aspirar a ser a expressão organizada dos explorados e dos oprimidos, se aceitarem a exploração capitalista como um dado de facto irremovível e a opressão institucional como uma fatalidade?    Podem protestar contra a exploração e contra a opressão (e é bom que o façam), mas, se não mostrarem uma vontade prática viável que leve a sair delas, acabarão por espalhar apenas desilusão e desespero.
     Não é, por isso, possível adiar mais, sem grandes riscos,  a aposta num reformismo autêntico que caminhe, gradual, democrática e ininterruptamente, para uma nova sociedade.   Já não chega um possível discurso milenar de esperança, ideologicamente generoso e eticamente legítimo, se continuar desprovido de apostas práticas concretas imediatas.    Não é possível esquecer por mais tempo a actualidade de um horizonte socialista, como contexto estratégico de longo prazo, qualificante e justificativo, das nossas propostas, das nossas políticas, da nossa ambição transformadora.
     Os explorados e oprimidos podem bater-se por uma sociedade justa ,   podem aceitar sacrifícios hoje para uma sociedade de iguais amanhã;   não estão mais dispostos a sofrer para que um pequeno grupo de ricos acumule dinheiro e poder à custa da miséria de um número crescente de cidadãos.   Muitos estão dispostos a bater-se e sacrificar-se por uma sociedade justa, pela igualdade e pela justiça.   Será estulto pensar-se que alguém irá lutar por mais zero vírgula um por cento do PIB, concedendo que a sociedade fique estruturalmente como é hoje.
     Este é o problema central.    Fugir dele sem o resolver, aconchegando-nos no suave tricotar de pequenas propostas, mesmo acompanhadas por uma forte vociferação de diatribes, talvez desanuvie temporariamente o horizonte se formos geniais, mas, de um ponto de vista estratégico, continuaremos engessados, logo praticamente inofensivos. Talvez os gritos dêem uma ilusão de acção, mas não nos farão sair do mesmo sítio.
     E, mais cedo ou mais tarde, voltará tudo ao mesmo, mas com mais pobres, mais injustiçados, mais cansados. E (nunca o esqueçamos!) com muito menos paciência.


Publicado por Xa2 às 07:47 de 28.11.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De o Apelo à Violência contra INJUSTIÇA e.. a 28 de Novembro de 2013 às 10:58
O apelo à violência
(-por Daniel Oliveira, 28/11/2013, Arrastão e Expresso online)

[Papa Francisco:]

"Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança.
Mas, enquanto não se ELIMINAR a exclusão e a DESIGUALDADE dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível erradicar a VIOLÊNCIA.
Acusam-se da violência os POBRES e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de AGRESSÃO e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão.
Quando a sociedade - local, nacional ou mundial - abandona na periferia uma parte de si mesma,
não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade.
Isto não acontece apenas porque a desigualdade social provoca a reação violenta de quantos são excluídos do sistema, mas porque o SISTEMA social e económico é INJUSTO na sua raiz.

Assim como o bem tende a difundir-se, assim também o MAL consentido, que é a injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar, silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por mais sólido que pareça.
Se cada ação tem consequências, um mal embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de dissolução e de morte. (...)

"Mais cedo ou mais tarde, a desigualdade social gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem nem poderão resolver jamais.
Servem apenas para tentar ENGANAR aqueles que reclamam maior segurança, como se hoje não se soubesse que as armas e a repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores conflitos.
Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e pretendem encontrar a solução numa "educação" que os tranquilize e transforme em seres DOMESTICADOS e inofensivos.
Isto torna-se ainda mais irritante, quando os EXCLUÍDOS veem crescer este CANCRO social que é a CORRUPÇÃO profundamente radicada em muitos países - nos seus Governos, empresários e instituições - seja qual for a ideologia política dos governantes."

Lamento se vos pareço preguiçoso. Mas o meu texto de hoje é este. Assinado pelo Papa Francisco, na sua exortação apostólica "Evangelii Gaudium" ("A Alegria do Evangelho").
Subscrevendo mais umas partes do que outras, deixo este excerto aqui para aqueles que, tendo rasgado as vestes contra supostos APELOS à VIOLÊNCIA, possam agora atacar o Papa Francisco.
Estou seguro que Paulo Portas condenará esta insuportável legitimação da violência. Que o CDS dirá que, no fundo, isto é um apelo.
E que a maioria dos comentadores fará um ar constrangido com tão infelizes afirmações.
Afinal de contas, quem avisa e explica está, no fundo, a desejar que aconteça.


De Economia neoLiberal MATA a 29 de Novembro de 2013 às 09:23

---------A austeridade mata

«Com a aprovação do Orçamento para 2014, novas e severas medidas de austeridade vão ser adoptadas e penalizar, ainda mais, a generalidade da comunidade, levantando dúvidas quanto aos seus efeitos sobre os ténues sinais de recuperação económica.

A insistência na política de austeridade ocorre num momento em que as críticas a esta opção de política económica crescem de tom e ganham cada vez mais aderentes, levando-nos a colocar as perguntas:
A Austeridade Cura? A Austeridade MATA ?»

Organizado pelo Prof. Eduardo Paz Ferreira, coordenador do Centro de Investigação de Direito Europeu, Económico, Financeiro e Fiscal (IDEFF), da Faculdade de Direito de Lisboa, realiza-se amanhã, a partir das 9h30, a conferência «A austeridade cura? A austeridade mata?», que conta, entre outros, com a participação de Ferreira do Amaral, Francisco Louçã, Ricardo Paes Mamede e Mark Blyth, autor do livro «Austeridade: A história de uma ideia perigosa», recentemente traduzido pela Quetzal.

-por Nuno Serra

--------- Está na hora?

Tomando como pretexto a decisão favorável, por maioria de sete contra seis, do Tribunal Constitucional (TC), em relação ao absolutamente PERVERSO aumento do HORÁRIO de TRABALHO na função pública,
Elisabete Miranda e Catarina Pereira do Negócios fizeram ontem umas contas bem úteis, jornalismo citado pelos melhores, e concluíram que
o TC deixou passar 82% da austeridade em valor, obrigando o governo a rever 18% dos seus destrutivos planos, concentrados em 2013,
minorando ainda assim este ano os efeitos destrutivos, o que até acabou por ajudar ao suposto milagre da recuperação.

Segundo Reis Novais, se alguma crítica se pode fazer ao TC é a de não levar os DIREITOS SOCIAIS suficientemente a sério.
A correlação de forças, no plano socioeconómico, é a que é. Para usar uma metáfora perigosa:
a infraestrutura tem muita força.

Daí que a guerra de posição tenha de ter várias trincheiras, sendo a esfera constitucional apenas uma delas, sem bem que muito importante.
Suspeito que o governo da troika terá de encontrar rapidamente outro bode expiatório superestrutural...

-por João Rodrigues às 28.11.13 1


---------- Economia humana?

Así como el mandamiento de «no matar» pone un límite claro para asegurar el VALOR de la VIDA HUMANA, hoy tenemos que decir «NO a una ECONOMIA de la EXCLUSION y la INEQUIDAD».

Esa economía MATA. (...)
En este contexto, algunos todavía defienden las teorías del «derrame», que suponen que todo crecimiento económico, favorecido por la libertad de MERCADO, logra provocar por sí mismo mayor equidad e inclusión social en el mundo.
Esta opinión, que JAMÁS ha sido confirmada por los hechos, expresa una confianza (absurda) burda e ingenua en la bondad de quienes detentan el poder económico y en los mecanismos sacralizados del sistema económico imperante.
- Papa Francisco, Evangelii Gaudium

A Doutrina Social da Igreja, se for levada a sério, e às vezes parece não o ser por essa hierarquia acima, oferece sempre pistas interessantes, mesmo para os que não são crentes,
para uma CRÍTICA ao capitalismo NEOLIBERAL alinhada, por exemplo, com o que se sabe sobre os determinantes sociais da saúde em contexto de austeridade ou sobre a economia política da desigualdade crescente.
Desigualdade e austeridade ferem e matam.
Trata-se, pelo contrário, de buscar, com todas as ambiguidades que este termo contém, uma economia SOLIDÁRIA.
De resto, as suas hipóteses antropológicas da pessoa como ser relacional, em oposição à ficção influente do homo economicus, apontam, entre outros,
para os PERIGOS do EGOÍSMO alimentado pelas instituições e exortações prevalecentes em tempos de NEOLIBERALização.
- por João Rodrigues


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