Tudo para o buraco da banca e aumento de fortunas de oligarcas

Tudo para o buraco da banca   (Nuno Teles, 28/11/2013, CADTM)

            Hoje, o sistema bancário nacional está completamente dependente do apoio público. O seu financiamento é garantido através do Euro sistema a taxas de juro de referência de 0,25%. A sua capitalização teve que ser empreendida pelo Estado, em 5,6 mil milhões de euros, devido à incapacidade dos seus acionistas. E, no entanto, ao contrário da narrativa governamental, a banca continua enfraquecida. Na sua atividade, os quatro maiores bancos nacionais totalizaram 1200 milhões de prejuízos até setembro.

     As causas são fáceis de identificar: com a austeridade e recessão que assola o nosso país o número de empresas e famílias incapazes de cumprir com os seus contratos de crédito não pára de subir. Assim, com a continuação da austeridade e crise no futuro não é expectável qualquer reversão desta tendência. Os balanços da banca continuarão a degradar-se, consumindo o capital entretanto injetado pelo Estado e bloqueando qualquer extensão de crédito à economia portuguesa.

     Os empréstimos públicos realizados no processo de recapitalização são apresentados como tendo preços acima do mercado. Esta afirmação não faz qualquer sentido. Não existe mercado, e logo não há nenhum preço de mercado, já que a banca não se conseguia financiar através de agentes privados. Ainda assim, importa notar que os juros pagos pela banca por estes empréstimos do Estado são dedutíveis no IRC da banca paga ao Estado. Ou seja, na verdade, estes juros têm um desconto real de 25% (taxa nominal do IRC) naquilo que é pago ao Estado.

     Finalmente, os representantes do Estado nos bancos intervencionados não têm poder para reconfigurar o modelo de negócio atual da banca que, por exemplo, faz uso do financiamento barato do BCE para comprar dívida portuguesa no mercado secundário a uma taxa de juro muito superior, no que são lucros seguros feitos à custa dos portugueses.  Medidas como o eventual corte nas remunerações das administrações da banca, além de mero número demagógico (os salários auferidos não têm qualquer limite em valor), servem só para criar uma cortina de fumo sobre o que é preservação a todo custo do poder financeiro em Portugal.

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25 maiores fortunas de Portugal equivalem a 10% do PIB    (Rev.Exame, 27/11/2013, via Esquerda.net)

    Este ano, as 25 maiores fortunas do país perfazem 16,7 mil milhões de euros,  2,3 mil milhões a mais do que em 2012, este valor corresponde a 10% do produto interno bruto (PIB), sendo equivalente a todo o dinheiro que o Estado português foi buscar aos mercados com a emissão de dívida a curto prazo este ano.   “Os tempos podem ser de crise, mas as maiores fortunas nacionais continuam a crescer”, avança a revista.

    No topo da lista dos mais ricos de Portugal encontra-se Américo Amorim que, tendo conseguido duplicar a sua fortuna em apenas um ano, com a subida de flecha do preço das ações que detém na Galp Energia, no Banco Popular e na Corticeira Amorim, voltou a conquistar o primeiro lugar do pódio, destronando Alexandre Soares dos Santos, agora em segundo lugar. A sua fortuna, avaliada em 4,5 mil milhões de euros, é superior ao esforço de austeridade exigido para este ano.

    Ainda que tenha descido na classificação, Soares dos Santos (PDoce) viu a sua fortuna aumentar de 2,1 para 2,2 mil milhões de euros.

    Em terceiro lugar surge a família Guimarães de Mello (Cuf), com uma fortuna de 1,7 mil milhões de euros.

    Belmiro de Azevedo (Sonae/Continente), mantém o quarto lugar ranking, com uma fortuna de 1,2 mil milhões de euros, o dobro do valor apurado em 2012.

    Maria Isabel dos Santos (uma das principais acionistas da Jerónimo M./PDoce), volta a ser identificada como a mulher mais rica de Portugal, subindo do 9.º lugar para o 7.º lugar, com uma fortuna de 574,9 milhões de euros.

    Nos primeiros dez lugares do ranking surge ainda Maria do Carmo Espírito Santo Silva (BES), com uma fortuna avaliada em 497,4 milhões de euros.


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Publicado por Xa2 às 19:20 de 28.11.13 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Degoverno recusa Frente do Sul. a 5 de Dezembro de 2013 às 14:25
(-por P.Rainho, i, 30 Nov 2013)


Secretário de Estado português foi à Grécia e saiu de lá como..."o alemão"

Bruno Maçães recusou uma frente de países do Sul. Imprensa grega ficou surpresa com a proximidade à posição alemã.

A visita do secretário de Estado dos Assuntos Europeus à Grécia há uma semana valeu a Bruno Maçães a qualificação de "o alemão" na imprensa helénica.

No dia seguinte à passagem do governante pela capital grega, onde participou numa mesa--redonda sobre o tema "Governância económica e crise europeia", dois diários do país publicaram artigos de opinião expressando surpresa com a proximidade do discurso de Maçães à posição alemã. O secretário de Estado recusou a ideia de uma união de esforços a sul - nomeadamente entre os países intervencionados, mas contando também com a Itália ou a França. Os dois jornais sublinharam a falta de "solidariedade" com os países da União que defendem um caminho diferente do da Alemanha.

No final do encontro, promovido pela embaixada de Portugal em Atenas e pela Fundação Helénica para a Política Europeia e Estrangeira (ELIAMEP), Bruno Maçães respondeu a algumas questões da comunicação social que fazia a cobertura do evento. Um dos jornalistas aí presentes conta ao i que a reacção às palavras do secretário de Estado foi de "bastante surpresa" porque "se mostrou resolutamente contra uma frente europeia do Sul na zona euro". Bruno Maçães terá ainda defendido que as questões fiscais no seio da União devem ser tratadas a nível nacional, ao mesmo tempo que se mostrou a favor de uma política económica comum entre os estados-membros, apesar de não concordar com a criação de um lugar de ministro da Economia para a zona euro.

"Ficámos verdadeiramente desiludidos, porque tínhamos a expectativa de encontrar um amigo da periferia europeia que se revelou um rigoroso académico sem qualquer solidariedade com um país com problemas semelhantes ao seu", diz um dos jornalistas que confrontaram Maçães com o resultado do encontro entre os líderes francês e italiano. No dia anterior ao do encontro em Atenas, François Hollande e Enrico Letta participaram numa cimeira bilateral em Itália. No final, Letta assumiu que a aposta numa "capacidade fiscal" da zona euro como um todo "representa um grande objectivo". A união de esforços entre os dois países contra a posição alemã da União Europeia levou à divulgação de uma declaração conjunta, no final do encontro, onde os governantes defendiam uma "maior harmonização" fiscal que dê à zona euro uma "capacidade financeira real" para investir na economia e criar mais emprego - ideias já rejeitadas pela Alemanha.

A reacção dos jornais helénicos à "posição germânica" do secretário de Estado português aconteceu no dia seguinte. No diário "Ta Nea" - próximo do partido socialista grego (PASOK) -, um editorial não assinado, mas cuja responsabilidade cabe em regra à editoria de política, referia-se ironicamente à "boa solidariedade" de Bruno Maçães, apresentado como um português que "fez de alemão". Um governante que o jornal considera ser "mais troikano que os troikanos", por considerar que não deve ser pedido mais tempo para os países intervencionados executarem as reformas exigidas pelos credores internacionais.

No outro diário que focou a intervenção do secretário de Estado, o "E Kathimerini", Maçães é também descrito como "mais alemão que os alemães" por "proclamar com paixão quão importante é a disciplina fiscal".


De Destruir para Roubar e Explorar + a 3 de Dezembro de 2013 às 12:49

OBJECTIVO: destruir para explorar mais

(- Diário Insular, 3/12/2013, DECQ MOTA)

O caso dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo veio pôr a claro, mesmo para os menos informados
ou mais crédulos, que o objectivo central e prioritário do actual poder desta República degradada é o de destruir grande parte do sector produtivo mais capaz, para depois reactivar
actividades com menos gente e, principalmente, com muito mais exploração.
(e, no processo, dar aos amigos uns milhões a ganhar ...)

Acabei de ver na internet uma interessante
fotografia dos Estaleiros de Viana do Castelo e nela observei uma generosa área, docas, doca seca, guindastes, gruas, armazéns recheados de equipamentos tecnologicamente actualizados, embarcações diversas e o mais que se não vê.

Tudo isso está para ser concessionado a uma
empresa que, de acordo com notícias dos OCS, tem 300 milhões de dívidas e tem as acções enormemente desvalorizadas. Essa empresa vai pagar uma renda anual, até 2031, de 400 mil euros ano, para usar todos esses equipamentos.

O passivo dos Estaleiros continuará a cargo do actual acionista, o Estado.
As indemnizações pelo despedimento colectivo serão da ordem dos 30 milhões de euros.

Tudo o que atrás anotei é absurdo e escandaloso!
A única conclusão a que se pode chegar é a de que se pretende “reestruturar” a actividade, oferecendo
a privados um enorme património público, que será utilizado com menos trabalhadores, pior pagos e sem qualquer perspectiva de valorização
do trabalho.
A divisão de proventos entre o capital e o trabalho levará assim um balanço, favorável ao capital, correspondente ao facto de, com esta crise, as grandes fortunas estarem a aumentar escandalosamente.

Os trabalhadores do Estaleiro, a vida económica e social de Viana do Castelo e do Norte e todo o País são profundamente afectados por este crime económico cometido por governantes cínicos e obscuros apostados em pôr Portugal de rastos, aos pés dos dominadores.

--------------------

Editorial - Sim à comissão de inquérito aos Estaleiros de Viana
Eduardo Oliveira Silva Mesmo que não mude nada, pode ser útil e levantar algumas lebres Existe a intenção de se constituir mais uma comissão de inquérito, agora a propósito do complexo dossiê dos Estaleiros de Viana do Castelo e das peripécias que os trouxeram para a mais recente (que talvez não última) solução, com o envolvimento da Martifer.
In i- 03-12-2013


Trabalhadores dizem que comissão peca por tardia
In Jornal da Madeira- 03-12-2013


Aliança entre grandes armadores ameaça portos portugueses
In Jornal de Negócios- 03-12-2013


Viana é uma lição
Alberto Castro Professor universitário E se, por uma vez, o Governo viesse invocar Brecht? Do rio que tudo arrasa se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem..
In Jornal de Notícias- 03-12-2013


Trabalhadores declaram guerra à subconcessão
In Jornal de Notícias- 03-12-2013



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