8 comentários:
De Sabujos d'interesses contra AliançaSul a 5 de Dezembro de 2013 às 16:10
----- Gang de troikanos ou Desgoverno de rapazolas neoliberais incompetentes

Os imberbes fanáticos de Passos Coelho

(-por Daniel Oliveira, 3/12/2013)
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... Já o diário "E Kathimerini" descreveu-o como "mais alemão do que os alemães", pelo seu fanatismo em torno da "disciplina fiscal".

Não é a primeira vez que governantes portugueses causam, noutros países intervencionados, espanto pelo seu obediente e desconcertante alinhamento com as posições alemãs.
Já na Irlanda um jornalista tinha, na televisão, chamado "ministro da troika" a Vítor Gaspar.
Não se trata aqui de qualquer má vontade para com os alemães. A Alemanha tem os seus interesses próprios.
Apesar de achar que tem faltado a Merkel a visão para perceber que o rumo que está a seguir irá destruir o projeto europeu, posso compreender que defenda os interesses específicos do seu país.
Afinal de contas, esta crise tem permitido que a Alemanha se financie a custo zero e o euro, tal como existe, significou um impulso extraordinário para a sua economia.
Teve o efeito exatamente oposto nas economias periféricas, como se vê pelos défices e excedentes comerciais acumulados dum lado e do outro na última década.

O que espanta gregos e irlandeses, mas também italianos, franceses e espanhóis, é a postura do governo português, em permanente defesa de posições que são contrárias aos seus próprios interesses.

Não sei se o governo procura estar do lado dos vencedores, mesmo quando eles seguem um caminho que só pode prejudicar as economias mais pequenas, para tentar receber umas migalhas como agradecimento.

Isso explicaria a ausência de Passos Coelho na conferência que, em Setembro de 2012, juntou em Roma Antonis Samaras, Enda Kenny, Mariano Rajoy e Mario Monti.
Portugal espera a proteção alemã na hora de todas as decisões e não gosta de ser confundido com quem possa dar um sinal, tímido que seja, de insubordinação.
Curiosamente, como se tem visto por várias vezes, incluindo na recente aprovação de apoios comunitários para medidas contra o desemprego (que não nos incluiu) ou em todos os processos negociais relativos ao memorando de entendimento, tal estratégia não tem tido grandes resultados.
Quem espera esmolas e não procura aliados não tem grande poder negocial.


A outra possibilidade é que esta posição seja convicta.
Que o fanatismo ideológico pese mais do que a ponderação dos interesses nacionais.
Como todos os extremistas, seguem a cartilha e consideram que qualquer ponderação política que os desvie da sua pureza ideológica é um sinal de fraqueza.
A completa ausência de experiência política dos jovens ideólogos mais próximos de Passos - que estes puros verão como vantagem sua - ajuda à infantilidade e à insensatez.
Infantilidade visível na reação do secretário de Estado a estas notícias, colocando no twitter uma provocação, em inglês, à imprensa grega:
"The Greek left calls me "German". Oh no!" (um dos jornais que o criticou está próximo do PASOK, que faz parte da coligação governamental).

É natural que, por essa Europa fora, esta imberbe pandilha cause admiração e espanto.
Como se pôs um país que está a viver uma das piores crises da sua longa história nas mãos destes aprendizes?
Esse é o mistério que nem os portugueses conseguem explicar muito bem aos que, como nós, por essa Europa fora, vivem tempos difíceis.

Publicado no Expresso Online


De Salazar e gang neoliberais a 5 de Dezembro de 2013 às 18:09
A moral de desobedecer

«Salazar afastou-nos da política. Alegava que percebíamos pouco ou nada dos enredos que determinavam o processo histórico. Para cumprir o projecto serviu-se do sarrafo e do cantochão: da violência e do servilismo cúmplice da Igreja católica. Calafetou-nos com a censura, a polícia, uma escola com esquadrias implacáveis, o temor religioso que nos imbecilizava, a criação de uma clique paralisante e ignara; e a colocação, nos postos de comando e de poder, de serventuários inescrupulosos. Leitor de Maurras, de Sorel e de Gobineau, cujo Les Plêiades absorvera, entusiasmadíssimo, na juventude, conhecia muito bem o que desejava. "Sei o que quero e para aonde vou", dissera, num tom ameaçador que passou despercebido, mesmo aos homens da Seara Nova.
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Esta caracterização tem semelhanças, nada abusivas, com o político actualmente no poder. É apenas uma verificação histórica. Acontece um porém: Salazar era culto e bom manejador da língua. Frequentador, com mão diurna e mão nocturna, dos padres António Vieira e Manuel Bernardes, consumia pelo menos 36 horas a redigir os discursos mais importantes. O que nos calhou agora é aquilo que tem provado à exaustão. Mas a consciência antidemocrática é comum aos dois. Por muito que este encha a boca com a palavra "democracia", ele e sua prática são quase um sacrilégio, enquanto o outro só a proferia raramente e, claro!, para a escarmentar.

Somos responsáveis por um e por outro. Muito respeitadores por quem nos desrespeita, nos violenta e nos agride com mentiras e omissões, os nossos protestos quedam-se na obediência à estrutura "orgânica", por natureza cumpridora e legalista. Cito Cornelius Castoriadis (ao qual voltarei, em breve, porque estou a relê-lo): "...a honestidade, o serviço de Estado, a transmissão do saber, a obra feita (...) vivemos em sociedades nas quais estes valores se tornaram, com pública notoriedade, irrisórios e em que apenas importa a quantidade de dinheiro que se mete no bolso, de qualquer maneira, ou o número de vezes que se aparece na televisão."

Os episódios ocorridos na escadaria do Parlamento, e na "invasão" de quatro ministérios, representam veementes censuras ao recalcamento que este Governo nos aplica. O direito à desobediência impõe-se, quando o poder cria formas e estimula métodos contrários aos princípios das próprias noções de convivência social.» [DN]

Autor:
Baptista Bastos.,


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