De Milhares contra Bangsters a 13 de Dezembro de 2013 às 09:28


Os Bancos que se entreguem
(-por Raquel Varela, 11/12/2013, 5Dias)

Estive hoje numa escola, num Clube de Cinema – Gostos Discutem-se -, a comentar e debater As Vinhas da Ira, numa conversa animada. Disse, entre outras notas, que a despossessão que a família de Joad é vítima, em que perdem o terreno, endividados ao Banco, é muito semelhante à situação daqueles que estão a perder o emprego, a sua casa e são depois forçados depois à emigração.

Sem desemprego, isto é, sem a destruição de riqueza (destruir emprego ou mandar laranjas fora é o mesmo) não há elevação das taxas médias de LUCRO. O lucro não permite o crescimento, pelo contrário, nas crises o lucro só se eleva com destruição da riqueza, o termo exacto para aquilo que este Governo designa como «temos que empobrecer» ou «vivemos acima das nossas possibilidades».

Estava a falar sobre os camponeses Joad quando um jovem, talvez de 16 anos, disse que gostou de ver o filme porque tudo parecia actual…foi, contou-nos sereno e triste, o que «aconteceu a ele, à mãe dele, perderam a casa…»
Disse-lhe o que me ocorreu na hora:
enquanto estamos vivos estamos em jogo e PODEMOS reverter esta GUERRA.
É uma frase batida, que não resolve nada. Porque fiquei sem palavras. Fiquei, na verdade, imensamente triste.
Procurarei agora dizer-lhe, imagino que já não me oiça, algo mais sério.
As casas em Portugal estão sobre-valorizadas 35% a 50% por causa das mais valias de loteamento e outros negócios. Muitos já pagaram as casas em juros muito acima do que seria aceitável.
Há 1 milhão e 500 mil casas vagas em Portugal, metade pertencem a fundos imobiliários que não pagam IMI.
O desemprego não cai do céu:
cai das políticas do Governo, que desemprega directamente ou facilita pela legislação os despedimentos.

No actual estado de coisas não somos nós que temos que entregar as casas ao Banco, é o Banco que se tem que entregar a nós como um criminoso que bate à porta e diz «estou aqui, fui eu».
Como é previsível que não o faça está na hora de sermos nós a bater às portas deles e resgatar os activos.
O termo correcto é EXPROPRIÁ-LOS, nacionalizando desta vez os lucros e não só os prejuízos, como foi feito nos últimos anos.

Para o fazer não é preciso a lei. É preciso força social. Como dizia o historiador Howard Zinn, que há poucos anos nos deixou,
«quando quiseres quebrar a LEI fá-lo com pelo menos 2000 pessoas atrás de ti».


De Banco do Inferno a 13 de Dezembro de 2013 às 10:06
Um banco central à medida dos estarolas
(12/12/2013, TSF, via CamaraCorporativa)



O Banco de Portugal está em convulsão. A causa próxima prende-se com o preenchimento do cargo de “economista-chefe”, ou seja, director do relevante Departamento de Estudos Económicos, após uma quase furtiva ordem de serviço de Vítor Gaspar, num dos últimos actos como ministro das Finanças, para remover a titular do cargo, ressarcindo-a com um poiso na administração da Caixa Geral de Depósitos (cf. aqui, aqui e aqui).

Aberto concurso para dotar o banco central de um “economista-chefe”, candidataram-se à vaga economistas com qualificações para dar e vender. Ignoravam decerto que o perfil traçado, mas não divulgado, apontava para um simples bonifrate de plasticina. O governador do Banco de Portugal, que no auge da sua carreira esteve sob as ordens de Deus Pinheiro e Jardim Gonçalves, não simpatizou com os curricula: deparou-se com as provas — profissionais, académicas e científicas — de que, entre os concorrentes, havia gente altamente qualificada que desprezava, quando não se opunha, à parafernália ideológica do “caminho único”.

Que poderia fazer o pobre governador ao entrever que o bastião do austeritarismo estava prestes a sucumbir às mãos de um inimigo armado até aos dentes com artigos científicos em revistas de reconhecido mérito? Retaliar sem contemplações. Foi então que Carlos Costa tomou a decisão de aplicar aos candidatos delinquentes a pena de talião: mandar encerrar o concurso e confiar a Vítor Gaspar, recém-vítima da contestação académica e científica ao “caminho único”, a tarefa de conceber o “reposicionamento estratégico” do cargo de “economista-chefe” — ou seja, blindar o bastião, precavendo-o para hipotéticas investidas no futuro.

Aparentemente mais fadado para carregar os tacos de Deus Pinheiro do que para administrar um banco central, fontes contactadas pela TSF fazem saber que o governador geriu com os pés um processo que exigia um tratamento com mãos de cirurgião e “temem prejuízos para a credibilidade do Banco de Portugal.”

A circunstância de ter sido atirado para a praça pública o nome do director adjunto veio revelar que há um conflito interno sem paralelo no Banco de Portugal. E os “defeitos” apontados à personagem que se pretende queimar têm um efeito de boomerang sobre o governador: a evidência da balbúrdia político-ideológica que grassa no banco central e o manifesto incumprimento do dever de reserva por parte do palrador-mor (v.g., aqui). Parece ter chegado a hora de ajudar o homem a acabar o mandato com dignidade.

⇒ Miguel Abrantes à(s) 12.12.13 3 comentários : Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Banco de Portugal , Governo , Ideólogos da direita , Indigência , Vítor Gaspar

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Banco de Portugal: atirar a austeridade para debaixo do tapete na esperança de que não faça mais estragos

O quadro macroeconómico do Boletim de Inverno Inferno
comentado por João Galamba, Paulo Sá e Mariana Mortágua
⇒ Miguel Abrantes à(s) 12.12.13 Sem comentários : Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Austeridade , Banco de Portugal , BE , Economia portuguesa , Neoliberalismo , OE-2014 , PCP , PS


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